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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Chegaram batatas! (E já terminaram...)


¡Llegaron las papas!
Lunes, Octubre 31, 2011 | Por Leannes Imbert


LA HABANA, Cuba, 31 de octubre (Leannes Imbert, www.cubanet.org ) –La semana pasada la policía debió intervenir para que fuera posible la venta de papas en el mercado habanero de San Rafael y Soledad. La barriada de Cayo Hueso, en el municipio Centro Habana, estuvo conmocionada desde horas de la madrugada del jueves, debido a que los vecinos esperaban la llegada del tubérculo, desaparecido de las tarimas de los agromercados desde hacía meses.

La cola para comprar papas, alcanzó dos cuadras de largo y se convirtió en un campo de batalla donde hubo agresiones verbales y golpes.

La policía intervino para controlar la situación e impedir que las personas compraran una y otra vez, pues sólo la venta, aunque liberada, fue limitada a 5 libras por persona. La cola se mantuvo así hasta cerca de las tres de la tarde, cuando se agotó el tan demandado producto.

ileannes@yahoo.com

Deixem Aldo em paz


Ricardo Noblat
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/, 31/10/2011


Difícil dizer qual foi o momento de mais brilhante cinismo que marcou a entrevista coletiva concedida na última sexta-feira por Renato Rabelo, presidente do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

Terá sido aquele onde ele garantiu que Aldo Rebelo, seu correligionário e novo ministro do Esporte, escolherá livremente com quem irá trabalhar?

Ou terá sido o momento seguinte quando Renato citou Nádia Campeão, ex-secretária de Esporte de São Paulo e ex-presidente do PC do B no Estado?

Renato admitiu que Nádia está cotada para a Secretaria Executiva do ministério do Esporte, embora “não seja uma indicação do partido”. Como é mesmo, Renato?

Cinismo puro!

Em 2002, ao se eleger presidente da República e decidir que o Esporte caberia ao PC do B, Lula pediu ao partido que sugerisse o nome do ministro. Por partido entenda-se Renato. Ninguém ali o contesta.

Renato tentou emplacar Nádia Campeão. Lula preferiu Agnelo Queiroz, deputado federal pelo PC do B de Brasília.

Então Renato empurrou goela abaixo de Agnelo os nomes de Orlando Silva para secretário Nacional de Esporte e de Ricardo Leyser Gonçalves para secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento.

Foi o primeiro emprego da vida de Orlando, que pelo PC do B presidira a União Nacional dos Estudantes entre 1995 e 1997.

Orlando e Ricardo serviram ao partido no ministério como uma espécie de tutores de Agnelo. Vigiavam seus passos. E confrontavam atos que poderiam desagradar ao partido.

Em certa ocasião, Agnelo aceitou convite para assistir no exterior a uma competição de natação. O autor do convite era um dirigente esportivo do Rio.

Os tutores de Agnelo se opuseram. Alegaram que a aceitação do convite fortaleceria seu autor, empenhado em que o Rio sediasse os Jogos Pan Americanos de 2007. E para o PC do B, o melhor seria que o Pan fosse disputado em São Paulo. Ali o partido concentra seus maiores interesses.

O ministro viajou mesmo assim.

Os dois viviam no gabinete de Agnelo. Não se anunciavam antes de entrar, simplesmente giravam a maçaneta da porta e entravam.

Uma vez, irritado, Agnelo foi visto saindo do seu gabinete com as mãos na cabeça para desabar diante de secretárias perplexas: “Tirem esses dois da minha sala. Não agüento mais”.

Vexame!

O posto de Orlando só lhe dava direito a dispor de carro oficial para se deslocar dentro da Esplanada dos Ministérios.

Pois bem: ele visitava a namorada que morava na Asa Norte dizendo que usara o carro em viagem ao Setor Hospitalar Norte. Para ir ao aeroporto, anotava que usara o carro em viagem ao Setor de Carga. Há um dossiê a esse respeito.

Apontado como o homem-forte dos Jogos Pan Americanos, Ricardo acabou condenado pelo Tribunal de Contas da União a devolver aos cofres públicos mais de R$ 18 milhões. Foi acusado de superfaturamento e de pagamentos indevidos.

Nem por isso deixou o ministério. Mais do que Dilma, Lula tolerava desvios de conduta.

Quem deixou o ministério foi Agnelo, candidato ao governo do Distrito Federal e depois ao Senado. O PC do B abandonou-o.

Agnelo quis voltar a ser ministro no segundo governo de Lula – o partido preferiu Orlando. Mas escalou o advogado Ronald Freitas, um dos sete membros do seu secretariado, para monitorar o novo ministro.

Agora, quem haverá pelo PC do B de controlar de perto ou à distância o desempenho de Aldo Rebelo?

Dele se diz – e com razão - que é um político experiente e respeitado por seus pares. Foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro das Relações Institucionais de Lula. Até a oposição (leia-se: Aécio Neves e José Serra, ambos do PSDB) gosta dele.

Seria razoável que o PC do B o deixasse em paz. Deixará?

Aldo é tido como um quadro disciplinado. Os comunistas se referem a ele como "um quadro orgânico".

No ano passado, Aldo pediu socorro à direção do partido quando temeu não se reeleger devido à quantidade de dinheiro gasto para eleger deputado Gustavo Petta, cunhado de Orlando.

O PC do B espera que ele retribua a ajuda que recebeu.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Brados retumbantes


NELSON MOTTA
O Estado de S.Paulo | 28 de outubro de 2011 | 3h 08


A cada ministro que cai, ainda ecoam vozes do Planalto repetindo o bordão de que a presidenta não será pautada pela imprensa, não irá a reboque da mídia, não decidirá sob pressão. Embora todos os escândalos que levaram a quedas de ministros tenham sido levantados justamente pela imprensa.

Nunca na história desse governo a mídia e a opinião pública foram surpreendidas com algum ministro demitido por malfeitos flagrados e revelados pelo próprio governo e seus órgãos de controle.

Se a imprensa não gritasse, o ministério inicial de Dilma/Lula estaria intacto e, como dizia o ministro Orlando Silva, seria indestrutível. É por isso que o Zé Dirceu e seus colunistas militantes gritam tanto contra a "mídia golpista". Por ser legalista demais.

Daí a obsessão de controlar os meios de comunicação por meio de conselhos a serem aparelhados por partidos e sindicatos. Inspirada nos modelos venezuelano e argentino, uma das bandeiras dessa "democratização da mídia" é a limitação da "propriedade cruzada": quem tem televisão não pode ter rádio, jornal, portal de internet ou canal de TV paga ao mesmo tempo.

Apesar da competição acirrada no bilionário mercado publicitário brasileiro, eles querem nos proteger de monopólios imaginários, ignorando que a interação entre várias mídias é hoje uma exigência dos grupos de comunicação independentes, que os viabiliza economicamente. A produção de informação e entretenimento custa, e vale, cada vez mais.

Para manter a TV Globo, seus acionistas teriam de vender suas revistas, rádios e canais pagos. A Folha de S. Paulo teria de se desfazer do UOL. A Band teria de escolher entre suas rádios ou TVs. A RBS perderia a Zero Hora. Coitado do Sarney, teria de abrir mão de sua Rede Mirante ou da Tribuna do Maranhão.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Socialismo do Século XXI = Socialismo do Século XX = Socialismo do Século ...


Venezuela: vejam como a estatização de Hugo Chávez é um desastre monumental


Ricardo Setti
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/vasto-mundo/venezuela-vejam-como-a-estatizacao-de-hugo-chavez-e-um-desastre-monumental/

(Publicado originalmente a 16 de setembro de 2011)


Amigos, aqui está uma leitura ilustrativa para quem ainda imagina que o delírio da “revolução bolivariana” do “comandante Hugo Chávez” na Venezuela é outra coisa senão um monumental desastre — não apenas no campo das liberdades públicas, cada vez mais esmagadas pelo autoritarismo do coronel, no poder há doze anos, mas também num terreno que é uma espécie de menina dos olhos do regime: a estatização de empresas.

A reportagem “Venezuela — Empurra mas não vai”, é de auditoria do jornalista Duda Teixeira e está na edição de VEJA atualmente em bancas.

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Estudo venezuelano avalia estatais de Chávez e confirma que o tal socialismo do século XXI é tão desastroso quanto o do século XX


Os automóveis que saem da fábrica Venirauto, na cidade de Maracay, são considerados carros para a vida toda. “Depois de adquirir um, ninguém vai querer comprá-lo de você”, dizem os venezuelanos. A montadora foi criada em 2006, numa parceria do governo venezuelano com uma empresa iraniana.

