terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os canalhas nos ensinam mais
Arnaldo Jabor
O Estado de S.Paulo, 31 de janeiro de 2012 | 3h 09
Nunca vimos uma coisa assim. Ao menos, eu nunca vi. A herança maldita da política de sujas alianças que Lula nos deixou criou uma maré vermelha de horrores. Qualquer gaveta que se abra, qualquer tampa de lata de lixo levantada faz saltar um novo escândalo da pesada. Parece não haver mais inocentes em Brasília e nos currais do País todo. As roubalheiras não são mais segredos de gabinetes ou de cafezinhos. As chantagens são abertas, na cara, na marra, chegando ao insulto machista contra a presidente, desafiada em público. Um diz que é forte como uma pirâmide, outro que só sai a tiro, outro diz que ela não tem coragem de demiti-lo, outro que a ama, outro que a odeia. Canalhas se escandalizam se um técnico for indicado para um cargo técnico. Chego a ver nos corruptos um leve sorriso de prazer, a volúpia do mal assumido, uma ponta de orgulho por seus crimes seculares, como se zelassem por uma tradição brasileira.
Temos a impressão de que está em marcha uma clara "revolução dentro da corrupção", um deslavado processo com o fito explícito de nos acostumar ao horror, como um fato inevitável. Parece que querem nos convencer de que nosso destino histórico é a maçaroca informe de um grande maranhão eterno. A mentira virou verdade? Diante dos vídeos e telefonemas gravados, os acusados batem no peito e berram: "É mentira!" Mas, o que é a mentira? A verdade são os crimes evidentes que a PF e a mídia descobrem ou os desmentidos dos que os cometeram? Não há mais respeito, não digo pela verdade; não há respeito nem mesmo pela mentira.
Mas, pensando bem, pode ser que esta grande onda de assaltos à Republica seja o primeiro sinal de saúde, pode ser que esta pletora de vícios seja o início de uma maior consciência critica. E isso é bom. Estamos descobrindo que temos de pensar a partir da insânia brasileira e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.
Avante, racionalistas em pânico, honestos humilhados, esperançosos ofendidos! Esta depressão pode ser boa para nos despertar da letargia de 400 anos. O que há de bom nesta bosta toda?
Nunca nossos vícios ficaram tão explícitos! Aprendemos a dura verdade neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Finalmente, nossa crise endêmica está em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Vemos que o País progride de lado, como um caranguejo mole das praias nordestinas. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades sórdidas estamos conhecendo, fecundas como um adubo sagrado, tão belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras. Como mentem arrogantemente mal! Que ostentações de pureza, candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a mão grande nas cumbucas, os esgotos da alma.
Ai, Jesus, que emocionantes os súbitos aumentos de patrimônio, declarações de renda falsas, carrões, iates, piscinas em forma de vaginas, açougues fantasmas, cheques podres, recibos laranjas de analfabetos desdentados em fazendas imaginárias.
Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!... Assistimos em suspense ao dia a dia dos ladrões na caça. Como é emocionante a vida das quadrilhas políticas, seus altos e baixos - ou o triunfo da grana enfiada nas meias e cuecas ou o medo dos flagrantes que fazem o uísque cair mal no Piantella diante das evidências de crime, o medo que provoca barrigas murmurantes, diarreias secretas, flatulências fétidas no Senado, vômitos nos bigodes, galinhas mortas na encruzilhada, as brochadas em motéis, tudo compondo o panorama das obras públicas: pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, orgasmos entre empreiteiras e políticos.
Parece que existem dois Brasis: um Brasil roído por ratos políticos e um outro Brasil povoado de anjos e "puros". E o fascinante é que são os mesmos homens. O povo está diante de um milenar problema fisiológico (ups!) - isto é, filosófico: o que é a verdade?
Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Mas, tudo está ficando tão claro, tão insuportável que temos de correr esse risco, temos de contemplar a mecânica da escrotidão, na esperança de mudar o País.
Já sabemos que a corrupção não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime - é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas. Vivemos nossa diplomação na cultura da sacanagem.
Já sabemos muito, já nos entrou na cabeça que o Estado patrimonialista, inchado, burocrático é que nos devora a vida. Durante quatro séculos, fomos carcomidos por capitanias, labirintos, autarquias. Já sabemos que enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as emendas ao orçamento, as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver. Enquanto houver 25 mil cargos de confiança, haverá canalhas, enquanto houver Estatais com caixa-preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, com essa estrutura judiciária, nunca haverá progresso.
Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas. Não adianta punir meia dúzia. A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.
Descobrimos que os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Os canalhas são a base da nacionalidade! Eles nos ensinam que a esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno e que, pelo escracho, entenderemos a beleza do que poderíamos ser!
Temos tido uma psicanálise para o povo, um show de verdades pelo chorrilho de negaças, de "nuncas", de "jamais", de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. Nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Céus, por isso é que sou otimista! Ânimo, meu povo! O Brasil está evoluindo em marcha à ré!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
La Habana en ruinas
Belas fotos testemunham a desgraça de um país:
http://www.cubanet.org/htdocs/La_Habana_en_ruinas/index.html
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Ah, estes idiotas latinoamericanos...
Galeano, el invidente
Luis Felipe Rojas
Holguín | 27-01-2012 - 10:10 am.
El escritor uruguayo, premiado en Cuba la semana pasada, habla de casas pintarrajeadas por los Escuadrones de la Muerte en Guatemala, pero calla sobre las casas de opositores en la Isla.
El periodista Luis Felipe Rojas junto a su hijo de 8 años en su casa de San Germán, Holguín, atacada con pintura el pasado jueves a las 3 de la madrugada.
Había una vez un excelente escritor. Un hombre que enamoraba a base de palabras. Hasta que los flashes de las cámaras y otros compromisos vagos le dejaron ciego sin remedio. Por estos días la Casa de las Américas agasajó al escritor uruguayo Eduardo Galeano. Lo premió por la obra de toda una vida. No está mal que los censores locales gratifiquen a quien entre muchas loas les ha dicho alguna que otra verdad de manera dulce, a quien sin pelos en la lengua y públicamente criticara al régimen en 2003 por haber encerrado a 75 opositores pacíficos y luego, en solitario, fuera a ofrecer sus disculpas.
En una entrevista publicada por el diario Juventud Rebelde el domingo 22 de enero, Galeano cuenta haber escrito un libro en Guatemala cuando los Escuadrones de la Muerte sembraban el terror. Explotaban bombas y tiros todo el tiempo, nos refiere, y los grupos puestos por los militares marcaban con cruces de alquitrán las puertas de los condenados, de aquellos que no verían el amanecer. "Y yo sobrevivía —dice Galeano—, lo cual me parecía milagroso… De modo que iba sabiendo cada vez más cosas, y decidí escribir un libro".
Lo malo es que ahora el mismo autor se ha olvidado de escribir otro libro. Si una vez logró relatar a su manera las venas abiertas de un continente, ahora no quiere ver las heridas expuestas de un país. Mientras apuraba un cóctel en algún sitio limpio, de lujo y tranquilo en La Habana, las turbas paramilitares sembraban el terror con actos de repudio desde Pinar del Río a Guantánamo.
El 24 de enero se dio un cacerolazo por la Resistencia y hubo sesiones de odio en la capital, Camagüey y Holguín. ¡Galeano, nuestras casas también las pintan de alquitrán antes de matarnos de esas otras maneras que son la injuria pública, la humillación, la golpiza, el arresto arbitrario y colgándonos el sambenito de vende-patria y mercenarios! La puerta de mi casa un día la embarraron de alquitrán, sólo porque empecé a juntar unas palabras con otras, intentando conciliar lo que pienso con lo que digo.
