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terça-feira, 29 de março de 2011

Reforma Eleitoral


Distrital, já!

Luiz Felipe D’Ávila
Veja.com, 26/03/2011


Nos últimos vinte anos, a reforma política esteve várias vezes na pauta do Congresso, mas ela nunca conseguiu percorrer o longo e sinuoso caminho das comissões parlamentares e do plenário até se tornar lei. O motivo é simples. Os deputados temem que a alteração das regras do sistema eleitoral possa afetar as chances de eles se reelegerem. A única maneira de fazer a reforma política avançar no Congresso é por meio da mobilização da opinião pública e da pressão da sociedade. O desafio de levar o tema para as ruas e engajar as pessoas na luta pela reforma política exigirá respostas claras e objetivas a três questões fundamentais:

1) Como o sistema eleitoral afeta a vida das pessoas?
2) Por que a reforma política é um tema tão importante para o país?
3) O que devemos fazer para mobilizar a sociedade?

O sistema eleitoral afeta dramaticamente a relação das pessoas com a política. O voto proporcional e as regras das coligações partidárias produzem um Parlamento distante dos interesses da sociedade. A eleição para deputado transformou-se numa caçada de votos pelo estado. A capacidade de o candidato conquistar recursos financeiros, extrair benefícios das coligações do seu partido e contar com o apoio dos “puxadores de voto” e da máquina partidária é infinitamente mais importante do que o mérito e o desempenho pessoal da sua atuação no Parlamento. E o que isso tem a ver com a vida cotidiana das pessoas? Tem tudo a ver. Deputados “genéricos” vagam pelo universo político e aproveitam a falta de fiscalização e de cobrança dos eleitores para propor projetos “populares” que consistem fundamentalmente em aumentar de modo irresponsável o gasto público e pressionar o setor produtivo com aumento de impostos e taxas que consomem quase 40% do PIB.

A atuação do deputado “genérico” é agravada pelas distorções do voto proporcional. Um estudo publicado por Persson e Tebellini revela como o sistema eleitoral impacta as contas públicas. Países que adotam o voto proporcional têm gastos públicos mais elevados, despesas maiores com a previdência social e um déficit público maior que os dos países que adotam o voto majoritário.

Voto majoritário Voto proporcional

Gastos do governo 26% 35%
Previdência 5,5% 13%
Déficit 2,9% 3,9%

Deve-se debitar grande parte do descrédito do Parlamento ao sistema eleitoral. Suas regras contribuem para distorcer o desejo da maioria do eleitorado, distanciar o eleitor dos seus representantes e enfraquecer o Poder Legislativo. O Congresso, as assembleias estaduais e as câmaras de vereadores costumam ser citados como as instituições menos confiáveis do país. Não é por outra razão que 70% dos eleitores não recordam em quem votaram para deputado na última eleição. Essa amnésia é péssima para a nossa democracia.

A reforma política tem de ser tratada como prioridade nacional. A existência da democracia depende da credibilidade das suas instituições. O voto proporcional contribuiu para distorcer o conceito de equilíbrio constitucional entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – um dos preceitos essenciais do bom funcionamento do sistema presidencialista. Ao produzir um Parlamento fragmentado em dezenas de partidos, o Legislativo sucumbiu à pressão do Poder Executivo. A hipertrofia do Executivo reforça a ideia do personalismo político e minimiza a importância das instituições. Cria-se a falsa percepção de que as soluções para dificuldades e problemas não são obtidas por meio das instituições, mas por meio da propina, da troca de favores e de contatos pessoais com pessoas ligadas ao governo.

Instituições fracas colaboram para a proliferação da corrupção. Elas corroem a confiança nos poderes constitucionais, a continuidade das políticas públicas e a previsibilidade das ações governamentais. A indústria da propina, a troca de favores e o contorcionismo legal e ilegal para superar dificuldades, obter vantagens ou livrar-se das amarras burocráticas distorcem as regras de mercado, afetam os investimentos e levam a sociedade a perder a confiança nas instituições. Um sistema eleitoral que contribui para a ineficiência do gasto público, sequestra quase metade da renda nacional por meio de impostos e produz um Parlamento que conta com a indiferença e o menosprezo da população precisa ser urgentemente reformado.