Tudo o que se produziu até agora — 2 017 veículos — equivale a 7% da meta anual estipulada no início. Dessas unidades, poucas estão nas ruas. A maioria dos carros foi aposentada após o primeiro problema mecânico. Não há peças de reposição à venda.

O que acontece dentro dos galpões da Venirauto é um mistério, pois a empresa não abre as portas para jornalistas ou gente de fora do governo.

Um estudo recente, contudo, faz um diagnóstico preciso e revela o que ocorreu com essa e outras quinze estatais que surgiram do nada ou das ruínas de empresas privadas expropriadas ao longo dos doze anos do governo de Hugo Chávez. Todas padecem das mesmas enfermidades: queda na produção, redução do número de empregados e déficit operacional (leia abaixo “Modelo de fracasso”).
A Venezuelan works in a Venirauto car manufacturing plant, a joint venture between the Venezuelan government and Iran's major auto maker Khodro, in Maracay

A pesquisa, denominada “Gestão em vermelho”, foi coordenada pelo economista Richard Obuchi, da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas. “A proliferação de estatais serve para o estado aumentar seu controle em todas as atividades, em uma pretensiosa tentativa de planificar tudo”, diz ele. “Com essa estratégia, o socialismo do século XXI, uma invenção de Chávez, repete os métodos desastrosos do socialismo do século XX.”

401 empresas sofreram intervenção estatal só no último semestre

Apesar dos resultados pífios, Chávez decidiu, neste ano, acelerar a estatização da economia, possivelmente porque quer garantir o máximo de controle do poder econômico do país antes das eleições presidenciais, no ano que vem. Muitos venezuelanos temem que, por estar com a popularidade em queda e fragilizado por um câncer, Chávez esteja se preparando para um golpe caso perca a votação. No último semestre, 401 empresas sofreram intervenção estatal, termo que engloba expropriações, invasões de terra e confiscos de bens patrimoniais. O número é 41% superior ao do ano passado inteiro, quando foram registradas 284 intervenções.

Inflação e 23 bilhões de dólares em expropriações


A queda na produção das empresas estatizadas provoca prejuízos e alimenta a inflação, que neste ano deve chegar aos 30%. Entre 2007 e 2009, o governo venezuelano gastou 23 bilhões de dólares em expropriações de grandes empresas, mais do que os investimentos necessários para garantir a produção da estatal de petróleo PDVSA – também estagnada.

As empresas estatizadas tornaram-se improdutivas, têm prejuízos constantes e só não fecham as portas porque são subsidiadas com o dinheiro dos impostos e do petróleo. Isso explica por que, apesar de ser dono de um número crescente de empresas, o Estado venezuelano não conseguiu aumentar sua participação no PIB.

O estatismo também se provou prejudicial aos trabalhadores. Na Azucarera Cumanacoa, estatizada em 2005, um terço das vagas desapareceu. Na Rualca, produtora de rodas de alumínio, os empregados não recebem salário. Operários foram pedir esmola no semáforo da esquina. Cientes do perigo que corriam, trabalhadores da Polar, a maior empresa de alimentos do país, e da Pepsi-Cola entraram na Justiça para defender os patrões contra a expropriação.

“No início, os trabalhadores aprovavam as estatizações”, diz o cientista político Ismael Pérez Vigil, presidente executivo da Conindustria. “Agora, resistem. Sabem que podem ter o salário reduzido ou perder o emprego.” Pobre povo venezuelano. Virou cobaia de laboratório de experiências que já fracassaram há décadas em outras partes do mundo.

Modelo de fracasso


O estudo “Gestão em vermelho”, coordenado pelo economista venezuelano Richard Obuchi, analisou dezesseis empresas estatizadas ou criadas por Hugo Chávez. Em todas o desempenho piorou ou as metas não foram cumpridas. A seguir, seis exemplos

AZUCARERA CUMANACOA (em Cumanacoa)

Expropriada em 2005, mudou de nome para Azucarero Sucre e passou a receber consultoria cubana

Resultado – A produção caiu 18% desde então. Cada quilo de açúcar é vendido com um prejuízo de 66%

CRISTAL (em Turén)

A fábrica da Cargill foi expropriada em 2009 porque não produzia o tipo de arroz determinado pelo governo

Resultado – Toda a produção continua sendo do mesmo tipo de arroz

FRUTÍCOLA CARIPE (em Caripe)

Expropriada em 2007, a processadora de suco de laranja passou a se chamar Cítricos Roberto Bastardo

Resultado – A produção atual representa apenas 13% da registrada nos anos 90

RUALCA (em Valencia)

Exportava rodas de alumínio e foi estatizada em 2008

Resultado – O nome foi mudado para Rialca, e só. A fábrica está parada e os funcionários, sem salário

VENEPAL (em Morón)

Expropriada em 2005, a indústria de papel foi incorporada à estatal Invepal

Resultado – Produz apenas 2% de sua capacidade

VENIRAUTO (em Maracay)

Criada em 2006 em sociedade com uma empresa iraniana, a montadora pretendia fabricar 26 000 carros por ano

Resultado – Em quatro anos, só vendeu 2 017 unidades, a maioria para funcionários públicos chavistas

Prejuízo garantido

Economista e professor da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas, Richard Obuchi coordenou o estudo “Gestão em vermelho”, em parceria com as pesquisadoras Anabella Abadi e Bárbara Lira, que analisou o desempenho das estatais venezuelanas. Obuchi conversou por telefone com o editor Diogo Schelp.

Qual foi o resultado das estatizações?


Todas as empresas tomadas pelo governo enfrentam problemas financeiros. Têm dificuldade em pagar aluguel, honrar salários ou comprar insumos para a produção. Precisam da ajuda do Executivo, que desvia recursos para atender à demanda de todas elas.

Por que as estatais não conseguem pagar suas despesas?


Entre outras razões, porque vendem produtos a preços muito baixos. Um exemplo é o Azucarero Sucre. Em 2008, o custo para produzir 1 quilo de açúcar era de 4,8 bolívares fortes [a atual moeda do país, resultado do corte de três zeros da moeda anterior, o bolívar, em 2008, devido à inflação], mas a estatal o comercializava a 1,6 bolívar forte. A diferença era subsidiada pelo governo. Se isso ocorre com uma empresa privada, ela fecha. Uma companhia pública não pode fazer isso.

Como o governo justifica as estatizações?

Em 2002 e 2003, quando a Venezuela passou por greves e percalços econômicos, o argumento era dar estabilidade aos trabalhadores. Entre 2005 e 2007, época em que tivemos escassez de produtos, a justificativa era assegurar a igualdade de renda. Neste ano, estamos passando por uma crise dos empreendimentos imobiliários, que estão parados.

O argumento então passou a ser garantir moradia a todos. Mas também há justificativas sem nenhuma lógica. Ao expropriar uma unidade da Cargill, o governo afirmou que a empresa não estava de acordo com a legislação, pois só produzia arroz parboilizado. Era preciso fabricar o arroz normal. O interessante é que, dois anos depois, 100% do arroz produzido naquela unidade continua a ser o parboilizado.

Há relação entre as estatizações e a queda no PIB da Venezuela nos últimos dois anos?

As expropriações não apenas sucatearam empresas eficientes como criaram um clima de incerteza. A ameaça de que qualquer empresa pode ser estatizada causou desconfiança em investidores internos e externos, o que afetou o crescimento.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

De Steve.Jobs@com para Dilma@gov


Elio Gaspari, O Globo, 26/10/2011


Senhora presidente,

Eu pensei em escrever para a senhora em duas ocasiões. Na primeira, quando a sua burocracia tributária disse que o iPad não era um computador, porque não tinha teclado. Nunca ouvi tamanha besteira. Na segunda, quando soube que a senhora usava um iPad (achou o teclado?).

Desisti porque algum Bozo diria que estava defendendo meus interesses. Resolvi fazê-lo agora porque vim para cá e acaba de ser publicada por aí a minha biografia, escrita pelo Walter Isaacson. Eu acho que ele foi bonzinho. Diz 34 vezes que eu tenho um "campo de distorção da realidade". Maneira elegante para mostrar que fui um refinado mentiroso.

A senhora já se deu conta de que, no Brasil, eu e os meus produtos somos tratados como estorvos? Por causa dos impostos os iPods, os iPhones e os iPads vendidos na sua terra são os mais caros do mundo.

Quem traz um MacAir na volta de uma viagem paga R$ 650 de impostos. Se trouxer máquina fotográfica, paga nada. Mais: pode comprar, no desembarque, US$ 500 de bebidas alcoólicas. Vocês importam mais lixo e roupas usadas do que computadores Apple.

