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sexta-feira, 30 de março de 2012

BRASIL: O PAÍS EM QUE MAIS SE TRABALHOU PARA PAGAR IMPOSTOS!


Banco Mundial - Doing Business 2011
Citado em Ex-Blog do Cesar Maia, 30/03/2012


1. Os 10 países onde MAIS se trabalhou em um ano para pagar impostos em 2011: 1. Brasil: 2.600 horas \ 2. Bolívia: 1.080 horas \ 3. Vietnã: 941 horas \4. Nigéria: 938 horas \ 5. Venezuela: 864 horas \ 6. Bielorrússia: 798 horas \ 7. Chade: 732 horas \ 8. Mauritânia: 696 horas \ 9. Senegal: 666 horas \ 10. Ucrânia: 657 horas

2. Os 10 países onde MENOS se trabalhou em um ano para pagar impostos em 2011: 1. Maldivas: 0 horas \ 2. Emirados Árabes Unidos: 12 horas \ 3. Bahrein: 36 horas \ 4. Qatar: 36 horas \ 5. Bahamas: 58 horas \ 6. Luxemburgo: 59 horas \ 7. Omã: 62 horas \ 8. Suíça: 63 horas \ 9. Irlanda: 76 horas \ 10. Seicheles: 76 horas

quinta-feira, 29 de março de 2012

Em busca do nada


J.R. GUZZO
Veja, edição de 28/03/2012


A palavra provavelmente mais correta para descrever a maior parte das atividades do governo brasileiro hoje em dia, em português comum, seria “farsa”. Mas é melhor, por prudência e pela cortesia com que se devem tratar nossas altas autoridades em geral, utilizar alguma coisa mais leve ─ “ficção”, talvez, é o termo que se aconselha, já que não pode ser entendido como ofensa (Deus nos livre de uma coisa dessas), e ao mesmo tempo serve para resumir com bastante clareza a atual conduta do superior comando da nação.

Entre as paredes do caixote de concreto e vidro em que funciona o Palácio do Planalto, é fabricada todos os dias a impressão de que ali se vive numa colmeia de trabalho sem descanso e de operosidade sem precedentes; segundo essa visão, apresentada como fato praticamente indiscutível na propaganda oficial, ainda não foi criado no Brasil o problema que as prodigiosas qualidades de gerência atribuídas à presidente Dilma Rousseff tenham deixado sem solução. Mas um metro para fora do Palácio, na vida real que começa na rua, o mundo dos fatos, indiferente ao que se diz do lado de dentro, mostra o contrário: nada do que o governo manda resolver, ou quase nada, consegue ser resolvido.

Falta de tempo para mostrar serviço de verdade, do tipo que pode ser visto e comprovado, com certeza não é. Já faz mais de nove anos que a presidente Dilma está dentro do governo, no qual dá expediente desde o primeiro dia de mandato de seu antecessor ─ com a função, justamente, de ser a tocadora de obras número 1 da República. Alguma coisa de porte, a esta altura, já tinha de ter aparecido. Mas não aparece.

Tão inúteis quanto a passagem do tempo ou os oceanos de dinheiro que o poder público tem para gastar vêm sendo as demissões em série na equipe ministerial. Em pouco mais de um ano de governo Dilma, já foram para a rua doze ministros, mais os lideres no Senado e na Câmara ─ todos nomeados por ela mesma, é verdade, incluindo-se aí alguns dos mais notórios candidatos a morte súbita que já passaram por um ministério na história deste país. Os resultados disso, pelo que se viu até agora, foram nulos. As demissões, sem dúvida, mostram que a presidente está disposta a valer-se de sua posição no topo da cadeia alimentar de Brasília ─ pode mandar qualquer um embora, e não pode ser mandada embora por ninguém.

O problema, tristemente, é que o exercício repetido de toda essa autoridade não tem sido capaz de gerar nenhum efeito útil para a vida prática do país e do cidadão. Seja porque Dilma está substituindo tão mal quanto nomeou, seja porque os novos ministros vivem paralisados pelo medo de perder o seu emprego, o fato é que nenhuma de todas as trocas feitas até agora resultou num único metro a mais de estrada asfaltada, ou num poste de luz, ou em qualquer coisa que preste.

O que certamente não falta, nesse deserto de resultados, é a construção de miragens. Empreiteiras de obras públicas, por exemplo, fazem aparecer na imprensa fotos da presidente em cima de um carrinho de trem, cercada por um alarmante cordão de puxadores de palmas, numa visita de inspeção à Ferrovia Norte-Sul. Uns tantos minutos depois, todos voltam a seu carro oficial ou helicóptero e deixam para trás a realidade.

A Ferrovia Transnordestina, por exemplo, com 1700 quilômetros de extensão, foi iniciada em 2006 e deveria ter sido entregue em 2010; já estamos em 2012, o custo de 4,5 bilhões de reais pulou para quase 7 bilhões e tudo o que se conseguiu construir, até agora, foram 10% do percurso. O petroleiro João Cândido, que começou a ser construído quatro anos atrás para a Petrobras em Pernambuco, e foi lançado ao mar em 2010 pelo ex-presidente Lula como um prodígio da nova indústria naval brasileira, voltou a terra firme logo após a cerimônia; continua lá até hoje. Entre as mais espetaculares obras do PAC, com todos os seus bilhões em investimentos, inclui-se o “trem-bala” ─ mas a única coisa que se pode dizer com certeza sobre o “trem-bala”, até agora, é que ele não existe.

A presidente Dilma, que sabe muito bem o que é inépcia, tenta há nove anos achar o caminho de saída desse vale de lágrimas; pode continuar tentando pelos próximos cinquenta e não vai encontrar nada. Não vai encontrar porque procura no lugar errado; imagina que a solução está em criar mais repartições públicas, mais regras, mais controles, mais programas e mais tudo o que faça um “estado forte”. É o tipo de ideia que encanta a presidente. Nunca deu certo até hoje. Mas ela continua convencida de que um dia ainda vai dar.

quarta-feira, 28 de março de 2012

E no Islã...


ISLÃ ESTIMULA A PRODUÇÃO DE CENOURAS
Janer Cristaldo (http://cristaldo.blogspot.com.br/) 27/03/2012


Ao contrário do que possam pensar os infiéis, o Islã se liberaliza a passos céleres, pelo menos no que diz respeito aos direitos da mulher e ética sexual. Senão, vejamos. Há pouco mais de um quarto de século, o aiatolá Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini publicava sua tese teológica – um comentário ao Corão – intitulada Valayaté-Faghih, Kachfol-Astar e Towzihol-Masael. Traduzindo, pela ordem: O Reino do Erudito, A Chave dos Mistérios e A Explicação dos Problemas.

Excertos desta obra magna foram traduzidos na França, em 1979, quando o aiatolá pregava a derrubada do xá em Neauphle-le-Château, arredores de Paris, sob o título Principes politiques, philosophiques, sociaux et religieux par l’Ayatollah Khomeyni. A partir desta edição, foi feita uma tradução brasileira, pela Record, nos anos 80, sob o título genérico de O Livro Verde dos Princípios Políticos, Filosóficos, Sociais e Religiosos do Aiatolá Khomeini. Em 1989, eu comentava alguns dos princípios do grande líder muçulmano. Pinço cá e lá algumas reflexões do erudito autor:

O homem que ejaculou após ter tido relações com uma mulher que não é sua e que de novo ejaculou ao ter relações com a legítima esposa, não tem o direito de fazer orações se estiver suado; mas, se primeiro tiver tido relações com a sua mulher legítima e depois com uma mulher ilegítima, poderá fazer as suas orações mesmo se estiver suado.

Por ocasião do coito, se o pênis penetrar na vagina da mulher ou no ânus do homem completamente, ou até o anel da circuncisão, as duas pessoas ficarão impuras, mesmo sendo impúberes, e deverão fazer as suas abluções.

No caso de o homem — que Deus o guarde disso! — fornicar com animal e ejacular, a ablução será necessária.

Durante a menstruação da mulher, é preferível o homem evitar o coito, mesmo que não penetre completamente — ou seja, até o anel da circuncisão — e que não ejacule. É igualmente desaconselhável sodomizá-la.

Dividindo o número de dias da menstruação da mulher por três, o marido que mantiver relações durante os dois primeiros dias deverá pagar o equivalente a 18 nokhod (três gramas) de ouro aos pobres; se tiver relações sexuais durante o terceiro e quarto dias, o eqüivalente a 9 nokhod e, nos dois últimos dias, o eqüivalente a 4½ nokhod.

Mas atenção,leitor: sodomizar uma mulher menstruada não torna necessários esses pagamentos.

Se o homem tiver relações sexuais com a sua mulher durante três períodos menstruais, deverá pagar o eqüivalente em ouro a 31½ nokhod. Caso o preço se tiver alterado entre o momento do coito e o do pagamento, deverá ser tomado como base o preço vigente no dia do pagamento.

De duas maneiras a mulher poderá pertencer legalmente a um homem: pelo casamento contínuo e pelo casamento temporário. No primeiro, não é necessário precisar a duração do casamento. No segundo, deve-se indicar, por exemplo, se a duração será de uma hora, de um dia, de um mês, de um ano ou mais.

Enquanto o homem e a mulher não estiverem casados, não terão o direito de se olhar.

É proibido casar com a mãe, com a irmã ou com a sogra.

O homem que cometeu adultério com a sua tia não deve casar com as filhas dela, isto é, como suas primas-irmãs.

Se o homem que casou com uma prima-irmã cometer adultério com a mãe dela, o casamento não será anulado.

Se o homem sodomizar o filho, o irmão ou o pai de sua esposa após o casamento, este permanece válido.

O marido dever ter relações com a esposa pelo menos uma vez em cada quatro meses.

Se, por motivos médicos, um homem ou uma mulher forem obrigados a olhar as partes genitais de outrem, deverão fazê-lo indiretamente, através de um espelho, salvo em caso de força maior.

É aconselhável ter pressa em casar uma filha púbere. Um dos motivos de regozijo do homem está em que sua filha não tenha as primeiras regras na casa paterna, e sim na casa do marido.

A mulher que tiver nove anos completos ou que ainda não tiver chegado à menopausa deverá esperar três períodos de regras após o divórcio para poder voltar a casar.

Qualquer comércio de objetos de prazer, como os instrumentos musicais, por menores que sejam, é estritamente proibido.

É proibido olhar para uma mulher que não a sua, para um animal ou uma estátua de maneira sensual ou lúbrica.

De lá para cá – pouco mais de um quarto de século -, muitas águas rolaram sob o olhar complacente de Alá e o Islã modernizou-se. A agência France Presse nos trouxe hoje uma alvissareira notícia. Um célebre teólogo islamita marroquino autorizou as mulheres solteiras que se masturbem usando cenouras ou garrafas para evitar que mantenham relações sexuais proibidas fora do casamento.

"O uso de uma cenoura ou uma garrafa está autorizada pelos ulemás (teólogos) e a sharia (lei muçulmana)", confirmou à AFP Abdelbari Zemzemi, um teólogo cujas fatwas geralmente provocam polêmica na imprensa.

Segundo Zemzemi, ex-deputado e presidente de uma associação religiosa de Casablanca, esta autorização "diz respeito a casos excepcionais: mulheres solteiras que não querem manter relações sexuais sem se casar e têm dificuldade de controlar sua libido".

O teólogo considera normal que suas declarações possam causar polêmica "porque a sexualidade é um tema tabu no Marrocos". No entanto, a "sharia evoca esses temas íntimos com muita liberdade e o objetivo é evitar as relações sexuais fora do matrimônio".

Os ventos do liberalismo ocidental começam a soprar sobre o Magreb. A masturbação é proibida pelo Islã, mas tolerada por algumas das escolas. Segundo essas escolas, se uma pessoa está dominada pelo desejo, não consegue controlar seus instintos e teme cair em Zina (pecado), pode recorrer à masturbação para acalmar-se, seguindo o princípio de que "entre dois males, é melhor escolher o menor".