Les dejo una gráfica que no deja dudas [al pie del artículo]. Son las casas de los disidentes Sarah Marta Fonseca Quevedo, en La Habana; Yoandri Naoki Mir en Banes, Holguín; y la de los hermanos Jorge y Agustín Cervantes en Contramaestre, Santiago de Cuba.
Si en verdad hablamos en Cuba de un pueblo espontáneamente indignado contra nosotros, ¿por qué siempre se sigue un mismo modus operandi? Atacan en la madrugada y usan el mismo alquitrán, como la estrella colgada en las puertas de los judíos cuando el Holocausto.
Ahí tiene Eduardo Galeano un buen tema para el libro que nos debe. Su tomo de ensayos Las venas abiertas de América Latina fue incluido una vez entre los diez libros que debe leer todo idiota latinoamericano. Junto a La historia me absolverá, de Fidel Castro, La guerra de guerrillas, de Ernesto Guevara y otros siete más, componen el decálogo que todo idiota debe leer sin hacer preguntas incómodas a las dictaduras de izquierda. No creo que Galeano lo sea, pero la ceguera intelectual y acomodaticia también es una especie de complicidad que la Historia se cobra a su debido tiempo.
Luis Felipe Rojas
Holguín | 27-01-2012 - 10:10 am.
El escritor uruguayo, premiado en Cuba la semana pasada, habla de casas pintarrajeadas por los Escuadrones de la Muerte en Guatemala, pero calla sobre las casas de opositores en la Isla.
El periodista Luis Felipe Rojas junto a su hijo de 8 años en su casa de San Germán, Holguín, atacada con pintura el pasado jueves a las 3 de la madrugada.
Había una vez un excelente escritor. Un hombre que enamoraba a base de palabras. Hasta que los flashes de las cámaras y otros compromisos vagos le dejaron ciego sin remedio. Por estos días la Casa de las Américas agasajó al escritor uruguayo Eduardo Galeano. Lo premió por la obra de toda una vida. No está mal que los censores locales gratifiquen a quien entre muchas loas les ha dicho alguna que otra verdad de manera dulce, a quien sin pelos en la lengua y públicamente criticara al régimen en 2003 por haber encerrado a 75 opositores pacíficos y luego, en solitario, fuera a ofrecer sus disculpas.
En una entrevista publicada por el diario Juventud Rebelde el domingo 22 de enero, Galeano cuenta haber escrito un libro en Guatemala cuando los Escuadrones de la Muerte sembraban el terror. Explotaban bombas y tiros todo el tiempo, nos refiere, y los grupos puestos por los militares marcaban con cruces de alquitrán las puertas de los condenados, de aquellos que no verían el amanecer. "Y yo sobrevivía —dice Galeano—, lo cual me parecía milagroso… De modo que iba sabiendo cada vez más cosas, y decidí escribir un libro".
Lo malo es que ahora el mismo autor se ha olvidado de escribir otro libro. Si una vez logró relatar a su manera las venas abiertas de un continente, ahora no quiere ver las heridas expuestas de un país. Mientras apuraba un cóctel en algún sitio limpio, de lujo y tranquilo en La Habana, las turbas paramilitares sembraban el terror con actos de repudio desde Pinar del Río a Guantánamo.
El 24 de enero se dio un cacerolazo por la Resistencia y hubo sesiones de odio en la capital, Camagüey y Holguín. ¡Galeano, nuestras casas también las pintan de alquitrán antes de matarnos de esas otras maneras que son la injuria pública, la humillación, la golpiza, el arresto arbitrario y colgándonos el sambenito de vende-patria y mercenarios! La puerta de mi casa un día la embarraron de alquitrán, sólo porque empecé a juntar unas palabras con otras, intentando conciliar lo que pienso con lo que digo.
Les dejo una gráfica que no deja dudas [al pie del artículo]. Son las casas de los disidentes Sarah Marta Fonseca Quevedo, en La Habana; Yoandri Naoki Mir en Banes, Holguín; y la de los hermanos Jorge y Agustín Cervantes en Contramaestre, Santiago de Cuba.
Si en verdad hablamos en Cuba de un pueblo espontáneamente indignado contra nosotros, ¿por qué siempre se sigue un mismo modus operandi? Atacan en la madrugada y usan el mismo alquitrán, como la estrella colgada en las puertas de los judíos cuando el Holocausto.
Ahí tiene Eduardo Galeano un buen tema para el libro que nos debe. Su tomo de ensayos Las venas abiertas de América Latina fue incluido una vez entre los diez libros que debe leer todo idiota latinoamericano. Junto a La historia me absolverá, de Fidel Castro, La guerra de guerrillas, de Ernesto Guevara y otros siete más, componen el decálogo que todo idiota debe leer sin hacer preguntas incómodas a las dictaduras de izquierda. No creo que Galeano lo sea, pero la ceguera intelectual y acomodaticia también es una especie de complicidad que la Historia se cobra a su debido tiempo.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A reforma do Paraíso: Números não mentem...
¿Actualización o maquillaje?
Arnaldo Ramos Lauzurique
La Habana | 22-01-2012 - 10:20 pm.
La economía cubana en manos del castrismo: 'siempre habrá alguien más pobre'.
Después de que Raúl Castro declaró en la sesión de la Asamblea Nacional de fines de 2010 que ya se había acabado el tiempo de seguir bordeando el precipicio y que se le caía la cara de vergüenza por los incumplimientos de los acuerdos de los anteriores congresos del Partido, lo único que cabría esperar era el desmontaje del engendro estatal castrista complementado por más de 50 años con parches y zurcidos.
La primera gran mentira con la que se pretende engañar a la población y a la opinión internacional es que actualmente tiene lugar una actualización del modelo económico cubano —cuando tal modelo ni siquiera existe, como el socialismo del siglo XXI de Hugo Chávez—, y el supuesto reajuste solo consiste en retoques que hacen más repulsivo, disparatado y deforme al inservible ripio.
Para superar el actual retroceso—ya no es estancamiento—, solo cabría una amplia apertura hacia la economía de mercado, con acceso amplio a créditos externos, tanto de gobiernos como de instituciones internacionales; inversiones extranjeras directas sin limitaciones, como la de la actual empresa empleadora, que impide la libre contratación de mano de obra nacional; promoción de la actividad privada a pequeña y gran escala; traspaso de la mayoría de las ineficientes empresas estatales al sector privado; entrega de tierras en propiedad, sin limitaciones para su uso; y comercio libre de productos agrícolas e industriales; entre otras medidas.
Nada de eso podría ser posible sin concesiones políticas que den seguridades a los gobiernos, al capital extranjero y a los organismos internacionales. ¿Estaría dispuesto Raúl Castro, como hizo Den Tsiao Ping, a pasearse en EE UU con un sombrero tejano? Parece que no; el legado numantino de Fidel Castro se lo impide.
No en balde Raúl Castro sentenció: "La planificación y no el libre mercado será el rango distintivo de la economía y no se permitirá […] la concentración de la propiedad. Más claro ni el agua". (Solo se admitirá que crezca el número de chinchales). Igualmente, señaló: "El incremento del sector no estatal […] lejos de significar una supuesta privatización de la propiedad social […], está llamado a convertirse en un factor facilitador para la construcción del socialismo en Cuba"; y agregó, para que no se pensara, ni siquiera, en el denominado socialismo de mercado chino: "No pensamos volver a copiar de nadie".