Agora mesmo, a Foxconn negocia com seu governo a montagem de iPads no Brasil. Não acompanho essa conversa, mas o Alan Turing (aquele gênio gay que se matou comendo uma maçã com cianeto) me contou uma história de "transferência de tecnologia" e percentagem de componentes nacionais.

Isso é bullshit. Transferimos o que nos convém transferir, desde que a produção brasileira tenha preços competitivos. Fora disso, nem pensar.

A senhora tem no Brasil uma artilharia de interesses que atrasaram o progresso do país em vinte anos na área dos computadores (hoje o atraso está nuns dez). Lembra da "reserva de mercado"? Até meados dos anos 80, seria mais fácil para mim entrar no Brasil com um pacote de pastilhas de LSD do que com um Mac.

Enquanto isso, alguns bobalhões montaram em São Paulo um galpão para clonar minhas máquinas. Garantiram-me que a senhora defendia essa maluquice. Não acredito.

Eu soube que há prefeituras comprando lotes de iPads. Falam até num projeto de um tablet (seja lá de quem for) para cada um dos 7 milhões de estudantes brasileiros. Não permita isso, dona Dilma, eles não querem melhorar a educação, querem rapinar os contribuintes. Seu programa de Um Computador por Aluno é um engano administrativo a serviço da marquetagem política e do bem-estar dos fornecedores.

Outro dia pararam de pagar a capacitação de professores, mas continuaram a pagar as máquinas. Seu governo quer levar computadores para as escolas? Treine os mestres, dê um bônus a cada família e ela compra a máquina que quiser.

A senhora já notou como o mercado de e-books brasileiros está atrasado? Pois pense no tamanho do negócio dos livros didáticos. Seu programa de distribuição gratuita desses livros é o maior do mundo, depois do chinês. Imagine esse mercado dentro de dez anos, quando os tablets escolares custarem menos de US$ 50.

Façamos de conta que estamos na Apple. Esse cenário pedirá novos produtos, novas editoras e novos modelos de livros. Eu faria assim: ponha dois sujeitos para pensar só nisso. Um para projetar boas ideias. Outro para enxotar más ideias trazidas por bons amigos.

Atenciosamente

Steve Jobs.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Libertação do soldado custou a Israel muitas lágrimas e sangue


Vejam as histórias dessas duas terroristas orgulhosas de seus crimes bárbaros


Ricardo Setti, 25/10/2011


A Israel custou suor, lágrimas e sangue — muitas lágrimas e muito sangue — a soltura dessa primeira leva de 477 prisioneiros palestinos em troca da libertação do soldado Gilad Shalit, sequestrado pelos terroristas do Hamas em junho de 2006 e deste então mantido em cativeiro. Não é por acaso que o primeiro-ministro Benyamin Netahyahu, sempre tão arrogante e autossuficiente, tenha se derramado em demoradas explicações sobre o acordo feito, por meio da intermediação do Egito, com o Hamas.

Para exemplificar o que escrevi acima, vou deixar de lado a enumeração dos assassinos frios, dos terroristas impenitentes e de tantos outros ciminosos que deixaram o duro cárcere israelense em troca do pálido, frágil Shalit, que parece tudo — estudante de filosofia, professor de matemática –, menos soldado, para fixar o foco em duas histórias:

História número um: armadilha mortal do amor

Janeiro de 2001. Ophir Rachum, um garoto tímido de 16 anos de idade de Ashkelon, cidade litorânea 50 quilômetros ao sul de Tel Aviv, desses viciados em internet e que quase não saem de casa, encontra uma parceira num chat. É uma judia recém-emigrada do Marrocos. Trocam mensagens cada vez mais quentes, até que combinam um encontro em Jerusalém. A garota ainda lembra: que ele não se esqueça de trazer camisinhas.

Encontraram-se na principal estação de ônibus de Jerusalém. Pegaram um táxi em direção a Ramallah, a capital da Autoridade Palestina. Perto da cidade, a garota disse que uma amiga os esperava em seu carro. Ophir, feliz da vida, dirigiu-se ao veículo – e lá estavam dois terroristas da milícia Tanzim, que o mataram a tiros.

A “garota marroquina” era na verdade a jornalista palestina Amina Joudah Manssi, de 21 anos, ou Amina Mouna, Amina Mona, Amina Muna, Amana Gouad ou mais meia dúzia de diferentes pseudônimos de que lançava mão na clandestinidade.

Três dias depois, foi presa. Levada a um tribunal, foi condenada à prisão perpétua.

“Estou orgulhosa do que fiz”, dizia, sorrindo, diante do tribunal.

A última mensagem de Ophir encontrada em seu computador dizia:

– Eu te amo.

O pai de Ophir, Shalom, não se conforma até hoje:

– Massacracam meu menino! Foram 28 tiros à queima-roupa! Ela é uma assassina asquerosa. Quando esses animais estiverem de volta às ruas, o terrorismo vai voltar.


História número dois: a criminosa de rosto angelical



Ahlam: rosto angelical, 15 mortos, 140 feridos e nenhum arrependimento. Agora, da prisão perpétua para a liberdade

Agosto de 2001. Ahlam Tamimi, uma jovem palestina de 20 anos, sorriso claro e rosto angelical, estava assistindo a uma palestra em Jerusalém quando recebeu um telefonema. Era de um “chefe de comando” do Hamas que a conhecia e sabia de seu ódio a Israel. Convidou-a para um encontro, porque iria encarregá-la de uma “missão”.

Ahlam deixou a palestra pela metade e foi avistar-se com o homem, que estava acompanhado de um estudante de Jenin, na Cisjordânia – região sob controle da Autoridade Palestina . Chamava-se Izz al-Masri, era filho de um próspero dono de restaurante mas se candidatara a ser “mártir da revolução” e a “encontrar-se com Alá”.

A jovem prontificou-se a cumprir sua parte na “missão”: vestir-se com roupas características de uma israelense, esconder com ela 10 quilos de dinamite e levar al-Masri a um determinado ponto da cidade.

Pouco depois, a “missão” chegava a seu término: numa pizzaria do centro de Jerusalém, repleta de clientes, al-Masri explodiu o próprio corpo, matando 15 pessoas e ferindo 140. Entre os mortos, uma senhora brasileira: Giora Balash, 60 anos, de São Paulo.

Logo detida, julgada e condenada à prisão perpétua, Ahlam repetiu o refrão dos fanáticos palestinos: “Por que tenho que me arrepender? Não fiz nada errado. Não me arrependo”.

(Texto publicado originalmente a 18 de outubro de 2011)

El final de los tiranos


Los Castro dicen que morirán peleando, pero ¿qué dictadores lo han hecho?


R. Álvarez Quiñones
Diario de Cuba, 25-10-2011 - 4:50 pm.


"Fidel Castro me dijo un día, después que capturaron a Saddam por allá, en aquel hueco donde lo agarraron: él tenía que haber muerto peleando. 'Si invaden Cuba, yo voy de primero. Y tú, bueno, verás qué haces. Pero tú también estás en la lista. Pero nosotros no podemos en ningún caso ser capturados en un hueco'".

Así dijo Hugo Chávez a Ian James, corresponsal de la agencia noticiosa AP en Venezuela, el 12 de junio de 2007, mientras conducía un automóvil por zonas rurales de ese país.

Cuatro años después, Muamar el Gadafi, otro revolucionario amigo de Castro y Chávez, quien repetía que moriría combatiendo si intentaban derrocarlo, también se escondió en un hueco. Allí fue capturado, y lejos de usar la pistola de oro que llevaba "para vender cara su vida" comenzó a implorar clemencia.

Como reza el refrán, "quien siembra vientos recoge tempestades". Fueron tantos los crímenes de Gadafi, y tanto lo que hizo sufrir a su pueblo, que fue linchado al ser sorprendido. Fue una ejecución más rápida que la de Benito Mussolini, cuando disfrazado de soldado alemán, resultó detenido mientras trataba de escapar a Suiza en un camión.

Y hablando de pistolas, Fulgencio Batista, otro colega de Castro, afirmaba que al dar el golpe de Estado en 1952 llevaba su pistola "con una bala en el directo". No obstante, el primero de enero de 1959 huyó del país en un avión con millones de dólares del tesoro público.

En 2005, Castro advirtió en un discurso en el teatro habanero Karl Marx sobre el peligro "cada vez mayor" de una invasión militar a la isla; acerca de los planes del presidente Bush para asesinarlo, al final de su arenga gritó: "Que lo sepan los imperialistas, si nos invaden y hay armas, yo moriré combatiendo...".