Zemzemi veio para quebrar tabus. Verdade que as sexshops ocidentais há muito suprem este mercado, oferecendo centenas de gadgets eróticos, bem mais eficazes, e não só ao público feminino. Sobre esta oferta, o bom ulemá silencia. Que mais não seja, são objetos produzidos pelo Grande Satã. Melhor cenouras, o que será certamente um grande incentivo à produção hortifrutigranjeira nos oueds marroquinos.

Mas atenção: cenouras e garrafas são permissíveis apenas a mulheres solteiras. As casadas, que se contentem com os serviços do amo e senhor.

Liberalismo, sim. Mas devagar.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A bancada dos evangélicos governistas decidiu que ladroagem não é pecado


Augusto Nunes (http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/)
22/03/2012


A bancada evangélica no Congresso não perde chance de mostrar que é muito mais temente a Deus que qualquer papa. No momento, com o ânimo beligerante de quem se alistou nas hostes do Senhor antes de deixar o berçário, senadores e deputados federais combatem o consumo de bebida alcoólica durante os jogos da Copa de 2014. Simultaneamente, mantêm sob intenso bombardeio a legalização do aborto, os jogos de azar, os símbolos religiosos e outros sintomas de idolatria, os comerciais de cigarro, o kit gay, o casamento homossexual, o adultério, os decotes ousados e outras perfídias tramadas por Satanás.

A extensa lista de pecados só não inclui os cometidos de meia em meia hora pelos congressistas associados ao poder central. O assalto aos cofres públicos, a corrupção institucionalizada e impune, a gula das quadrilhas federais, a compra e venda de votos, os contratos de aluguel, as coalizões cafajestes e outras delinquências de que até Deus duvida são contemplados pelos evangélicos governistas com a tolerância dos cúmplices por ação ou omissão. Não é por falta de tempo que jamais combateram a ladroagem. O que falta é vergonha.

quinta-feira, 22 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

“Preço de banana” na privatização das teles? Mentira!


A mentira sobre suposto “preço de banana” na privatização das teles: tudo somado, governo embolsou quase meio trilhão de reais


Ricardo Setti (http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti)
20/03/2012


Um dos maiores mitos – na verdade, uma grossa mentira — sobre as privatizações em geral, e em especial das telecomunicações, reza, sobretudo segundo a cartilha do lulalato, que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) vendeu as teles “a preço de banana”.

Pois bem, um dos jornalistas mais sérios e respeitados do país nessa área — Ethevaldo Siqueira, que conhece o setor como a palma da mão porque o cobre profissionalmente há quatro décadas – demoliu essa mentira em artigo publicado no Estadão do dia 30 de janeiro de 2011.

E o fez de forma tão tranquila e ao mesmo tempo veemente – com a força dos números – que julguei útil republicá-lo no blog, já que um número não pequeno de leitores vinham quando publiquei o texto pela primeira vez, e continuam manifestando a mesma opinião equivocada sobre o “preço de banana”.

A coisa esquentou novamente com os comentários que fiz, ontem, diante do fabuloso número de celulares que o Brasil atingiu, segundo a Anatel — 1,3 por habitante –, quando outros leitores voltaram a bater na mesma velha tecla.

O título do artigo de Ethevaldo é “Preço de banana, ministro?”, os trechos em negrito são por conta do blog e o link está aqui.


Em entrevista à TV Brasil no dia 12 de janeiro, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que “as estatais de telecomunicações foram vendidas a preço de banana”. Desculpe-me, ministro, mas, por maior respeito que tenha pelo senhor, tenho que ficar com a verdade. Um ministro das Comunicações, com seu nível de cultura, deveria informar-se com maior profundidade sobre um tema diretamente ligado à sua pasta.

E não se trata de ser a favor ou contra a privatização, mas de respeitar a verdade dos fatos e dos números, pois eles desmentem todos os que insistem no chavão do “preço de banana”.

Recordemos o que ocorreu na privatização. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que o governo federal só detinha 19% das ações da Telebrás, já que a grande maioria das ações da empresa havia sido pulverizada nas mãos de milhões de acionistas privados.

Foi essa a parcela vendida no leilão de 29 de julho de 1998 e pela qual o governo recebeu R$ 22,2 bilhões (ou US$ 19 bilhões ao câmbio daquela data). É claro que se o governo federal fosse dono de 100% das ações ordinárias e preferenciais, poderia tê-las vendido por R$ 100 bilhões da época. Ou mais. Mas só tinha 19% das ações.

O “preço de banana” mencionado pelo ministro foi, segundo publicações especializadas, o maior preço pago por uma empresa de telecomunicações no mundo, nos anos 1990.

MAIS NÚMEROS


Além dos R$ 22,2 bilhões recebidos pela privatização da Telebrás, o governo brasileiro recebeu mais R$ 45 bilhões com a simples venda de licenças às diversas operadoras, de 1996 até hoje. Ou seja, “o País vendeu ar” por R$ 45 bilhões, como dizia o ex-ministro Sérgio Motta. O “preço de banana” já subiu para R$ 67,2 bilhões.

Uma árvore deve ser julgada por seus frutos, diz a Bíblia. O primeiro benefício da privatização para o Brasil foi a universalização do telefone, fruto de investimentos diretos na infraestrutura setorial, da ordem de R$ 190 bilhões, de 1998 até hoje.

O Brasil praticamente não tinha telefone em 1998. Nesses 12 anos e meio, o País saltou da média franciscana de 14 acessos telefônicos por 100 habitantes para 130, em 12 anos.

Em números absolutos: o País saltou de 24,5 milhões de acessos para 230 milhões. Dá para discutir?


Até 1997, tínhamos que pagar de US$ 1.000 a US$ 3.000 para obter uma linha telefônica pelo velho plano de expansão. E o telefone só era instalado cerca de 24 meses depois (ou até 48 ou 60 meses).

ASSALTO DUPLO


E como se comporta o governo federal diante das telecomunicações? Os presidentes Lula e FHC fecharam os olhos para a questão tributária. Com uma das alíquotas mais altas do mundo (43%) incidindo sobre o valor dos serviços, os tributos que pagamos em nossas contas telefônicas canalizam hoje mais de R$ 40 bilhões anuais para os cofres públicos.

São alíquotas mais elevadas do que as cobradas sobre artigos de luxo importados. Ao longo dos últimos 10 anos, esses tributos já carrearam mais de R$ 330 bilhões aos governos estaduais e à União. Some mais essa fortuna ao “o preço de banana” da privatização, ministro, e serão R$ 397,2 bilhões.

Além desse verdadeiro assalto, temos o confisco de R$ 32 bilhões dos três fundos setoriais nos últimos 10 anos: Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust), o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) e o Fundo de Tecnologia das Telecomunicações (Funttel). Total do “preço de banana”: R$ 429,2 bilhões.

Imagine, leitor, se o Brasil tivesse investido apenas esses R$ 32 bilhões confiscados dos fundos num projeto de banda larga, em benefício do usuário final?

VISÃO DE POLÍTICO


Por que a maioria dos políticos deturpa e distorce a realidade para favorecer a ideologia e os interesses político-partidários?

Se avaliasse com objetividade e isenção os resultados da privatização, o governo federal deveria, sim, aplaudir o novo modelo e lutar por seu aprimoramento constante – com a formulação de políticas públicas ambiciosas e, em especial, com cumprimento de sua obrigação de fiscalizar com rigor a qualidade do atendimento e da prestação dos serviços.

OMISSÃO


Nunca afirmamos que tudo vai bem na área de telecomunicações nem que estejamos satisfeitos com a qualidade dos serviços e os padrões de atendimento, ministro. Aliás, é bom dizer que os serviços não são melhores exatamente por omissão do governo federal. Nem FHC nem Lula cumpriram essa obrigação fundamental.

Nesse quadro, se uma operadora privada presta bons serviços, tudo bem. Se não o faz, o governo vem a público criticar a privatização, como se ele nada tivesse a ver com o problema. É muito cinismo. O governo federal nunca fiscalizou nada com seriedade – até porque, ele mesmo, é mau prestador de serviços.


Mais um argumento. Em 2004, seis anos depois da privatização, tivemos um indicador precioso do verdadeiro valor das empresas do Sistema Telebrás, quando a americana MCI vendeu a Embratel à mexicana Telmex pela metade do preço que havia pago no leilão de privatização.

Ora, se a Embratel tivesse sido privatizada “a preço de banana” – seria de se esperar que, numa segunda venda, em negociação transparente, puramente de mercado, entre empresas privadas, alcançasse preço muito maior.

(Publicado originalmente no blog a 21 de fevereiro de 2011, às 14h01)

terça-feira, 20 de março de 2012

Perguntas...


Reinaldo Azevedo
15/02/2012 às 5:51


Tenho algumas perguntas a fazer a Lula, a Kassab e aos vereadores que querem doar patrimônio público para o falso “Memorial da Democracia” do PT. Se houver resposta, juro que publico!

O Instituto Lula quer construir no Centro de São Paulo, num terreno que fica na antiga Cracolândia, o que chama “Memorial da Democracia”, que reunirá, com especial ênfase, um acervo de documentos e objetos dos oito anos de mandato do Apedeuta. Os petistas agora dizem que pretendem dar atenção também a outros momentos importantes da história, como a luta contra a escravidão, a proclamação da República etc. Para tanto, pediram à Prefeitura de São Paulo a cessão do tal terreno, com o que concordou o prefeito Gilberto Kassab (PSD), que já enviou o pedido à Câmara, onde tem folgada maioria. Então ficamos com o roteiro completo para o triunfo da mistificação: Lula, um ex-presidente bastante popular, pede um terreno ao prefeito; este, que vive uma fase de aproximação com o PT, acha a idéia boa e envia a mensagem à Câmara, onde tem maioria. A maioria dos vereadores tende a concordar: quem não é fiel a Lula é fiel a Kassab. Resta ao Ministério Público demonstrar se tem ou não vergonha na cara e memória histórica ou se também está rendido a um partido político. E por que escrevo assim?

O escracho já começa no nome do empreendimento. O inspirador do “Instituto Lula” — que quer privatizar uma área de mais de 4 mil metros quadrados, que pertence a todos os moradores de São Paulo — decidiu, como se vê, privatizar também a democracia. Julga-se no papel de quem pode ser o inspirador de um “memorial”. É uma piada grotesca, típica de asininos enfatuados, de exploradores da boa-fé pública. Se Lula é o senhor de um “Memorial da Democracia”, o que devemos a Ulysses Guimarães, por exemplo? A canonização? Estamos diante de uma pantomima histórica, de uma fraude.

Tenho algumas perguntas a fazer a Lula, a Kassab e aos vereadores que estão doidos para cair de joelhos.

1: Constituição - A negativa dos petistas em participar da sessão homologatória da Constituição de 1988, uma das atitudes mais indignas tomadas até hoje por esse partido, fará parte do “Memorial da Democracia”, ou esse trecho será aspirado da historia, mais ou menos como a ministra da Mulher diz que aspirava úteros na Colômbia?

2: Expulsões
- A expulsão dos três deputados petistas que participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves, pondo fim à ditadura - Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes - fará parte do “Memorial da Democracia”, ou isso também será aspirado da história, como a Universidade Federal de Santa Catarina aspirou a entrevista da agora ministra da Mulher? Em tempo: vi dia desses Soares negar na TV Cultura que tivesse sido expulso. Diga o que quiser, agora que fez as pazes com a legenda. Foi expulso, sim!

3: Governo Itamar - A expulsão de Luíza Erundina do partido porque aceitou ser ministra da Administração do governo Itamar, cuja estabilidade era fundamental para a democracia brasileira, entra no Memorial da Democracia, ou esse fato será eliminado da história junto com os fatos, os fetos, as fotos e os homens que não são do agrado do petismo?

4: Voto contra o Real - A mobilização do partido contra a aprovação do Plano Real integrará o acervo do Memorial da Democracia, ou os petistas farão de conta que sempre apostaram na estabilidade do país?

5: Guerra contra as privatizações - As guerras bucéfalas contra as privatizações — o tema anda mais atual do que nunca — e todas as indignidades ditas contra a correta e necessária entrada do capital estrangeiro em setores ditos “estratégicos” merecerá uma leitura isenta, ou o Memorial da Democracia se atreverá a reunir como virtudes todas as imposturas do partido?