Hasta ahora, se han definido como piedras angulares de la tal actualización la entrega en usufructo de tierras ociosas; el proceso de disponibilidad laboral (eliminación de plantillas infladas), complementado con el incremento del trabajo no estatal; la mejoría del balance financiero externo, lo cual implica el incremento y diversificación de las exportaciones y la sustitución de importaciones; la disminución de los gastos del Estado con la eliminación de la libreta de racionamiento, la clausura de los comedores obreros, la eliminación de gratuidades "indebidas" (las "debidas", las de la jerarquía, no se tocan); y un incremento de la carga impositiva a cuenta del sector no estatal.
Previsiones, realidad
Soslayando el trasfondo político, que no se pretende abordar aquí, corresponde analizar el primer año de las promesas económicas que el VI Congreso del Partido lanzó para el quinquenio 2011-2015.
Se planificó un crecimiento del PIB de un 5,1% promedio anual durante el quinquenio; en el 2011 solo se incrementó en 2,7%, aunque se previó un 3,1%. Para 2012 se pretende crecer en 3,4%; por lo que esos dos años ya acumularían en conjunto un 9,9% de incumplimiento, que significaría un total de 2.020 millones de pesos menos que los previstos, equivalentes a 179 pesos per cápita.
En el año 2011 se acumuló una larga cadena de incumplimientos, aunque las informaciones brindadas hasta ahora carecen generalmente de un soporte cuantitativo.
El proceso de 500 mil despidos previsto para el primer trimestre del año se paralizó por la resistencia que provocó en los trabajadores y administradores de base, y aún continúa estancado. El número de trabajadores por cuenta propia, de 143.800 al cierre de 2009, se elevó a 357.663 al término de noviembre de 2011, para un crecimiento de 213.863. Pero de ellos solamente el 18% (38.495) desempeñaban alguna labor estatal, lo cual representa menos del 8% de los despidos previstos.
Se planificó un incremento de la sustitución de importaciones y en particular los alimentos, pero los incumplimientos en carne vacuna y de cerdo, leche de vaca, frijoles, maíz, café, cítricos y posiblemente otros renglones que no se mencionan, como la papa, obligaron a realizar importaciones adicionales por unos 49 millones de dólares, en lo cual pudo influir el que de las 1.387.936 hectáreas de tierras ociosas entregadas en usufructo, el 30% aún no está en explotación y es de dudar que las que estén en producción rindan adecuadamente por las limitaciones de suministros existentes. Pese a ello se informó que el sector agropecuario creció en un 2%.
Se pretendía que las construcciones se elevaran en un 25,4% debido principalmente al proceso inversionista planteado, pero por el contrario el plan de inversiones se incumplió en un 26% y el de construcciones en un 12%.
Se concibió que la industria manufacturera, excluyendo a la azucarera, creciera un 2,9%. Sin embargo creció solo un 2,7, incluyendo a la azucarera, que se incrementó un 5,2%, por lo que el incumplimiento fue mayor. En la industria de materiales de construcción se incumplieron las producciones de tejas de asbesto-cemento, muebles sanitarios y otras. También estuvo por debajo la producción de petróleo en 1,7%. Y no se han brindado más informaciones mensurables de este sector.
Se concibió un crecimiento del 7% en la circulación mercantil de bienes y servicios, pero se informó que se incumplió en un 6%. No obstante, se indicó que el comercio creció en un 5%. Las previsiones en este sector están resentidas por el hecho de que se detuvo el proceso de reducción del racionamiento, la clausura de los comedores obreros, y no se ha iniciado el de la eliminación de las gratuidades "indebidas", que debieran incrementar los ingresos del Estado por esas vías. En ese sentido cabe destacar casos como el de la papa, donde las bajas disponibilidades impidieron su presencia en el mercado, y otros productos, como los de higiene y limpieza, donde fallaron los suministros. Un aspecto significativo fue el de las ventas de materiales de construcción a la población. Se realizó solo el 50% del monto previsto de unos 1.200 millones de pesos. Este sector influyó en el incumplimiento de los ingresos al Presupuesto del Estado.
En el turismo se previó un incremento de los ingresos de un 29,5%, y solamente se logró un 9%.
El transporte de personal y de cargas no llegó a los niveles planificados, y en específico la transportación pública de pasajeros estuvo por debajo en un 3,5%.
En la última sesión de la Asamblea Nacional se señalaron deficiencias en el trabajo de los servicios comunales, aunque no se dieron muchos detalles, los cuales resultan innecesarios, ya que son evidentes y notorias las deficiencias en la recogida de escombros y residuos sólidos, el pésimo estado de los viales urbanos y el deterioro de las redes de acueductos y alcantarillados.
Después de un quinquenio de aplicación de la "brillante iniciativa" de Fidel Castro de la denominada "revolución energética", las familias cubanas vienen sufriendo grandes dificultades con la cocción eléctrica de alimentos, ya que los equipos que se vieron obligadas a adquirir no han resistido un empleo intensivo. Una cantidad considerable ha quedado inservible, y según lo informado en la Asamblea Nacional, hay un gran número dañado, el nivel de solución continúa muy bajo y muchos llevan más de cinco años en espera de respuesta. Pese al reclamo popular de volver a los anteriores métodos como el keroseno o la utilización de gas licuado, el titular del ramo, Tomás Benítez Hernández, fue enfático al declarar que "sigue siendo el empleo de la electricidad lo que más le conviene a la Isla".
Al parecer, no es oportuno aún cancelar esa "iniciativa" cuando recientemente hubo que disolver el sistema de trabajadores sociales creado también por Fidel Castro debido a su inoperancia y a que ese contingente de alrededor de 45 mil de los denominados por él, "médicos del alma", se vio envuelto dentro de la enorme corrupción imperante en el país.
Decretos, resoluciones, reglamentos
Ante el fracaso económico y el empecinamiento del régimen en no ceder en su camino hacia el desastre, solo le ha quedado la maniobra de tratar de engañar y entretener a la población con una urdimbre de decretos, resoluciones y reglamentos, que enredan más el ya copioso y confuso sistema reglamentario del país.
En lugar de cumplir el planteamiento de que el Estado no debe intervenir en las relaciones entre las personas —Raúl Castro dijo "…el Estado no se tiene que meter en nada que sea pretender regular las relaciones entre dos individuos…"—, se está propiciando lo contrario, y los decretos, resoluciones y reglamentos emitidos en el año sobre la compraventa de automóviles y viviendas, la concesión de créditos a las personas naturales, los subsidios para la venta de materiales de construcción a personas necesitadas y todo lo relacionado con el trabajo no estatal, establecen un mayor control del Estado.
En ese sentido no caben engaños, ya que aunque algunos aspectos sean de incumbencia de los gobiernos municipales o de instituciones bancarias, éstas son en Cuba, como toda organización, una prolongación del poder central, al cual tienen que responder obligatoriamente.
Un ejemplo del engaño que envuelve la proliferación de nuevas reglamentaciones, es el de los llamados subsidios para la adquisición de materiales de construcción a las familias más necesitadas. Si se tiene en cuenta que más de 7.2 millones de personas, el 64% de la población del país, dependen exclusivamente de salarios, pensiones o de la asistencia social en moneda nacional, lo que significa que disponen de unos 26 centavos de dólar diarios per cápita y que destinan más de las dos terceras partes de esos ingresos a alimentos, hay que concluir que ese segmento vive por debajo del nivel de la pobreza, y más de un tercio confronta graves problemas de vivienda.