También su hermano Raúl, ahora dictador oficial, ha asegurado que "si los yanquis invaden", él morirá peleando como un tigre.

Aquí cabe observar tres cosas: 1) ambos hermanos saben que no habrá ninguna invasión estadounidense; 2) en caso de producirse, los invasores serían recibidos como salvadores, ya que tal acontecimiento ocurriría solo si el régimen masacra a la población durante una revuelta, como hizo Gadafi en Libia; y 3) ningún dictador de la era moderna ha muerto combatiendo.

Los dos primeros factores son subjetivos, pero el tercero es un hecho comprobado. Desde el más célebre del siglo XIX, Napoleón Bonaparte —quien murió de cáncer en Santa Elena—, pasando por otro también del mismo siglo, el argentino Juan Manuel Rosas —que murió tranquilamente en su exilio de Inglaterra—, hasta nuestros días, ningún "hombre fuerte" ha muerto combatiendo contra sus oponentes. Y desde 1900 han sido al menos 94 los gobernantes a nivel mundial (debe haber más) que sin ser reyes, príncipes, emperadores o sultanes (cargos monárquicos hereditarios) han permanecido en el poder por al menos 10 años ininterrumpidamente sin someterse a elecciones democráticas y han fallecido sin empuñar las armas.

Ninguno tuvo un final heroico. Ni uno solo de los 37 derrocados luchó o disparó un tiro tal y como habían prometido. La mayoría, en cambio, huyó con el dinero malversado.

Cinco de ellos fueron asesinados: Anastasio Somoza García (1956, Nicaragua), Rafael L. Trujillo (1961, República Dominicana), Park Chunk Hee (1979, Corea del Sur), Anuar el Sadat (1981, Egipto) y ahora Gadafi.

El italiano Benito Mussolini y Nicolae Ceausescu, en Rumanía, fueron ejecutados sumariamente, "en caliente". Saddam Hussein fue condenado a muerte por un tribunal y ahorcado. Hitler se suicidó, y Somoza fue asesinado en un atentado en Paraguay, después de ser derrocado.

Muchos de estos déspotas fueron depuestos de manera más pacífica, sobre todo en Europa del Este. Y casi una treintena de ellos murió en el poder, apaciblemente.

Campeón mundial

De todos, Fidel Castro es el campeón mundial. Es el único tirano que ha llegado a medio siglo en el poder. Tres colegas suyos martirizaron a sus pueblos por más de 40 años: Kim Il Sun, de Corea del Norte, 48 años (murió en el poder); Gadafi, 42; y Enver Hoxha, de Albania, 40 años (murió en el poder).

Hay 18 iluminados que han gobernado —o gobiernan aún— entre 30 y 40 años, encabezados por Francisco Franco y Oliveira Salazar, 36 años; Alfredo Stroessner, Josip Briz Tito y Todor Yivkov (Bulgaria), 35 años; Janos Kadar (Hungría) y Felix H. Boigny (Costa de Marfil), 33 años; así como Mobutu Sese Seko (Congo), Jose E. Dos Santos (Angola), Suharto (Indonesia), Yu Tsedenbal (Mongolia), y Teodoro Nguema (Guinea Ecuatorial), con 32 años como dictador cada uno.

De ese grupo de Grandes Ligas siguen dictando órdenes, en pleno siglo XXI: Dos Santos, Nguema y Robert Mugabe (Zimbawe). Otros 28 han gobernado entre 20 y 30 años, y el resto (44), entre 10 y 20 años.

El África subsahariana se lleva la palma con 30 tiranos, seguida de América Latina con 20; Asia, 15; Medio Oriente 14 y Europa, 14. O sea, al Tercer Mundo le corresponde el 85% del total. El otro 15%, los europeos, fueron todos comunistas o fascistas.

Sin embargo, con excepción del África al sur del Sahara, donde aún proliferan los dictadores adictos al llamado "socialismo africano", los casos de Corea del Norte o Uzbekistán en Asia, o las autocracias represivas vigentes en Irán, Siria, Yemen, y otros países del Medio Oriente, lo cierto es que la humanidad goza hoy de más libertad social y política que nunca antes. La única dictadura existente en la actualidad en todo el hemisferio occidental es la cubana.

Tras la ola de rebeliones populares que han sacudido y sacuden las dictaduras en el mundo árabe, tras el fin del comunismo en Europa y el de las dictaduras militares y las guerras civiles en Latinoamérica, las tiranías andan en problemas. Las hay todavía, pero no parecen tener un futuro muy halagüeño. Que le pregunten, si no, a los dictadores de Siria, Argelia (buenos amigos de los Castro), o de Yemen.

En tanto, Raúl y Fidel Castro no acaban de entender nada y parecen dispuestos a colmar la copa. Con su autismo político, insisten en que la actual ebullición democrática global no se puede aplicar a Cuba, e incluso afirman que el pueblo ya "se indignó" en 1959.

Sin embargo, hay personas en la cúpula castrista —incluyendo militares— que sí comprenden la inevitabilidad de efectuar cambios, y que han tomado nota de que Hussein y Gadafi tuvieron que esconderse en sendos huecos. Si los Castro se obstinan en seguir haciendo sufrir a la gente, resultará cada vez menos descabellado visualizarlos teniendo que esconderse en alguno de esos túneles secretos que hicieron construir en La Habana y otras áreas del país.

Nunca se sabe, reza una frase popular.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A imbecilidade, a estupidez (e a sem-vergonhice) não têm limites...


Trechos do livro "Berlim: Muro da Vergonha ou Muro da Paz?", de Antônio Pinheiro Machado Netto, citados em artigo de Janer Cristaldo no jornal A Notícia, de Joinville, em 26.11.89:


"Hoje não se pode mais falar em reunificação da Alemanha, pura e simplesmente, com fundamento tão somente na língua e história comuns. (...) Não se pode, todavia, afastar a hipótese de, num futuro mais ou menos remoto, vir a ocorrer a unificação (como aconteceu no Vietnã). Esta hipótese, porém, só pode ser considerada se na chamada Alemanha Federal — RFA — passar a existir também um regime socialista."

"Uma das maiores bobagens veiculadas no Brasil sobre o Muro de Berlim é que ele foi erguido para evitar as fugas de alemães da RDA para a parte oeste de Berlim. Esta asneira é veiculada até por pessoas que gozam de alguma credibilidade no Brasil, e por órgãos de comunicação, que se apresentam como veículos fiéis à verdade."

"Todos os epítetos lançados contra o muro — afronta à liberdade, vergonha, etc., etc. — escondem apenas o ressentimento e a frustração dos fazedores de guerra que, naquela linha de fronteira, viam o começo da terceira guerra mundial por que tanto sonham, e para cujo deflagrar tudo fazem, com vistas a salvar o capitalismo da crise irreversível em que está mergulhado."

"É natural que na RDA e nos demais países socialistas a tendência seja a diminuição do índice de criminalidade, de vez que as infrações penais que têm origem na miséria, numa vida difícil e atormentada, com dificuldades econômicas e financeiras, tendem a desaparecer por completo nos países socialistas, e muito particularmente na RDA."

"Mas, decorridas quatro décadas, essa mesma Alemanha Ocidental — eis a grande verdade — não resolveu problemas vitais do povo alemão que vive na região ocidental. Mais do que isso. Hoje a República Federal da Alemanha — RFA- , como todo mundo capitalista, é um país atormentado por uma crise de vastas proporções, crise política, econômica, social e moral."

"A realidade alemã ocidental hoje reflete a crise que avassala o sistema capitalista. Na RFA a situação social também vem se agravando. Progressivamente aumenta a pobreza."

"Os sindicatos da RFA estão prevendo que até 1990 cerca de 100 mil pessoas perderão seus empregos, atualmente, por força da automação. Afora, evidentemente, o desemprego resultante da crise do capitalismo que existe na RFA e em todo o ocidente capitalista, e que vai continuar."

"Os meios de comunicação de massa do Ocidente já “decretaram” que nos países socialistas não há liberdade para os cidadãos e que, especialmente, inexiste liberdade de imprensa. Também “decretaram” que os direitos humanos não são respeitados no mundo socialista."

