terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
E a imbecilidade segue impávida sua trilha...
MPF CENSURA DICIONÁRIOS
Janer Cristaldo, 27/02/2012
http://cristaldo.blogspot.com/
Essa agora! O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia (MG) entrou com uma ação contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss para a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do Dicionário Houaiss, que contêm expressões pejorativas e preconceituosas relativas aos ciganos. Segundo o MPF, também deverão ser recolhidos todos os exemplares disponíveis em estoque que estejam na mesma situação.
O objetivo da ação é obrigar a suprimir do dicionário quaisquer referências preconceituosas contra uma minoria étnica, que, no Brasil, possui hoje mais de 600 mil pessoas. Para o MPF, os significados atribuídos pelo Dicionário Houaiss à palavra "cigano" estão carregados de preconceito, o que, inclusive, pode vir a caracterizar crime.
Se alguém acha que existe algo de novo sob o sol é porque não tem memória. Ou será que ninguém mais lembra da Cartilha do Nilmário? Comentei-a em 2005. Um ano antes, havia sido editada a cartilha Politicamente Correto & Direitos Humanos, pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que tinha então como titular o também mineiro Nilmário Miranda.
De autoria de um antigo militante comunista, o jornalista Antonio Carlos Queiroz, a cartilha bania do vocabulário, como inconvenientes, mais de noventa palavras. O documento era fruto de um convênio entre a Secretaria e a Fundação Universitária de Brasília, que resolveu terceirizar o serviço e o repassou ao jornalista. Quem passou a dar nome às coisas não era mais o povo, mas o PT. Dicionários e dicionaristas que se lixassem.
Esta tendência a censurar dicionários não é nova no PT. Uma de suas deputadas, Lúcia Carvalho, não teve pejo algum em apresentar à Câmara Legislativa de Brasília um projeto que retirava dos dicionários, livros didáticos e obras literárias, todas as expressões por ela consideradas machistas. Pra começar, "paraíba mulher-macho', que desde há muito faz parte do cancioneiro nacional.
O insólito em tudo isso é que um cacoete ideológico, surgido nas universidades americanas nos anos 8O, seja endossado por antigos servidores de Moscou. Costumo afirmar que brasileiro adora copiar achados do Primeiro Mundo. Mas copia com dez ou mais anos de atraso, e sempre copia o pior. No caso, os mais lídimos representantes das esquerdas brasileiras, de um antiamericanismo ferrenho, foram buscar nos States a inspiração para seus pendores autoritários. Pois a linguagem PC - politicamente correta - é o stalinismo aplicado à linguagem. Stalinismo curiosamente oriundo de uma nação que se jacta de defender a liberdade. Não contentes de censurar livros, os neostalinistas querem censurar dicionários. Palavras que sempre estiveram na boca do povo - afinal, dela nasceram - passam de repente a constituir algo ilícito, ou no mínimo inconveniente, quando proferidas.
O objetivo da ação do MPF – segundo leio nos jornais - é obrigar o dicionário a suprimir quaisquer referências preconceituosas contra uma minoria étnica, que, no Brasil, possui hoje mais de 600 mil pessoas. Para o MPF, os significados atribuídos pelo Dicionário Houaiss à palavra "cigano" estão carregados de preconceito, o que, inclusive, pode vir a caracterizar crime. "Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura "cigano" significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou, ainda, que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação", diz o procurador Cléber Eustáquio Neves.
Como se fosse o Houaiss quem atribuísse essas acepções à palavra. O dicionarista não define palavra alguma. Apenas pesquisa o que ela significa no falar das gentes.
A cartilha do Nilmário era mais ambiciosa. Pretendia, por exemplo, banir palavras como preto (inclusive na expressão "a coisa ficou preta"), baianada, aidético, cabeça-chata, sapatão. A palavra negro também tem suas restrições: "a maioria dos militantes do movimento negro prefere este termo a preto. Mas em certas situações as duas expressões podem ser ofensivas. Em outras, podem denotar carinho nos diminutivos neguinho ou minha preta". Em suma, se você disser negro acompanhado de um sorriso, talvez passe. Mais um pouco e o PT passa a regulamentar o sorriso.
Ora, há muito os jornais brasileiros evitam essas palavras. A linguagem PC infiltrou-se até na legislação. Chamar alguém de negro, mesmo que negro seja, hoje constitui crime. Há alguns anos, um negro foi preso em Brasília por chamar um negro... de negro. É cada vez mais freqüente - numa cópia servil da imprensa ianque - o uso de afrodescendentes para negros. Se você, leitor, é desses que adoram pautar sua linguagem pela moda, ao ver um amigo negro, não mais o chame de negrão. Mas de "meu caro afrodescendentão". Se for miudinho, "meu querido afrodescendentinho".
Preto de alma branca, nem pensar. (Semana passada, um jornalista foi condenado a pagar R$ 30 mil por ter usado a expressão). É "um dos slogans mais terríveis da ideologia do branqueamento no país, que atribui valor máximo à raça branca e mínimo aos negros. Frase altamente racista e segregadora". Por analogia, a velha expressão popular "serviço de negro" muito menos. Mas falar em serviço de branco, quando você quer elogiar um trabalho, por enquanto não está proibido. Lapso do Queiroz.
A levar-se a sério a famigerada cartilha, até a Bíblia teria de ser reescrita. Pois Sulamita é negra. Pior ainda: negra, mas formosa. Lá está: nigra sum, sed formosa. A Vulgata, por sua vez, deriva da tradução dos Septuaginta - feita a partir do original hebraico - onde está, em grego: Melaina eimi kai kale. Esse "mas" tem sido até hoje uma espinha na garganta dos ativistas negros.
Já baianada é mais complexo. Os paulistanos mais pudicos, que já hesitam em chamar alguém de nordestino, ao referir-se aos nordestinos, os chamam de baianos. Para São Paulo, acima do Rio de Janeiro todo mundo é baiano. O gentílico, neste caso, não é um pejorativo para baiano, e sim um eufemismo para nordestino. O "baiano ACM" pode, afinal ACM é do mal. Mas que nenhum jornalista ouse grafar "o baiano Jorge Amado". Está arriscando seu emprego, pois Amado é do bem. Na fronteira gaúcha, curiosamente, baianada era tentar montar o cavalo pelo lado errado.
Baitola, bicha, boiola e veado, muito menos. Nem mesmo homossexualismo é recomendável, "tem carga pejorativa ligada à crença de que a orientação homossexual seria uma doença, uma ideologia ou movimento político". Melhor homossexualidade, como se a mudança de prefixo mudasse algo na preferência dos homossexuais. (Verdade que hoje o ministro Ayres Britto criou um novo neologismo, já que a palavra antiga andava meio desmoralizada: homoafetividade). Quanto à palavra veado, parágrafo único: por especial deferência, é de uso reservado à Presidência da República, quando quiser referir-se aos pelotenses.
Ocorre que o autor foi mais realista que o rei. Em seu afã de cassar palavras, compilou várias de muito apreço por parte do Supremo Apedeuta. Lula, talvez por precaução, mandou suspender a distribuição da cartilha que, com poucos meses de existência, virou raridade bibliográfica. Os homens desmoralizam as palavras e depois sentem-se obrigados a cassá-las.
Queiroz foi mais longe, colocou a palavra "comunista" entre as politicamente incorretas. Sem talvez lembrar que o PT tem suas origens, entre outras, no PCB e no PC do B, partidos hoje legalizados e atuantes. Esta foi a grande novidade da cartilha: o autor intuiu que comunista passou a ser palavrão. Mas como definir, doravante, nulidades como Luiz Carlos Prestes ou Oscar Niemeyer? Não será fácil encontrar um novo adjetivo.
A ação do promotor mineiro originou-se de investigação iniciada em 2009, quando o MPF em Uberlândia recebeu representação de um cidadão de origem cigana questionando a prática de discriminação e preconceito pelos dicionários de língua portuguesa contra sua etnia. Para esclarecer os fatos, o procurador enviou ofícios a diversas editoras com pedidos de informações. Após receber as respostas, ele expediu recomendação às editoras para que fosse suprimida das próximas edições qualquer expressão pejorativa ou preconceituosa nos significados atribuídos à palavra "cigano". As editoras Globo e Melhoramentos se renderam covasrdemente à recomendação. Já a Editora Objetiva recusou-se a cumpri-la, sob o argumento de que seu dicionário é editado pelo Instituto Houaiss, sendo apenas detentora exclusiva dos direitos de edição. O MPF pede a condenação dos réus ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 200 mil.
Ou seja, o procurador Cléber Eustáquio Neves está nomeando a si mesmo como lexicógrafo. Todo dicionário deve agora passar pelo crivo do MPF. Quem define agora as palavras não são mais os dicionaristas, e muito menos o povo, mas os procuradores da República.
Como dizia, nada de novo sob o sol. Velho cacoete petista. Mas se esta passar, o Instituto Houaiss - como também o dicionário - ficarão definitivamente desmoralizados.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Yoani Sánchez e a “grande” medicina cubana
Adriana Vandoni
Publicado em 26 de fevereiro de 2012 às 20:55 hs.
Esta é a “grande medicina cubana“. Veja o que escreve Yoani Sánchez no twitter, com tradução do p&p. Essa é a medicina tantas vezes proclamada como referência pela esquerda daqui para mostrar como aquele povo é bem tratado. Clique na imagem para ver os posts dela.
Gostaria de saber se Chávez trouxe lençol, ventilador e alimentos, como os cubanos fazem quando eles entram em um hospital?
Chávez trouxe fio de sutura? Como eu tive que fazer quando meu filho fez uma cirurgia de apendicite?
Chávez trouxe desinfetante ao Hospital ? Luvas para os enfermeiros como temos que fazer?
Dica para Chavez levar ao hospital: um interruptor elétrico, seringas e um chinelo bem bom para matar baratas.
Ah, e para não perder o hábito de quase todos os dias daquela “democucarachia”: em paradeiro desconhecido a ativista Sara Marta Fonseca depois de ser presa com outras Damas de Branco(*).
(*) Grupo de mães e esposas de “presos de consciência” do regime socialista cubano. É composto por familiares e esposas de cidadãos presos por serem opositores ao regime político da ilha e lutarem pela liberdade.
(Foto de um hospital infantil em Havana)
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Consejos que matan
OSCAR ESPINOSA CHEPE, El Nuevo Herald, 22/02/2012
“El modelo cubano ya no funciona ni para nosotros”.
Fidel Castro*
La Dra. Alicia Bárcena, secretaria ejecutiva de la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), visitó La Habana recientemente. Durante su estancia, además de brindar entrevistas a la prensa internacional y a la TV cubana, impartió una conferencia en el Aula Magna de la Universidad de La Habana.
En su disertación la Dra. Bárcena manifestó que los países latinoamericanos tienen que aprender mucho de Cuba sobre las políticas para reducir las desigualdades, según reseñó Granma, diario oficial del Partido Comunista de Cuba. Resulta difícil discernir cómo llegó a esa conclusión, si las autoridades cubanas no brindan datos a ningún organismo internacional sobre los niveles de pobreza e indigencia en la Isla. Mucho menos ha informado el Coeficiente GINI de Cuba, valioso indicador usado para medir el grado en que la distribución de los ingresos (o del consumo) entre individuos u hogares de un país se desvía con respecto a una distribución en condiciones de perfecta igualdad.