A mobilização popular é essencial para conter a discussão das falsas reformas no Parlamento. Há duas formas clássicas empregadas pelos parlamentares para fugir de assuntos polêmicos. A primeira é criar uma comissão parlamentar e preenchê-la com membros que não se interessam em mudar as regras do jogo. A segunda é apresentar propostas para alimentar a discussão no Parlamento e na imprensa e esperar que o tema esfrie e saia da pauta política. Trata-se da famosa introdução do “bode” na sala para depois retirá-lo. Os dois “bodes” da reforma política são o “distritão” e o “voto em legenda”. Ambas evitam discutir o tema que tira o sono dos deputados: aumentar a cobrança e a fiscalização do eleitor.

- No “distritão”, vencem o pleito os deputados mais votados no estado. Acaba-se com o voto proporcional, mas se preserva o deputado “genérico”: aquele que diz representar todos os eleitores do estado, mas não representa ninguém, a não ser os interesses dos financiadores de campanha e os seus próprios. O “distritão” vai colaborar para a proliferação de deputados Tiriricas.

- No caso do “voto em legenda”, o eleitor perde o direito de escolher pelo voto direto o seu deputado. Vota-se na legenda, e o partido escolhe o deputado: uma maneira criativa de garantir a eleição de deputados mensaleiros que não seriam eleitos pelo voto distrital.

A mobilização das pessoas em torno da reforma política poderá ser mais rápida se os ganhos e os benefícios do voto distrital forem facilmente compreendidos. No voto distrital, ganha a eleição o deputado mais votado no seu bairro, distrito ou região. É a “diretas já” para o deputado do bairro. O voto distrital vai acabar com a gincana eleitoral que transformou a campanha para deputado numa das mais caras do mundo. Em vez de percorrer o estado à caça de votos, o candidato terá de disputar votos numa única região. Além de reduzir dramaticamente o custo da campanha, o eleitor saberá quem é o parlamentar que representa o seu distrito no Parlamento, onde ele mora, o que ele pensa e o que faz pela sua região. Aproximar o eleitor do seu deputado e permitir que ele possa ser cobrado, fiscalizado e avaliado de acordo com o seu desempenho no Parlamento representa um enorme avanço para o resgate da credibilidade de um poder desprestigiado. Deputados não podem ser representantes “genéricos” dos eleitores. Eles devem representar os interesses da comunidade, distrito ou região que os elegeu. Bons parlamentares querem ser cobrados e fiscalizados para que possam ser reeleitos por causa dos seus feitos, ideias e projetos.

A reforma política que importa para o país tem de atingir dois objetivos: aproximar o eleitor do seu representante e fortalecer o Poder Legislativo. Somente o voto distrital é capaz disso.

O espetáculo da canalhice não pode parar.


O recomeço dos pontapés na verdade avisa que o espetáculo da canalhice não vai parar

Augusto Nunes, 28/03/2011

Sempre favorecido pela mudez pusilânime da oposição oficial, o ex-presidente Lula retomou a rotina dos socos e pontapés na verdade, agora para remover da biografia as patifarias e bandalheiras que sublinharam a política externa brasileira nos últimos oito anos. O novo ato da farsa começou em 8 de fevereiro, quando Lula desembarcou no Senegal com pose de conselheiro do mundo. O que estava achando da rebelião que ameaçava o reinado de Hosni Mubarak?, alguém quis saber.