"Daqui cinco anos (ou seja, ano que vem, parêntese meu), na RDA, não haverá mais desconforto habitacional — todas as famílias terão sua casa."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SARTRE E OS PICA-PAUS DE BERLIM


Janer Cristaldo


Florianópolis — O sonho acabou, dizem intelectuais ditos de esquerda, ao referir-se ao fracasso total dos regimes comunistas. Digo intelectuais ditos de esquerda, porque jamais aceitei esta conceituação, afinal desde os anos 20 as tais de esquerdas vêm cultuando os vícios que atribuíram à tal de direita. Os gulags, é bom lembrar, datam de 1918. Hitler nada teve de original. Por sonho, nossos intelectuais entendem o socialismo. Estes sonhadores profissionais sempre viveram no cálido e capitalista Ocidente, é claro. Socialismo, no olho alheio, é colírio. Para quem o sofre, um pesadelo.

O sonho pode ter acabado. Mas apenas para estes esquerdofrênicos que, degustando um scotch e pinçando castanhas ao som de Chico Buarque, louvavam o regime inumano que oprimia milhões de seres na China, União Soviética e colônias. Disse oprimia? Perdão leitor. Continua oprimindo. Se os países do Leste europeu começam a tatear um caminho de liberdade, Gorbachov ainda não está conseguindo impor a perestroika em sua própria casa. Quando os comunossauros de Moscou largarem o osso do poder, só então poderemos respirar tranqüilos. É bom lembrar que as tropas russas continuam estacionadas na Europa central. A Gorbachov, para concluir sua missão, só falta um passo: declarar massa falida o sistema que o gerou. Ou seu projeto terá sido vão.

De Paris, recebo duas cartas. A primeira, de amiga que agora cogita visitar-me, pois finalmente o Brasil teve "eleições democráticas". (As aspas são dela, não minhas). Pelo jeito, preferia a barbárie no poder. A propósito, no período do segundo turno, os jornais franceses estavam saudando Monsieur Lula como le futur président du Brésil. Francês sempre teve o coração à esquerda. Socialismo é ótimo, desde que longe da França.

Mas falava de minha missivista, que já viajou pela China, União Soviética, países do Leste e jamais exigiu eleições livres do lado de lá. Conseguiu inclusive entrar na Albânia, último reduto dos "puros e duros", para onde agora estão viajando cinco deputados brasileiros, entre eles Florestan Fernandes, homem dotado de tal coragem intelectual que chegou a apoiar os massacres da praça da Paz Celestial em Pequim.

Da Albânia, minha amiga parisiense contou-me uma história divina. Encrave tirânico e medieval em meio a uma Europa moderna, a agricultura do país ainda está na fase da enxada e do rabo do arado. Enver Hoxha, acusado pela imprensa ocidental (pela albanesa é que não o seria) de manter um sistema que sequer produzia um trator, convocou seus engenheiros e ordenou a construção de um. Construído o dito, ficou provado que o poderoso pensamento camarada Hoxha era capaz de conceber uma agricultura mecanizada. Provado isto, o trator foi para um museu, onde até hoje está, enquanto os albaneses continuam entortando as vértebras no cabo da enxada.

Na segunda carta, as angústias do final de década de um brasileiro há muito vivendo em Paris: "Toda a ideologia dominante de nossa geração e os castelos e fortalezas que sobre ela foram construídos se esboroam sobre as fundações que supúnhamos sólidas. No PCF a debandada é geral, o que, em comparação com o resto é um epifenômeno localíssimo. Embora a política não tenha sido objeto de minhas paixões, vejo tudo isso boquiaberto e me pergunto que nova Jerusalém o espírito humano (e europeu) vai nos tirar de sua caixinha de surpresas".

Pois espero que o espírito europeu não conceba mais nenhuma, que de Jerusaléns estamos fartos. Gerações e gerações foram sacrificadas neste século na busca de um ideal assassino, e ai de quem discordasse dos sagrados postulados de Moscou! Dois milenaristas no poder já são demais para um único século em um só continente. Hitler e Stalin foram adorados por seus contemporâneos e quase afogaram a Europa no mais vasto mar de sangue que até hoje temos notícia. Hitler, ao perder a guerra, foi relegado ao papel de vilão. Mas não tenhamos dúvida alguma: se a ganhasse continuaria a ter adoradores no mundo todo, pois quem escreve a história são os vencedores. Stalin, vitorioso, virou Deus. Mas, como dizia Marx, tudo que é sólido se desmancha no ar. Esta singela frase, quase escondida no Manifesto, não parece ter recebido a devida atenção de seus seguidores.

O tosco e rude messianismo russo impressionou os intelectuais do Ocidente a tal ponto que Sartre, ao voltar de uma viagem à União Soviética, declarou ao Libération, em 1954: "A liberdade de crítica é total na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E o cidadão soviético melhora sem cessar sua condição no seio de uma sociedade em progressão contínua. Exceto alguns, os russos não têm muita vontade de sair do país... não têm muita vontade de viajar neste momento. Têm outra coisa a fazer em casa".

Mais uma pérola: "Lá por 1960, antes de 1965, se a França continua estagnada, o nível médio de vida na URSS será de 30 a 40% superior ao nosso. Qualquer que seja o caminho que a França deve seguir para sair de seu imobilismo, para recuperar ser atraso industrial, para se constituir como nação diferente da de hoje, ele não pode ser contrário ao da União Soviética". E nisso é que dá receber mordomias de Moscou. Esta prostituta respeitosa, que chegou a receber o prêmio Nobel e o recusou de puro despeito, pois Camus o havia recebido antes, foi guru de toda uma geração de tupiniquins. Entende-se agora melhor Nelson Rodrigues quando dizia ser o pensamento de Sartre de uma profundidade tal que uma formiga o atravessava com água pela canela.

Todo anticomunista é um cão, decretou um dia Sartre. Com a autoridade de parisiense que determina qual será o perfume ou filosofia da década, condenou ao círculo dos infames todos os pensadores lúcidos que clamavam por liberdade, Camus inclusive.

Em 1980, assisti ao enterro de Sartre, acompanhado por stalinistas e compagnons de route. Pena ter morrido tão cedo. Teria hoje a coragem de chamar de cães toda esta gente que derruba dos prédios estrelas vermelhas e rasga das bandeiras a foice e o martelo? Serão cães estas nações que querem abandonar de suas histórias a palavra comunista? É uma pena, realmente, que Sartre não esteja vivo neste final de década.

Falava de cartas. De Berlim recebo outra: "Vem logo, ou não vais conseguir nenhum pedacinho do muro como lembrança". Minha interlocutora me conta que, dia e noite, ouve-se um matraquear incessante de berlinenses de picaretas em punho, grudados ao muro que nem pica-paus a um eucalipto. E eu, que tanto me queixo dos ruídos de Florianópolis, não vou resistir ao convite para este concerto.

Porto Alegre, RS, 03.02.90. Joinville, A Notícia, 11.02.90

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ainda bem que o Paraíso é dirigido por desprendidos...


Cuba discute limitar mandato de autoridades


BBC/Brasil, 14/10/2011


O Partido Comunista de Cuba anunciou nesta sexta-feira que começou a debater a proposta lançada pelo presidente Raúl Castro para limitar os mandatos das autoridades cubanas a dois períodos de cinco anos cada.

A proposta de Raúl, 80 anos, é parte de sua estratégia para promover jovens lideranças em Cuba. Ele sucedeu seu irmão Fidel Castro, 85 anos, que liderou a Revolução Comunista na ilha em 1959.

A proposta será debatida nos próximos meses e será submetida à votação na conferência nacional do partido, em janeiro de 2012, segundo informações da agência de notícias Associated Press.

O documento publicado na imprensa cubana diz que a ideia é promover "uma renovação gradual na liderança".

O projeto não detalha a quais níveis de governo se aplicaria a nova regra, inédita no país, conhecido pela longa permanência de alguns líderes em postos-chave da administração.

Em abril desde ano, Raúl já tinha tocado no assunto e defendeu inclusive a limitação dos mandatos presidenciais.

Fidel, em seus artigos no jornal Granma, também já defendeu um "sistemático rejuvenescimento" das lideranças cubanas.

Falta de liderança
Durante um encontro do partido, em abril, Raúl disse que a tentativa anterior de preparar novos líderes não tinha funcionado bem.

A declaração foi interpretada como uma referência ao ex-chanceler Felipe Pérez Roque (hoje com 46 anos) e ao ex-vice-presidente Carlos Lage Dávila (atualmente, 59), demitidos em 2009. Membros do Partido Comunista acusaram ambos de "sede de poder".

[Comentário Vianna: Ah!, Pérez Roque (46) e Carlos Lage (59), esses guris com sede de poder que não respeitam os desprendidos Raúl (80) e Fidel (85)! Patifes ambiciosos!]

Castro disse, em abril, que hoje o regime "sofre as consequências de não ter uma reserva de lideranças pronta".

O documento defende ainda que postos-chave da administração tenham diversidade de raça e de sexo.