Parece que la visitante desconoce que el nivel del salario medio y las pensiones medias mensuales equivalen a US$18.32 y US$10.20, respectivamente, al cierre del 2011. El salario medio mensual real representó en el 2011 menos del 30.0% del nivel existente en 1989, según cálculos realizados por académicos cubanos, coincidentes con los efectuados por Carmelo Mesa-Lago, profesor emérito de la Universidad de Pittsburgh, y entre otras cosas colaborador de la CEPAL.
Ciertamente la desigualdad existente en la mayoría de los países de América Latina y el Caribe resulta inaceptable, y podría concordarse en que se debe en gran medida, como la Dra. Bárcena expresó, a que “el modelo basado solamente en el mercado lleva a una mayor desigualdad”. No obstante, ir al otro extremo para concluir que todo debe ser estatizado como sucede en Cuba, y recomendar el fracasado modelo cubano como fórmula para resolver las desigualdades de América Latina y el Caribe constituye un absurdo. Habría que preguntarse si los latinoamericanos desean que se les aplique un racionamiento que cumple 50 años el próximo 12 de marzo, entre cuyas “bondades” se encuentra que a los niños al cumplir 7 años se les deja de vender el litro de leche que les corresponde, y a los adultos al mes solo 230 gramos de picadillo mezclado con soya y 230 gramos de aceite comestible.
Podría responderse que los productos de primera necesidad son adquiribles en el mercado libre, lo cual es cierto, pero siempre y cuando se posea moneda convertible para comprarlos en las tiendas de venta en divisas del gobierno; moneda que no reciben los trabajadores a través de sus salarios, pagados en el depreciado peso cubano. Para comprar en ese mercado libre es indispensable tener FE (familia en el exterior que envíe remesas), ser un ciudadano obediente que pueda lograr una plaza en el turismo o en alguna firma extranjera, trabajar arduamente en el incipiente cuentapropismo, o vivir en la ilegalidad mediante operaciones en el mercado negro, u otras cosas peores.
Puede imaginarse la respuesta que darían los ciudadanos latinoamericanos y caribeños, si conocieran que en sus países existe un plan para despedir alrededor del 25.0% de los trabajadores como sucede en Cuba, donde está en proceso “la reubicación” de 1.3 millones de personas. Quizás la visión idílica de la Dra. Bárcena se haya forjado leyendo las estadísticas oficiales cubanas, donde las tasas de desempleo no han sobrepasado el 2.5% en los últimos años. Dato tan falso –como otros muchos de las estadísticas oficiales– que cualquier persona común puede rechazar tan solo con recorrer las calles y plazas del país para observar gran cantidad de jóvenes deambulando a cualquier hora.
Tampoco los especialistas y estudiantes universitarios latinoamericanos y caribeños desearían seguir la suerte de sus colegas cubanos, que mal retribuidos y sin reconocimiento social, en gran cantidad prefieren servir como maleteros, mozos de limpieza, choferes y camareros en los hoteles para obtener las ansiadas divisas, descalificándose como profesionales y con el sueño de abandonar masivamente el paraíso totalitario, si recibieran el permiso de salida, conocido “la tarjeta blanca”.
Pudieran alegarse la gratuidad en la salud pública y la educación que supuestamente tenemos los cubanos. Pero como explicó la Dra. Bárcena a la TV nacional, los gastos sociales necesitan una sustentación económica. Esa es la razón por la cual en estos momentos los avances logrados en esas esferas retroceden, sin acceso a modernas técnicas de aprendizaje como la Internet.
En Cuba se ha logrado la igualdad en la miseria y la falta de derechos humanos para la mayoría de la población, con la existencia de un grupo que ha disfrutado durante decenios de las mieles del poder. Difícilmente este sea el destino apetecido por nuestros hermanos de América Latina y el Caribe.
Economista y periodista independiente cubano.
*Respuesta a una pregunta de Jeffery Goldberg, periodista norteamericano, septiembre de 2010.
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
¿Qué pasará con PDVSA?
Alexander Guerrero
Runrun.Es, 20 Feb 2012
Muchos temen que pueda ser vendida; la política lo utiliza como chantaje ideológico, su estado de ruina y descapitalización ha alcanzado tal nivel que si alguien quisiera venderla no podría, ni siquiera rentarla, o alquilarla; nadie la negociaría para aceptarla ni en “fiao”, con una deuda de 35 mil millones de dólares, una buena parte de ella adquirida a costos viles -12%- en el mercado internacional, ha destrozado su balance y hasta su normal flujo de caja para operaciones tan rutinarias de refinación, por ejemplo. La descapitalización alcanza tales niveles que la producción ha caído cerca de un 1 millón de barriles/día en apenas 8 años, con un plantel de 123 mil empleados el costo de producir un barril llega a los 38-42 dólares, más de cuatro veces que en 1998. Actualmente sobrevive, en parte, por el BCV, y del mismo gobierno que le devuelve parte de la contribución fiscal en pagarés y préstamos diversos.
¡PDVSA no se vende, ni se compra!
El gobierno tuvo que reformar la Ley del BCV -entre gallos y media noche- para que éste le comprara deuda, papeles que terminan en los hornos del BCV, los préstamos que el BCV le extiende a PDVSA a la fecha casi 100 mil millones de bolívares, completan la contribución fiscal de PDVSA, van al fisco, al tesoro, el gobierno la convirtió en un by pass monetario para extraerle su caja, lo requiere para financiar la expansión infinita del gasto público, que emerge del propio concepto de socialismo. La Ley del BCV fue reformada tres veces, sólo en función de los incentivos fiscales creados sobre la renta fiscal, había que garantizar que PDVSA sólo vendiera al BCV aquellas divisas que cambiadas al dólar oficial diera los bolívares para pagar royalty, impuestos. Otra reforma garantiza que el BCV actuando como banco de desarrollo, puede descontar documentos de deuda de PDVSA en bolívares, vehículo mediante el cual el BCV financia el déficit fiscal.
Innumerables proyectos no terminados, el más emblemático el de la refinería de Pernambuco, un venture con PETROBRAS que ha devaluado el discurso presidencial fuera de nuestras fronteras; muchos otros acuerdos y obligaciones contractuales con sus socios en las empresas mixtas no se cumplen, etc., otros que no pueda racionalmente recuperarse como conglomerado industrial petrolero, que operaba decenas de refinerías en el mundo. El desprestigio llego a tales niveles que el conocido dólar permuta tuvo que ser eliminado porque reguladores financieros internacionales mantenían en observación viertas operaciones off shore de PDVSA por problemas en el cumplimiento de regulaciones para legitimación de capitales.
Nacionalistas a ultranza, de allá y de acá, pierdan cuidado, ningún gobierno podrá vender a PDVSA así se lo proponga, como dice la canción aquella, PDVSA ni se vende ni se compra! ¿Qué hacer con ella, entonces? No queda otra que arrecostársela al contribuyente venezolano en una operación fiscal cuyo costo afectará el gasto público de operaciones normales del gobierno en salud, educación, infraestructura, seguridad personal. No queda otra, redimensionar la actual PDVSA. No sería mala idea rematar la chatarra de guerra comprada a Rusia, China, Brasil, Bielorrusia, etc. y capitalizar a PDVSA con esos proventos.
Un nacimiento bastardo
Nació de unos de los errores más costosos de la historia patria, la nacionalización o reversión de las concesiones petroleras en manos empresas extranjeras a la “nación”; costoso, muy fácil discernirlo, el país posterior al 1975 y más allá de lo que a petróleo respecta, no es comparable con aquel país donde el Estado cobraba impuestos y regalía. Los indicadores económicos, financieros, y de estabilidad económica y social de Venezuela previos a 1975 son en extremos diferentes y superiores a los mismos indicadores 35 años después que el negocio petrolero paso al fisco, no solo impuestos regalías, sino dividendos y otros negocios colaterales petroleros y financieros. Pero no, se quiso, y así lo hizo el liderazgo político de la época, durante la Gran Venezuela, ponerle la mano al petróleo, a la renta petrolera y entregarle el petróleo el Estado en vez de venezolanizarlo, vendérselo a los venezolanos. La historia es muy dura con ese proceso de “nacionalización” de la renta, los grandes males de la Venezuela contemporánea vienen de allí, los indicadores económicos, hablan por sí solos.
Acotemos, la reversión de las concesiones al Estado no es el problema per se, sino el mecanismo económico e institucional utilizado por el Estado y el gobierno y asociados para apropiarse de la renta petrolera y redistribuirla en función de esa definición de propiedad; al gasto público se sumó una ingreso cuya redistribución no tenía nada que ver con aspectos de racionalidad económica, la asignación de esa renta, aguas abajo, fundada en la nueva estructura de propiedad, se convirtió en un rapiña, piñata, de relaciones incestuosas entre lo político y lo económico son la base del derroche e ineficiencias, el último periodo vivido de esa estructura de propiedad sobre la renta petrolera, el que vino con la Constitución del 2000, fue el orgasmo nacionalista, es el fin lógico de la historia que comenzamos en 1975. No debe quedar duda, a la descapitalización del negocio petrolero llegamos montados en ese tren de la historia, la historia inconclusa desde la legislación petrolera de los cuarenta, termino con Chávez, Alí Rodríguez y B Mommer, para ponerle nombre a los clavos de esa historia.
Es natural, la reverberancia ideológica del evento es poderosa, aplasta, la gente sin pensarlo ni comprenderlo, lo aplaudió y lo aplaude, el verbo nacionalista aunque no paga una arepa es poderoso, le pone el aderezo.
Tocará a estas nuevas generaciones de jóvenes, analizar críticamente esa historia, la evidencia empírica es atropellante. Ayer como hoy el concepto apátrida que fue del gusto de la cultura política y del consenso ideológico sigue vigente, pese a que como el barro de ayer, es ese polvo de hoy.
Toda la renta del petróleo para el rey
Los gobiernos le pusieron la mano al petróleo, pero particularmente, en la última fase de esa historia, la que se fundó en una nueva constitución, nueva ley, le permitió al gobierno directamente -bajo los nuevos esquemas de derechos de propiedad- tomar el control absoluto del negocio petrolero para endosárselo al fisco, ello “paradójicamente” ha venido acabando con el negocio. Pero aclaremos, y lo explicamos adelante, no hay tal paradoja, en términos de economía constitucional, no era difícil prever, y así lo escribimos en esos años, 1999 y 2000, que lo que ocurría con la nueva constitución y la nueva legislación petrolera era la consideración del petróleo como negocio fiscal, traería la descapitalización de la industria y conversión del petróleo venezolano en una suerte de yacimientos petrolíferos fiscales, a la vieja usanza, el petróleo es del fisco, toda la renta es del Rey, del regidor de la Republica, las reglas para la captura y administración de esa renta, son discrecionales, por eso el regidor es el rey. La Constitución 2000 y la nueva legislación petrolera trajeron al “negocio petrolero” una nueva definición de propiedad sobre la renta. (Ver Presentación en este web site).
La “nacionalización” o reversión de las concesiones petroleras que comenzó con el discurso nacionalista de los 60 y 70, produjo entre otras minucias, un intenso proceso de desinversión y descapitalización por parte de empresas extranjeras, las cuales, al saber que serían nacionalizadas, corrigieron sus escenarios y prefirieron dejar que llegara la reversión, no tenía sentido seguir capitalizando una industria si al fin y al cabo iban a ser nacionalizadas, el riesgo natural sobre las compensaciones a la expropiación de la propiedad es muy grande. Por ejemplo, la nueva legislación petrolera que siguió a la Constitución 2000 por ejemplo, lo ha mostrado de manera muy cruda.