6: Luta contra a reestruturação dos bancos - A guerra insana do petismo contra a reestruturação dos bancos públicos e privados ganhará uma área especial no Memorial da Democracia, ou os petistas farão de conta que aquilo nunca aconteceu? Terão a coragem, já que são quem são, de insistir na mentira e de tratar, de novo, um dos pilares da salvação do país como um malefício, a exemplo do que fizeram no passado?

7: Ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal - Os petistas exporão os documentos que evidenciam que o partido recorreu à Justiça contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, tornada depois cláusula pétrea da gestão de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda?

8: Mensalão - O Memorial da Democracia vai expor, enfim, a conspiração dos vigaristas, que tiveram o desplante de usar dinheiro sujo para tentar criar uma espécie de Congresso paralelo, alimentado por escroques de dentro e de fora do governo? O prédio vai reunir os documentos da movimentação ilegal de dinheiro?

9: Duda Mendonça na CPI - Haverá no Memorial da Democracia o filme do depoimento de Duda Mendonça na CPI do Mensalão, quando confessou ter recebido numa empresa no exterior o pagamento da campanha eleitoral de Lula em 2002? O museu de Lula terá a coragem de evidenciar que ali estava motivo o bastante para o impeachment do presidente?

10: Dossiê dos aloprados - O Memorial da Democracia que tanto entusiasma Lula e Kassab trará a foto da montanha de dinheiro flagrada com os ditos aloprados, que tentavam fraudar as eleições — para não variar —, buscando imputar a José Serra um crime que não cometera? Exibirá a foto do assessor de Aloizio Mercadante, que disputava com Serra, carregando a mala preta?

11: Dossiê da Casa Civil - Esse magnífico Memorial da Democracia trará os documentos sobre o dossiê de indignidades elaborado na Casa Civil contra FHC e contra, pasmem!, Ruth Cardoso, quando a titular da pasta era ninguém menos do que Dilma Rousseff, e sua lugar-tenente, ninguém menos do que Erenice Guerra?

12: Censura à imprensa - Kassab, que quer doar o terreno, se comprometeria a pedir a Lula que o Memorial da Democracia reunisse as evidências das muitas vezes em que o PT tentou censurar a imprensa, seja tentando criar o Conselho Federal de Jornalismo, seja introduzindo no Plano Nacional de Direitos Humanos mecanismos de censura prévia?

13: Imprensa comprada e vendida - Teremos a chance de ver os contratos de publicidade do governo e das estatais com pistoleiros disfarçados de jornalistas, que usam o dinheiro público para atacar a imprensa séria e aqueles que o governo considera adversários nos governos dos Estados, no Legislativo e no Judiciário?

14: Novo dossiê contra adversário - O Museu da Democracia do Instituto Lula reunirá as evidências todas das novas conspiratas do petismo contra o candidato da oposição em 2010, com a criação de bunker para fazer dossiês com acusações falsas e a quebra do sigilo fiscal de familiares do candidato e de dirigentes tucanos?

15: Uso da máquina contra governos de adversários - A mobilização da máquina federal contra o governo de São Paulo em episódios como o da retomada da Cracolândia e da desocupação do Pinheirinho entrará ou não no Memorial da Democracia como ato indigno do governo federal?

16: Apoio a ditaduras - O sistemático apoio que os petistas empenham a ditaduras mundo afora estará devidamente retratado no Memorial da Democracia? Veremos Lula a comparar presos de consciência em Cuba a presos comuns no Brasil? Veremos Dilma Rousseff a comparar os dissidentes da ilha a terroristas de Guantánamo?

Fiz acima perguntas sobre 16 temas. Poderia passar aqui a noite listando as vigarices, imposturas, falcatruas e tentativas de fraudar a democracia protagonizadas por petistas e por governos do PT. As que se lêem são apenas as mais notórias e conhecidas.

NÃO! ERRAM AQUELES QUE ACHAM QUE QUERO IMPEDIR LULA — E O PT — DE CONTAR A HISTÓRIA COMO LHE DER NA TELHA. QUEM GOSTA DE CENSURA SÃO OS PETISTAS, NÃO EU! O Apedeuta que conte o mundo desde o fim e rivalize, se quiser, com Adão, Noé, Moisés ou o próprio Deus, para citar alguém que ele deve julgar quase à sua altura. MAS NÃO HÁ DE SER COM O NOSSO DINHEIRO.

Kassab tem o direito de doar uma área pública para aquilo que será, necessariamente, um monumento à versão da história de um só partido, com especial ênfase no trabalho de um líder? Não! Essa conversa de que será uma instituição suprapartidária é mentirosa desde a origem. Supor que Paulo Vannuchi — JUSTAMENTE O RESPONSÁVEL POR AQUELE PLANO SINISTRO QUE DIZIA SER DE DIREITOS HUMANOS E QUE PREVIA CENSURA PRÉVIA — e Paulo Okamotto possam ter qualquer iniciativa que não traga um viés petistas é tolice ou má fé. Ou, então, o prefeito transforme o centro de São Paulo numa espécie de Esplanada dos Partidos. Por que só para Lula?

Fique de olho, leitor! Se você for petista, deve achar a doação de um terreno a Lula a coisa mais normal do mundo, um presente merecido. Se não for, veja lá o que vai fazer o vereador. Se ele disser “sim” à proposta, estará sendo generoso com o seu dinheiro, com aquilo que lhe pertence.

Espalhe este texto. Herói é você, que sobrevive no Brasil mesmo com a classe política que aí está, não Lula. Ele é só um contumaz sabotador de governos alheios, que agora pretende, com a ajuda do prefeito e dos vereadores, tomar um terreno que pertence à população de São Paulo para erguer no lugar o Museu das Imposturas. De resto, basta que ele estale os dedos, e haverá empresários em penca dispostos a lhe encher as burras de grana. Que compre o terreno! E Kassab que transforme esse dinheiro em creches.

Por Reinaldo Azevedo

É a educação, estúpido!


Eliane Cantanhêde
Folha de São Paulo, 20/03/2012


BRASÍLIA - Ok, o Brasil caminha para ser a quinta economia, depois de ultrapassar a França. Mas convém conter a euforia, como mostram duas reportagens do domingo.

Folha: "Brasil é o país que menos cresce na América do Sul". O "pibinho" de 2,7% em 2011 não é só menor do que a média de toda a América Latina (em torno de 4%), mas também menor do que o crescimento do PIB na Argentina, no Chile, na Venezuela, no Peru, na Bolívia. Sem falar em outros países emergentes, particularmente China e Índia.

Entre os motivos para esse desempenho pífio, segundo os analistas, estão a questão pontual do combate à inflação e a questão estrutural da defasagem de investimentos.

Aí entra a reportagem do jornal "O Globo", comparando 17 países da região: "Brasil, um dos últimos da AL em trabalho produtivo". Ou seja, o quociente entre bens e serviços produzidos no país e o pessoal ocupado mostra que a produtividade do trabalhador brasileiro é muito baixa diante, novamente, de Argentina, Chile, Venezuela e por aí afora.

O Brasil, pois, é tratado como um sucesso, mas ainda falta muito para ser realmente um sucesso. Falta investir com energia em infraestrutura e em produtos de valor agregado e, sobretudo, falta tratar a educação como prioridade das prioridades.

Presidentes, governadores e prefeitos, todo político capricha na defesa da educação -sobretudo durante as eleições-, mas a realidade é bem diferente. E resistente.

Folha de ontem: "Gasto com servidores põe Estados em alerta". O pagamento do funcionalismo e da burocracia cresce mais do que a arrecadação em 16 Estados (e no DF) e quase tanto na maioria. E daí? Daí não sobra dinheiro para investimento e nem mesmo para um piso nacional decente para os professores.

Sem professor, não há educação. Sem educação, não há produtividade. Sem produtividade, não há crescimento. Fica só o oba-oba.

elianec@uol.com.br

O que aconteceu com Mimi?


Cilene Rodrigues
Artigo publicado em 19/03/2012 no Correio Braziliense e em 20/03/2012 no blog do Ricado Noblat


Atenção, jovem do Brasil! Se você sabe que Mimi Alford foi amante secreta do presidente John Kennedy e que, no fim de semana da morte de seu amante, Mimi ficou tão arrasada que decidiu contar tudo para o seu noivo, parabéns. Você é bom candidato, ou candidata, não a um cargo de colunista da revista americana Vanity Fair, mas ao posto de consultor legislativo do Senado Federal brasileiro.

Se, além disso, você é bom de decoreba e lembra de memória o nome de todos os diretores da Petrobras e sabe na ponta da língua a resposta para a pergunta número 20 da última prova da Fundação Getulio Vargas (FGV) para a consultoria do Senado (consultor de orçamento, 2008), você tem chances reais de se tornar em 2012 um consultor de pronunciamentos do Senado.

O negócio é saber coisas inúteis, tomar memorex e praticar até caducar questões de provas passadas.

Inteligência? Estar antenado com os acontecimentos globais? Para que isso? Não se preocupe em fazer leituras pesadas. Concentre-se em decorar nomes e terminologias e trate de mentalizar o modelo de prova da instituição responsável pelo concurso.

Se você sabe verificar os passos argumentativos de um texto, conhece tudo sobre a Primavera Árabe, a histórica luta da Palestina pela independência, entende por que as nações atuais devem criar modelos de desenvolvimento econômico que sejam compatíveis com a sustentabilidade ambiental, tem uma visão crítica de problemas seculares do Brasil, como falta planejamento urbano, precariedade do sistema de saúde e educação pública, falsa distribuição de renda, então esqueça o sonho de trabalhar no Congresso.

Com esse conhecimento todo, você pode ser professor universitário, mas nunca consultor legislativo do Senado. Contente-se com o salário inicial de no máximo R$8 mil pago nas universidades públicas.

Faça as pazes com o fato de que você dará aulas em salas faltando giz, sem ar-condicionado no verão e que, às vezes, inundam durante o período das chuvas.

Dinheiro para pesquisa? Só se você for muito persistente. O Brasil, tendo de pagar altos salários para funcionários do Legislativo, Executivo e Judiciário, não pode dedicar mais que 1% do Produto Interno Bruto (PIB) à pesquisa.

Por isso, você não vai fazer sua pesquisa de graça. Você vai pagar do próprio bolso por ela. Fazer o quê?

A pessoa que sabe quem foi Mimi Alford merece ganhar mais que você, concorda? Afinal, ela vai passar na prova da Fundação Getulio Vargas, você não.

Então, coloque uma pedra sobre o sonho de ganhar R$ 23 mil por mês, sem dedicação exclusiva, trabalhando em salinhas com ar-condicionado, carpete bonito no chão, cheias de gente becada. Isso não te pertence. Você sabe demais!

A prova da Fundação Getulio Vargas para consultor legislativo na área de pronunciamento do Senado Federal mostra abertamente a realidade brasileira: o país cresce e aparece economicamente, mas, quando o assunto é educação e desenvolvimento do conhecimento, contemplamos o futuro pelo espelho retrovisor e vamos de marcha a ré.

O conteúdo de várias das perguntas é alarmante, prova concreta do nosso subdesenvolvimento intelectual.

É tão descabível perguntar sobre Mimi Alford em uma prova para um cargo de consultor legislativo que nos resta apenas a dúvida: seria esse um concurso de cartas marcadas, feito para mimos e mimis de senadores e deputados? Isso ou estamos vivendo um verdadeiro apagão intelectual.

Nossos senadores terão a partir deste ano, ao seu dispor, uma junta de especialistas em Mimi Alford. Dessa junta sairão os discursos que as nossas crianças ouvirão na rádio e TV Senado ou estudarão na escola, perpetuando, assim, a cegueira atual.

Falando em crianças e escola, é preciso, diante da prova da Fundação Getulio Vargas, rever nossas críticas ao método de ensino público. Nossas crianças, todas elas, têm o direito de se prepararem bem para um concurso público e de se tornarem consultores do Legislativo. Então, decoreba massiva neles!

Leituras? Só se for de revistas de fofocas. Nada mais. Hoje foi Mimi. Com o andar em retrocesso da nossa carruagem, em 20 anos, a bola da vez poderá ser uma das famigeradas Mônicas.