Anti-semitismo


Discurso contra los prejuicios


CARLOS CORACH
Sábado, 8 de Octubre de 2011 - 09:58 hs


En la sesión de la Asamblea Nacional francesa del 23 de diciembre de 1789, el diputado por Arras, Maximilien-Marie Isidore de Robespierre, pide la palabra. Robespierre era respetado por sus pares como un hombre que analizaba con inteligencia la grave situación por la que atravesaba la Revolución, acosada en sus fronteras y con graves disensiones internas.

Sin embargo el diputado, despojándose de todos los prejuicios religiosos sobre los “judíos deicidas” en los que fue formado en el colegio parisino Luis-le Grand, uno de los más importantes de Francia, asume con vigor su defensa.

Ante el estupor de la audiencia, dice: “Todo ciudadano que cumpla con las condiciones de elegibilidad que vosotros habéis establecido, tiene derecho a acceder a todas las funciones públicas. ¿Cómo se puede oponer a los judíos las persecuciones de las que diferentes pueblos los han hecho víctimas? Por el contrario, son crímenes nacionales que debemos expiar, devolviéndoles los derechos imprescriptibles del hombre , de los cuales ningún poder humano puede despojarlos. Se les imputa todavía vicios y prejuicios: el espíritu sectario y el afán de lucro exagerado; ¿pero a quién podemos culpar si no es a nuestras propias injusticias? Después de haberlos excluido de todos los honores, del derecho a la estima pública, no les hemos dejado más que el espacio de las especulaciones lucrativas. Devolvámosles la felicidad, la patria y la virtud, reconociéndoles su dignidad de hombres y de ciudadanos”.

Es, sin duda, el primer discurso contra el antisemitismo, pronunciado públicamente en Francia.

La moción fue rechazada por la Asamblea.

Los prejuicios centenarios tienen larga vida , como lo demuestra la reciente encuesta sobre antisemitismo del Instituto Gino Germani de la Universidad de Buenos Aires, cuyas conclusiones desalentadoras marcan su increíble persistencia.

Sólo una vigilia permanente y la profundización del esclarecimiento del tema en la educación pública y privada de todos los niveles, puede cambiar esta actitud discriminatoria.

CARLOS CORACH Ex Ministro del Interior de Argentina

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O que diz a FAO sobre o Paraíso!!!


Leiam o que diz o representanta da FAO sobre o país que importa 80% (oitenta por cento!!!) dos alimentos que consome.

E querem ser levados a sério...



Agricultura
Representante de la FAO: Cuba 'avanza hacia la independencia alimentaria'


La Habana | 13-10-2011 - 11:27 am.

El funcionario dijo que la agencia de Naciones Unidas pretende 'utilizar y expandir a otros países' la experiencia cubana en agricultura urbana y suburbana.

El representante en La Habana de la Organización de Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO), Marcio Porto, opinó que "Cuba avanza hacia la independencia alimentaria", informó la agencia estatal Prensa Latina.

De acuerdo con la agencia, el brasileño Porto se refirió a "proyectos y experiencias inéditas en la agricultura urbana y suburbana" que, dijo, "la FAO pretende utilizar y expandir a otros países".

Según los datos del Gobierno cubano, la Isla importa casi el 80% de lo que consumen sus habitantes. Raúl Castro ha declarado la producción de alimentos un problema de "seguridad nacional".

El desastroso balance de la agricultura cubana en las últimas décadas es una de las más frecuentes críticas a las autoridades de la Isla. Sin embargo, el funcionario de la FAO consideró que "Cuba tiene experiencias para exportar".

"Los cubanos son respetados por sus conocimientos y capacidad de hacer mucho con poco", dijo.

En cuanto a las medidas puestas en marcha por el Gobierno para intentar aumentar la producción de alimentos, como la entrega de tierras ociosas en usufructo, Porto opinó que son "un fuerte estímulo para la agricultura familiar".

A su juicio, las medidas "son un experimento interesante, encaminado a promover la migración de la ciudad al campo y lograr la estabilidad en esa región, cuando la tendencia mundial es migrar en sentido contrario, en detrimento de la agricultura".

La FAO lleva adelante 29 proyectos en Cuba, que abarcan todas las provincias y el municipio especial de la Isla de la Juventud, y en los cuales básicamente aporta "tecnologías e insumos".

Entre los programas, que se realizan de conjunto con otros países y organizaciones internacionales, Porto mencionó la recuperación del sector pecuario, impactado por los huracanes Gustav y Ike, y al rescate de la producción de alevines.

También la entrega de hasta 10.000 dólares a microproyectos comunitarios para sufragar el suministro de semillas, piensos, animales, herramientas manuales y otros materiales para labores en el campo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Steve Jobs: santo ou ...


Do blog de Janer Cristaldo (http://cristaldo.blogspot.com/)


SAINT STEVE?
10/10/2011


Em meus verdes anos, quando fazia Filosofia, eu olhava meio de esguelha para os universitários da área técnica e científica. O saber, o humanismo, pensava eu, reside na Filosofia e nas Letras. Nada como o tempo para mudar as gentes. Hoje vivo afastado deste mundo e meu convívio tem sido maior com amigos da área técnica. Me fascinam as grandes obras da engenharia e os feitos da informática. Em algum lugar escrevi que quem descobre um chip mais rápido faz mais pela comunicação entre os homens do que um literato. Se os escritores estabelecem elos de comunicação, os informatas os tornam mais ágeis e mais ao alcance de todos.

Mas, cá entre nós, a imprensa está exagerando na apologia a Steve Jobs. O homem teve sua importância, isto é inegável. Daí a ser considerado gênio vai uma grande distância. Bill Gates mexeu com a minha vida. Quanto ao Jobs, se não tivesse existido, nada teria mudado em meus dias. Não tenho em casa nenhuma de suas geringonças. Estou pensando vagamente em um iPhone, mas hesito. Sei que pouca utilidade terá para mim, será mais ou menos como um brinquedinho portátil. Os achados de Jobs atendem mais a uma fome de consumo do que a uma real necessidade.

É equívoco da imprensa atribuir a Jobs a invenção do iPhone, iPod, iPad, iMac, como vem sendo feito. Não estamos mais nos tempos de Da Vinci ou Thomas Alva Edson. Na área da informática, todo gadget é fruto de milhares de homens/horas trabalho. Em recente artigo, dizia Farhad Manjoo, comentarista da revista eletrônica Salon:

- Há uma escola hagiográfica de Jobs que sugere ter sido ele o inventor individual das soluções. Embora haja centenas de patentes com o nome dele, Jobs não era o responsável pelas idéias dentro da Apple. O papel dele era separar as boas idéias das más idéias até elas virarem produtos.

Os devotos de Jobs dirão que algo tenho dele aqui em casa, o mouse. Segundo Manjoo, não é bem assim:

- O caso mais famoso desse seu talento foi o mouse, dispositivo que ele conheceu em 1979 numa viagem à unidade de pesquisas da Xerox em Palo Alto. Jobs percebeu na hora que aquilo poderia redefinir a computação e trabalhou febrilmente na tentativa de transformar aquilo em algo útil. Ele copiou outras partes do Mac de Jef Raskin, lendário especialista em interfaces de computador na Apple que bolou vários dos principais conceitos da computação gráfica.

Jonathan Ive, um dos diretores da Apple, tem suas queixas:

- Ele tinha um jeito de examinar minhas idéias e dizer: “Isto é bom, isto não é muito bom, gosto disto”. E depois eu me sentava na platéia e ele falava daquilo como se fosse idéia sua. Presto uma atenção insana para entender de onde vem uma idéia, a ponto de encher cadernos com minhas idéias. Por isso dói quando ele assume a autoria de um de meus designs.

O depoimento de Ive é grave. Estamos diante de um gênio ou de um operoso plagiador? A imprensa está fazendo a hagiologia de Jobs. Parece que a época está precisando de santos.

Mas Saint Steve está mais para ladrão do que para santo.

MENSAGEM DO DRESSLER, 11/10/2011


Caro Janer,

Finalmente alguém escreveu a VERDADE sobre Jobs. Talentoso? Sem dúvida. Mas o sistema de interface de janelas e mouse foi invenção de anônimos engenheiros da XEROX, como você escreveu. Obra totalmente da XEROX, que incrivelmente cedeu os direitos à Microsoft e Apple, por achar que o sistema não tinha futuro... Bizarro, não? Tanto Jobs quanto Gates viram grandes possiblidades, e a Apple lançou o Mac e a Microsoft o Windows. A Apple lançou primeiro por um simples motivo: abandonou completamente os sistemas anteriores usados pela Apple e lançou uma máquina totamente nova, cara, o Mac, e que não podia ser copiada, plataforma fechada exclusiva da Apple, bem ao estilo Jobs. Já a Microsoft demorou mais porque, preocupada com seus clientes, adaptou o sistema para ser compatível com o antigo MS-DOS, que até ali era o sistema mais usado em PCs. Deu no que deu, espalhou-se pelo mundo e detém 90% do mercado.