Así llego la Gran Venezuela y en 1975 nos “apoderamos del petróleo”, el discurso nacionalista vivió sus éxtasis. De esta manera, toda la renta del petróleo seria para el Rey, para el fisco: el fisco es el Rey, la transformación institucional del marco jurídico que sobre petróleo creo la Constitución 2000 y la LOH y sus reformas subsiguientes, impuso finalmente el modelo saudita o islámico sobre el petróleo, en el extremo de la solución “salomónica” encontrada en el consenso de los 70,80,90 de compartir la renta entre el Estado, el fisco y sus socios privados, tal cual como se desarrolló en los 90 con la apertura petrolera, cuyo acuerdo político y consenso se sentó en una renta fiscal súbita de unos 12 mil millones de dólares generados en los primeros días de la apertura petrolera, todo el mundo estaba contento.
Sin embargo, el Presidente Caldera, que aprobó esos acuerdos, estuvo ausente de toda la fiesta petrolera mundial que se inauguró en Caracas. Curiosamente, el gobierno de Caldera llevaba en sus entrañas, los enemigos de ese proceso de apertura, en 1999, apenas unos años posteriores a la apertura, el electo Presidente Chávez vendría con la guadaña para poner todo en orden, esa guadaña se la entregaría la mal recordada Corte Suprema de Justicia quien en un acto de curiosa jurisprudencia constitucional le dio a la convocada Asamblea Nacional Constituyente la calificación de originaria, ni siquiera el 5 de Julio del 1811 tuvo ese carácter de originario. El gobierno tendría entonces en sus manos el instrumento político, la nueva constitución donde borrón y cuenta nueva, el petróleo, el negocio y larenta, eran potestad discrecional de Miraflores.
El hibrido: la empresa del Estado y los incentivos de la empresa y el negocio
Hay, sin embargo, una pequeña discreción, los gobiernos posteriores en autos de las consecuencias que podrían traer el proceso de nacionalización, más allá del refuerzo nacionalista que mejoraba el ratting de la clase política, prefirieron estructurar una especie de hibrido institucional a través de PDVSA, que si bien era una empresa pública, se buscó que la industria petrolera si bien estaba en propiedad estatal, su relación con el fisco, tendría los filtros de la capitalización y expansión de una empresa similar a las grandes multinacionales petroleras, entre otros, aunque el petróleo en reservas no era parte del balance de la corporación estatal, lo que a comprensión del marco jurídico del 2000, la expansión de PVDSA allende los mares que era entendido como parte de una estrategia nacional no podía continuar.
El hibrido operó normalmente de acuerdo a lo esperado, aunque con algunas dificultades industriales y administrativas en virtud de los conflictos de intereses entre renta fiscal petrolera y los incentivos que generaba el “negocio petrolero” per se, que requería niveles de eficiencia, rentabilidad similares a los promedios de sus competidoras en el mercado internacional.
El equilibrio del diablo, lo denomino así, porque un hecho que debía ser asumido con normalidad, como era la caída de la participación fiscal industria petrolera no fue comprendida por la clase política de esos años.
El colofón de ese proceso, y en cierto modo la ruptura al esquema de dependencia fiscal, lo constituyo la apertura petrolera en convenios y asociaciones estratégicas en los petróleos no convencionales y en la recuperación de otros.
Los enemigos del capitalismo y el progreso encontrados en todas las versiones del socialismo criollo y en ciertos grupos de interés nacionalistas reaccionarios notables que vieron en perspectiva la posibilidad de perder los privilegios que la política había adquirido sobre el negocio desde 1975, trabajaban en la sombra, en conocimiento que los consensos políticos de los 70, 80 y 90 estaban fundados sobre un marco jurídico débil, una especie de colcha de retazos legales y políticos con actos legislativos ad hoc no parecían sostener por siempre una característica político-histórica del desarrollo histórico socioeconómico venezolano, el consenso, el acuerdo, el negociado con beneficio incestuoso.
Con el cambio de las reglas con la Constitución 2000 y la LOH el hibrido hizo explosión política en el 2002 porque no eran compatibles, las presiones fiscales impuestas por la constitución y la nueva legislación y una empresa con vida propia y los incentivos naturales de una empresa en expansión. El modelo brasileño, PETROBRAS, quebró en Venezuela, cuando el constituyente definió los derechos de propiedad sobre el petróleo, como de naturaleza fiscal, en manos del gobierno, no del Estado. La diferencia en lo político la vimos en el conflicto del 2002 donde comenzó la creación de la “nueva PDVSA, que es ahora de todos”. Fenómeno institucional y político, por cierto que no ha sido comprendido por propios y extraños, curiosidades de una Venezuela en revolución. PDVSA dejo de ser sociedad anónima. El gobierno dejo el nombre de PDVSA por razones de imagen, la necesitaba paraendeudarla.
PDVSA es ahora de todos; es decir, de nadie, la tragedia de los comunes
PDVSA, ahora es de todos, reza el canon ideológico sobre el cual el gobierno de Hugo Chávez encaramó a PDVSA. Es la “tragedia de los comunes”, donde todo es de todos, pero nada es de nadie; si la propiedad no existe, nadie tiene incentivos para capitalizar lo que no es suyo, esto que es sentido común, cuesta mucho comprenderlo, y en Venezuela, es casi un tema de naturaleza esotérica. Quiere decir, que en esas condiciones, el que reparte por lo general captura la mejor parte como lo dice el proverbio, y quien reparte es el gobierno, en otras palabras, ministros, presidentes, gerentes, legisladores, todos los que de alguna manera están asociados al Estado y al gobierno, sin otra regla de arbitraje que la discrecionalidad política y administrativa, con un telón de fondos: el discurso para los pobres, porque de ellos será el reino de Dios; así se reparte algo que es supuestamente es de todos.
Midiendo en el tiempo esa lógica del reparto, uno encuentra que en dos periodos presidenciales el gobierno de Hugo Chávez repartió algo más de 500 mil millones de dólares de renta petrolera directa, que llegó al fisco, léase gobierno, a través de royalties, impuestos y dividendos. A ello hay que agregar una deuda de PDVSA de unos 30 mil millones adicionales, que llamaremos ingresos “petroleros indirectos”.
Lo curioso de esa economía socialista es que la empresa que extrae, refina, exporta y vende el petróleo, languidece descapitalizada, con sus refinerías a punta de colapso, tanto que PDVSA importa un 30% de la gasolina que los venezolanos consumimos . Desastres ecológicos, accidentes industriales en las instalaciones refinerías, puertos, transporte, mala gerencia, proyectos no terminados, financieramente en bancarrota, con un Banco Central prestándole dinero para que PDVSA rinda sus ingresos al fisco, al gobierno, PDVSA fue convertida en un by pass monetario para entregarle su flujo de caja al gobierno. ¿Quién quisiera comprar algo así amigo lector ? ¿Lo haría Ud. ? Nacionalistas de todo pelaje, el negocio petrolero venezolano va rumbo a la bancarrota, petróleo hay como arroz, no se preocupen, el problemas sea como producirlo, en ello se nos va la vida.
¿Cuánto cuesta la descapitalización de PDVSA ? El próximo gobierno democrático, tendrá que ordenar una auditoria, mientras tanto sus responsables directos, tendrán que impedírseles abandonar el país, tienen que entregar cuentas y balances por el estado de la corporación petrolera.
PDVSA es una especie de gallina que pone huevos de oro, y al paso de la presente campaña electoral, el gasto público, que se consume el flujo de caja de PDVSA es muy probable que ya no queden huevos y la gallina termine en una comelona revolucionaria.
El Rey se come la gallina…..los huevos de oro se los come la nomenclatura Pero que ocurrió con aquella empresa, otrora una poderosa transnacional, hoy es un bazar callejero que vende víveres de todo tipo, viviendas, una variada vitualla revolucionaria, financia los cronies locales y foráneos del gobierno, vende petróleo barato, cambiándolo a Cuba, por ejemplo, por servicios que cubanos prestan en represión, control y poder político sobre instituciones venezolanas, que es lo que cubanos saben hacer. Además esa empresa se endeuda al 12% en los mercados internacionales, para prestar al 2.5% a clientes preferidos de acuerdos petroleros fundados sobre marcas ideológicas y lealtad política; así, paga en especies pasivos adquiridos por el gobierno y el Estado, como los acuerdos con China, cancelando en especie, en petróleo, pasivos de instituciones financieras del Estado que los triangulan al fisco, su dueño. Aquel célebre discurso de Fidel Castro en 1970 donde alego que la revolución continental no podía hacerse sin el petróleo venezolano, hecho realidad. El nuevo gobierno que encabece H Capriles, tendrá que acabar con esta horrible realidad.
Veamos algunos indicadores básicos, entre 1990 y 2000, la contribución fiscal de PDVSA promedio el 12,3% del PIB, con precios del petróleo alrededor de los 20 dólares por barril. En cambio entre 2001 y 2011, con un precio del petróleo de 67 dólares por barril, la contribución fiscal, en términos presupuestarios alcanza un 11.7 % en términos del PIB. Que ha ocurrido entonces, que la tercera parte de la gasolina que consumimos es importada por la misma PDVSA cuando ayer exportábamos la mitad de nuestro petróleo en combustibles y otros derivados. ¿A dónde ha ido a dar ese enorme diferencial de 50 dólares por barril promedio anual durante 10 años? Como al renta es ahora toda del fisco, incluido el flujo de caja de la “empresa” hay que buscarla en carreteras, obras de infraestructura, escuelas, servicio de salud, incremento de la seguridad personal, etc.; sin embargo, al revisar los indicadores escolares, de salud pública, de infraestructura, violencia social y criminalidad, delincuencia, tampoco vemos que esta gastada allí, ¿dónde está entonces ese gasto fiscal ? A ello desde luego hay que agregar el proceso de descapitalización de la economía privada venezolana, dado que el gasto público fue utilizado como palanca para destruir capital privado vía CADIVI, leyes invasoras de lo privado, cierre de empresas, expropiaciones y robos. En conjunto y en palabras de Dante, con el crucifijo en la mano, el camino al infierno está lleno de cruces de buenas intenciones, pero también de malas intenciones.
¿Donde está el windfall petrolero? Aparte de los cachivaches de guerra del Presidente que los acaricia como tesoros de una guerra que no ganó, como si hizo Wellington con Napoleón que se llevó como botín de guerra hasta el último cartucho francés. Habrá necesidad de unas muy inteligentes auditorias para cuando el actual candidato presidencial H. Capriles tome el poder después del triunfo en Octubre, mientras tanto los culpables de tanto despilfarro tendrán que quedarse en el país hasta que las cuentas estén clarificadas, y hasta que cada dólar del petróleo gastado sea conciliado en una factura. Es un deber patrio y un ejemplo para nuestros nietos y descendientes en las generaciones que vienen que la nación estuvo gobernada también por avergonzados líderes políticos.
@alexguerreroE
Economista
CUBA: Um sonho que acabou
Artigo publicado no Jornal O Farol, em 17/02/2012:
Tribuna da Imprensa - O sempre atento comentarista Mauro Julio Vieira nos envia mais um instigante artigo de Ferreira Gullar, publicado pela Folha. Desta vez, o poeta mostra sua decepção com Cuba e com o próprio comunismo.
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Ferreira Gullar
Nenhum defensor do regime cubano desejaria viver num país de onde não se pode sair sem permissão. É com enorme dificuldade que abordo este assunto: mais uma vez – a 19ª – o governo cubano nega permissão a que Yoani Sánchez saia do país.