Cilene Rodrigues é PhD em Linguística e professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Esse artigo foi publicado, ontem, no Correio Braziliense.

quinta-feira, 15 de março de 2012

60 años sin democracia: Dictaduras contra la Constitución de 1940


Luisa E. Rodríguez Grillo
Madrid | 15-03-2012 - 9:12 am.


Fulgencio Batista y Fidel Castro arremetieron contra uno de los mejores frutos de la historia republicana.

Si hay algo de lo que el pueblo cubano puede sentirse orgulloso es que desde el momento en que comenzó su lucha contra el colonialismo español, trató de crear estructuras institucionales democráticas que fueron recogidas en las tres constituciones aprobadas durante los 30 años de lucha contra España: la de Guáimaro (1869), la de Jimaguayú (1895) y la de La Yaya (1897). Todas estaban inspiradas en los principios de la libertad, igualdad y fraternidad, reconocían los derechos fundamentales de los ciudadanos así como también la separación de los poderes del Estado: ejecutivo, legislativo y judicial. En pleno estado de guerra, aquellos hombres tuvieron presente la necesidad de tener una Carta Magna por la cual regirse.

Una vez terminada la guerra, se promulgó la Constitución de 1901, basada en los mismos principios. No obstante, considero que uno de los momentos más importantes de nuestra corta etapa republicana (solamente 56 años), fue la promulgación de la Constitución de 1940, de carácter muy progresista, que plasmó toda una serie de garantías fundamentales en el orden económico, político y social. Y que, en cuanto a derechos individuales, establecía la igualdad de todos los cubanos ante la Ley, no reconociendo fueros ni privilegios personales, y declaraba ilegal y punible toda discriminación por motivo de sexo, raza, color, clase o cualquier otro que resultara lesivo a la dignidad humana.

Constitución de 1940

La Constitución de 1940 declaraba el carácter irretroactivo de las leyes, salvo casos muy excepcionales determinados por razones de orden público, utilidad social o necesidad nacional, señalados expresamente en la Ley. La Ley Penal sólo tendría efecto retroactivo en el caso de que fuese más favorable al delincuente. Asimismo, proscribía la pena de muerte y establecía las garantías básicas de los procesos penales.

En materia de propiedad, reconocía la existencia y legitimidad de la propiedad privada en su más alto concepto de función social, y sin más limitaciones que aquellas que por motivos de necesidad pública o interés social estableciera la Ley.

Dicha Constitución prohibía la confiscación de bienes y disponía que nadie pudiera ser privado de su propiedad sino por autoridad judicial competente y por causa justificada de utilidad pública o interés social, y siempre previo el pago de la correspondiente indemnización en efectivo, fijada judicialmente. La falta de cumplimiento de estos requisitos determinaría el derecho del expropiado a ser amparado por los Tribunales de Justicia y, en su caso, reintegrado en su propiedad. La certeza de la causa de utilidad pública o interés social y la necesidad de la expropiación correspondería declararlas a los Tribunales de Justicia en caso de impugnación.

La Constitución garantizaba la libre emisión del pensamiento, la inviolabilidad del domicilio y de la correspondencia, la libertad para entrar y salir del territorio nacional, la libertad religiosa y la libertad de reunión.

El sistema de Gobierno establecido por esta Constitución estaba basado en la tripartición de poderes. El poder legislativo sería ejercido por dos cuerpos, uno de ellos era la Cámara de Representantes y el Senado. El poder ejecutivo sería ejercido por un Presidente de la República cuyo mandato duraría cuatro años, no pudiendo ser reelecto hasta decursado un período de ocho años después de haber cesado en el cargo. El Presidente sería asistido por un Consejo de Ministros integrado por el número de miembros que determinare la Ley.

La Constitución solo podría reformarse por iniciativa del pueblo o por iniciativa del Congreso, y la reforma podría ser específica o parcial, e integral o relativa. En el caso de la reforma específica o parcial propuesta por iniciativa popular, debía someterse a un referéndum en las primera elecciones que se celebrasen, y si fuere propuesta por el Congreso, sería necesaria su aprobación con el voto favorable de las dos terceras partes del número total de miembros de los cuerpos legislativos reunidos conjuntamente, y dicha reforma no regiría si no fuera ratificada en igual forma dentro de las dos legislaturas ordinarias siguientes.

En los casos de reforma integral o relativa a la soberanía nacional o referidas a la retroactividad de las leyes, a la anulación de las obligaciones civiles nacidas de los contratos, a la confiscación de bienes o a la existencia y legitimidad de la propiedad privada, los requisitos eran aún más estrictos.

Primer atentado contra el constitucionalismo


El primer hecho que atentó contra el constitucionalismo democrático en Cuba vino del General Fulgencio Batista, que, ante la imposibilidad de tomar el poder por la vía de las elecciones, no vaciló en acudir a un golpe de Estado, el 10 de marzo de 1952, después del cual suspendió las garantías constitucionales, disolvió el Congreso, canceló las elecciones que debían celebrarse el 1 de junio, y se proclamó Jefe de Estado y Primer Ministro.

El 4 de abril de 1952 proclamó los llamados Estatutos Constitucionales que derogaban la Constitución de 1940. Mediante los Estatutos se autorizaba al Consejo de Ministros para el ejercicio de las funciones legislativas, quedando el Gobierno constituido por el Presidente de la República, el Consejo de Ministros y un Consejo Consultivo. El Presidente sería designado por el Primer Ministro, y aquél designaría a los miembros del Consejo Consultivo.

Los nuevos Estatutos disolvían los partidos políticos al declarar extinguidos los derechos de las organizaciones políticas. Quedó suspendida la libertad de prensa, fueron detenidos algunos líderes obreros y la Confederación de Trabajadores, al mando de Eusebio Mujal, fue totalmente controlada por Batista.

Las instituciones democráticas fueron barridas por el golpe de Estado que sumió al país en una dictadura. Los nuevos Estatutos Constitucionales mantenían en teoría los derechos recogidos en la Constitución de 1940, pero mediante la modificación sustancial que introdujeron al disponer la concentración de los poderes legislativos y ejecutivos en la persona del Presidente, abrieron las puertas para que éste pudiera suspender las garantías constitucionales cada vez que lo estimase conveniente.

Segundo atentado

El segundo y demoledor ataque al constitucionalismo democrático tuvo lugar el mes siguiente del triunfo de la revolución de 1959. El 7 de febrero de 1959 fue promulgado un nuevo texto constitucional denominado "Ley Fundamental de la República" que se presentaba como continuador de la Constitución de 1940. En realidad, no lo era: aun cuando la nueva Ley Fundamental reproducía en alguna medida el articulado de aquella constitución, introducía importantes modificaciones y difería de ella, entre otras muchas cosas, en lo relativo a las estructuras de gobierno.

En efecto, este texto constitucional otorgó las facultades legislativas al Consejo de Ministros, haciendo desaparecer la Cámara de Representantes y el Senado. En el Título Octavo se regulaban los órganos del Estado y se establecía que éste ejercería sus funciones por medio de los poderes Legislativo, Ejecutivo y Judicial, así como por los organismos reconocidos en la propia Ley Fundamental o establecidos por otras leyes.

Un elemento de alta significación para el futuro de la nación lo constituyó, sin dudas, la forma en que este texto reguló el tema de la reforma de la Constitución. A diferencia de los rigurosos procedimientos especiales que a tal efecto disponía la Constitución de 1940, la nueva Ley Fundamental se limitó a prescribir fórmulas muy laxas que permitirían la introducción de reformas de manera rápida y sencilla. Al final, el poder unipersonal contra el cual se había combatido durante la etapa de la dictadura batistiana se entronizaba nuevamente, esta vez bajo la justificación de la necesidad de llevar adelante las tareas de la revolución.

Entre tanto, en el plano político interno, se produjeron hechos tales como la prohibición del derecho de los obreros a la huelga; el rechazo abierto de Fidel a celebrar elecciones, lanzando para ello en la ciudad de Camagüey la consigna "Revolución primero, elecciones después"; la proposición de Raúl de crear las milicias en los sectores obreros, campesinos y estudiantiles; la creación del Frente Independiente de Emisoras Libres, al que fueron integradas todas las emisoras de radio y televisión; la confiscación de los periódicos y revistas de mayor circulación, entre otras. En fin, toda una serie de violaciones de los derechos humanos fundamentales realizada al margen de la legalidad.

Un hecho de crucial interés fue que en el INRA, dirigido por Fidel Castro, éste fue duplicando las más importantes funciones del Gobierno Revolucionario de forma tal que constituyera la contrapartida al poder formal. Así fue creando departamentos como el de Industria, de Pesca y otros que se irían convirtiendo en ministerios posteriormente. ¿Por qué hizo esto? Pues porque los integrantes del primer gobierno revolucionario no estaban de acuerdo con muchas de las medidas que se estaban adoptando o que se pretendían adoptar e intentaban frenarlas. La estrategia seguida por Castro dio los resultados que él deseaba y, poco a poco, los integrantes de ese primer gobierno fueron sustituidos por personas de su confianza procedentes del INRA.

La Constitución Socialista, aprobada en 1976 y que ha sido objeto de distintas modificaciones a lo largo de estos años, puso al Partido Comunista (único) como la fuerza dirigente superior de la sociedad y el Estado, lo que significa que son las directivas trazadas por éste las que rigen los diferentes sectores de la vida del país, desde la economía hasta la cultura y las relaciones familiares. A partir de ahí, estableció una estructura institucional burocrática, altamente centralizada, sometida a las orientaciones del Partido o su equivalente: Fidel Castro. No obstante, la trayectoria de la revolución demostró que ni siquiera las normas dictadas por el Gobierno serían respetadas. Valga el ejemplo del sistema de dirección y planificación de la economía, orientado por el Primer Congreso del PCC, cuya implementación jurídica fue reiteradamente vulnerada por el propio Fidel Castro.

Hoy en Cuba no existe seguridad jurídica alguna. Ninguno de los derechos humanos son respetados. Los descendientes de aquellos mambises preocupados por contar con una Carta Magna están, no protegidos por las leyes, sino sometidos y amordazados por éstas.

10 de marzo de 1952: Dos hombres y el destino


Carlos Alberto Montaner
Miami | 10-03-2012 - 9:00 am.


Fulgencio Batista y Fidel Castro: 60 años sin democracia en Cuba.


Hace exactamente sesenta años comenzó la tragedia de los cubanos. Solemos decir que se inició con la llegada de Fidel Castro al poder en enero de 1959, pero no es cierto: todo empezó el 10 de marzo de 1952. Esa madrugada, el ex presidente Fulgencio Batista, hombre que en sus orígenes procedía de los estratos más bajos del ejército, dio un golpe militar incruento. Lo llevó a cabo pocas semanas antes de unas elecciones que muy probablemente hubiera ganado Roberto Agramonte, un honorable catedrático de Sociología que presidía el Partido Ortodoxo, formación política vagamente socialdemócrata. El cuartelazo interrumpía un ciclo democrático de tres gobiernos sucesivos de centro izquierda, incluido el del propio Batista (1940-1944), quien había tenido el honor de inaugurarlo.

Veamos cómo describía Fidel Castro el mundillo político liquidado por el golpe de Batista. El fragmento que sigue pertenece a La historia me absolverá, el alegato de Castro en su propia defensa por el juicio que se le siguió tras atacar el cuartel Moncada el 26 de julio de 1953:

"Os voy a referir una historia. Había una vez una república. Tenía su Constitución, sus leyes, sus libertades, Presidente, Congreso, tribunales; todo el mundo podría reunirse, asociarse, hablar y escribir con entera libertad. El gobierno no satisfacía al pueblo, pero el pueblo podía cambiarlo y ya sólo faltaban unos días para hacerlo. Existía una opinión pública respetada y acatada y todos los problemas de interés colectivo eran discutidos libremente. Había partidos políticos, horas doctrinales de radio, programas polémicos de televisión, actos públicos, y en el pueblo palpitaba el entusiasmo. Este pueblo había sufrido mucho y si no era feliz, deseaba serlo y tenía derecho a ello. Lo habían engañado muchas veces y miraba el pasado con verdadero terror. Creía ciegamente que éste no podría volver; estaba orgulloso de su amor a la libertad y vivía engreído de que ella sería respetada como cosa sagrada; sentía una noble confianza en la seguridad de que nadie se atrevería a cometer el crimen de atentar contra sus instituciones democráticas. Deseaba un cambio, una mejora, un avance, y lo veía cerca. Toda su esperanza estaba en el futuro."