Por outro lado, é interessante ver como a mídia, predominante esquerdista, endeusa Steve Jobs bem acima dos seus reais feitos: ele APARENTAVA ser esquerdista, era um "reevolucionário" (que faz novas evoluções sobre o que já existe, ou está prestes a existir: ele era uma espécie de catalizador que acelerava o que já estava em andamento; faço questão de distinguir de "revolucionário", que ele não era no sentido que a esquerda usa para si). Jobs "reevolucionava": celulares já existiam, o Kindle já existia, o computador pessoal já existia antes dele, ele só os fez melhorarem (principalmente no design), o que não deixa de ser um grande feito, de qualquer maneira.

Divertido também é que justamente a esquerda goste tanto de Jobs, que era um tremendo capitalista, que se não tivesse essa "aura" de esquerdista, seria tido como um capitalista selvagem, que produz na China e que mantém as plataformas de seus produtos fechadas, não permitindo que outros produzam, processando quem faz algo parecido, etc.. Se dependesse dele e da Apple, o computador pessoal jamais estaria na casa de todos (até em favelas), seria caro demais para poder ser comprado. Jobs também jamais fez caridade, doações, etc., no que eu acho que ele até fez muito bem, não se dá dinheiro para as pessoas, se dá é conhecimento para que façam por si mesmas.

Mais divertido ainda, é que também a esquerda odeie quem mais fez pela democratização da informática, Bill Gates e a IBM. Não sei se você sabe, mas os computadores, antes da chegada do PC-IBM, custavam muito caro, inclusive os da Apple. Foi a plataforma aberta da IBM (que os outros fabricantes podiam copiar à vontade), o MS-DOS e depois o Windows da Microsoft que jogaram, em menos de 10 anos, os preços de computadores pessoais e servidores para 10% dos valores cobrados antes de seus advento. Mas Bill não tem este aura de revolucionário, ao contrário, é pragmático, então malha-se diariamente o sujeito.

Porém, ambos eram capitalistas, porque é só com o Capitalismo é que as verdadeiras revoluções são feitas neste mundo: com trabalho, pragmatismo e criatividade, bem dosados.

Abcs
James Masi Dressler

Piadas cubanas


Citadas no artigo "Chismes y chistes", de Miguel Iturria Savón
Cubanet.org, 11/10/2011


Castro, Pepito, el chino y Hugo Chávez:

“En el Cementerio Colón, durante el entierro de Celia Sánchez, el Comandante murmura: ¡Oh, Celia, mi Celia! Un chino que escucha le dice: ¿Mi Celia? ¡Micelia, hambre y dictadura!”

“El inspector de escuela le pregunta a Pepito: -¿Quién es tu madre?

-La Patria, inspector.

-Y ¿tu padre?

-Fidel, inspector.

-Y tú, ¿qué quieres ser Pepito?

-¡Yo, huérfano, inspector!”
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Castro llama a Hugo Chávez y le pregunta: “¿Qué estás haciendo ahora compañero Presidente?

-Yo, estoy bolivarizando al pueblo venezolano. Y tú, ¿qué estás haciendo?

-Yo aquí, Martí-rizando al pueblo cubano”.
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La maestra le pregunta a Pepito: -“¿Qué es el capitalismo?

-Es un basurero lleno de carros, juguetes y comida.

-Muy bien, Pepito, ¿y el comunismo?

-El mismo basurero, pero vacío…”
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Turistas y semejanzas:

Un turista canadiense pregunta en una tienda de música de La Habana:

-“¿Tienen la canción Morir de amor, por los Hermanos Fabrisa, en 45 revoluciones?

-No, pero tenemos Morir de hambre, por los hermanos Castro, en una sola revolución”.
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Un chistoso pregunta a un ingenuo: “¿En qué se parecen el Vaticano y la Reforma agraria de Cuba? Ante el silencio del otro, le dice: En que durante 50 años solo producimos cuatro papas”.

Un sacerdote sus feligreses: “Hijos míos, estoy por creer que Adán y Eva eran cubanos, pues no tenían ropa, andaban descalzos, no los dejaban comer ni manzanas, y les insistían que estaban en el paraíso”.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fim de uma era


Morre Steve Jobs, criador da Apple, iPod, iPhone, iPad...


O gênio visionário – responsável por revolucionar segmentos da indústria e colocar a tecnologia na palma da mão do consumidor – tinha 56 anos e lutava contra um câncer de pâncreas. Perfeccionista e inventivo, transformou a empresa criada na garagem de seus pais em uma das mais valiosas do planeta

http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/morre-steve-jobs-criador-da-apple-ipod-iphone-ipad



"A Apple tem a ver com pessoas que pensam fora do quadrado"
Steve Jobs


Steve Jobs – o gênio da tecnologia responsável por revolucionar ao menos três segmentos da indústria (computação pessoal, música, e telefonia) e inovar outra (animação para filmes) – morreu nesta quarta-feira, aos 56 anos de idade. Ex-CEO e força criativa por trás da Apple, ele lutava desde 2003 contra um câncer raro no pâncreas, que o levou a deixar, em agosto, a direção da companhia que ele fundou em 1976 e ajudou a transformar em uma das mais valiosas do planeta. Jobs deixa a mulher, Laurene, e quatro filhos – três mulheres e um homem.

A família de Jobs se manifestou publicamente, mas pediu privacidade. "Ele morreu hoje, pacificamente, cercado por sua família... Nós sabemos que muitos de vocês sentirão a perda conosco, porém, pedimos respeito e privacidade durante esta hora de dor."

No site da Apple, uma nota faz uma homenagem a Jobs: "A Apple perdeu um gênio visionário e criativo, e o mundo perdeu um ser humano incrível. Aqueles que tiveram o prazer de conhecer e trabalhar com Steve perderam um amigo querido e um mentor inspirador. Steve deixa para trás uma companhia que somente ele pôde erguer e seu espírito será para sempre a essência da Apple".

Jobs protagonizou uma das sagas mais fascinantes de nosso tempo, uma aventura digna de filme. Reúne drama familiar, construção de um império, traição empresarial, superação e, sim, romance. Colocado para adoção logo após o nascimento, o menino nascido em São Francisco, na Califórnia, foi acolhido por uma família simples com a condição de que pudesse cursar a universidade. Uma vez lá, o jovem Steven Paul abandonou os estudos, trocando a graduação promissora por um incerto curso de caligrafia e uma viagem mística pela Índia. De volta aos Estados Unidos, inventou na garagem dos pais, ao lado de um amigo, Steve Wozniak, o que viria a ser o primeiro computador pessoal do mundo. Aos 20 anos, a dupla fundou a Apple. Três anos depois, acumulava 100 milhões de dólares. Aos 30, Jobs foi expulso da companhia pelo homem que ele mesmo contratara, John Sculley. Fora da "maçã", fundou outra empresa de computadores e comprou, do cineasta George Lucas, uma produtora de animações, a Pixar, por 10 milhões de dólares – 11 anos depois, a empresa seria vendida por 7 bilhões de dólares com filmes como Toy Story no currículo. Aos 42, Jobs foi convocado de volta à Apple para salvar a empresa da falência. Nos anos seguintes, lançou o iPod, iniciando a revolução no mercado de distribuição de música, o iPhone, catapultando o setor de smartphones, e o iPad, promovendo movimentação no setor editorial. Ao final do ciclo, a Apple chegou a ocupar o posto de empresa mais valorizada do planeta, avaliada em cerca de 350 bilhões de dólares. A última década de vida, talvez a mais frutífera, foi marcada também pela batalha contra o câncer no pâncreas. Uma trajetória de tirar o fôlego.

Jobs não criou tudo sozinho, é claro, mas não há dúvidas de que seu espírito – exigente e inventivo – foi decisivo para moldar a tecnologia que chegou às mãos do consumidor no último quarto de século. Foi ele, por exemplo, quem insistiu com Wozniak na ideia de levar o Apple I, primeiro computador pessoal, ao grande público. Foi dele também a decisão de abandonar, no início da década passada, o desenvolvimento do tablet e, em seu lugar, abraçar o projeto que desaguaria no iPhone, aparelho que de fato apresentou ao mundo o celular inteligente (o tablet ficaria para depois).