A dificuldade advém da relação afetiva e ideológica que me prende à Revolução Cubana, desde sua origem em 1959. Para todos nós, então jovens e idealistas, convencidos de que o marxismo era o caminho para a sociedade fraterna e justa, a Revolução Cubana dava início a uma grande transformação social da América Latina. Essa certeza incendiava nossa imaginação e nos impelia ao trabalho revolucionário.
Nos primeiros dias de novo regime, muitos foram fuzilados no célebre “paredón”, em Havana. Não nos perguntamos se eram inocentes, se haviam sido submetidos a um processo justo, com direito de defesa. Para nós, a justiça revolucionária não podia ser questionada: se os condenara, eles eram culpados.
E nossas certezas ganharam ainda maior consistência, em face das medidas que favoreciam aos mais pobres, dando-lhes enfim o direito a estudar, a se alimentar e a ter atendimento médico de qualidade. É verdade que muitos haviam fugido para Miami, mas era certamente gente reacionária, em geral cheia da grana, que não gozaria mais dos mesmos privilégios na nova Cuba revolucionária.
Sabíamos todos que, além do açúcar e do tabaco, o país não dispunha de muitos outros recursos para construir uma sociedade em que todos tivessem suas necessidades plenamente atendidas. Mas ali estava a União Soviética para ajudá-lo e isso nos parecia mais que natural, mesmo quando pôs na ilha foguetes capazes de portar bombas atômicas e jogá-las sobre Washington e Nova York. A crise provocada por esses foguetes pôs o mundo à beira de uma catástrofe nuclear.
Mas nós culpávamos os norte-americanos, porque eles encarnavam o Mal, e os soviéticos, o Bem. Só me dei conta de que havia algo de errado em tudo isso quando visitei Cuba, muitos anos depois, e levei um susto: Havana me pareceu decadente, com gente malvestida, ônibus e automóveis obsoletos.
Comentei isso com um companheiro que me respondeu, quase irritado: “O importante é que aqui ninguém passa fome e o índice de analfabetismo é zero”. Claro, concordei eu, muito embora aquela imagem de país decadente não me saísse da cabeça.
Impressão semelhante – ainda que em menor grau – causaram-me alguns aspectos da vida soviética, durante o tempo que morei em Moscou. O alto progresso tecnológico militar contrastava com a má qualidade dos objetos de uso. O que importava era derrotar o capitalismo e não o bem-estar e o conforto das pessoas. Mas os dirigentes do partido usavam objetos importados e viam os filmes ocidentais a que o povo não tinha acesso.
Se a situação econômica de Cuba era precária, mesmo quando contava com a ajuda da URSS, muito pior ficou depois que o socialismo real desmoronou. É isso que explica as mudanças determinadas agora por Raúl Castro.
Mas, antes delas, já o regime permitira a entrada de capital norte-americano para construir hotéis, que hoje hospedam turistas ianques, outrora acusados de transformar o país num bordel. Agora, o governo estimula o surgimento de empresas capitalistas, como o faz a China. Está certo desde que permita preservar o que foi conquistado, já que a alternativa é o colapso econômico.
Tudo isso está à mostra para todo mundo ver, exceto alguns poucos sectários que se negam a admitir ter sido o comunismo um sonho que acabou. Mas há também os que se negam a admiti-lo por impostura ou conveniência política.
Do contrário, como entender a atitude da presidente Dilma Rousseff que, em recente visita a Cuba, forçada a pronunciar-se sobre a violação dos direitos humanos, preferiu criticar a manutenção pelos americanos de prisioneiros na base aérea de Guantánamo, o que me fez lembrar o seguinte: um norte-americano, em visita ao metrô de Moscou, que, segundo os soviéticos, não atrasava nunca nem um segundo sequer, observou que o trem estava atrasado mais de três minutos. O guia retrucou: “E vocês, que perseguem os negros!”.
A verdade é que nem eu nem a Dilma nem nenhum defensor do regime cubano desejaria viver num país de onde não se pode sair sem a permissão do governo.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Observações sobre as decantadas saúde e educação em Cuba
El sueño de una secretaria
Viernes, Febrero 17, 2012 | Por Leonardo Calvo Cardenas
LA HABANA, Cuba, febrero, www.cubanet.org -Las declaraciones Alicia Bárcena, Secretaria ejecutiva de la Comisión Económica para América Latina de la Organización de Naciones Unidas (CEPAL), a su paso por La Habana llenaron de sorpresa y estupor a los ciudadanos que pudieron escuchar su muy particular visión de la realidad cubana.
La señora Bárcenas, en su encuentro con la prensa nacional, elogió los sistemas de educación y salud, según sus propias palabras, precisamente porque son un sistema. La funcionaria de la ONU se manifestó satisfecha porque, de acuerdo a su criterio, los planes de desarrollo del país se fundamentan en el financiamiento propio a partir del crecimiento de la productividad de la economía nacional y con solidaridad.
Varios conocidos me comentaron lo inaceptable de tales valoraciones. Un vecino, sin disimular su enojo, me preguntó ¿Qué Cuba visitó esta señora? Para después extenderse en una disertación sobre las atrofias estructurales y los traumas que agobian a la sociedad cubana.
En realidad no son pocos los observadores, interlocutores y especialistas foráneos que proyectan una imagen distorsionada de la realidad nacional. Algunos conceden mayor peso a sus intereses y compromisos con el régimen que a la necesaria objetividad del especialista, y simplemente repiten sin sonrojo lo que las autoridades de La Habana necesitan escuchar.
Sin embargo, en este caso, se supone que por el rango y la responsabilidad de la funcionaria deben ser mucho mayores el nivel de imparcialidad, objetividad y solidez de la información que sustenten sus criterios y valoraciones.
En varias ocasiones la CEPAL ha expuesto juicios sobre la economía cubana bastante polémicos y distanciados de la realidad.
En este caso la funcionaria tal vez reconoce como sistemas a los servicios de salud y educación porque son monopolio del Estado, lo cual implica nominalmente una total cobertura garantizada por el gobierno, que no concede participación a otros actores en tan importantes ámbitos de la vida social.
La secretaria ejecutiva de la CEPAL debe entender que el monopolio estatal, además de la manipulación y el tutelaje ideologico, no ha logrado impedir la baja calidad del proceso docente-educativo, el pobre aprovechamiento académico, el éxodo de maestros que huyen de la mala remuneración, o el alto índice de corrupción docente que ya constituye una vergüenza pública no reconocida por las autoridades.
Uno de los mayores vía crucis del cubano de a pie es tener que disfrutar los beneficios de ese sistema de salud que elogia la entusiasta visitante. Carencias extremas en lo material y una epidemia de mala atención caracterizan a los centros asistenciales de todo el país. ¿Cómo hablar de un sistema de salud adecuado en un país donde no hay leyes contra el tabaquismo y el muy toxico asbesto sigue siendo uno de los principales materiales de construcción de uso común y extendido?
No me canso de decir que si el sistema de salud cubano gozara de mínimas cotas de calidad los gobernantes y los turistas extranjeros no tuvieran sus propios hospitales y los trabajadores de la salud no abandonarían a hijos y pacientes para buscar en otras latitudes los beneficios materiales y el reconocimiento profesional, imposibles de encontrar en Cuba.
Pero donde el onírico desquiciamiento de la Secretaria llega a límites insospechados es cuando concede alguna posibilidad a la economía cubana, sin percatarse que después de liquidar todas las bases productivas del país los gobernantes cubanos se niegan a hacer las transformaciones estructurales necesarias para impulsar el renacimiento material de la Isla a partir de reconocer a los cubanos espacios y derechos económicos.
¿Cómo es posible que esta señora vea solidaridad donde el gobierno cubano ha roto el contrato social que daba sustento legitimador al proyecto revolucionario, donde cada medida socioeconómica ahonda el desamparo y la polarización que ya caracteriza a la actualidad cubana?
Hoy, junto a una minoritaria élite económicamente encumbrada crecen en Cuba los bolsones de miseria y desesperanza, así como el deplorable espectáculo de indigencia y mendicidad que esta señora fue incapaz de apreciar a su paso por La Habana.
Al parecer la secretaria soñadora abandonó feliz la Isla para regresar al gélido y efervescente Nueva York sin darse cuenta de como La Habana, y todas nuestras esperanzas, se derrumbaban a sus espaldas.
elical2004@yahoo.es
Duplipensar
citado em Augusto Nunes, 16/02/2012 (http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/)
‘Duplipensar’, por Demétrio Magnoli
PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA
Demétrio Magnoli
A blogueira Yoani Sánchez, os aeroportos privatizados, os policiais amotinados ─ por três vezes, sucessivamente, o PT exercitou a arte da duplicidade, desfazendo com uma mão o que a outra acabara de fazer. Há mais que oportunismo na dissociação rotinizada entre o princípio da realidade e o imperativo da ideologia. A lacuna abissal entre um e outro sugere que, aos 32 anos, o maior partido do País alcançou um estado de equilíbrio sustentado sobre o rochedo da mentira.
Peça número 1: O governo brasileiro concedeu visto de entrada a Yoani Sánchez, enviando um nítido sinal diplomático, mas Dilma Rousseff se negou a pronunciar em Havana umas poucas palavras cruciais sobre o direito de ir e vir, enquanto seus auxiliares reverenciavam o “direito” da ditadura castrista de controlar os movimentos dos cidadãos cubanos. A voz do PT emanou de fontes complementares, que pautaram as declarações presidenciais na ilha. Circundando a Declaração Universal dos Direitos Humanos, diversos tratados internacionais e a Constituição brasileira, o assessor de política externa Marco Aurélio Garcia qualificou como um “problema de Yoani” a obtenção da autorização de viagem. Ecoando o pretexto oficial castrista, a ministra Maria do Rosário (dos Direitos Humanos!) declarou que Cuba não viola os direitos humanos, mas é vítima de uma violação histórica, representada pelo embargo norte-americano.
O alinhamento automático do PT à ditadura cubana revela extraordinária incapacidade de atualização doutrinária. A social-democracia europeia definiu sua relação com o princípio da liberdade política por meio de duas experiências históricas decisivas: a ruptura com os bolcheviques russos em 1917 e o confronto com a URSS de Stalin na hora do Pacto Germano-Soviético de 1939. O PT, contudo, não é um partido social-democrata. A sua inspiração tem raízes em outra experiência histórica, instilada no seu interior pelas correntes castristas que formam um dos três componentes originais do partido. Tal experiência é o “anti-imperialismo” da esquerda latino-americana, uma narrativa avessa ao princípio da liberdade política.
Peça número 2: Contrariando o renitente alarido petista de condenação da “privataria tucana”, o governo leiloou três aeroportos para a iniciativa privada, mas, ato contínuo, o PT regurgitou as sentenças ortodoxas que compõem um estribilho estatista reproduzido à exaustão. Uma nota partidária anunciou a continuidade da “disputa ideológica sobre as privatizações”, enquanto o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) se enredava na gramática da hipocrisia para formular distinções arcanas entre “concessões” e “privatizações”.
A explicação corrente sobre essa dissonância radical entre palavras e atos aponta as motivações eleitorais de um partido que descobriu as vantagens utilitárias de demonizar adversários indisponíveis para defender a própria herança. Há, contudo, algo além disso, como insinua uma declaração do presidente petista Rui Falcão, que classificou os “adversários” do PSDB como “privatistas por convicção”. O diagnóstico não faz justiça ao governo FHC, mas oferece pistas valiosas sobre a natureza de seu próprio partido.