Retrato de Batista


¿Quién era Batista y por qué derribó la frágil institucionalidad democrática de Cuba tras haber contribuido decisivamente a edificarla en 1940?

Fulgencio Batista era un hombre de origen muy pobre, nacido en Banes en 1901, un pueblo remoto y atrasado del oriente cubano. Era mestizo de blanco, negro, indio y tal vez chino. Su madre lo crió sola, porque, como era frecuente en el campo, el padre ni siquiera quiso reconocerlo hasta pasado cierto tiempo. De niño, Batista cortó cañas, trabajó como peón en los trenes, recibió alguna instrucción de unos bondadosos cuáqueros americanos que merodeaban haciendo el bien por aquellos parajes y, finalmente, se reclutó como soldado para escapar de la miseria y estructurar su vida de alguna manera provechosa.

Evidentemente, Batista no tenía vocación castrense en el sentido de querer disparar cañones y ganar batallas, pues se hizo mecanógrafo y taquígrafo para trabajar en el Estado Mayor, donde alcanzó el grado de sargento debido a esas destrezas burocráticas menores. Tenía fama de ser inteligente y respetuoso, aunque la vulgaridad afeaba su conducta, inevitable rasgo que se adquiere en la vida cuartelera. Parece que este extremo logró corregirlo con el paso de los años. El poder lo civilizó y lo educó, al menos formalmente.

En agosto de 1933, tras la caída de Machado, por esos raros imponderables de la vida, el sargento Batista, ante el desmoronamiento de las instituciones, incluido el propio ejército, se vio de pronto de portavoz de una insubordinación de los sargentos y clases del ejército, cuyo origen era esencialmente económico: protestaban porque no cobraban su sueldo desde hacía varios meses. Pero esa protesta pronto se transformó en reivindicación política cuando unos sagaces revolucionarios, blancos, educados, ideológicamente motivados por el pensamiento de izquierda, y generalmente adscritos a los niveles sociales altos y medios del país, vieron en la rebelión de los sargentos una buena oportunidad de controlar las fuerzas armadas para ponerlas al servicio de la revolución que se proponían llevar a cabo.

El 4 de septiembre de 1933 se produjo la primera gran aventura política de Batista. El sargento, junto a los estudiantes universitarios y otros elementos radicales que encabezaron la lucha armada contra la dictadura de Machado, desalojaron del poder a Carlos Manuel de Céspedes, hijo del Padre de la Patria, y ocuparon la casa de gobierno. El entonces muy joven Batista, con apenas 32 años y sin otro bagaje intelectual que el de ser hábil tomando dictados, se convertía en el "hombre fuerte" del país, papel que desempeñaría hasta 1940, cuando resultó electo en unos comicios razonablemente limpios.

Batista gobierna entre esa fecha y en 1944, y, finalmente, tras otras elecciones inobjetables, le entregó el poder a un catedrático de medicina, el Dr. Ramón Grau San Martín, quien había sido su más relevante compañero en la asonada del 4 de septiembre, pero a quien había defenestrado varios meses después, en enero de 1934, con el beneplácito y el aliento del gobierno de Franklin D. Roosevelt, entonces empeñado en pacificar y moderar a Cuba.

¿Cómo y por qué este humilde sargento, totalmente desconocido, se transformó en el hombre fuerte de Cuba? Mi impresión es que el resto de los factores de poder (el Directorio, el ABC, los empresarios, los comunistas, la embajada de Estados Unidos), por diversas circunstancias vieron sus debilidades como ventajas comparativas.

Todos creían que podían manipularlo. Batista era demasiado débil intelectual y económicamente. No pertenecía a la oligarquía económica ni al patriciado blanco, no se había construido una prestigiosa biografía antimachadista. Era, aparentemente, un pobre diablo al que un brillante periodista, Sergio Carbó, flamante Secretario de Gobernación y de Marina y Guerra del gobierno surgido del 4 de septiembre, había ascendido mágicamente de sargento a coronel, colocándole las tres estrellas sobre su camisa sudada de soldado, para tratar de revitalizar la desmoralizada institución armada.

¿Y cómo se veía Batista a sí mismo? Probablemente, como un hombre de pueblo, sufrido y humillado en aquella Cuba racista y clasista que se burlaba de él porque era mestizo, y de su mujer, Elisa, porque había tenido que lavar ropa de extraños para superar la pobreza. Se veía, además, como un hombre de izquierda que simpatizaba con los republicanos durante la Guerra Civil española (algo que Franco nunca le perdonó del todo). Por eso se sentía totalmente afín al lenguaje revolucionario posmachadista, y seguramente se congratulaba de que la vida le hubiera dado una oportunidad y él había tenido la audacia de saber aprovecharla.

Para los comunistas, con quienes se llevaba muy bien, Batista era la mejor opción del panorama político nacional, y el único dirigente que, dados sus míseros orígenes, no era un "enemigo de clase", como postulaba el manual marxista. Cuando le pidieron, en 1939, que mantuviera neutral al país tras el comienzo de la Segunda Guerra, durante el periodo en que los nazis y los soviéticos se aliaron para desguazar Polonia y engullir a los países bálticos en beneficio de Moscú, Batista los complació. Pero hizo mucho más: legalizó el partido, les facilitó el control del aparato obrero, y fueron aliados en las elecciones de 1940, haciendo ministros a dos de ellos —Juan Marinello y Carlos Rafael Rodríguez— cuando se produjo el triunfo.

Ni siquiera Fidel, en 1959, fue tan generoso con los comunistas como el Batista del primer gobierno. Fidel utilizó a su antojo al viejo PSP y, cuando le pareció oportuno, encarceló a unos cuantos dirigentes durante la llamada "microfracción". Batista, en cambio, los trató como aliados y les concedió una parcela de poder importantísima: la Confederación de Trabajadores Cubanos.

Nunca en la historia de la República los comunistas tuvieron más peso y reconocimiento que durante el primer Batista. Lo que explica que hayan sido los comunistas los primeros y más enérgicos batistianos del país. Los dos gobiernos auténticos que siguieron a ese Batista juvenil se encargaron de arrebatarles el poder, los privilegios y la autoridad que el ex sargento les había conferido.

Por eso, cuando Batista, en 1944, termina su periodo presidencial y comienza un recorrido internacional, el poeta Pablo Neruda saluda su paso por Chile con palabras como éstas: "Otra hora ha llegado al mundo, la hora del pueblo, la hora de los hombres del pueblo, la hora en que Batista se confunde con los héroes populares de nuestra época, Yeremenko, Shukov, Cherniakovsky y Malinovsky, que hoy golpea y deshace las puertas de Alemania, los guerrilleros de España y de China, Tito y la Pasionaria. A Batista, en esta hora que también, por desgracia, se ha caracterizado por incubar traidores y cobardes, lo ponemos en el marco de los americanos totales".

Después de su periplo triunfal, aplaudido por las izquierdas en media América, Batista se refugia en Daytona, en Florida y allí permanece varios años. En 1948 es elegido senador sin siquiera hacer campaña, y se postula nuevamente para presidente en 1952, pero esta vez carece totalmente de apoyo popular. Según las encuestas de la época, apenas contaba con el respaldo del 10% de los electores. Fue entonces cuando aceptó encabezar un golpe que otros militares y algunos civiles habían organizado previamente.

¿Por qué lo hizo? Su primera coartada, totalmente absurda, era que Carlos Prío Socarrás, a su vez, preparaba un golpe. La otra justificación, igualmente insostenible, es que el país estaba en medio del caos producto de los enfrentamientos armados entre bandas rivales. La verdad es más sórdida que todo eso: lo hizo, y la sociedad permaneció indiferente, porque quería seguir mandando y, de paso, enriquecerse otra vez de manera ilícita porque el cofre familiar estaba medio vacío. Pudo hacerlo, pudo dar el golpe, porque no existían en el país unos sólidos valores republicanos universalmente compartidos.

Prevalecía en el país la mentalidad revolucionaria, muy vigorosa desde los años veinte, pero absolutamente hegemónica a partir de 1933, que ignoraba la importancia de la ley o el peso de las instituciones. La fina estructura republicana, que exige de los ciudadanos y de la clase dirigente el voluntario acatamiento de la ley, en Cuba era una desconocida entelequia. La democracia pendía de alfileres.

Retrato de Fidel Castro

El golpe de Batista el 10 de marzo de 1952 fue una bendición para Fidel Castro. El impetuoso abogado de 26 años, con fama de gangstercillo violento —lo que en esa confundida sociedad, sacudida por severas turbulencias, no lo invalidaba como líder cívico—, perteneciente al Partido Ortodoxo y candidato a congresista en las elecciones que nunca se celebraron, de pronto encontró un camino rápido para convertirse en la figura política más importante del país: encabezar la insurrección contra la nueva dictadura.

Al contrario de Batista, Fidel provenía de una familia rica del campo cubano. Su padre, un gallego laborioso llamado Ángel Castro, llegado a Cuba a fines del siglo XIX como soldado español, a lo largo de una vida de trabajo y continuos negocios se había convertido en millonario. A su muerte, ocurrida en 1956, su fortuna se calculó en más de seis millones de dólares, cifra impresionante para la época. Su madre, Lina Ruz, no obstante su limitadísima formación, quiso que sus hijos estudiaran en buenos colegios y no escatimó recursos para lograrlo, pese a que el centro geográfico de los negocios familiares estaba cerca de Mayarí, también en una región atrasada y distante del oriente cubano.

Fidel, pues, fue enviado como interno a Belén, uno de los mejores colegios de Cuba dirigido por los jesuitas, y, cuando terminó el bachillerato, sus padres continuaron manteniéndolo generosamente mientras estudiaba Derecho en la Universidad. Como dato curioso, la primera vez que el nombre de Fidel Castro aparece en un diario es cuando lo ataca el periódico Hoy de los comunistas cubanos. En su edición del 14 de diciembre de 1944 dice lo siguiente: "En el reaccionario Colegio de Belén se realizó una ridícula sesión para combatir el proyecto del ilustre senador Marinello [una ley en contra de la enseñanza privada], y uno de los discursos estuvo a cargo de un tal Fidel Castro, pichón de jesuita, y que se mantuvo hablando tonterías, comiendo gofio durante mas de una hora".

Pero en la universidad, Fidel, pese a ser inteligente y poseer una gran memoria, estudió poco. Todo su interés estaba en labrarse una carrera política que lo llevara al poder. Como en esa época muchos líderes cubanos no se distinguían por su sabiduría, sino por su ejecutoria violenta como revolucionarios, pronto se integró a una de las pandillas más activas, la Unión Insurreccional Revolucionaria, y protagonizó varios hechos de sangre.

Mientras el Fidel tira-tiros, como entonces se les decía, inspiraba cierto miedo y respeto entre sus compañeros, y pese a que sus amigos le reconocían una rara capacidad oratoria, la verdad es que el líder político juvenil no lograba abrirse paso. Fidel no consiguió ganar ninguna elección en la universidad. De manera que en 1949, tras advertir que por la vía de la violencia no podía triunfar donde funcionaban las instituciones democráticas, renunció a la UIR y se afilió al Partido Ortodoxo con el objeto de llegar al Congreso.

En esa tarea estaba la madrugada del 10 de marzo de 1952, fecha en que Batista dio el golpe. Era la circunstancia perfecta para él. A base de acciones violentas, audaces y absolutamente irresponsables, quemaría etapas y lograría catapultarse a los primeros planos de la política nacional. Enseguida descubrió que su capacidad de convocatoria era muy débil en el terreno político, porque no conseguía nuclear a gentes intelectualmente bien formadas, pero resultaba muy eficaz para organizar pandillas de acción. Podía perder la vida en el intento, pero estaba dispuesto a realizar esa apuesta.