“Há muito tempo, todo o mundo sabia que era preciso voltar à democracia no Egito”, fantasiou o maior dos governantes desde a chegada das caravelas. “O que está acontecendo no Egito é simples: água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Chegou uma hora em que o povo falou: ‘Eu existo, quero participar’”. Nenhum repórter cobrou-lhe o falatório despejado durante a visita ao ditador companheiro em dezembro de 2003. “O presidente Mubarak é um homem preocupado com a paz no mundo, com o fim dos conflitos, com o desenvolvimento e com a justiça social”, derramou-se Lula no meio da discurseira.

Como nenhum político oposicionista se lembrou de desmascará-lo publicamente, o farsante entrou em março pronto para comentar a situação na Líbia de Muammar Kadafi com cara de quem conheceu só de nome o psicopata que qualificou de “amigo, irmão e líder”. Era previsível que, na semana passada, a metamorfose malandra começasse a apagar a história dos oito anos de relações promíscuas com o companheiro Mahmoud Ahmadinejad.

Um jornalista perguntou-lhe por que só agora o governo brasileiro resolveu votar a favor da apuração de denúncias de violações de direitos humanos no Irã. “Porque não houve votação, a votação foi só agora”, mentiu o ex-presidente que sempre se curvou à vontade dos aitolás atômicos. Sem ficar ruborizado, interrogou o entrevistador e respondeu por ele: “Por que você não fez essa pergunta antes? Porque só pode fazer agora”.

É muito cinismo, comprovam alguns trechos do post publicado neste espaço em 20 de novembro de 2010, reproduzidos abaixo em negrito:

Foi aprovada por 80 votos a resolução da ONU que expressa “profunda preocupação” com as violações dos direitos humanos promovidas pelo governo do Irã, critica a pena de morte e rejeita a violência contra a mulher. Trata-se de mais uma tentativa de salvar Sakineh Ashtiani, condenada a morrer apedrejada — e de colocar o regime dos aiatolás no caminho que leva para longe da Idade da Pedra.

Os 44 países que votaram contra a resolução se tornaram comparsas confessos de uma ignomínia assim justificada pelo embaixador iraniano, Mohammad-Javad Larijani:”O apedrejamento significa que você deve fazer alguns atos, jogando um certo número de pedras, de uma forma especial, nos olhos de uma pessoa. Apedrejamento é uma punição menor que a execução, porque existe a chance de sobreviver. Mais de 50% das pessoas podem não morrer”. Como optou pela abstenção, o governo brasileiro acha que a argumentação faz sentido. Por omissão, transformou-se em cúmplice do horror.

“A maneira pela qual algumas situações de direitos humanos são destacadas, enquanto outras não, serve apenas para reforçar que questões de direitos humanos são tratadas de forma seletiva e politizada”, miou em nome do Itamaraty o diplomata Alan Sellos. “Eu, pessoalmente, sou contra, mas não posso dizer a quem tem isso na sua cultura que seja contra”, emendou o ministro da Defesa e comerciante de aviões Nelson Jobim. No caso do Irã, o jurista de araque só autoriza discurseiras federais a favor dos aiatolás atômicos e de eleições fraudadas. Haja cinismo.

Jobim e o resto da turma sabem que a falsa neutralidade só reafirmou que o presidente Lula não hesita em envergonhar a nação para curvar-se à vontade do companheiro Mahmoud Ahmadinejad. Dilma Rousseff, que logo depois de eleita qualificou o apedrejamento de “uma barbárie”, não deu um pio sobre a abstenção pusilânime. A política externa da cafajestagem ao menos é coerente. Tão coerente, aliás, quanto o silêncio dos líderes oposicionistas, que entre uma e outra derrota eleitoral mergulham no recesso de quatro anos. Como está em férias, a oposição oficial não teve tempo para indignar-se com mais um ultrajante tapa na cara do país que presta.

O espetáculo da canalhice não pode parar.