O PT confusamente socialista das origens pouco se importava com o destino das empresas estatais, engrenagens do capitalismo nacional tardio erguido por Getúlio Vargas e aperfeiçoado por Ernesto Geisel. O partido só aderiu à ideia substituta do capitalismo de Estado após a queda do Muro de Berlim. No governo, aprendeu toda a lição: a rede de estatais configura um sistema de vasos comunicantes entre a elite política e a elite econômica, servindo ao interesse maior de perpetuação no poder e a uma miríade de interesses políticos e pecuniários menores. Os aeroportos foram privatizados para conjurar o espectro do fracasso da operação Copa do Mundo. Ao largo do território das convicções, sempre podem ser deflagradas novas privatizações: afinal, o partido antiprivatista tem como ícone José Dirceu, uma figura que prospera exercendo a função de intermediário entre o poder público e grandes grupos empresariais privados.
Peça número 3: O governo reprimiu o movimento dos PMs da Bahia e o PT condenou os atos criminosos de suas lideranças, mas não caracterizou a greve de militares como motim, deixando entreaberta a vereda para voltar a surfar na onda de episódios similares em Estados governados pela oposição. Os precedentes são conhecidos. Em 1992, quando o pefelista ACM governava a Bahia, o atual governador petista, Jacques Wagner, solidarizou-se com os PMs grevistas. Nove anos depois, quando a Bahia era governada pelo também pefelista César Borges, foi a vez do deputado Nelson Pelegrino, hoje candidato do PT à prefeitura de Salvador, proclamar seu apoio à greve dos PMs baianos. Durante a greve parcial de PMs paulistas, em 2008, no governo “inimigo” de José Serra, o PT formou uma comissão parlamentar de defesa do movimento.
A clamorosa duplicidade tem sua raiz profunda no papel desempenhado pelos sindicalistas do PT. A partidarização petista do movimento sindical moldou um corporativismo sui generis, que substitui os interesses da base sindical pelos do partido. No sindicalismo tradicional, tudo se deve subordinar às reivindicações de uma categoria. No sindicalismo petista, as reivindicações da base sindical devem funcionar como alavancas do projeto de poder do PT. Hoje, os PMs da Bahia são classificados como criminosos; amanhã, nas circunstâncias certas, PMs amotinados serão declarados trabalhadores comuns em busca de direitos legítimos.
O pensamento duplo não é um acidente no percurso do PT, mas, desde que o partido alcançou os palácios, sua alma política genuína. A tensão entre princípios opostos é real, mas não explosiva. Num país em que a oposição renunciou ao dever de discutir ideias, o partido governista tem assegurado o privilégio de rotinizar a mentira.
‘Tudo é relativo, mas…’
citado em Augusto Nunes, 16/02/2012 (http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/)
‘Tudo é relativo, mas…’, um artigo de Carlos Alberto Sardenberg
PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA
Carlos Alberto Sardenberg
A sorte é que tem sempre alguém em situação pior que a gente. Como tudo na vida é comparação, fica fácil melhorar o desempenho, qualquer tipo de desempenho. Está se achando meio burro por não entender a dívida grega? Tranquilo. Tem gente que se espanta antes. “Aquele grego não te pagou? Manda pro pau”.
Aliás, é mais ou menos o que o governo alemão quer fazer, mas não vem ao caso aqui. O fato é que até a Grécia encontra países e povos em situação pior. E nem precisa uma nação africana desgraçada pelos conflitos internos. Por exemplo: o FMI e a União Européia acham que o salário mínimo grego é muito elevado (retirando competitividade da economia) e querem reduzi-lo para cerca de 570 euros ao mês. Isso dá R$ 1.300, o dobro do brasileiro e certamente maior que em todo mundo emergente. “Acha ruim? Pois vai trabalhar pelo mínimo lá no Rio” ─ pode dizer uma autoridade aos manifestantes em Atenas.
E se lá eles conseguem, imaginem o que se pode fazer com os números brasileiros, muito superiores. Acrescentem aí a especial habilidade do ministro Guido Mantega em escolher as comparações, digamos, mais positivas ─ e, pronto, o Brasil não perde de ninguém. O Brasil, em geral, não. O Brasil dele, da presidente Dilma e de Lula. Antes, perdia tudo. Por exemplo: o mundo está desacelerando neste ano, enquanto o Brasil, na “contracorrente”, segundo nota no site do Ministério da Fazenda, enfia o pé na tábua.
Verdade. Segundo o FMI, o mundo crescerá 3,3% em 2012, contra os 3,8% do ano passado. E peguem logo a China. Pois é, também desacelerou em 2011 e agora está crescendo em ritmo menor ainda. Só que o andar para trás da China significa crescer 8,2% (contra 9,2% do ano passado). E a Índia cai de 7,4% para apenas 7%. Já o “pra frente Brasil”, no caso, significa avançar dos 2,9% estimados para 2011 para… quanto mesmo?
O ministro Mantega diz que vamos para 4,5% ─ um “belo crescimento” ─ se a Europa não atrapalhar. E se atrapalhar, 4%, o que estaria bom. Já no Banco Central, que também é governo, o pessoal acha que o país deve conseguir fazer uns 3,5%. Fora do governo, a previsão é ainda um pouco menor. Para o FMI, o Brasil cresce neste ano ao ritmo de 3%.
Mas se a gente deixar de lado esses detalhes dos números, a comparação continua de pé. O mundo vai para trás, a gente para a frente, ainda que seja de pouquinho para pouco. Não se pode querer tudo, certo?
Bom, mais ou menos. Ocorre que há países importantes também acelerando. Estados Unidos, por exemplo, cresceram 1,7% no ano passado e devem subir para 2%, com viés de alta. O Japão, recuperando-se do tsunami, também vem em ritmo mais forte. Assim, a frase mais correta seria: todo o mundo desacelera, menos alguns países como os EUA e Japão, além do Brasil é claro. É o nosso novo G-3.
Verdade também que estamos comparando o que aconteceu com o que acreditamos (ou dizemos) que vai acontecer. É outro método de melhorar o desempenho, comparar a dura realidade com um futuro espetacular, como os 4,5% do ministro. Em 2011, aí sim, é universal, todo o mundo desacelerou, inclusive, acreditem, o Brasil. Só que nosso tombo foi maior. O PIB, que se expandira a 7,5% em 2010, deve ter crescido menos de 3% no ano passado. Este número também nos coloca na rabeira dos emergentes.
Águas passadas, diz o ministro, esperem por 2012.
Dizem que, em economia, tanto no pessoal quanto no macro, deve-se adotar o pessimismo ou, relaxando, pelo menos algum ceticismo. Esperando o pior ou temendo o perigo, as pessoas e governos preparam-se melhor. O otimista, acreditando que vai dar tudo certo, arrisca-se além da conta e, assim, contrata prejuízos.
Por outro lado, como mostram ainda mais pesquisas recentes, economia é psicologia. O baixo astral derruba, sim, a atividade econômica. E se for assim, as autoridades econômicas têm o papel adicional de animar o país. “Vamos lá pessoal, aos shoppings, às fábricas, que a coisa vai bombar” ─ parece nos dizer o animado Mantega.
O problema é ele acreditar mesmo na animação e não se concentrar nos importantes problemas o país deveria enfrentar. Porque, vamos falar francamente, o Brasil não é um caso excepcional. Vai bem naquilo que vão bem muitos emergentes que fixaram bases estáveis na macroeconomia e vendem muito para a China. E vai mal como os outros, na baixa competitividade de suas indústrias.
Também aqui se pode dizer que tem gente pior. Mas chega uma hora em que a pessoa, a sós, precisa se comparar com … ela mesma.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Siete lecciones que los cubanos pueden aprender de los taiwaneses
Conferencia dictada por Carlos Alberto Montaner en el Instituto de Estudios Cubanos y Cubanoamericanos de la Universidad de Miami durante el simposio titulado: "Taiwán, modelo para una futura Cuba"
Carlos Alberto Montaner
Especial para martinoticias.com, 13 de febrero de 2012
En memoria de Antonio Jorge
Es un honor compartir esta mesa con un grupo de distinguidos taiwaneses y con prestigiosos académicos cubanos que son, además, buenos amigos. El tema que se me ha propuesto es fascinante: si el modelo taiwanés de desarrollo puede ser útil para los cubanos.
Comencemos por hacer un par de salvedades:
Primero, hay que tener cuidado cuando se habla de modelos de desarrollo. Tenemos la tendencia a creer que hay algo así como una fórmula matemática que, si la aplicamos, obtenemos siempre los mismos resultados. Ojalá eso fuera cierto.De serlo, resultaría relativamente sencillo convertir a Haití en Holanda.
Segundo, es conveniente aclarar que en las economías de mercado, caracterizadas por la libre toma de decisiones de millones de personas, el rasgo principal es el cambio constante, lo que hace casi imposible aplicar un modelo rígido.
En realidad, más que “modelos” lo que existen son medidas de Gobierno que, en determinadas culturas y en determinadas circunstancias, tienen éxito o fracasan. Esas medidas, utilizadas por otros pueblos, pueden o no lograr resultados parecidos.
Por otra parte, las diferencias evidentes entre Taiwán y Cuba no deben desalentarnos. Al fin y al cabo, se trata de dos islas relativamente pequeñas, situadas en encrucijadas geográficas intrincadas y peligrosas, con historias violentas, que en las últimas décadas se han movido en direcciones opuestas.
Los cubanos, en efecto, pueden aprender ciertas lecciones de la experiencia taiwanesa.
Los taiwaneses, pacíficamente, han ido conquistando parcelas mayores de prosperidad y libertades civiles hasta convertirse en uno de los mayores éxitos del planeta, aún cuando han vivido permanentemente amenazados y bloqueados por una gran potencia nuclear, China continental, que los obliga a gastar grandes cantidades de dinero en defenderse.
Los cubanos, por la otra punta, casi en ese mismo periodo --dado que la historia contemporánea de Taiwán comienza en 1949--, se han empobrecido progresivamente bajo la dirección de un Gobierno totalitario, incapaz de cambiar de rumbo, que intenta esconder el fracaso del régimen tras la coartada del embargo norteamericano y unos supuestos riesgos de agresión militar que no existen desde hace medio siglo, cuando, en 1962, Kennedy y Kruschev le pusieron fin a la Crisis de los Misiles.
¿Qué tienen, pues, que aprender los cubanos de esos otros isleños situados en las antípodas del planeta?
Creo que hay siete lecciones generales que pueden sernos muy útiles a los cubanos a la hora de tratar de avizorar nuestro futuro.
Primera lección. No hay destinos inmutables. En cuatro décadas, Taiwán logró superar la tradicional pobreza y despotismo que sufría el país desde hacía siglos hasta convertirse en una nación del primer mundo con un purchasingpowerparityo PPP per cápita de $37,900 dólares anuales. Este milagro económico se llevó a cabo en sólo dos generaciones. Millones de taiwaneses que eran jóvenes, muy pobres en 1949, medio siglo más tarde murieron disfrutando el tipo de vida de las clases medias. La pobreza o la prosperidad son electivas en nuestra época.