Se computaron, al iniciarse en enero el proceso de solicitud de subsidio, nueve provincias con 4901 solicitudes, de las cuales fue aceptado el 27.3%. Sin embargo esto no quiere decir que se les conceda tal beneficio, ya que posteriormente tiene que ser analizada la petición por la Dirección Municipal de Trabajo y Seguridad Social y el Consejo de la Administración Municipal.
'Lucha' contra la corrupción
En la campaña desatada por el régimen para entretener a la población fingiendo que se realizan cambios, una supuesta lucha contra la corrupción ocupa un lugar relevante. Raúl Castro ha declarado que se ha instruido combatir ese flagelo con toda la severidad que permiten las leyes, pero sus expresiones se han referido principalmente a funcionarios, delincuentes en contubernio con dirigentes administrativos, directivos y funcionarios de asociaciones con capital extranjero, así como al hurto y sacrificio de ganado mayor, absteniéndose de denunciar la corrupción generalizada a los más altos niveles, donde se está llevando a cabo una escandalosa piñata.
La sustitución durante los últimos cinco años de más de diez vicepresidentes de los Consejos de Estado y de Ministros, casi todos los Primeros Secretarios provinciales del PCC, más de 20 Ministros y decenas de otros cargos, demuestra lo anterior, aunque la mayoría de esas sustituciones se encubran en otras causas.
Mientras tanto, el desafuero continúa a todos los niveles, y la economía ilegal prolifera mientras las autoridades hacen la vista gorda y hasta colaboran. Se trata del único sector relativamente estable en la economía del país.
Sin embargo, según Raúl Castro, el pueblo cubano debe conformarse con el destino que él le está trazando y su burlesco, más bien macabro consuelo, fue el que señaló en la cumbre de la CELAC: "por muy difícil que sea la situación de un país, por muy compleja y grande que sea nuestra pobreza, siempre hay alguien más pobre que nosotros, siempre hay un niño sin pies y que no necesita zapatos".
Siguiendo esa línea de pensamiento se le podría decir a todos los pueblos sometidos a regímenes totalitarios y empobrecidos: por muy difícil que sea su situación, consuélense, siempre hay un tirano peor, si no pregúntenselo al pueblo de Cuba.
Fidel Castro, en una de sus últimas mal llamadas Reflexiones, cuando sugirió elegir un robot para dirigir a EE UU, obvió aconsejar a los cubanos seleccionar al Bobo de la Yuca, mejor dotado intelectualmente que Raúl Castro, y por supuesto, más honesto.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Pulp Fiction
Sombras do passado
NELSON MOTTA - O Estado de S.Paulo
20 de janeiro de 2012 | 3h 03
Por mais que os ficcionistas quebrem a cabeça para inventar crimes, mistérios e conspirações complexos, surpreendentes e emocionantes, os livros, filmes e seriados acabam sempre superados pela vida real. O assassinato do prefeito Celso Daniel completa dez anos sem culpados nem condenados, e, pior, desde o início das investigações sete testemunhas e investigados já foram assassinados ou morreram em circunstâncias misteriosas. O principal acusado é digno de um pulp fiction: o Sombra.
O roteiro: prefeito de uma próspera cidade industrial faz um acordo com empresários correligionários para desviar dinheiro público para as campanhas do seu partido. Ninguém ganharia nada, não eram corruptos, eram patriotas a serviço da causa e do partido, afinal, estava em jogo transformar o Brasil, os nobres fins justificavam os meios sujos. Foi assim no início, mas o ser humano...
Com a dinheirama crescendo e rolando sem controle, o Sombra, chefe da operação e amigo do prefeito, começa a desviar um levado para sua própria causa. Outros empresários do esquema, e alguns políticos que intermediavam as contribuições, também começam a meter a mão. Até que o prefeito, que não sabia de nada, descobre tudo e ameaça detonar o esquema. Seria o fim para o Sombra e para a quadrilha.
O prefeito é atraído pelo Sombra para uma cilada, o carro dos dois é interceptado por bandidos e o prefeito sequestrado. O Sombra escapa ileso. Nenhum resgate é pedido, dias depois o prefeito é encontrado morto a tiros e com marcas de tortura. Contra as evidências, a polícia trata o caso como um sequestro comum, mas o Ministério Publico vai fundo nas conexões politicas.
O garçom que havia testemunhado a última conversa entre o prefeito e o Sombra é executado. Em seguida, uma testemunha da morte do garçom. O bandido que fazia a ligação entre os sequestradores e o Sombra é assassinado na cadeia.
O médico legista, que atestou as marcas de tortura, morre envenenado. Ameaçado, o irmão do prefeito se exila na França. O Sombra continua nas sombras, o processo não anda, logo o crime estará prescrito. E o pior de tudo: não é ficção.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
E no Paraíso: O que cai do caminhão...
Sociedad
Lo que se cae del camión
Iván García
Diario de Cuba | La Habana | 18-01-2012 - 9:52 am.
De un chofer o un operario a un director de empresa. Mientras más alto se está en la nomenclatura, mayores son los beneficios del mercado negro.
De toda la vida, ser camionero o trabajar en una plataforma de contenedores ha sido un negocio lucrativo en Cuba. Y mucho. Bien lo sabe Eulalio, chofer con 23 años de experiencia en camiones de cargas pesadas.
Oriundo de un pueblo perdido en La Serpa, Sancti Spíritus, a 400 kilómetros de La Habana, desde hace tres lustros Eulalio reside en una casa construida en las afueras de la capital gracias a "lo que se cae del camión".
Los embarques hurtados que ha llevado en su camión han sido la fuente principal de dinero para amueblar su vivienda y hasta comprarse un viejo Dodge estadounidense de los años 50 que es casi una joya. Nada de eso ha salido de su salario.
En el último ciclón, hace tres años, la transportación de tejas de fibrocemento fue confiada a militares. El régimen tenía claro una cosa: si deseaba que las tejas la recibieran los más necesitados, no podían dejar en manos de instituciones estatales su reparto. No hubieran llegado a los más afectados.
En La Habana, en barriadas donde la gente construye o repara sus casas, es habitual ver cómo a la luz del día, camiones de carga bajan grandes cantidades de cemento, arena, gravilla, bloques, lozas y otros materiales de construcción tranquilamente. Todo por la izquierda.
"Lo que se cae del camión" es un robo al detalle. Sí, es cierto que se birlan cajas de ron extra seco, cerveza Cristal, bolsas de cemento o jeans importados de China.
Pero el atraco mayor se da en las bases de contenedores. En el propio puerto o posteriormente. En septiembre pasado, en la reunión de ministros encabezada por Raúl Castro, se habló del tema.
Según la prensa oficial, se ofrecieron datos sobre la extracción mayúscula de contenedores y las pérdidas millonarias que ocasionan al país. Algo hay que hacer, dijo el General, para detener el robo.
Será difícil. Romper contenedores y robar parte de las cargas de camiones que viajan a otras provincias, ya es una cultura dentro del personal del sector.
Es, no lo duden, el primer eslabón del mercado negro cubano. También engorda los bolsillos de tipos aparentemente invisibles, que ocupan gerencias importantes y con una cizalla no tienen que romper un contenedor, pero reciben el grueso de los billetes que generan las ventas.
Un camionero como Eulalio puede —y lo hace— vender diez sacos de leche en polvo o sustraer unos cuantos pares de botas para ofrecerlas en el mercado subterráneo.
Pero los robos de cientos miles de pesos convertibles, de televisores de plasma y otros efectos electrónicos, están amparados por corruptos que dirigen clanes estatales y mafiosos, protegidos por la impunidad que otorga pertenecer a la nomenclatura.