De alguna manera, Fidel compartía con Batista ese carácter temerario. La noche en que el ex sargento fue a apoderarse del Campamento de Columbia, pudo morir si algún soldado u oficial se hubiera decidido a hacerle frente. También pudo iniciarse una guerra civil si Carlos Prío hubiera tenido el ánimo de resistir el levantamiento. Pero no sucedió nada de eso. Batista volvió al poder casi sin oposición en los primeros momentos.

Pero ocurrió lo peor: se crearon las condiciones para que un nefasto personaje como Fidel Castro, violento y delirante, con la cabeza llena de disparates, sin ninguna experiencia laboral, acabara apoderándose de una sociedad que carecía de defensas frente a los caudillos revolucionarios, porque episodios como el golpe habían convencido a la mayor parte de los cubanos que la república no servía para nada, dado que la clase política no era otra cosa que una banda de ladrones y de violadores de la ley.

Esta historia lamentable comenzó hace sesenta años.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Aos que não viram Pelé (e falam tanta bobagem sobre ele…)


Juca Kfouri
http://blogdojuca.uol.com.br/
12.03.2012 - 10:36


Quem pega Pelé?
Sim, Lionel Messi pode até ficar maior que Pelé. Mas terá uma longa caminhada pela frente


PELÉ É AINDA incomparável.

Por mais que seja uma tendência quase invencível não há como comparar o extraordinário Lionel Messi, candidato a Atleta do Século 21, com o Atleta do Século 20.

Basta dizer que, aos 24 anos, em sua oitava temporada, Pelé já havia marcado 675 gols, contra 252 do argentino com a mesma idade e o mesmo número de temporadas.

O Rei ganhara 21 títulos contra 19 do craque do Barcelona e havia marcado seis gols em duas Copas do Mundo, das quais saiu campeão, contra as mesmas duas de Messi, com apenas um gol e nenhum pódio.

Mas o que importa aqui é menos comparar aquilo que é coletivo. Porque, se o Barcelona de Messi já está no mesmo patamar do Santos de Pelé -e em matéria de títulos em clubes é bem possível que o hermano ultrapasse o Rei-, a seleção brasileira de 1958/62 era muito superior à argentina defendida pelo Pulga.

Veja, no entanto, que a diferença no número de gols é abissal. Pelé marcou 675 gols em 571 jogos, média de 1,18, contra 252 em 379, média de 0,66.

E que não se diga, por mentira histórica, que era mais fácil fazer gols nos tempos de Pelé e que mais fácil ainda era marcá-los no Campeonato Paulista, não só porque times como os da Ferroviária, do Guarani, da Ponte Preta, eram melhores que os atuais do Racing Santander, do Zaragoza, do Villarreal, como porque Pelé vivia fazendo gols nos campeões europeus nas estrepitosas excursões do Santos, assim como os fez na Copa do Mundo.

Basta dizer que, só no Benfica, nos dois jogos que decidiram o Mundial de Clubes de 1962, ele fez cinco dos oito gols praianos nas vitórias por 3 a 2, no Maracanã, e por 5 a 2, no Estádio da Luz. E que, três anos antes, fizera dois na goleada (5 a 1) sobre o Barcelona, campeão espanhol, no Camp Nou.

E que fique claro que nenhum saudosismo move tais constatações, até porque aqui se dá de barato que Messi poderá superar Pelé.

E que nem precisará ser mais campeão que ele para tanto, mas, apenas (?!!!) manter por mais 13 anos este pique admirável, além de crescer em sua já fabulosa eficácia.

No quesito títulos, Messi já deixou para trás Maradona, que não ganhou nada de importante até os 24 anos. E já quase empata com ele na média de gols, que é de 0,68, fruto de 182 gols em 264 jogos. Diego, como Garrincha, era mais espetacular.

Mas todos ainda são súditos do Rei.

*Texto publicado na coluna de hoje da “Folha de S.Paulo e excepcionalmente reproduzido aqui.

Em busca do tempo perdido


Pedro S. Malan
O Estado de S.Paulo, 11 de março de 2012


A sempre inteligente revista britânica The Economist, que já existia havia quase 30 anos quando Marcel Proust nasceu, acaba de criar, exatos 90 anos após a morte do grande escritor, um "índice Proust", que procura medir o "tempo perdido", ou melhor, a extensão do retrocesso (em anos) causado pela grave crise econômica, financeira e fiscal que há quase meia década assola o mundo desenvolvido.

A medida até agora mais simples desse retrocesso já era preocupante: dos 34 países mais "desenvolvidos", 28 não haviam alcançado, em 2011, o nível de produto per capita que tinham em 2007. A revista The Economist utiliza mais seis indicadores, além do produto interno bruto (PIB): consumo privado, desemprego, salário real, preços de ativos financeiros, preços de habitação e riqueza familiar. Uma média de retrocessos - tempo perdido em anos - em cada uma das três categorias em que estão agrupados esses indicadores produz o "índice Proust".

Alguns dos resultados: para a Grécia o relógio teria sido atrasado 12 anos. Irlanda, Itália, Portugal e Espanha teriam "perdido" sete anos ou mais. A Inglaterra, oito. Os Estados Unidos, epicentro do abalo sísmico que afetou a economia mundial, estariam, na média dos indicadores acima, com um atraso de dez anos. A revista não apresenta índices de Proust para países "em desenvolvimento". Mas é sabido que, dentre os 150 membros desse grupo, cerca de 33 teriam, em 2011, renda per capita inferior à que tinham em 2007.

sso não significa, de forma alguma, nenhuma projeção para os anos à frente que seriam necessários para recuperar os anos "perdidos". É sabido que médias desse tipo podem encobrir tanto (ou mais) do que revelam. E que alguns dos indicadores do índice acima podem mudar muito mais rapidamente que outros, como, por exemplo, preços de ativos, após longos períodos de declínio. O fato é que, em definitivo, não era uma "marolinha", como se disse por aqui.

Os países de alta renda, cujas dificuldades têm consequências de ordem sistêmica, em seu conjunto, deverão crescer menos de 2% entre 2007 e 2012, enquanto no mesmo período a China, a Índia e o Brasil deverão crescer - e por motivos distintos - cerca de, respectivamente, 56%, 43% e 21%. Fica cada vez mais claro que esta crise está levando a uma mudança estrutural na composição da demanda e da oferta globais. E exigindo, de todos os países, respostas adequadas em termos de políticas domésticas - para além da área econômica.

Não é apenas o mundo desenvolvido que precisa lançar-se numa proustiana busca do tempo perdido para "recuperá-lo" - por meio de uma melhor memória de seu passado, base para uma visão de seu futuro. Permito-me ilustrar o ponto acima reproduzindo um texto recente: "Os principais obstáculos do rápido desenvolvimento econômico são internos, e não externos. Entre as restrições óbvias estão falhas de governança, gastos desnecessários com subsídios (...), um histórico terrível em termos de educação e saúde para a maioria da população, leis trabalhistas rígidas, infraestrutura inadequada e restrições ao uso eficiente da terra".

Como diria o grande Ancelmo Gois, "deve ser duro viver em um país assim". Apesar de soar muito familiar, a observação vem de um livro recém-lançado, com o título A Índia após a Crise Mundial, de Shankar Acharya, ex-assessor econômico do chefe de Governo indiano. O que sugere que, mesmo para um país que deve crescer mais que o dobro do Brasil entre 2007 e 2012, existe uma enorme necessidade de "buscar o tempo perdido". Até porque as deficiências mencionadas acima constituem oportunidades de investimento e apontam para a necessidade de continuidade no processo de reformas que permitiram o enorme progresso daquele país.

A grande lição não deveria passar despercebida por nós, brasileiros. E talvez não esteja. Em meu artigo neste espaço no segundo domingo do mês passado (Vivendo e aprendendo), mencionei que os leilões de concessão ao setor privado dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília vinham com um atraso de muitos anos, mas representavam, afinal, uma vitória do pragmatismo sobre a ideologia. Uma busca do tempo perdido para recuperá-lo - pensando no futuro.

Pois bem, nas últimas semanas tivemos outro exemplo: com 14 anos de atraso (tempo perdido) os fatos e os argumentos acabaram prevalecendo sobre a ideologia e o corporativismo. O governo Dilma Rousseff, afinal convencido de que o regime de previdência dos servidores públicos era absolutamente insustentável no médio e no longo prazos, decidiu mobilizar-se para mudá-lo, mostrando um entendimento que faltou ao governo Lula.

Existem muitos outros avanços possíveis e necessários exatamente agora que fica cada vez mais claro que o crescimento econômico sustentado a taxas superiores a 4% ao ano exige uma taxa de investimento privado mais elevada, especialmente em infraestrutura. Há que ampliar o regime de concessões (já que o lulopetismo não pode ouvir falar em privatizações) nessas áreas. E isso é urgente.

A ideia de que o problema fundamental do crescimento brasileiro é reduzir juros e desvalorizar o câmbio ainda é muito arraigada entre nós - assim como a suposição equivocada de que o governo pode colocar as taxas reais de juros e câmbio onde quiser. Menos arraigada entre nós é a necessidade de entender por que certos países foram e outros estão sendo bem-sucedidos no presente, como os asiáticos. Estes construíram um complexo e eficiente sistema educacional e uma invejável estrutura logística de transportes, cadeias de suprimentos e mecanismos pragmáticos de cooperação regional, sem perder de vista a sua integração com o resto do mundo.

É muito importante extrair dessas experiências - nada ideológicas - as lições corretas para o nosso futuro.

ECONOMISTA, FOI MINISTRO DA FAZENDA NO GOVERNO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
E-MAIL: MALAN@ESTADAO.COM.BR

sexta-feira, 9 de março de 2012

Irã: Racha no regime


Folha de São Paulo, 09/03/2012
SAMY ADGHIRNI
DE TEERÃ


Após eleição parlamentar do Irã na semana passada, vencida por aliados do aiatolá Khamenei, conflito como presidente Ahmadinejad aumentou; entenda a queda de braço entre os conservadores no país


PRESIDENTE MAHMOUD AHMADINEJAD


55 anos

Cargo anterior
PREFEITO DE TEERÃ

Formação
ENGENHEIRO CIVIL

PRINCIPAIS ALIADOS
Rahim Esfandiar Mashaee (chefe de gabinete)
Ali Akbar Salehi (ministro das Relações Exteriores)
Ali Akbar Javanfekr (chefe de comunicação)
Mahmoud Bahmani (presidente do Banco Central)

BASE DE APOIO
População mais pobre, classe média baixa, trabalhadores rurais, funcionários públicos no interior

POLÍTICA INTERNA
Menos poder aos clérigos
Afrouxamento das restrições morais para mulheres
Intervencionismo econômico
Gasto público elevado
Programas de assistência social
Incentivo aos agricultores e à natalidade

POLÍTICA EXTERNA
Disposição para negociar uma solução ao programa nuclear, desde que Teerã siga enriquecendo urânio
Aliança com países emergentes
Prioridade para América Latina e África
Retórica agressiva contra Israel, mas acenos aos judeus

Como seus aliados se referem aos rivais: "extremistas"

LÍDER SUPREMO AIATOLÁ ALI KHAMENEI

72 anos

Cargo anterior
PRESIDENTE DO IRÃ

Formação
CLÉRIGO

PRINCIPAIS ALIADOS
Ali Larijani (Presidente do Parlamento)
Sadeq Larijani (chefe do Judiciário)
Heydar Moslehi (ministro de Inteligência)
Gholam Ali Haddad Adel (deputado, ex-presidente do Parlamento)

BASE DE APOIO
Religiosos, comerciantes tradicionais, jovens conservadores, veteranos da guerra contra o Iraque, membros da milícia voluntária basij

POLÍTICA INTERNA
Poder total aos clérigos
Regras morais rígidas para a sociedade
Regras rígidas para as roupas femininas
Combate à influência ocidental
Contenção de gastos públicos
Consolidar controle sobre todas as esferas oficiais

POLÍTICA EXTERNA
Nenhuma concessão sob pressão ocidental
Retórica de confronto com Ocidente
Ódio a Israel
Apoio à Síria e a grupos armados como Hizbollah e Hamas

Como seus aliados se referem aos rivais: "desviados"

NÃO APOIAM NEM UM NEM OUTRO

classe média urbana
maioria dos estudantes
intelectuais

quinta-feira, 8 de março de 2012

Con la misma piedra


Leonardo Calvo Cardenas
Jueves, Marzo 8, 2012

LA HABANA, Cuba, marzo, www.cubanet.org -Cuba se encuentra en una grave encrucijada de su destino histórico. El fracaso irreversible del modelo y de las medidas adoptadas para salvarlo sin reconocer a los ciudadanos sus derechos, se complica con los traumas que generan los esquemas de dependencia externa a que se aferra el alto liderazgo de La Habana. La tensión permanente de tener que cumplir los pagos al contado con los proveedores de alimentos de los Estados Unidos, su principal enemigo político para más señas, y la dudosa salud física y política del presidente venezolano Hugo Chávez colocan el futuro del país en una incertidumbre que puede convertirse en abismo.