Segunda. La teoría de la dependencia es totalmente falsa. Las naciones ricas del planeta –el llamado centro— no les han asignado a los países de la periferia económica el papel de suministradores o abastecedores de materias primas para perpetuar la relación de vasallaje. Ningún país (salvo China continental) ha intentado perjudicar a Taiwán. Esas visión paranoica de las relaciones internacionales no se compadece con la verdad. No vivimos en un mundo de países verdugos y países víctimas.
Tercera. El desarrollo puede y debe ser para beneficio de todos, no de unos pocos. Pero el reparto equitativo de la riqueza no se decreta redistribuyendo lo creado, sino se logra agregándole valor paulatinamente a la producción. Los taiwaneses no sólo pasaron de tener una economía agrícola a una industrial, sino lo hicieron mediante la incorporación de avances tecnológicos aplicados a la industria. El obrero de una fábrica de chips gana mucho más que un campesino dedicado a cosechar azúcar, porque lo que él produce tiene un valor mucho mayor en el mercado. Esto explica que el IndiceGini de Taiwán sea 32.6, mucho mejor que toda América Latina. Sólo el 1.16% de los habitantes de ese país cae por debajo del umbral de la pobreza extrema.
Cuarta. La riqueza en Taiwán es fundamentalmente creada por la empresa privada. El Estado, que fue muy fuerte e intervencionista en el pasado, se ha ido retirando de la actividad productiva. El Estado no puede producir eficientemente porque no está orientado a satisfacer la demanda y con ello a generar beneficios, sino se suele dedicar a retribuir favores a los gerentes, que son sus propios cuadros, y a fomentar la clientela política.
Quinto. En el muy citado comienzo de Ana Karenina, Tolstoy asegura que todas las familias felices se parecen unas a otras y las desdichadas lo son de formas distintas. La observación se puede aplicar a los cuatro dragones o tigres asiáticos: Taiwán, Singapur, Corea del Sur y Hong-Kong. Aunque los cuatro han tomado caminos parcialmente distintos hacia el grupo de la familia feliz del planeta, se parecen en estos cinco rasgos:
Han creado sistemas económicos abiertos basados en el mercado y en la existencia de la propiedad privada.
Los gobiernos mantienen la estabilidad cuidando las variables macroeconómicas básicas: inflación, gasto público, equilibrio fiscal y, en consecuencia, el valor de la moneda. Con ello, potencian el ahorro, la inversión y el crecimiento.
Han mejorado gradualmente el Estado de Derecho. Los inversionistas y los agentes económicos cuentan con reglas claras y tribunales confiables que les permiten hacer inversiones a largo plazo y desarrollar proyectos complejos.
Se han abierto a la colaboración internacional, jugando fuertemente la carta de la globalización, apostando por la producción y exportación de bienes y servicios en los que son competitivos, en lugar del nacionalismo económico que postula la sustitución de importaciones.
Han puesto el acento en la educación, en la incorporación de la mujer al sector laboral y en la planificación familiar voluntaria.
Sexto. El caso de Taiwán demuestra que un país gobernado por un partido único de mano fuerte, como era el caso del Kuomintang, puede evolucionar pacíficamente hacia la democracia y el multipartidismo sin que la pérdida del poder les traiga persecuciones o desgracias a quienes hasta ese momento lo detentaron. La esencia de la democracia es ésa: la alternabilidad y la existencia de vigorosos partidos de oposición que auditan, revisan y critican la labor del Gobierno.
Séptimo. En esencia, el caso taiwanés les prueba a los cubanos el valor superior de la libertad como atmósfera en que se desarrolla la convivencia. La libertad consiste en poder tomar decisiones individuales en todos los ámbitos de la vida: el destino personal, la economía, la existencia cívica, la familia. No hay contradicción alguna entre la libertad y el desarrollo. Mientras más libre es una sociedad más prosperidad será capaz de alcanzar, siempre que la inmensa mayoría de las personas se sometan voluntaria y responsablemente al imperio de la ley.
Los taiwaneses, de manera creciente, han ido adquiriendo el control de sus vidas mediante el ejercicio de la libertad y eso ha repercutido muy favorablemente en la calidad de la convivencia nacional.
En definitiva, ésa es la gran lección taiwanesa para los cubanos. La libertad es posible. La libertad es conveniente. La libertad no es un lujo. Algo que acaso intuyeron los mambises en el siglo XIX cuando adoptaron como grito de batalla un bello deseo: ¡Viva Cuba Libre!
É a competitividade, estúpido
Rubens Barbosa, presidente do conselho de Comércio Exterior da Fiesp
O Estado de S.Paulo, 14 de fevereiro de 2012 | 3h 06
Apesar dos níveis recordes em 2011, a preocupação com a evolução do comércio exterior é grande. A concentração das exportações em poucos produtos e a perda de mercados dos manufaturados aumentaram a vulnerabilidade do setor externo e mostraram os problemas do setor produtivo industrial.
O governo anuncia mais um pacote de medidas de apoio ao setor produtivo e exportador, com ênfase na redução do custo do crédito e na abertura de novos mercados para os manufaturados. Certamente serão medidas discutidas e adotadas sem consulta ao setor privado e a maioria não deverá ser implementada. Nos últimos meses, as decisões na área de comércio exterior visaram, sobretudo, isenções fiscais e crescente proteção a setores mais vulneráveis à concorrência externa, além de cortes nos programas de financiamento à exportação. Na realidade, são providencias ad hoc, sem visão estratégia e de futuro e que não levam em conta as transformações produtivas que estão ocorrendo no mundo, diante da crescente presença da China como motor da produção industrial global.
O sucesso da política econômica e do comércio exterior, que quadruplicou em dez anos, esconde os verdadeiros problemas da economia em geral e do setor externo em particular. A desindustrialização é um triste fato. A indústria, que já representou 25% do PIB, hoje está reduzida a menos de 15%. O consumo doméstico é atendido cada vez mais por importações (22,3%), fazendo desaparecer fornecedores nacionais e empregos. O déficit na balança comercial industrial subiu a mais de US$ 90 bilhões. As exportações se reprimarizam (produtos primários representam 70% das exportações e quatro deles, quase 50%).
Não havendo uma política de Estado que defenda a indústria nacional, nem liderança política para tentar resolver os problemas estruturais que afetam os setores industrial e exportador, o governo não está preparado para enfrentar as causas da perda de espaço da indústria e de mercado dos manufaturados.
"Os números de janeiro da balança comercial comprovam o descaso do governo brasileiro com o setor produtivo do País. Estamos diante de uma situação muito grave, que pode comprometer nossa capacidade de gerar riquezas e empregos. O governo não pode ficar parado e se limitar apenas ao discurso. Há meses estamos alertando para o problema da avalanche de importados, que afeta severamente a nossa indústria. O Brasil não pode mais esperar, é preciso que as autoridades adotem imediatamente medidas eficazes que garantam a igualdade de condições para a produção nacional", afirmou, dura, mas corretamente, Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Na área da negociação externa, nos últimos dez anos o aumento das exportações pouco teve que ver com a abertura de mercados por meio de acordos comerciais, pois somente acordos com Israel, Egito e, agora, com a Autoridade Palestina foram assinados, no âmbito do Mercosul. A exemplo da China e dos EUA, uma nova estratégia de negociação de acordos de livre-comércio para acompanhar as mudanças que estão ocorrendo no mundo deveria estar sendo discutida com o setor privado.
Enquanto essa é a situação no Brasil, o presidente Barack Obama, na mensagem anual ao Congresso (State of the Union), ofereceu um bom exemplo de como defender de forma vigorosa a indústria manufatureira com visão de futuro. Com milhões de empregos ameaçados, o governo americano ajudou as empresas, exigindo sua reestruturação, como ocorreu na indústria automobilística. Procurando trazer de volta empregos para a economia, anunciou um ambicioso programa de apoio à indústria doméstica. O conjunto de medidas incluiu a aprovação de ampla reforma tributária, novos impostos para as multinacionais que se instalam no exterior e exportam empregos e redução de tributos para as empresas de transformação e de alta tecnologia, além de programas de treinamento profissional especializado. Na área de comércio exterior, Obama reiterou a meta de dobrar as exportações em cinco anos, o avanço nas negociações de novos acordos de livre-comércio e o reforço da promoção das exportações e da defesa comercial com a criação de uma unidade de acompanhamento da aplicação das regras comerciais, responsável pela investigação de práticas desleais de comércio em países como a China.
Por aqui, nos últimos dez anos as medidas de apoio à indústria ignoraram a principal causa da rápida perda da competitividade da economia nacional. O custo Brasil está tendo um efeito devastador na economia. De imediato, com a perda de mercado no setor exportador e a crescente saída de empresas brasileiras e, a médio e a longo prazos, com o aumento do desemprego e a redução de investimentos.
A exemplo dos EUA, a desoneração tributária deveria encabeçar a agenda do governo para enfrentar a competição externa. Defesa comercial, apenas, não melhora a competitividade. O custo da energia, a alta taxa de juros, a apreciação cambial, que anula a proteção tarifária, as ineficiências burocráticas, a guerra de incentivos nos portos e seus altos custos operacionais, o descalabro da infraestrutura, o peso dos gastos com a corrupção e com a aplicação da legislação trabalhista poderiam, se atenuados, representar significativa redução dos mais de 35% no custo final dos produtos.
Do ponto de vista empresarial, não se trata de reivindicar uma política industrial, mas de demandar medidas pontuais com imediata repercussão sobre a competitividade do setor produtivo. Medidas recentes, ao invés de reduzir, estão fazendo aumentar o custo Brasil.
Em resumo, é a competitividade, estúpido. O setor privado já fez a sua parte, com o aumento da produtividade das empresas. Se o governo não atacar de frente o custo Brasil, a reindustrialização brasileira ficará seriamente ameaçada.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Glossário atualizado da novilíngua lulista
Augusto Nunes
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/
14/02/2012
Em fevereiro de 2010, para socorrer os brasileiros que nem sempre conseguem entender o que diz a turma do PT, o comentarista Marcelo Fairbanks coordenou a edição de um pequeno dicionário da novilíngua lulista, contendo as expressões usadas com mais frequência tanto pelos pastores do rebanho quanto pelas ovelhas. O esforço feito pela companheirada para rebatizar de “concessão” a entrega do controle de três aeroportos à iniciativa privada induziu a coluna a publicar um glossário atualizado do estranho dialeto. Confira:
aloprado. Companheiro pilhado em flagrante durante a execução de bandalheiras encomendadas pela direção do partido ou pelo Palácio do Planalto.
analfabetismo. 1. Deficiência que ajuda um enviado da Divina Providência a virar presidente da República. 2. Qualidade depreciada por reacionários preconceituosos, integrantes da elite golpista e louros de olhos azuis.
asilo político. Instrumento jurídico que beneficia todo companheiro ou comparsa condenado em outros países por crimes comuns ou atos de terrorismo.
base aliada. 1.Bando formado por parlamentares de diferentes partidos ou distintas especialidades criminosas , que alugam o apoio ao governo, por tempo determinado, em troca de ministérios com porteira fechada (cofres incluídos), verbas no Orçamento da União, nomeações para cargos público, dinheiro vivo e favores em geral. 2. Quadrilha formada por deputados e senadores.
blecaute. Apagão
Bolívar (Simón). Herói das guerras de libertação da América do Sul que reencarnou no fim do século passado com o nome de Hugo Chávez.
bolivariano. Comunista que finge que não é comunista.