Del camión se caen muchas cosas. Pero el simple chofer u operario del puerto carga con lo justo para alimentar a su familia o montar un timbiriche que le ofrezca algunos pesos en moneda dura. No mucho más.
Las pérdidas millonarias se realizan de otra forma: bajo el paraguas de ministerios y empresas mixtas. Lo saben las autoridades. Pero resulta más fácil abrirle un expediente delictivo al trabajador de un almacén o a la cajera de una tienda por divisas que a un funcionario con galones.
En estos casos, siempre cabe una pregunta: cómo es posible, si el gobierno dice que el pueblo es el propietario de todo, que la gente se robe a sí misma. O los ciudadanos no confían en el sistema, o son cleptómanos genéticos.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
E não é que é verdade?!
De Nelson Jobim, em discurso na comemoração dos 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, em 30/06/2011:
"Ele [Nelson Rodrigues] dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje é que os idiotas perderam a modéstia."
STALINISTA NÃO TEM CURA
Janer Cristaldo, 17/01/2012
http://cristaldo.blogspot.com/
Leitor acha que exagerei ao escrever que Luciana Genro justifica cem milhões de cadáveres. Ora, é o que diz a moça quando escreve em seu blog, ao voltar de seu turismo privilegiado em Cuba: “finalizo reiterando as minhas convicções socialistas, reivindicando a revolução russa, chinesa, cubana”. Cem milhões de mortos é o saldo aproximado das vítimas do comunismo no século passado, assim distribuídas, conforme Le Livre Noir du Communisme (Stéphane Courtois et allia):
URSS — 20 milhões de mortos; China — 65 milhões; Vietnã — 1 milhão; Coréia do Norte — 2 milhões; Cambodja — 2 milhões; Europa do Leste — 1 milhão; América Latina — 150 mil; África — 1,7 milhão, Afeganistão — 1,5 milhão; movimento comunista internacional e PCs fora do poder — uma dezena de milhar de mortos.
Atenção: não estamos falando de soldados mortos em guerra. Mas de civis assassinados pelos regimes comunistas. Vamos a mais alguns feitos do comunismo, relacionados no livro supra:
- fuzilamento de dezenas de milhares de reféns ou de pessoas aprisionadas sem julgamento e massacre de centenas de milhares de operários e camponeses rebelados entre 1918 e 1922;
- epidemia de fome de 1922, provocando a morte de cinco milhões de pessoas;
- extermínio e deportação dos cossacos do Don em 1920;
- assassinato de dezenas de milhares de pessoas nos campos de concentração entre 1918 e 1930;
- extermínio de aproximadamente 690 mil pessoas por ocasião da Grande Purga de 1937-1938;
- deportação de dois milhões de kulaks em 1930-1932;
- destruição pela fome provocada e não socorrida de seis milhões de ucranianos em 1932-1933;
- deportação de centenas de milhares de poloneses, ucranianos, bálticos, moldavos e bessárabes em 1939-1941, e depois em 1944-1945;
- deportação de alemães do Volga em 1941;
- deportação e abandono os tártaros da Criméia em 1944;
- deportação e abandono dos chechenos em 1944;
- deportação e abandono dos inguches em 1944;
- deportação e liquidação das populações urbanas do Camboja entre 1975 e 1978;
- lenta destruição dos tibetanos pelos chineses após 1950.
Estou cansado dessa gente que pretende ter as mãos limpas de sangue, mas endossa serenamente a morte de milhões. Tudo em nome da Idéia, como se dizia no auge do comunismo. Não se admite que, em pleno século XXI, Luciana Genro não esteja a par destas informações. Mesmo assim, admite, com a tranqüilidade dos justos, o massacre desta humanidade toda. Albert Camus não o admitia, e por isto foi considerado, em sua época, mais ou menos como um leproso. Disse Sartre, visando Camus: “tout anticomuniste est un chien”. Todo anticomunista é um cão. Sartre não tinha as mãos sujas de sangue, mas sempre apoiou os tiranos que assassinavam em massa. Tenho de voltar à minha tese, Mensageiros das Fúrias, defendida em 1981, na Université de la Sorbonne Nouvelle:
Em 1946, Camus publica em Combat uma série de artigos, sob o título genérico de "Ni victimes ni bourreaux", reflexões que antecipam O Homem Revoltado. Se o século XVII foi o século das matemáticas, argumenta Camus, se o XVIII foi o século das ciências físicas, se o XIX foi o da biologia, o homem contemporâneo vive o século do medo.
"Dir-me-ão que isto não é uma ciência. Mas, primeiramente, a ciência aí está para qualquer coisa, pois seus últimos progressos teóricos a levaram a negar-se a si mesma, dado que seus aperfeiçoamentos práticos ameaçam a terra inteira de destruição. Além disso, se o medo em si mesmo não pode ser considerado como uma ciência, não resta dúvida alguma que seja uma técnica".
O que choca Camus é o fato de que homens que viram "mentir, aviltar, matar, deportar, torturar" se façam de surdos cada vez que se tenta dissuadir os homens que mentiam, aviltavam, matavam, deportavam e torturavam, pois estes lutavam em nome de uma abstração. O diálogo entre os homens morreu. "Um homem que não se pode persuadir é um homem que faz medo".
Camus não aceita os constrangimentos de sua época, ou ao menos os constrangimentos de certas correntes intelectuais: não se pode falar do expurgo de artistas na Rússia porque isto favoreceria a "reação". Impossível condenar o apoio dos anglo-saxões a Franco, porque isto seria favorecer o comunismo. Homens concretos, em carne e osso, são massacrados, triturados em nome de solenes ideais. Este massacre não deve ser denunciado, para não impedir a marcha da Idéia. "Vivemos no mundo da abstração, no mundo dos escritórios e das máquinas, das idéias absolutas e do messianismo sem nuanças".
Para escapar a este terror, Camus propõe uma pausa para reflexão, sem esquecer que o terror não é propício à reflexão. Chama os homens sem partido, ou mesmo os homens de partido e que nele se sentem mal, todos aqueles que duvidam da realização do socialismo na Rússia e do liberalismo na América, chama mesmo aqueles que têm crenças mas que se recusam a impô-las pelo assassinato, individual ou coletivo. Revolta-se contra a justificação do assassinato em nome de abstrações, por mais atraentes que sejam. E lança a seus contemporâneos duas questões fundamentais:
"Sim ou não, direta ou indiretamente, você quer ser assassinado ou violentado? Sim ou não, direta ou indiretamente, você quer assassinar ou violentar? Todos aqueles que responderem negativamente a estas duas questões estão automaticamente embarcados em uma série de conseqüências que devem modificar sua maneira de expor o problema".
O que ele pede é um mundo, não onde não se assassine –"não somos loucos a tal ponto!"- mas onde ao menos o assassinato não seja legitimado. Choca-se com o fato de que todos aqueles que lutam por ideais históricos são homens cheios de boa vontade e que o resultado de sua ação seja o assassinato, a deportação e a guerra. A recusa de legitimar o assassinato deve conduzir-nos a uma reconsideração da noção de utopia.
"A utopia é o que está em contradição com a realidade. Deste ponto de vista, seria totalmente utópico querer que ninguém mate ninguém. É a utopia absoluta. Mas é uma utopia de grau bem mais viável pedir que o assassinato não mais seja legitimado".
Mais de meio século depois desta denúncia, duas décadas após a queda do Muro e do desmoronamento da União Soviética, assestando sua poltrona no sentido da História - como diria Camus - Luciana Genro legitima assassinatos.