No es secreto para nadie que Cuba sufre una crisis profunda, y no solo en el terreno económico. El modelo estatista hegemónico ha agotado todas las capacidades productivas del país, las medidas tomadas por el gobierno, lejos de revitalizar la economía, han ahondado las desigualdades y el desamparo de un segmento creciente de la sociedad. Junto a esto, la crisis ético-moral-existencial cubre con un manto de desesperanza a la inmensa mayoría de los cubanos, que se muestran reticentes incluso a procrear nuevas víctimas para el escenario de sus desgracias. Por primera vez en nuestra historia la población se encuentra en franca disminución.

Un poder totalmente enajenado de la realidad, la corrupción que se extiende como pandemia a cada resquicio de la sociedad y los ciudadanos tratando de resolver sus problemas como pueden, frente a un gobierno que se desentiende de sus responsabilidades sociales sin atreverse a abrir espacios al desenvolvimiento y las potestades cívicas de sus ciudadanos, quienes prefieren convertirse en extranjeros para al menos escapar jurídica y mentalmente de un poder que los ahoga y limita a cada paso.

Una vez liquidados los renglones productivos tradicionales por obra y gracia del monopolio estatista, los gobernantes cubanos definen a la economía como de servicios y cifran esperanzas en el petróleo que a un altísimo costo esperan encontrar en el Golfo de México.

En su afán de no conceder a los ciudadanos sus derechos económicos, porque un pueblo insolvente y dependiente es más fácil de dominar, el alto liderazgo de La Habana ha persistido en reproducir un esquema de dependencia casi total de un socio ideologico o político que garantiza coyuntural estabilidad económica.

Entre otras cosas la revolución supuestamente se hizo para eliminar la dependencia de un solo cultivo (el azúcar) y un solo mercado (Estados Unidos). Sin embargo durante la época pre castrista la balanza comercial externa de Cuba siempre fue favorable, con una moneda altamente validada y sin deudas.

Medio siglo de fallido experimento totalitario acabó con la producción azucarera y con todas las demás, derrumbó la balanza comercial del país, pues carece de renglones exportables y debe importar hasta los alimentos que consumimos, paradójicamente de los Estados Unidos. Cuba es hoy el país con mayor deuda externa per cápita del planeta a pesar de estar material y económicamente en ruinas.

Hace cuarenta años se consagró la dependencia económica de la Unión Soviética, vinculo que adquirió incluso rango constitucional. En poco tiempo las películas, los dibujos animados, los documentales didácticos, el recurrente circo, los grados militares, la “Editorial Progreso” y tantas otras cosas de nuestra vida diaria adquirieron marcado matiz soviético.

A cuenta del precio subsidiado del azúcar, las armas y la instrucción militar gratuitas, las becas universitarias, y el suministro de todo género de equipos y tecnologías atrasadas, e incluso hasta un proyecto de Central Electronuclear, el máximo líder prestó apreciables servicios al hegemonismo soviético, como contrarrestar en medida apreciable la ojeriza que con razón profesaban los países No alineados al gigante euroasiático, enviar a los soldados cubanos a pelear guerras ajenas en el otro lado del mundo para satisfacer las apetencias imperiales de Moscú, enviar al abismo de muerte y fratricidio a esa parte de la izquierda latinoamericana que se tornaba incomoda a los diseños geopolíticos del hermano mayor del comunismo internacional y hasta albergar en nuestro país una base de espionaje radioelectrónico.

Al derrumbarse el imperio sustentado en el terror y la mentira en aquel lejano y ficticio país del tercer mundo con ejército y cosmonáutica de superpotencia, Cuba y su parasitaria economía quedaron en total desamparo para navegar a la deriva hacia una cruda recesión, que gracias al eufemismo castrista adquirió el amable nombre de Periodo especial en tiempo de paz, y sometió al pueblo cubano a todo género de penurias y sufrimientos.

Después de un fallido intento con la pragmática y calculadora China, el máximo líder reprodujo el esquema de apostar todas sus cartas a un solo naipe y hoy solo nos falta ver al noticiero estelar de la televisión cubana trasmitir diariamente el parte meteorológico de Venezuela; sin dejar de recordar como un ya defenestrado vicepresidente dijo, en su momento, que Cuba tenía dos presidentes, o al mismísimo Fidel Castro ante la inminencia de un destructivo huracán, asegurar sin sonrojo: “A mí lo que me importa es Venezuela”

Hoy Cuba depende tanto del petróleo venezolano como el poder de Chávez de la coraza de Inteligencia cubana en que se atrinchera. Cuando la debilidad extrema de la economía nacional hace más determinante esa relación “solidaria” se torna en extremo incierto el futuro vital y político del caudillo de Miraflores, cuyo destino puede ser decidido por la enfermedad que lo aqueja o el voto del pueblo venezolano.

Cualquiera de estas dos batallas que pierda el presidente venezolano hará a los líderes cubanos chocar con la misma piedra que hace veinte años y al pueblo cubano hundirse más en ese abismo insondable de miseria y desesperanza que parece ser el precio a pagar por el poder interminable de la dinastía de la familia Castro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

De Adán y la traición


por Laureano Márquez,
no blog RunRun.es, de Nelson Bocanranda (twitter @NelsonBocaranda)
2 Mar 2012


La primera traición de que se tenga noticia está vinculada al primer hombre, Adán, cuyo nombre viene del hebreo “אָדָם”, que significaría “hombre rojizo” o “rojo rojito”, según algunos y “hecho de tierra”, según otros. Si unimos las dos acepciones sería el que está hecho de tierra roja o tierra expropiada. El caso es que Adán desobedece a Dios, dado que come del árbol prohibido y tanto él, como Eva, son expulsados del Paraíso acusados por Dios de invasión de la propiedad privada. Años más tarde el primogénito de Adán, Caín, es el protagonista de la segunda traición de que se tenga noticia. Caín, por celos, porque Dios, que no sufre de colesterol ni triglicéridos, prefería la ganadería de Abel a las ensaladas de Caín, asesina a su hermano usando una quijada de burro. Dios, que todo lo ve, pero que a veces se hace el loco con los pecados humanos, le preguntó a Caín: “¡Caín, Caín!… ¿dónde está tu hermano Abel?” Caín respondió: “señor no te puedo dar información alguna, yo no tengo idea y hay hermetismo total, pero si te metes en www.runrun.es o sigues en el “twitter” a @NelsonBocaranda seguro vas a obtener información confiable, porque él como Tú, todo lo sabe”. Caín fue castigado y anduvo errante, cual exiliado político.

Sin embargo, la peor de todas las traiciones, peor incluso que la de Páez, es la de Judas Iscariote. Judas era uno de los doce discípulos, el más confiable, como suele suceder, el tesorero de la naciente Iglesia. Judas entrega a Jesús a los sacerdotes del Sanedrín a cambio de 30 monedas. Pero, curiosamente, este episodio también tiene que ver con Adán: no es casual que San Pablo diga que Cristo es “el nuevo Adán”: “Así como hemos llevado la imagen del Adán terreno, llevemos ahora la imagen del Adán celestial” (1Corintios 15,49). De hecho la tradición dice que en el Gólgota la calavera que se representa al pie de la cruz, descubierta del barro por la lluvia, es la de Adán quien ahora, bautizado con la propia sangre de Jesús es redimido del pecado original y con él todos nosotros. Es decir que Adán es comienzo y final de la historia de la redención, a la vez hombre viejo y hombre nuevo, pasado y futuro.

De lo dicho se desprenden algunas conclusiones en torno a las traiciones: la traición viene siempre de quien menos se espera y usualmente del que está más cerca. Casi siempre la traición es motivada por el billete o la ambición, “seréis como Él” y por último, quizá la más importante conclusión: cuando las traiciones aparecen es porque la redención está cerca. Faltan sólo 7 meses y 5 días, como dijo el profeta Elías.

Do ‘tsunami monetário’ ao protecionismo


Editorial de O Globo, 07/03/2012
É esta “onda gigante” que tem livrado o mundo de algo pior


Há uma regra na vida pública brasileira pela qual mazelas internas têm sempre causas externas, enquanto boas notícias no front doméstico são explicadas pelas virtudes administrativas do governo de turno. O complicado cenário da economia mundial tem permitido reações típicas desta antiga norma.A mais recente é a denúncia feita pela presidente Dilma Rousseff, antes de embarcar para a Alemanha, da existência de um “tsunami monetário” provocado por países desenvolvidos, causa da enorme liquidez no mundo, fonte de problemas cambiais para países emergentes, entre eles o Brasil. A enxurrada de divisas valoriza as moedas nacionais, e com isso esmaga a competitividade externa dos países hospedeiros dos recursos.

O problema existe, de fato. E não começou agora. Ele vem do fim de 2008, quando, com o estouro violento da bolha imobiliária americana, o banco central dos EUA (Fed) foi forçado a praticar agressiva política monetária, para evitar um catastrófico derretimento do sistema bancário americano — portanto, mundial.

Especialista, na vida acadêmica, em estudos sobre a Grande Depressão, da década de 30, o presidente do Fed, Ben Bernanke, evitou erros cometidos naquela época, jogou os juros básicos ao chão e fez algumas operações nada ortodoxas cujo resultado prático foi emitir dinheiro e cortar as taxas também de longo prazo (relaxamento monetário). Assim, evitou uma temida depressão. O preço a pagar foi o excesso de liquidez mundial.

O eixo da crise mudou para o outro lado do Atlântico, o projeto do euro vergou na falta de alguma uniformidade de política fiscal no bloco, países quebraram e passaram a ameaçar o sistema bancário europeu, por inevitável. Afinal, os títulos das dívidas grega, espanhola, italiana, portuguesa etc. estão nos cofres deles. Assim, apesar de toda ortodoxia alemã, o BC europeu teve de atuar à semelhança do Fed e injetar muito dinheiro em circulação. De dezembro para cá, em empréstimos de custo ínfimo a bancos, mais de 1 trilhão. O sistema, como o americano, continua de pé — ainda bem —, mas parte dos recursos, diante de um quadro de alta desconfiança e risco, aporta em países como o Brasil.

E Dilma reclama da “tsunami”. Certo, mas seria pior se houvesse uma quebra bancária. Na verdade, americanos e europeus, com esta política monetária agressiva, “compram tempo”. Evitam um mergulho recessivo mais profundo, enquanto esperam a diluição da montanha de débitos e necessários ajustes fiscais nos devedores. Nos Estados Unidos, começa a funcionar.

Ao denunciar a onda gigante de liquidez, Dilma teve de ouvir da chanceler alemã, Angela Merkel, uma referência ao protecionismo, praticado ultimamente pelo Brasil com alguma alegria em Brasília. Ora, voltando às lições da década de 30, foi o erguimento de barreiras ao comércio, enquanto a economia desacelerava, que aprofundou a recessão transformando-a em depressão. O Brasil, inclusive, se arrisca a ser penalizado na Organização Mundial do Comércio (OMC), na taxação unilateral da importação de veículos, por exemplo.