Bolsa Família. Maior programa de compra oficial de votos do mundo.
camarada de armas. Companheiro diplomado em cursinho de guerrilha que só disparou tiros de festim; guerrilheiro que ainda não descobriu onde fica o gatilho do fuzil. (Ex.: Dilma Rousseff e José Dirceu são camaradas de armas.)
cargo de confiança. 1. Empregão reservado a companheiros do PT ou parceiros da base alugada, que nem precisam perder tempo com concurso para ganhar um tremendo salário sem trabalhar. 2. Cala-boca (pop.).
cartão corporativo. Objeto retangular de plástico que permite tungar o dinheiro dos pagadores de impostos sem dar satisfação a ninguém e sem risco de cadeia.
caixa dois. Dinheiro extorquido sem recibo de donos de empresas que enriquecem com a ajuda do governo, empreiteiros de obras públicas ou publicitários presenteados com contratos sem licitação.
Comissão da Verdade. 1. Grupo de companheiros escalados para descobrir qualquer coisa que ajude a afastar a suspeita, disseminada por Millôr Fernandes, de que a turma da luta armada não fez uma opção política, mas um investimento. 2. Entidade concebida para apurar crimes cometidos pelos outros.
companheiro. Qualquer ser vivo ou morto que ajude Lula a ganhar a eleição.
concessão. Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos do PT. (Ver privatização).
controle social da mídia. Censura exercida por censores treinados pelo PT para adivinhar o que o povo quer ver, ler ou ouvir. (Ver democratização da mídia).
corrupção. 1. Forma de ladroagem praticada por adversários do governo. 2. Forma de coleta de dinheiro que, praticada por companheiros, deve ser tratada como um meio justificado pelos fins. 3. Hobby preferido dos parceiros da base alugada.
Cuba. 1. Ditadura que só obriga o povo a ser feliz de qualquer jeito. 2. Forma de democracia que prende apenas quem discorda do governo.
cueca. Cofre de uso pessoal utilizado no transporte de moeda estrangeira adquirida criminosamente.
democratização da mídia. 1. Erradicação da imprensa independente. 2. Entrega do controle dos meios de comunicação a jornalistas companheiros, estatizados ou arrendados. (Ver controle social da mídia).
ditador. Tirano a serviço do imperialismo estadunidense. (Ver líder).
ditadura do proletariado. Forma de democracia tão avançada que dispensa o povo de votar ou dar palpites porque os companheiros dirigentes sabem tudo o que o povo quer.
erro. 1. Crime cometido por companheiros. 2. Caso comprovado de corrupção envolvendo ministros ou altos funcionários do segundo escalão ou de empresas estatais.
Fernando Henrique Cardoso. 1. Ex-presidente que, embora tivesse ampla maioria no Congresso, fez questão de aprovar a emenda da reeleição com a compra de três votos no Acre só para provocar o PT. 2. Governante que, depois de oito anos no poder, só conseguiu inaugurar a herança maldita.
FHC. 1. Grande Satã; demônio; capeta; anticristo;. satanás; diabo. 2. Assombração que vive aceitando debater com Lula só para impedir que o maior governante de todos os tempos se dedique a ganhar o Nobel da Paz. 3. Sigla que, colocada nas imediações do SuperLula, provoca no herói brasileiro efeitos semelhantes aos observados no Super-Homem perto da kriptonita verde.
líder. Ditador inimigo do imperialismo estadunidense. (Ver ditador).
malfeito. Ato criminoso praticado por bandidos companheiros.
MST. 1. Entidade financiada pelo governo para fazer a reforma agrária e levar à falência a agricultura. 2. Movimento formado por lavradores que não têm terra e, por isso mesmo, não sabem plantar nem colher.
no que se refere. Expressão usada pela Primeira Companheira para avisar que lá vem besteira.
nuncaantesnestepaís. 1. Expressão decorada pelo Primeiro Companheiro para ensinar ao rebanho que o Brasil começou em 1° de janeiro de 2003 e que foi ele quem fez tudo, menos Fernando Henrique Cardoso.
ou seja. Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que, por não saber o que dizer, vai berrar o que lhe der na cabeça.
pedra fundamental. Obra do PAC inaugurada antes de começar a ser construída.
privatização: Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos inimigos do PT. (Ver concessão).
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Os canalhas nos ensinam mais
Arnaldo Jabor
O Estado de S.Paulo, 31 de janeiro de 2012 | 3h 09
Nunca vimos uma coisa assim. Ao menos, eu nunca vi. A herança maldita da política de sujas alianças que Lula nos deixou criou uma maré vermelha de horrores. Qualquer gaveta que se abra, qualquer tampa de lata de lixo levantada faz saltar um novo escândalo da pesada. Parece não haver mais inocentes em Brasília e nos currais do País todo. As roubalheiras não são mais segredos de gabinetes ou de cafezinhos. As chantagens são abertas, na cara, na marra, chegando ao insulto machista contra a presidente, desafiada em público. Um diz que é forte como uma pirâmide, outro que só sai a tiro, outro diz que ela não tem coragem de demiti-lo, outro que a ama, outro que a odeia. Canalhas se escandalizam se um técnico for indicado para um cargo técnico. Chego a ver nos corruptos um leve sorriso de prazer, a volúpia do mal assumido, uma ponta de orgulho por seus crimes seculares, como se zelassem por uma tradição brasileira.
Temos a impressão de que está em marcha uma clara "revolução dentro da corrupção", um deslavado processo com o fito explícito de nos acostumar ao horror, como um fato inevitável. Parece que querem nos convencer de que nosso destino histórico é a maçaroca informe de um grande maranhão eterno. A mentira virou verdade? Diante dos vídeos e telefonemas gravados, os acusados batem no peito e berram: "É mentira!" Mas, o que é a mentira? A verdade são os crimes evidentes que a PF e a mídia descobrem ou os desmentidos dos que os cometeram? Não há mais respeito, não digo pela verdade; não há respeito nem mesmo pela mentira.
Mas, pensando bem, pode ser que esta grande onda de assaltos à Republica seja o primeiro sinal de saúde, pode ser que esta pletora de vícios seja o início de uma maior consciência critica. E isso é bom. Estamos descobrindo que temos de pensar a partir da insânia brasileira e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.
Avante, racionalistas em pânico, honestos humilhados, esperançosos ofendidos! Esta depressão pode ser boa para nos despertar da letargia de 400 anos. O que há de bom nesta bosta toda?
Nunca nossos vícios ficaram tão explícitos! Aprendemos a dura verdade neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Finalmente, nossa crise endêmica está em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Vemos que o País progride de lado, como um caranguejo mole das praias nordestinas. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades sórdidas estamos conhecendo, fecundas como um adubo sagrado, tão belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras. Como mentem arrogantemente mal! Que ostentações de pureza, candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a mão grande nas cumbucas, os esgotos da alma.
Ai, Jesus, que emocionantes os súbitos aumentos de patrimônio, declarações de renda falsas, carrões, iates, piscinas em forma de vaginas, açougues fantasmas, cheques podres, recibos laranjas de analfabetos desdentados em fazendas imaginárias.
Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!... Assistimos em suspense ao dia a dia dos ladrões na caça. Como é emocionante a vida das quadrilhas políticas, seus altos e baixos - ou o triunfo da grana enfiada nas meias e cuecas ou o medo dos flagrantes que fazem o uísque cair mal no Piantella diante das evidências de crime, o medo que provoca barrigas murmurantes, diarreias secretas, flatulências fétidas no Senado, vômitos nos bigodes, galinhas mortas na encruzilhada, as brochadas em motéis, tudo compondo o panorama das obras públicas: pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, orgasmos entre empreiteiras e políticos.
Parece que existem dois Brasis: um Brasil roído por ratos políticos e um outro Brasil povoado de anjos e "puros". E o fascinante é que são os mesmos homens. O povo está diante de um milenar problema fisiológico (ups!) - isto é, filosófico: o que é a verdade?
Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Mas, tudo está ficando tão claro, tão insuportável que temos de correr esse risco, temos de contemplar a mecânica da escrotidão, na esperança de mudar o País.
Já sabemos que a corrupção não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime - é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas. Vivemos nossa diplomação na cultura da sacanagem.
Já sabemos muito, já nos entrou na cabeça que o Estado patrimonialista, inchado, burocrático é que nos devora a vida. Durante quatro séculos, fomos carcomidos por capitanias, labirintos, autarquias. Já sabemos que enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as emendas ao orçamento, as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver. Enquanto houver 25 mil cargos de confiança, haverá canalhas, enquanto houver Estatais com caixa-preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, com essa estrutura judiciária, nunca haverá progresso.
Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas. Não adianta punir meia dúzia. A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.
Descobrimos que os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Os canalhas são a base da nacionalidade! Eles nos ensinam que a esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno e que, pelo escracho, entenderemos a beleza do que poderíamos ser!
Temos tido uma psicanálise para o povo, um show de verdades pelo chorrilho de negaças, de "nuncas", de "jamais", de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. Nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Céus, por isso é que sou otimista! Ânimo, meu povo! O Brasil está evoluindo em marcha à ré!
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
SOBRE CAXUMBA E COMUNISMO
Janer Cristaldo
http://cristaldo.blogspot.com/, 10/02/2012
É o que os franceses chamam de “glissement de mots”. As palavras vão escorregando e acabam adquirindo um sentido oposto ao que antes significavam. Claro que tais escorregadelas não são inocentes. No século passado ocorreu uma, e das mais graves. A Rússia criou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E os europeus criaram a social-democracia. Os comunistas, num lampejo de marketing, associaram o socialismo europeu ao socialismo soviético. E toda Europa virou – pelo menos para os botocudos – socialista. Como se o socialismo comunista algo tivesse a ver com o socialismo social-democrata. Mas o sofisma pegou.
A humanidade marchava, então, rumo ao socialismo. Só que no socialismo de cá a imprensa era livre, livre era a expressão do pensamento, havia eleições com muitos partidos, e os cidadãos podiam ir e vir para onde bem entendessem. No socialismo de lá, todo pensamento dissidente era censurado, quem insistia em manifestar-se contra o regime ia para um gulag, havia um partido só e eleições, quando as haviam, eram sempre uma farsa, como ainda são, vide Putin. E quem quisesse sair do país que perdesse toda e qualquer esperança. Que razões teria alguém para sair do paraíso?
A palavrinha social-democrata adquiriu tanto prestígio que até um torturador oriundo do nazismo, da noite para o dia, virou social-democrata. Falo de François Mitterrand. Sua eleição é um desses mistérios que confunde qualquer analista político. Ninguém desconhecia sua participação no governo pró-nazista de Vichy, do qual recebeu, na primavera de 43, a Francisque, a mais alta condecoração conferida pelo marechal Pétain. Tampouco era desconhecida sua participação decisiva, como ministro do Interior, na guerra da Argélia e nas torturas praticadas pelo Exército francês. Defensor de uma Argélia francesa, Miterrand reprimiu com ferocidade os movimentos insurrecionais. Em setembro de 53, declarou: "Para mim, a manutenção da presença francesa na África do Norte, de Bizerte a Casablanca, é o primeiro imperativo de toda política". Em 54, afirmou na tribuna da Assembléia Nacional: "A rebelião argelina não pode encontrar senão uma forma terminal: a guerra".