Espanta ver que tal cúmplice de massacres tenha um dia sido eleita deputada.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
LUCIANA GENRO JUSTIFICA CEM MILHÕES DE CADÁVERES
Janer Cristaldo, 16/01/2012
http://cristaldo.blogspot.com/
O ano era 1980 e eu vivia em Paris. Hospedei por alguns dias o namorado de uma advogada trabalhista gaúcha, que se dirigia a Moscou para um curso de cinco anos na Patrice Lumumba. Muito ingênuo, uns vinte anos antes eu havia postulado a mesma bolsa. Queria sair do Brasil, não importava para onde fosse. Quis o bom deus dos ateus que minha aplicação fosse interceptada pelos serviços de segurança, o que me valeu um interrogatório e uma noite de prisão em Dom Pedrito. Dos males, o menor. Ganhasse a bolsa, faria de minha vida um inferno e, na época, teria dificuldades para voltar ao Brasil.
Mas falava do gaúcho que ia para Moscou. Eu o recebi com meus melhores vinhos e charlamos por pelo menos duas noites. Que vais fazer em Moscou? – perguntei. “Vou fazer arquitetura, na Patrice. Um curso de cinco anos”. Sabes desenhar caixas de fósforos? – voltei à carga. Ele me olhou com um gesto de que eu não merecia resposta. Bom, meu caro, se sabes desenhar caixas de fósforo, já dominas toda a arquitetura soviética. Nem precisa ir.
Ofendeu-se, o gaúcho. Queria ir embora lá de casa. Instei-o a ficar, eu apenas fazia um comentário. Mas predisse: tu vives boa vida em Porto Alegre. Não vais agüentar nem seis meses em Moscou. Despediu-se de mim irritado.
Mês seguinte, chega sua namorada, a advogada trabalhista. Iria visitá-lo em Moscou. Ficou um mês esperando pelo visto. Nesse meio tempo, fui lhe apresentando as delícias do capitalismo. Bom, vai daí que a moça acabou indo ao paraíso socialista. Voltou um mês depois. De cabeça gacha. Como é que foi? – perguntei. Ela não falou muito. Disse apenas que era uma cidade concebida para gigantes. Antes de voltar ao Brasil, fez-me algumas confidências. “Tudo é escasso lá. E não há escolha. Os absorventes higiênicos são enormes”.
Pois é, minha querida. País de gigantes é assim mesmo. Mas a história não termina aqui. Continuamos a trocar correspondência. Era a época das cartas, que demoravam pelo menos uma semana para chegar. Três meses depois, ela me dá notícias de Porto Alegre e fala que o namorado havia decidido voltar, que não via muito sentido em ficar cinco anos estudando agronomia em Moscou. (Agora, era agronomia. O curso inicial era arquitetura). Continuou escrevendo e, ao final, um PS: “Tche, o Rui chegou ontem”.
O bravo militante comunista, que fora à Rússia para um curso de cinco anos, não agüentou nem seis meses, como eu previra. Nos encontramos mais tarde em Porto Alegre. Viu? – perguntei –. Nem seis meses.
- Ah! Não vou te explicar. Não vais entender.
Não iria entender mesmo. Só afirmei que ele não suportaria nem seis meses em Moscou. Mas bom cabrito não berra.
Digo isto a propósito do retorno de Cuba de Luciana Genro. A ex-deputada stalinista nos prometeu um relato de seu périplo, pelo qual esperei ansiosamente. Boa stalinista também não berra. Apesar de todos os relatos da miséria que assola a ilha, da fuga em massa dos cubanos para Miami, dos fuzilamentos sumários ordenados por Castro e Guevara, Luciana Genro encontra palavras para louvar uma ditadura de mais de cinqüenta anos – a mais longa do século passado.
“A vitória da guerrilha de Fidel e Che Guevara foi o coroamento de uma luta de massas que derrubou uma ditadura sangrenta que fazia do país o quintal de recreação da burguesia americana, à custa da pobreza extrema dos cubanos – escreve Genro – . Por isso esta revolução ainda é reivindicada pelo povo. Mesmo quem critica o regime sabe que a revolução cumpriu um papel fundamental para a libertação do país”.
Se antes era o quintal de recreação da burguesia americana, hoje é o bordel de todo Ocidente. Castro conseguiu um milagre. Banalizou a tal ponto a prostituição, que hoje um cubano oferece alegremente aos turistas sua mulher, em troca dos malditos dólares do império. Quando perguntaram a Fidel porque em sua ilha as universitárias se prostituíam, o Líder Máximo foi olímpico: é que em Cuba até as prostitutas têm grau universitário.
Quanto a pobreza extrema dos cubanos, esta não é exatamente dos dias de Fulgencio Batista. O salário médio de um médico cubano, hoje, é de 15 dólares por mês, quantia que um mendigo tira fácil por dia no Brasil. As libretas de racionamento são achados do regime castrista, não do governo de Batista. Naqueles dias, quem queria sair de Cuba saía quando bem entendesse. Na ditadura de Castro, só fugindo e arriscando a vida no mar do Caribe.
A ex-deputada consegue ser um pouco mais honesta que Michael Moore em Sicko, mas acaba enredando-se em suas dialéticas contradições: “Depois do fim da URSS a situação econômica de Cuba piorou terrivelmente”. Qual era o subsídio da extinta à Cuba? Cinco bilhões de dólares anuais. Para uma ilhota de 10 milhões de habitantes. O que dá 500 dólares per capita ao ano. Hoje, um médico ganha 180 dólares por ano, menos da metade do subsídio soviético. Em uma frase, Genro atesta o fracasso total da dita revolução cubana.
“Não conheci a Cuba de antes, mas hoje a miséria anda nas ruas e contrasta com a opulência ostentada pelos turistas, que inclusive utilizam outra moeda para consumir o que é inacessível ao cidadão nacional. O que um turista paga por uma refeição em um restaurante médio equivale ao salário de um mês inteiro de um cubano, ou mais, dependendo da profissão. É verdade que o abismo entre ricos e pobres que vivemos no capitalismo não existe entre os cubanos, mas ele revela-se de forma cruel no contraste entre a capacidade de consumo dos cubanos versus a dos turistas”.
O turista usa outra moeda porque o regime não permite que os cubanos usem a mesma moeda do turista. E se um turista paga por uma refeição em um restaurante médio o equivalente ao salário de um mês inteiro de um cubano, a culpa não é do turista, mas do regime que oferece tais salários. Desde há muito um cubano não come não mesmo restaurante que um turista, e isto sempre foi assim em todo país socialista. Genro estabelece uma espécie de luta de classes entre os malvados turistas – esquecendo que ela também é turista – e os coitadinhos cubanos. Mas turistas vêm de economias capitalistas e conseguem pagar o preço dos restaurantes cubanos... para turistas.
Quanto aos cubanos, vivem em economia socialista ... e que se lixem. Diga-se de passagem, é o turismo que traz a Cuba os raros dólares que entram na ilha. Outros dólares são enviados pelos familiares refugiados naquele malvado país capitalista, os Estados Unidos.
A deputada até que reconhece algumas manchas no paraíso: “As glórias da revolução não anulam um fato que é claro como o dia: a população não tem canais de expressão. A direção do Partido Comunista Cubano é uma burocracia fossilizada que mantém a política interditada no país. Quem diverge é tratado como traidor e enquadrado como agente imperialista. Se eles lessem este meu relato eu possivelmente seria assim qualificada”.
