“Aqui não tem transparência”
Entrevista de Nelson Bocaranda, Jornalista venezuelano, a ZH (Porto Alegre, Brasil), 12/04/2012
O jornalista Nelson Bocaranda passou a ser um radar para o mundo sobre os bastidores da doença de Hugo Chávez. Foi ele quem revelou em junho passado que o presidente sofria de câncer e, em fevereiro, que a doença havia reaparecido. Confira entrevista concedida a ZH:
Zero Hora – As pessoas estão se referindo a você como “ministro da Comunicação não oficial”.
Nelson Bocaranda – Não gosto disso. Prefiro que me chamem de ministro da Igreja Batista, mas ministro do governo, nunca! (risos). É uma brincadeira, mas quer dizer que aqui, o governo não informa nada. Não temos direito a nos informar de nada oficialmente. Não há ninguém que informe sobre impostos, investimentos, negócios, mortos. Não temos informação real e verdadeira há mais de 10 anos.
ZH – Como o governo reagiu às informações que o senhor divulgou sobre a saúde de Chávez?
Bocaranda – Me ameaçaram muito, me desprestigiaram. Aqui, podem te sequestrar, te dar um tiro, e vão dizer que é culpa da delinquência, que na Venezuela, é a mais alta da América Latina. Quando te dão um tiro, assaltam ou sequestram, como está acontecendo todos os dias aqui, nunca sabes se é o governo ou quem é. Eles repartiram muito armamento depois do golpe de 2002, e agora, a violência escapou das mãos deles, e os delinquentes têm armamentos de primeira. As ameaças chegam por Twitter, também usam o canal oito, do governo, para me desprestigiar.
ZH – Que rumos pode tomar a campanha eleitoral?
Bocaranda – Isso saberemos nos próximos dias. Na segunda-feira, houve uma reunião em Cuba. O governo ainda analisa cenários, mas parece que o presidente já confessou que não pode ir de casa em casa. Tudo indica que Chávez não fará campanha, como se pensava.
ZH – Fala-se na Venezuela sobre algum sucessor de Chávez?
Bocaranda – Não. Chávez não deixou nem permitiu que ninguém se destaque como sucessor. Ninguém. Temos de esperar para ver, mas Chávez não preparou ninguém. E não deixou que ninguém que se descole dele e tenha preponderância.
ZH – Por que Chávez lida com a doença de maneira diferente de outros líderes que enfrentaram a mesma situação?
Bocaranda – Isso indica que aqui não há transparência. O governo esconde toda a informação. Acredito que, precisamente, aqui, se esconde a doença porque não há uma saída tão positiva. Como a situação é muito mais grave, escondem a informação.
ROSSANA SILVA
Nelson Bocaranda – Não gosto disso. Prefiro que me chamem de ministro da Igreja Batista, mas ministro do governo, nunca! (risos). É uma brincadeira, mas quer dizer que aqui, o governo não informa nada. Não temos direito a nos informar de nada oficialmente. Não há ninguém que informe sobre impostos, investimentos, negócios, mortos. Não temos informação real e verdadeira há mais de 10 anos.
ZH – Como o governo reagiu às informações que o senhor divulgou sobre a saúde de Chávez?
Bocaranda – Me ameaçaram muito, me desprestigiaram. Aqui, podem te sequestrar, te dar um tiro, e vão dizer que é culpa da delinquência, que na Venezuela, é a mais alta da América Latina. Quando te dão um tiro, assaltam ou sequestram, como está acontecendo todos os dias aqui, nunca sabes se é o governo ou quem é. Eles repartiram muito armamento depois do golpe de 2002, e agora, a violência escapou das mãos deles, e os delinquentes têm armamentos de primeira. As ameaças chegam por Twitter, também usam o canal oito, do governo, para me desprestigiar.
ZH – Que rumos pode tomar a campanha eleitoral?
Bocaranda – Isso saberemos nos próximos dias. Na segunda-feira, houve uma reunião em Cuba. O governo ainda analisa cenários, mas parece que o presidente já confessou que não pode ir de casa em casa. Tudo indica que Chávez não fará campanha, como se pensava.
ZH – Fala-se na Venezuela sobre algum sucessor de Chávez?
Bocaranda – Não. Chávez não deixou nem permitiu que ninguém se destaque como sucessor. Ninguém. Temos de esperar para ver, mas Chávez não preparou ninguém. E não deixou que ninguém que se descole dele e tenha preponderância.
ZH – Por que Chávez lida com a doença de maneira diferente de outros líderes que enfrentaram a mesma situação?
Bocaranda – Isso indica que aqui não há transparência. O governo esconde toda a informação. Acredito que, precisamente, aqui, se esconde a doença porque não há uma saída tão positiva. Como a situação é muito mais grave, escondem a informação.
ROSSANA SILVA

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