Para as esquerdas, virou socialista, tout court. Mas não era do detentor da Francisque que pretendia falar. E sim de Eugenio Bucci, articulista do Estadão, que pretende salvar os restos podres do socialismo, no caso, o socialismo comunista. Na edição de ontem, Bucci escrevia sobre a Yoani Sánchez, a blogueira cubana que se tornou internacionalmente conhecida contestando a ditadura dos irmãos Castro. E antes de ir adiante, vou esclarecendo que essa moça não me cheira bem. Desde quando, em uma ditadura, um cidadão pode denunciá-la, urbi et orbi, sem sofrer sanções? Há algo errado nisso tudo. Mas vamos ao Bucci:
“Com freqüência os relatos sobre as desventuras da blogueira vêm junto com um discurso que procura caracterizar a ditadura cubana como a tragédia inevitável, fatal, de qualquer sonho socialista. Esse discurso se vale de Yoani para mentir, o que é bem fácil constatar. Todas as mudanças sociais vieram embaladas por ideais de igualdade, como a Revolução Francesa, ou de igualdade de oportunidades, como a Revolução Americana”.
Ora, se todas as mudanças sociais vieram embaladas por ideais de igualdade, como a Revolução Francesa, ou de igualdade de oportunidades, como a Revolução Americana, este não foi o caso da dita Revolução Cubana. Castro inspirou-se no socialismo soviético que, na época do levante em Cuba, já vinha fazendo água. Isso sem falar nas purgas stalinistas e nos gulags, denunciados já em 49 por Victor Kravchenko e em 56, no XX Congresso do PCUS, por ninguém menos que Nikita Krouschev, secretário do Partido.
Isto é, apenas três anos antes da dita revolução cubana, seu modelito, a União Soviética, admitia de público seu fracasso. Bucci quer puxar para mais atrás, para as revoluções francesa e americana, a inspiração da cubana. Como bom comunista, Bucci se pretende hábil em destorcer os fatos. Mas não engana quem seja minimamente informado. Inspirada no sonho socialista soviético, a ditadura cubana só podia resultar numa tragédia inevitável, fatal.
Prossegue o sofismador emérito: “Mesmo agora, a partir do final da 2.ª Guerra, inúmeros governos declaradamente socialistas se sucederam na Europa, em perfeita convivência com a sociedade de mercado, sem que isso acarretasse uma degeneração de corte totalitário.”
Aqui, o sofismador emérito mostra as cartas que esconde na manga. Os inúmeros governos declaradamente socialistas que se sucederam na Europa são equiparados ao sonho socialista que teria inspirado Cuba. Ora, a Europa não se inspirou em ditadura soviética alguma para chegar onde chegou.
Impértérrito, o articulista vai adiante: “Tanto é assim que, no mundo contemporâneo, o ideário socialista de perfil não autoritário foi acolhido como proposta legítima e até mesmo necessária à normalidade democrática”.
Acontece, meu caro, que o ideário socialista de perfil não autoritário não é mais socialismo. É social-democracia.
Bucci admite a ditadura em Cuba – e cego seria se não admitisse - e vê a ela duas oposições, a de direita e a de esquerda: “Por esse ângulo é que podemos entender o lugar de uma oposição de esquerda à tirania dos irmãos Castro, uma oposição que não se confunde com as causas da direita. Ela não se serve da falta de liberdade como pretexto, mas toma a liberdade como fim”.
Ou seja, oposição de direita não vale um vintém. Só pode opor-se à ditadura cubana quem for de esquerda. O comunista irrecuperável, no fundo, está afirmando: “só nós, de esquerda, podemos criticar nossas ditaduras”.
Comunismo é como caxumba. Ou dá na adolescência ou provoca esterilidade.
Novas capitais da violência
NELSON MOTTA
O Estado de S.Paulo, 10 de fevereiro de 2012 | 3h 03
Os números não mentem: Maceió, Recife, João Pessoa, Vitória e Salvador são as capitais mais violentas do Brasil, com os maiores índices de homicídios por 100 mil habitantes. Enquanto isso, Rio de Janeiro e São Paulo, que há dez anos ocupavam os primeiros lugares do ranking da violência urbana, foram para as últimas posições da lista macabra.
A velha demagogia simplista que atribui à pobreza e à desigualdade a origem da criminalidade e da violência, ofendendo a maioria absoluta de pobres honestos e pacíficos, sucumbe aos números e aos fatos. Como o Nordeste foi a região do Brasil que teve maior crescimento econômico nos últimos anos, melhorando muito as condições da população, então o crime deveria ter diminuído. Mas dobrou.
Como explicar o aumento da criminalidade paralelo ao crescimento econômico e à ampliação das políticas sociais? Ou é a prosperidade que atrai mais crime e violência? Pode até ser, mas São Paulo, a maior e a mais rica, foi a que mais reduziu o crime nos últimos anos. Porque sua polícia começou a ser saneada, foi mais bem equipada e melhor paga, e fez o que tinha que ser feito: prendeu mais bandidos do que nunca, e a Justiça os manteve presos. Resultado óbvio: a criminalidade caiu mais de 70% nas ruas.
No Rio de Janeiro, com a Secretaria de Segurança do coronel José Mariano Beltrame positiva e operante, o Estado retomou territórios dominados pelo tráfico, começou a resgatar a credibilidade da polícia, prendeu inúmeros bandidos - e alguns policiais corruptos. O efeito foi a queda dramática da violência na cidade, hoje muito mais segura do que qualquer capital do Nordeste.
Seria incompetência, corrupção ou falta de dinheiro? Ou tudo junto? Mas é suprapartidário: nas capitais campeãs da violência, os governos estaduais são do PSDB, do PSB, do PT, do PMDB e do PDT, quase todos aliados do governo federal e de suas verbas. E se alguém disser que no Nordeste sobrevive uma velha cultura da violência, do machismo, do patrimonialismo e da impunidade, como em quase todo o Brasil, vai ser acusado de preconceito e racismo - pelos políticos nordestinos.
A era do oportunismo
José Serra
O Estado de S.Paulo, 09 de fevereiro de 2012
As últimas semanas trazem acontecimentos reveladores de um aspecto peculiar da "luta política" no Brasil, como a entendem o PT e o governo que ele lidera. Poderia ser resumido em dois conceitos: o relativismo como ideologia e a tática de recolher dividendos políticos sem se envolver diretamente, tirando, como se diz, a castanha do fogo com a mão do gato.
A moral da fábula do macaco esperto, que, faminto, mandava o bichano recolher as castanhas das brasas esteve visível nos sucessivos movimentos na USP. A chamada extrema esquerda desencadeou ações violentas e o petismo saiu a criticar a "falta de diálogo" e a "falta de democracia" que supostamente estariam na raiz dos distúrbios.
De olho no voto moderado, o PT não quer para si os ônus do radicalismo ultraminoritário, mas pretende sempre recolher os bônus de se apresentar como a solução ideal para evitar essa modalidade de movimento político. Como se, em algum lugar do mundo ou momento da História, o extremismo, de direita ou de esquerda, tivesse sido contido apenas com diálogo e negociação. É um discurso conveniente, pois se apresenta como alternativa "racional" de poder. Uma vez lá, os tais movimentos serão cooptados na base da fisiologia e, se necessário, da repressão. Os críticos exigirão "coerência" e o partido fará ouvidos moucos.
Mas a vida é mais complicada do que esses esquemas espertos. À medida que vai acumulando força, o PT precisa lidar com desafios concretos e, aí, surge a utilidade do relativismo. Querem um exemplo? Quando um governante adversário cuida de garantir o cumprimento da lei e manter a ordem pública, o aparato de comunicação sustentado com verbas públicas sai a campo para denunciá-lo, atacá-lo, desgastá-lo a qualquer custo. Quando, porém, esse governante é do PT ou aliado próximo, a posição se inverte.
Se o adversário cumpre a lei, é acusado de "criminalizar os movimentos sociais"; quando um deles cumpre a mesma lei, então são eles a criminalizar. Assim, os PMs em greve na Bahia governada pelo PT são chamados de "bandidos". Cadê o exercício do entendimento, a tolerância? Em São Paulo, em 2008, o PT ajudou na organização de uma marcha de policiais civis grevistas rumo ao Palácio dos Bandeirantes - marcha que, felizmente, não atingiu os objetivos sangrentos almejados.
Em Estados governados pelo petismo e aliados, são rotineiras as reintegrações de posse, mas quando precisam ser feitas em São Paulo, por exemplo, a mando da Justiça e sempre sob sua supervisão, o PT - e eis de novo a história das castanhas - cavalga o extremismo alheio para denunciar inexistentes violações sistemáticas dos direitos humanos. Nunca ofereceu uma possível solução ao problema social específico, mas se apresenta incontinenti quando sente a possibilidade de sangue humano ser vertido e transformado em ativo político.
Vivemos uma era em que o oportunismo político do PT acabou ganhando o status de virtude. Perde-se qualquer referência universal ou moral de certo e errado e essa separação é substituída por outra. Se é o partido que faz, tudo será sempre correto - os fins justificam os meios, seja lá quais forem esses fins. Se é o adversário, tudo estará sempre errado, pois suas intenções sempre seriam viciosas. A política torna-se definitivamente amoral.
É uma lógica que acaba derivando para o cômico em algumas situações. No atual governo, os ministros foram divididos em duas classes. Alguns são blindados, podem dar de ombros quando são alvo de acusações; outros são lançados ao mar sem muita cerimônia. Quando é do PT, especialmente se for do grupo próximo, a proteção é altíssima. Mas se tiver a sorte menor de ser apenas um "aliado" - conceito que embute a possibilidade de se tornar futuramente um adversário -, logo aparecem os vazamentos dando conta de que "o Palácio" mandou o infeliz se explicar no Congresso, a senha para informar aos leões que há carne fresca na arena.
Essa amoralidade essencial se estende às políticas públicas. Em 2007, quando governador de São Paulo, aflito com o congestionamento aeroportuário, propus ao presidente Lula e sua equipe a concessão à iniciativa privada de Viracopos, cujo potencial de expansão é imenso. Nada aconteceu. Na campanha eleitoral de 2010, a proposta de concessões foi satanizada. Pois o novo governo petista a adotou em seguida! Perdemos cinco anos! E a adotou privatizando também o capital estatal: o governo torna-se sócio minoritário (49% das ações) e oferece crédito subsidiado (pelos contribuintes, é lógico) do BNDES. Tudo o que era pra lá de execrado passou a ser "pragmatismo", "privatização de esquerda".
O ridículo comparece também à internet, onde a tropa de choque remunerada, direta ou indiretamente, com dinheiro público e treinada para atacar a reputação alheia desperta ou se recolhe em ordem unida, não conforme o tema, mas segundo os atores. São os indignados profissionais e seletivos. Como aquelas antigas claques de auditório, seguindo disciplinadamente as placas que alternam "aplaudir", "silenciar" e "vaiar".
Vivemos tempos complicados, um tanto obscuros, algo assim como "se Deus está morto, tudo é permitido" - e chamam de "pragmatismo" o oportunismo deslavado. A oposição, a despeito de notáveis destaques individuais, confunde-se no jogo, dado o seu modesto tamanho, mas também porque alguns são sensíveis aos eventuais salamaleques e piscadelas dos donos do poder. Um adesismo travestido de "sabedoria". A política real vai se reduzindo a expedientes necessários à manutenção do poder e à mitigação do apetite dos aliados. A conservação do statu quo supõe uma oposição não mais do que administrativa e burocrática. Parece que a nova clivagem da vida pública é esta: estar ou não na base aliada, de sorte que a política se definiria entre os que são governo e os que um dia serão.
Não sou o único que pensa assim, mas sou um deles: política também se faz com princípios, programa e coerência. E disso não se pode abrir mão, no poder ou fora dele.
*Ex-prefeito e ex-governador de São Paulo
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