Mas... qual partido comunista não é fossilizado? Ou ela conhece algum que seja ágil e moderno? Por que a ex-deputada não disse isto lá em Cuba? Mesmo assim, a militante do PSOL endossa todas as ditaduras do século passado:
“Pois finalizo reiterando as minhas convicções socialistas, reivindicando a revolução russa, chinesa, cubana… e a minha aversão aos burocratas ditos comunistas que desfiguraram o projeto comunista, que na tradição marxista registrada no Manifesto escrito por Marx e Engels é um projeto de igualdade, solidariedade e libertação de toda a exploração e opressão, seja ela exercida pela burguesia ou pela burocracia”.
Genro está endossando o preço das revoluções que louva: cem milhões de cadáveres. Desvios do projeto original. Quem sabe, numa outra tentativa... Afinal, quando as estatísticas estão na ordem dos milhões, centenas de milhares de cadáveres constituem apenas um detalhe. Tanto faz como tanto fez.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Ano novo, velhos desejos
NELSON MOTTA - O Estado de S.Paulo
06 de janeiro de 2012 | 3h 06
Não é preciso ser Paulo Coelho para acreditar no poder das palavras e na força dos desejos. Nem Raul Seixas para cantar que "sonho que se sonha junto é realidade". Que meus desejos expressem os de muitos leitores, ou ao menos os de alguns deles. E que as nossas palavras tenham o poder de realizá-los, pelo menos os mais óbvios.
Que o mensalão do PT e aliados, o do PSDB mineiro e o do DEM de Brasília sejam julgados e condenados. Assim como os juízes ladrões e os administradores e parlamentares corruptos.
Que sejam proibidas contribuições de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais, como propõe o ministro Dias Toffoli, do STF. Empresas não votam, são os cidadãos e os partidos, que já têm o horário eleitoral e os fundos partidários, que devem financiar as campanhas de seus candidatos. Com limite por CPF. Uma ruptura da promiscuidade entre governos e empresas, raiz da corrupção e do atraso.
Que seja abolido o voto obrigatório. Eleitores que só votam para não pagar multa não farão falta: são os que fazem as piores escolhas. Somos um dos últimos países do mundo com essa herança das ditaduras para "legitimá-las" nas urnas.
Que a Lei da Ficha Limpa valha para preenchimento de cargos em todos os níveis da administração federal, estadual e municipal.
Que o Estado desista de ser babá do cidadão, de tentar proteger-nos de nós mesmos. E respeite mais nossa privacidade e nossas escolhas.
Que as ideias do professor Fernando Henrique Cardoso sobre descriminalização da maconha sejam discutidas.
Que Sarney se aposente com suas três aposentadorias. E, roído de culpa, em busca de redenção, doe todos os seus bens aos pobres do Maranhão. Mas aí também já é sonhar demais.
Que parem de telefonar para minha casa oferecendo coisas que não pedi.
Que a nova música de Belém do Pará faça o sucesso que merece.
Um novo disco de João Gilberto. Um show de Jorge Drexler.
Uma nova temporada de Força Tarefa na televisão. E, sem querer abusar, um novo romance de seu roteirista Marçal Aquino. Um novo livro de Reinaldo Morais, se possível, Pornopopéia 2, qualquer coisa.
Desejar menos. Aceitar mais.
Economía: Situación de la familia cubana
Arnaldo Ramos Lauzurique y Marta Beatriz Roque
Diario de Cuba | La Habana | 05-01-2012 - 5:57 pm.
¿En qué gastan los cubanos de la Isla sus presupuestos familiares? ¿Qué precios pagan en una economía de sobrevivencia?
Un análisis de los ingresos y gastos de los cubanos en la actualidad tiene que partir de segmentar a la población para poder aislar al sector más vulnerable.
De los 11.241.161 habitantes reportados el 31 de diciembre de 2010, que residían hasta junio de ese año en 3.661.020 viviendas, para un promedio de 3,07 personas por núcleo; se pueden diferenciar, por lo menos tres grupos:
1.-Los que reciben ingresos adicionales en divisas por: remesas familiares del extranjero, ser internacionalistas, trabajar en corporaciones o turismo, ser artistas, escritores, músicos, atletas de alto rendimiento o trabajadores del turismo; que ascienden de forma aproximada a 2.245.000 personas y comprenden unos 732.000 núcleos familiares.
2.-Los que tienen un ingreso superior al salario medio, por recibir estímulos en divisas, ser trabajadores privados, cooperativistas, campesinos, cuentapropistas y otros; que son un aproximado de 1.845.000 personas y alrededor de 600.000 hogares.
3.-Los que dependen exclusivamente de salarios, pensiones o de la asistencia social, que comprende unos 7.160.000 habitantes y 2.329.000 familias, para casi dos tercios de la población. Este es el grupo que presenta la peor situación y es además el mayoritario, por lo que será el objeto de este análisis. Del fondo total de salarios, seguridad y asistencia social; ascendente a 25.600 millones de pesos anuales, a este estrato le corresponden 16.300 millones, que representan 580 pesos disponibles mensualmente para cubrir todas las necesidades de la familia, las cuales son:
La canasta familiar normada —a los llamados precios subsidiados— ascendía a 3.171 millones de pesos al año, lo que equivale a 72 pesos mensuales por núcleo; los cuales correspondían, por persona, a 7 libras de arroz, 10 onzas de frijoles negros, 20 onzas de chícharos, 3 libras de azúcar refino, 1 libra de azúcar crudo, 115 gramos de café; y abarcaba —asimismo— leche, compotas y yogurt para niños de forma proporcional a la población de esas edades. También incluía —en aquel momento— algunos productos que no se distribuían individualmente, sino por familias, como detergente líquido, crema dental, jabón de lavar y jabón de baño.
A esos gastos se ha añadido el incremento que significó adquirir aquellos renglones que se excluyeron de la cuota normada, que para obtener similares cantidades ahora se requieren las erogaciones adicionales siguientes: chícharos, 14 pesos; papas, 6 pesos; crema dental, 8 pesos; jabón de baño, 5 pesos; jabón de lavar, 6 pesos; detergente líquido, 6 pesos. Todo lo cual representa un gasto suplementario de 45 pesos mensuales por núcleo, para alcanzar niveles que siempre resultaron insuficientes.
A todo lo anterior hay que agregar la venta de otros productos racionados, que varían en su composición y volumen mensualmente como pastas alimenticias, picadillo condimentado, pollo, pescado, mortadela, picadillo para niños y la parte proporcional de dietas médicas, que suman al mes unos 40 pesos por núcleo.
Todo ello asciende a unos 157 pesos, por lo que de los 580 pesos de ingresos mensuales por núcleo quedarían disponibles 423 pesos.
Los alimentos relacionados anteriormente suman un per cápita diario de 1.488 kilocalorías, que con respecto al último dato informado por el régimen, significa que esos suministros solo cubren 13,5 días de nutrientes al mes.
Ello implica que 17 días de alimentación deben adquirirse a precios liberados, pero antes debe destinarse una parte de los ingresos al pago de la electricidad por un promedio de 40 pesos, gastar no menos de 50 pesos en transporte urbano, y aproximadamente 70 pesos para otros gastos, que incluyen los adeudos de los efectos electrodomésticos que la población tuvo que adquirir de forma obligada por la denominada Revolución Energética, artículos de higiene y limpieza, teléfonos y artículos imprescindibles para las deterioradas viviendas, pero sin el alcance de un adecuado mantenimiento. Esto sumaría otros 160 pesos, por lo que solo quedarían disponibles 262 pesos para cubrir 17 días de alimentación.