Seria imperdoável indelicadeza diplomática se Merkel lembrasse que seu país, há muito tempo, ao perceber perda de competitividade para o Leste da Europa, China e outros asiáticos, cumpriu o dever de casa e reduziu o Custo Alemanha. O Brasil pouco ou nada fez.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/do-tsunami-monetario-ao-protecionismo-4232980#ixzz1oR50GzVl
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terça-feira, 6 de março de 2012

Retrocesso em ciência e tecnologia


ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE
Folha de São Paulo, TENDÊNCIAS/DEBATES, 06/03/2012

Os cortes em ciência condenam o país ao subdesenvolvimento; a aversão dos economistas por tecnologia, preferindo fazer o país pagar royalties, é desastrosa

Em relação ao ano de 2011, o orçamento federal de 2012 para o setor de ciência e tecnologia teve um acréscimo de cerca de 20%.

Exultaram os membros da comunidade acadêmica nacional. Todavia, esse aumento meramente corrigia uma redução de cerca de 10% ocorrida entre 2010 e 2011, além das perdas devidas à inflação ocorrida em 2010 e 2011.

Ou seja, o orçamento de 2012, que aparentemente apresenta um ganho de 20% com relação a 2011, apenas restaura o valor de 2010. Fomos iludidos.

Pois bem, não bastasse esse logro, a administração atual impôs um corte de 22% no orçamento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Como 70% desses recursos se referem a custos fixos (salários, impostos etc.), pouco ou nada resta para os projetos, mesmo aqueles que já estão em andamento.

Isso terá como consequência a existência de perdas não só de tempo, mas até mesmo de investimentos já realizados.

É interessante notar a diferença entre educação, que não teve cortes, e o setor de ciência e educação. Nenhum cidadão consciente proporia cortes em educação. Mas é bom notar que, se educação tem consequências imediatas, algo que se exprime no acesso ao emprego, a ciência e a tecnologia representam o desenvolvimento econômico e social futuro do país.

A forte correlação entre o investimento em pesquisas e PIB per capita das nações é prova suficiente.

Mas de quem seria a culpa senão de David Ricardo (1772-1823), com seu "teorema dos custos comparativos"? Essa é a única doutrina sobre a qual todos economistas, exceto talvez Arghiri Emmanuel, estão de acordo. Mas ela, não obstante, é obtusa.

Explico-me. De acordo com essa teoria, se o Brasil produz soja a custos menores que o Japão e o país asiático produz eletrônica a custos menores que o Brasil, então o ganho global será maior se o Brasil se concentrar na produção de soja -e se o Japão se dedicar à eletrônica.

Adotando-se essa doutrina para todos os itens de troca internacional, o Brasil estará sendo condenado indefinidamente à produção de itens de baixo valor agregado, ou seja, ao subdesenvolvimento.

Isso acontecerá inexoravelmente se o Brasil continuar sendo impedido de realizar pesquisas.

Diz-se que Mário Henrique Simonsen, o gênio, teria argumentado: "Se pagamos apenas US$ 200 mil de royalties, então para que gastar com pesquisas em ciência e tecnologia?".

Hoje, pagamos US$ 10 bilhões de royalties. Mas isso é apenas a ponta do "iceberg".

A consequência desastrosa da aversão que os economistas tradicionalmente sentem por tecnologia é a incapacidade que tem o Brasil hoje (e, pelo jeito, continuará tendo no futuro) de competir no campo de manufaturados e outros produtos de alto valor agregado, por falta de competência tecnológica. Mantega imita Simonsen, para a desgraça do Brasil.

Enquanto na China 80% dos cargos de decisão são ocupados por engenheiros, no Brasil são economistas, quando não advogados, que decidem.

Talvez esse fato explique o desenvolvimento modesto do Brasil em comparação com o da China.
[o negrito foi colocado por esse blogueiro]

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 80, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), membro do Conselho de Ciência e Tecnologia da República e do Conselho Editorial da Folha

sexta-feira, 2 de março de 2012

¿Qué hacen las masas cuando desaparecen sus líderes?


Artigo publicado em 02/03/2012, no blog de Nelson Bocaranda (RunRunes, www.runrun.es)

AOL presentó hoy viernes 2 de marzo un artículo de opinión del argentino residente en California César Leo Marcus dentro de su plantel de contribuidores exclusivos en el que el escritor analiza la relación de los presidentes y líderes absolutos con las masas sedientas de alguien que los guíe y proteja. Alerta ante la angustia del momento en que desaparezcan y las masas no estén preparadas para asumir su ausencia.

Hugo Chávez, los dictadores y la masa
Por Cesar Leo Marcus

Desde Nerón a Napoleón y desde Adolf Hitler, Francisco Franco hasta Fidel Castro o Hugo Chávez, siempre me pregunte cual es el talento necesario para liderar las masas o más precisamente cómo y por qué las masas pueden seguir las ordenes del dictador, sin cuestionarlas.

En la política latinoamericana conocemos “dictadores” que llegaron al poder por la fuerza, Stroessner, Castro, Pinochet, Videla y otros, pero también existen quienes llegaron legítimamente al poder para luego, con forzadas trampas constitucionales, perpetuar su ficticio “liderazgo”, como los actuales casos de Kirchner, Ortega, Correa, Morales y por supuesto Chávez. Muchos psicólogos determinan que el miedo es la base principal del manejo de masas de muchos dictadores, amenazando a sus seguidores con un futuro desconocido o nefasto sin su presencia, otros hablan de clientelismo político, donde los seguidores reciben dadivas o promesas de dinero o bienestar que llega a pocos o nunca llega. Personalmente creo que hay algo mas en esta relación personalista con las masas, algo que roza la hipnosis, la obediencia ciega, el domino y la sumisión.

Patria o Muerte

El patriotismo o “patrioterismo” es la base de la mayoría de las dictadura, donde “todo” es por la Patria, donde se coloca la “voz” del pueblo por delante, con gritos de “Patria o Muerte”. Debemos reconocer que el autor de esta frase fue Vicente Guerrero, cuando los mexicanos combatieron contra los Estados Unidos en la guerra de 1847, (según el autor Eulalio Ferrer), y en esa época tenía un significado especial, porque la Patria era el honor, el orgullo por un territorio y una bandera, en esa época los lideres encarnaban ideales, colocando la idea por delante de su persona, en cambio los dictador y demagogos actuales sienten que son más importante ellos que los ideales.

Seguir una idea o un ideal no es igual que seguir a una persona, los firmantes de la Carta de Independencia de los Estados Unidos se basaron en ideales de democracia, igualdad y libertad, en cambio las Revoluciones en Rusa, China y Cuba fueron personalistas, donde Stalin, Mao y Castro eran quienes se adueñaron de la vida y la muerte de las personas.

Política, Deportes y Rock and Roll

Las masas se comportan igual en un encuentro deportivo, en un concierto de rock, o en un mitin político, la masa es guiada casi con exclusividad por el inconsciente, porque es impulsiva, voluble y excitable, carece de moralidad puesto que al reunirse todos los individuos desaparecen todas las inhibiciones, todos los instintos crueles, brutales y destructivos están a flor de piel y no es posible controlarlos. En el deporte y en el concierto musical tiene un claro objetivo, el espectáculo, en cambio es en política donde se manifiesta más salvaje, ya que jamás solicita verdades, lo irreal siempre prevalece sobre lo real, siempre demanda ilusiones, como crecer económicamente o mejorar los servicios de salud, seguridad, educación y/o transporte, todas promesas validas de los políticos para manipular las masas.

Líder Mesiánico

A partir de Carlos Marx, un buen marxista debe asumir que “Dios no existe”, por esa razón muchos dictadores se dicen marxistas, (Castro, Ortega, Chávez), porque saben que los seres humanos necesitamos creer en un ser superior, y la característica principal del dictador es que se cree “Dios” y necesita ser “endiosado”, para que la masa le otorga atributos sobrenaturales y acate sus decisiones ciegamente, esto ocurre porque el individuo integrado en una masa influyente, modifica su actitud anímica, intensificando su afectividad y limitando su capacidad intelectual, realmente el individuo “sometido” a los designios del demagogo, sufre una especie de parálisis ante aquella “organización superior que lo considera participe”, el hecho de “pertenecer” crea un lazo de afectividad y su actividad intelectual queda reducidas a las órdenes del líder. Para esto los discursos del dictador y/o demagogo tienen un común denominador, en las técnicas de cohesión, como exagerar, afirmar, valerse de repeticiones y nunca tratar de demostrar nada con razonamientos que ayuden a reflejar y encarnar el mundo irracional prometido ante la multitud, al mismo tiempo se debe adular las aspiraciones de los miembros, compartir sus sentimientos y demostrar ante todo sus aptitudes, como premio se genera humanidad en el líder, que adquiere el nombre de salvador de los pobres, Mesías o filántropo, por lo que los fieles tenderán a idolatrarlo.

Sigmund Freud en su obra Psicología de las Masas, tiene una explicación a la diferencia psíquica que las masas provocan en el individuo, considerando que en el hombre arrastrado por la masa tiende a experimentar aquellos afectos cuyos signos observa en otros, incluso afirma que la influencia sugestiva de la masa lleva al hombre a la imitación induciendo al afecto mutuo, por lo tanto la mimetización es un hecho irreductible dentro de la vida anímica humana.

El espejo roto

Algunas personas en lugar de autoimponerse estándares ideales de vida, y tratar de superarse a sí mismos, necesitan de ¨otro¨, de un líder que a sus ojos represente ese ideal, esto sumado a que la moda y los medio de información nos imponen una idea de éxito que muchas veces no se corresponde con la realidad, hoy la garantía de éxito es ser buen mozo, joven y atlético, en este contexto, Warren Buffett, Bill Gates y Carlos Slim, deberían ser muy pobres. El problema es que muchos miran el espejo roto, donde en lugar de su imagen ven partes despedazadas de sí mismos.

A Rey Muerto… masa en problemas

Muchas veces me pregunto si ¿La masa estará siempre consolidada?, y ¿Qué ocurrirá cuando el líder muera?, En ese instante nacerán más dudas, ¿las lagrimas serán reales o fingidas?, ¿formaran parte de la exhibición pública de un dolor? o ¿expresan la supervivencia política y la competencia de la lealtad de quién llora más? Aunque el pánico puede ser el mayor peligro para la masa, ya que en estas circunstancias, los individuos dominados por la angustia cuidaran solamente de ellos, Freud menciona que en los momentos que la masa queda huérfana aprecia más el peligro, comprende la ausencia del líder que no podrá ser remplazado rápidamente, y esto creara un caos estructural. El filosofo alemán Sloterdijk, explica que una masa solida con líder, se transforma rápidamente en una masa espumosa al desaparecer el líder, en las que se establecen complejas y frágiles interrelaciones, carentes de centro, y en constante movilidad expansiva, dejando sujetos descomprometidos, egoístas hasta su máxima expresión, y donde la banalidad del mal se expande en tanto que la relación se licua y volatiliza. Una masa espumosa tiene dos formas de consolidarse u normalizarse, la primera es una guerra fratricida, entre los posibles reemplazantes del líder, que históricamente siempre termina con la asunción de otra dictadura más atroz a la anterior, (de derecha o izquierda), como la que trajo al poder a Stalin en Rusia o Franco en España, la segunda forma de remplazar al líder, es el transito pacifico a la democracia, con elecciones libres, en donde las fuerzas armadas acaten los resultados. Recemos que Dios ilumine la segunda opción, la más lógica, porque la realidad nos demuestra la finitud a la que estamos sometidos los seres humanos, y que termina por hacer del poder una fantástica banalidad.

Cesar Leo Marcus, nació en Buenos Aires, Argentina, en 1951. Realizó estudios sobre periodismo, logística, energías renovables, literatura, economía y sociología, en Sudamérica y Europa. Investigó religiones comparadas en España, Israel, Italia y en la biblioteca Papal del Vaticano. Es profesor invitado en varias universidades y ha publicado más de dos centenares de trabajos en periódicos y revistas de Latinoamérica, EE.UU. y España. En el 2002 funda la Cámara de Comercio Argentino Californiana, en el 2003 funda la Interamerican High School, donde personas latinas mayores podían estudiar el GED en español y en 2008 funda Windmills Edition, una editorial virtual