Wozniak, o amigo e cofundador da Apple, concorda com todos os talentos atribuídos a Jobs – apurado senso estético, capacidade de liderar, visão de mercado, poder de comunicação... Mas aponta um que, a seu ver, distancia o ex-CEO da esmagadora maioria dos líderes empresariais e também da maior parte dos mortais: "Ele sabe o que as pessoas querem ver nos produtos e também o que não querem. É um entendimento total do que motiva o ser humano."

O nome de Jobs está presente em nada menos do que 313 patentes, que tratam de invenções, usadas em produtos como desktops, iPods, iPhones e iPads. Até alguns itens de decoração utilizados nas lojas da Apple foram registrados pelo ex-CEO. As patentes se referem a tecnologia, funcionalidades e também ao design dos aparelhos, um aspecto essencial para Jobs. "Design não é apenas a aparência de um produto. Design é como ele funciona." Várias vezes, ele deixou claro seu interesse pela zona de contato entre técnica e design e sua admiração pelo renascentista Leonardo Da Vinci (1452-1519), o mestre que pintou a Monalisa e esboçou um protótipo do helicóptero.

"Steve Jobs é o Henry Ford da tecnologia", aposta Leander Kahney, autor do livro A Cabeça de Steve Jobs, que procura dissecar o método do americano. "Ele é o maior inovador na indústria da tecnologia voltada ao consumidor." Carmine Gallo, colunista da revista Businessweek, complementa a comparação: "Ele mudou totalmente o modo como interagimos com equipamentos digitais. Se não fosse por Jobs, ainda estaríamos digitando linhas de comando, em linguagem de máquina." Perfeccionista, Jobs criou produtos de uso simples, mas com aparência sofisticada, que mexeram com o imaginário de seus consumidores, criando uma legião de fãs da Apple.

Tanta exigência teve seu preço. Jobs passou a ser conhecido como um chefe implacável, que podia demitir um funcionário no elevador caso ele não tivesse na ponta da língua resposta sobre um produto em desenvolvimento na companhia. Em outras situações de trabalho, era comum que os colaboradores fossem interrompidos logo que pronunciavam as primeiras palavras de um raciocínio: "Já entendi. Mas o que penso sobre esse assunto é o seguinte..."

O executivo não era surdo às críticas, e chegou a explicar suas razões. "Algumas pessoas não estão acostumadas com um ambiente onde se espera excelência", disse certa vez. Em outra oportunidade, mostrou o peso de ser líder: "É doloroso trabalhar com algumas pessoas que não as melhores do mundo e precisar livrar-se delas. Mas constatei que minha função, às vezes, consiste exatamente nisso: descartar algumas pessoas que não correspondem às expectativas." A melhor autodefinição, contudo, talvez seja a seguinte: "Meu trabalho não é ser fácil com as pessoas. Meu trabalho é torná-las melhores."

"Steve nunca permitiu que a Apple fizesse produtos apenas razoáveis, nem mesmo bons: ele só aceitava os excelentes", afirma Wozniak, o amigo de juventude com quem Jobs criou o primeiro computador pessoal. Até mesmo rivais reconheceram a estatura do executivo não apenas na condução dos negócios da Apple, mas também seu carisma para liderar e motivar sua equipe e cativar consumidores. Foi o caso de Bill Gates, o fundador da gigante de software Microsoft: "Ao pensar em líderes que conseguem inspirar seus funcionários, Steve Jobs é o melhor que já conheci. Ele acredita na excelência de seus produtos e é capaz de comunicar isso."

Sem seu principal criador, a Apple caminhará sob comando de Tim Cook, antigo chefe de operações da companhia, que assumiu o cargo de CEO no final de agosto. Um dia depois do afastamento de Jobs, as ações da companhia caíram cerca de 2%, exprimindo a preocupação dos investidores com o futuro da companhia. "Em curto prazo, contudo, não vemos nenhum impacto que possa prejudicar a Apple. São oscilações normais de mercado", avalia Bruno Freitas, analista de mercado do grupo IDC.

O conforto é fruto de uma tática quase imperceptível adotada pelo cérebro da empresa: o treino das lideranças da companhia. Nos lançamentos da marca nos últimos anos, por exemplo, Jobs dividia as apresentações: ele mostrava as novidades e deixava as explicações técnicas para os especialistas. Além disso, em 2008, foi criada a Apple University, com o objetivo de ensinar os empregados da empresa a "pensar como Steve Jobs" e a tomar decisões como ele. A idéia era impregnar nos executivos o "jeito Steve Jobs de ser".

"Não há dúvidas de que, sem ele, não haveria Apple. Mas a questão é que ele criou um time e uma série de processos pensando no sucesso", diz Carolina Milanesi, analista do Gartner, grupo especializado em análise de mercado. Freitas completa: "Podemos falar que a Apple absorveu o DNA de Steve Jobs. Por isso, ela pode continuar bem, mesmo sem ele no comando."

Só o futuro poderá dizer se o atual e os novos dirigentes da empresa manterão o vigor de Jobs. É improvável que outro profissional reúna os mesmos talentos dele. Mas é imprescindível que seus líderes nutram pela companhia – e por tudo o que ela representa – o mesmo sentimento alimentado por seu criador: "Foi como a primeira paixão", disse Jobs certa vez sobre a Apple.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vehículos viejos sí, pero nuevos solo para los ungidos


Oscar Espinosa Chepe

Cubanet, Miércoles, Octubre 5, 2011


LA HABANA, Cuba, octubre, www.cubanet.org -Después de años de espera, a través del Decreto No. 292 del Consejo de Ministros del 20 de septiembre, el gobierno amplió el rango de los vehículos automotores para compra-venta o donación entre los ciudadanos. Hasta el presente, esta operación solamente era permitida para los fabricados antes de 1959. Ahora están comprendidos los posteriores a esa fecha, pero aquellos vendidos en entidades comercializadoras en el país únicamente se autorizarán a “personas que hayan obtenido los ingresos en moneda libremente convertible o en pesos convertibles, como resultado de su trabajo, en funciones asignadas por el Estado o en interés de éste”.

Por tanto, este Decreto sólo permite la compra-venta o donación de vehículos asignados hace mucho tiempo, en particular los Ladas y Moskovich soviéticos, en explotación desde hace más de 20 años, que como los de fabricación norteamericana, los popularmente llamados “almendrones”, anteriores a 1959, funcionan gracias a la creatividad de los cubanos, debido a las dificultades para encontrar piezas de repuesto y aditamentos que posiblemente ya no se producen ni en Rusia.

Adicionalmente en el Decreto se establece que las personas que salgan para residir definitivamente fuera de Cuba, puedan donar sus vehículos a sus familiares. Hasta ahora, al abandonar el país en esas condiciones, no sólo las personas quedan desterradas, sino que se les confiscan todas las propiedades. Quizás esta medida “flexibilizadora” responda a que al gobierno no le interesa recibir más vehículos súper amortizados, sin piezas de repuesto e imposibles de mantener por sus altos consumos de combustible, y por eso, después de tantos años, haya tomado esta “dadivosa” decisión, que en la práctica ha constituido, como continúa constituyendo la confiscación de las viviendas y otras propiedades, un inmenso abuso contra ciudadanos indefensos que, empujados por las necesidades o las persecuciones, hayan decidido abandonar su patria y establecerse en otros países.

El Decreto también permite que un ciudadano posea más de un vehículo, pero la transacción para adquirir uno adicional impone un 50,0% más de impuesto. Resulta evidente que esto responde a la política de obstaculizar el progreso y la libertad económica de los cubanos. En la práctica lo único que conseguirán las autoridades es que se viole lo reglamentado, pues con solo poner a nombre de otra persona- un familiar por ejemplo- el otro vehículo adquirido, se deja de pagar el recargo tributario.

La nueva legislación, en líneas generales, permite la compra-venta de vehículos usados, la mayoría absolutamente amortizados, quedando los nuevos a cargo del Estado para entregar a las personas seleccionadas. De tal forma, los campesinos, los cuentapropistas o las personas que reciban dinero de sus familiares desde el exterior seguirán sin posibilidades de adquirir vehículos nuevos, pues el Estado continuará su política segregacionista y excluyente para fomentar el clientelismo, así como obligar a actitudes de doble moral a fin de poder progresar en esta Cuba, dominada por el totalitarismo durante más de 52 años.

El Decreto 292 es una prueba más de las medidas tardías, insuficientes y parciales que ha venido realizando el gobierno, con el objetivo de que el poder omnímodo del Estado continúe intacto.