Esa familia de 3,07 personas requeriría como mínimo, a precios moderados del mercado estatal, no menos de 430 pesos para alcanzar una nutrición ineficiente, que consistiría en:
Habría que señalar que si alguno de estos productos tiene que adquirirse en el mercado de oferta- demanda, prácticamente se haría mucho mayor esta cifra. Baste con conocer los precios actuales de algunos utilizados en la cocina como condimentos: un ají pimiento, entre 5 y 8 pesos; un mazo de cebollas (5 unidades), 10 pesos; una cabeza de ajo, 5 pesos. Una libra de bistec de puerco, que contiene 3 o 4 bistec, en dependencia del grueso en que se pique, cuesta 40 pesos.
Aún sin tener en cuenta el gasto necesario para ropa y calzado de mayores y niños, medicinas, mantenimiento y reparación de viviendas y otros gastos no imprescindibles pero que forman parte de la vida diaria (como visitas a lugares de recreo, festejos de cumpleaños e incluso cigarros y bebidas), ya se presenta un déficit por núcleo de 168 pesos para cubrir una alimentación insuficiente.
A lo anterior hay que añadir, como aspecto muy importante, que este sector de la población destina más de las dos terceras partes de sus ingresos para mal alimentarse, mucho más del 50%, algo que internacionalmente se considera como deficiente.
Este análisis solo se refiere al promedio de un sector que cubre las dos terceras partes de la población, pero dentro del mismo existen grupos donde la situación se hace más grave, como las familias que tienen uno o dos niños, los jubilados que viven solos, núcleos con personas enfermas, etc. Que requieren gastos adicionales y disponen de menos recursos que este promedio.
La Habana, 20 de diciembre de 2011
Diario de Cuba | La Habana | 05-01-2012 - 5:57 pm.
¿En qué gastan los cubanos de la Isla sus presupuestos familiares? ¿Qué precios pagan en una economía de sobrevivencia?
Un análisis de los ingresos y gastos de los cubanos en la actualidad tiene que partir de segmentar a la población para poder aislar al sector más vulnerable.
De los 11.241.161 habitantes reportados el 31 de diciembre de 2010, que residían hasta junio de ese año en 3.661.020 viviendas, para un promedio de 3,07 personas por núcleo; se pueden diferenciar, por lo menos tres grupos:
1.-Los que reciben ingresos adicionales en divisas por: remesas familiares del extranjero, ser internacionalistas, trabajar en corporaciones o turismo, ser artistas, escritores, músicos, atletas de alto rendimiento o trabajadores del turismo; que ascienden de forma aproximada a 2.245.000 personas y comprenden unos 732.000 núcleos familiares.
2.-Los que tienen un ingreso superior al salario medio, por recibir estímulos en divisas, ser trabajadores privados, cooperativistas, campesinos, cuentapropistas y otros; que son un aproximado de 1.845.000 personas y alrededor de 600.000 hogares.
3.-Los que dependen exclusivamente de salarios, pensiones o de la asistencia social, que comprende unos 7.160.000 habitantes y 2.329.000 familias, para casi dos tercios de la población. Este es el grupo que presenta la peor situación y es además el mayoritario, por lo que será el objeto de este análisis. Del fondo total de salarios, seguridad y asistencia social; ascendente a 25.600 millones de pesos anuales, a este estrato le corresponden 16.300 millones, que representan 580 pesos disponibles mensualmente para cubrir todas las necesidades de la familia, las cuales son:
La canasta familiar normada —a los llamados precios subsidiados— ascendía a 3.171 millones de pesos al año, lo que equivale a 72 pesos mensuales por núcleo; los cuales correspondían, por persona, a 7 libras de arroz, 10 onzas de frijoles negros, 20 onzas de chícharos, 3 libras de azúcar refino, 1 libra de azúcar crudo, 115 gramos de café; y abarcaba —asimismo— leche, compotas y yogurt para niños de forma proporcional a la población de esas edades. También incluía —en aquel momento— algunos productos que no se distribuían individualmente, sino por familias, como detergente líquido, crema dental, jabón de lavar y jabón de baño.
A esos gastos se ha añadido el incremento que significó adquirir aquellos renglones que se excluyeron de la cuota normada, que para obtener similares cantidades ahora se requieren las erogaciones adicionales siguientes: chícharos, 14 pesos; papas, 6 pesos; crema dental, 8 pesos; jabón de baño, 5 pesos; jabón de lavar, 6 pesos; detergente líquido, 6 pesos. Todo lo cual representa un gasto suplementario de 45 pesos mensuales por núcleo, para alcanzar niveles que siempre resultaron insuficientes.
A todo lo anterior hay que agregar la venta de otros productos racionados, que varían en su composición y volumen mensualmente como pastas alimenticias, picadillo condimentado, pollo, pescado, mortadela, picadillo para niños y la parte proporcional de dietas médicas, que suman al mes unos 40 pesos por núcleo.
Todo ello asciende a unos 157 pesos, por lo que de los 580 pesos de ingresos mensuales por núcleo quedarían disponibles 423 pesos.
Los alimentos relacionados anteriormente suman un per cápita diario de 1.488 kilocalorías, que con respecto al último dato informado por el régimen, significa que esos suministros solo cubren 13,5 días de nutrientes al mes.
Ello implica que 17 días de alimentación deben adquirirse a precios liberados, pero antes debe destinarse una parte de los ingresos al pago de la electricidad por un promedio de 40 pesos, gastar no menos de 50 pesos en transporte urbano, y aproximadamente 70 pesos para otros gastos, que incluyen los adeudos de los efectos electrodomésticos que la población tuvo que adquirir de forma obligada por la denominada Revolución Energética, artículos de higiene y limpieza, teléfonos y artículos imprescindibles para las deterioradas viviendas, pero sin el alcance de un adecuado mantenimiento. Esto sumaría otros 160 pesos, por lo que solo quedarían disponibles 262 pesos para cubrir 17 días de alimentación.
Esa familia de 3,07 personas requeriría como mínimo, a precios moderados del mercado estatal, no menos de 430 pesos para alcanzar una nutrición ineficiente, que consistiría en:
Habría que señalar que si alguno de estos productos tiene que adquirirse en el mercado de oferta- demanda, prácticamente se haría mucho mayor esta cifra. Baste con conocer los precios actuales de algunos utilizados en la cocina como condimentos: un ají pimiento, entre 5 y 8 pesos; un mazo de cebollas (5 unidades), 10 pesos; una cabeza de ajo, 5 pesos. Una libra de bistec de puerco, que contiene 3 o 4 bistec, en dependencia del grueso en que se pique, cuesta 40 pesos.
Aún sin tener en cuenta el gasto necesario para ropa y calzado de mayores y niños, medicinas, mantenimiento y reparación de viviendas y otros gastos no imprescindibles pero que forman parte de la vida diaria (como visitas a lugares de recreo, festejos de cumpleaños e incluso cigarros y bebidas), ya se presenta un déficit por núcleo de 168 pesos para cubrir una alimentación insuficiente.
A lo anterior hay que añadir, como aspecto muy importante, que este sector de la población destina más de las dos terceras partes de sus ingresos para mal alimentarse, mucho más del 50%, algo que internacionalmente se considera como deficiente.
Este análisis solo se refiere al promedio de un sector que cubre las dos terceras partes de la población, pero dentro del mismo existen grupos donde la situación se hace más grave, como las familias que tienen uno o dos niños, los jubilados que viven solos, núcleos con personas enfermas, etc. Que requieren gastos adicionales y disponen de menos recursos que este promedio.
La Habana, 20 de diciembre de 2011
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