O ex-presidente nega ter feito o que acabou de fazer sem ser aparteado por um único senador, deputado ou vereador. O silêncio estrepitoso da oposição oficial avisa que o espetáculo da covardia também não tem prazo para terminar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Lula, o presidente em busca de um país


do blog do Reinaldo Azevedo, em 20/03/2011


Por que, afinal de contas, Lula não foi ao almoço com Barack Obama? A sua turma vazou para a imprensa que ele não queria ofuscar Dilma Rousseff. Huuummm… Naquele ambiente, ele ficasse tranqüilo: não havia a menor chance. E por várias razões: o oficialismo ama o poder e a caneta. Por mais “charmoso” e “atraente” que Lula seja, a estrela brasileira do encontro seria a presidente Dilma Rousseff, e o grande astro do evento, Barack Obama.

Estaria o Apedeuta bravo com Dilma a ponto de não comparecer? Seria contragimento por não falar inglês? Bobagem! Isso faria supor que Lula pode, em certos casos, duvidar de si mesmo, o que não é de sua natureza.

Ele não foi em razão de uma soma de motivações psicológicas e políticas. Lula tem uma personalidade vingativa. Sempre foi assim. Ele resgatou alguns dinossauros da política e lhes deu vida nova; eram seus adversários no passado. Os casos mais notórios são José Sarney e Fernando Collor. Se fez amigos os inimigos, esmagou alguns aliados. Aqueles aceitaram se submeter à sua liderança; estes, em algum momento, ousaram resistir. Ele não engole até hoje a rejeição de Obama ao acordo nuclear com o Irã e não perdoa ao outro ser, afinal de contas, quem é: o líder mais poderoso do mundo (a despeito de sua ruindade). Se Lula pudesse, esmagaria o presidente americano. Como não pode, dá uma de malcriado.

Há mais. Ele foi convidado para uma festa na qual seria mero coadjuvante, tendo de dividir a cena com seus parceiros de nicho: os ex-presidentes. A história de que ele temia ofuscar Dilma tem de ser lida pelo avesso: porque sabia que esse risco, ali, não existia, preferiu ficar em casa, roendo os cotovelos. E nem acho que tenha sido movido pela inveja. A exemplo do que se notou nos últimos dois meses de governo, quando passou a falar alucinadamente, está certo que lhe tomaram algo de seu.

O Lula real, como já disse aqui algumas vezes, deve mesmo acreditar que é o Lula do mito. No evento de ontem, ele seria só mais um. Tal papel não é compatível com a personagem que está na política há mais de 35 anos. FHC acabou sendo uma das figuras de destaque do dia porque sabe ser um ex-presidente. Ao chegar em casa, foi cuidar de outros assuntos. O Apedeuta não, coitado! Ele é hoje um presidente em busca de um país.

segunda-feira, 21 de março de 2011

“Ó pai, ó!”


Do Blog do RICARDO NOBLAT, 21/03/2011


Maria Bethânia criará um blog para disseminar poesia de boa qualidade? Ótimo! O blog custará pouco mais de R$ 1.350 mil para se manter durante um ano? Problema dela! Bethânia embolsará R$ 50 mil mensais para declamar um poema por dia? Sortuda! O dinheiro será arrecadado junto a empresas que depois o abaterão do seu Imposto de Renda? Êpa!

Existe uma lei de nome Rouanet aprovada pelo Congresso no final de 1991. Ela permite às empresas aplicarem em projetos culturais até 4% do que pagariam de Imposto de Renda, e às pessoas físicas até 6%. A maior parte da clientela da lei difunde a ideia de que é privado o dinheiro destinado a financiar projetos.

Mentira! Na verdade, o governo abdica de receber uma parcela de impostos para que a cultura floresça entre nós. A intenção inegavelmente é boa. No mais quase tudo é ruim. Onde já se viu dinheiro público escapar ao controle do governo? Aqui é o que ocorre na prática.

Uma vez autorizada a arrecadação de recursos, o negócio passa a ser tratado entre artistas, produtores e suas eventuais fontes de financiamento. Na maioria das vezes o processo é nebuloso. O governo limita-se a receber depois a prestação de contas. Está para existir no mundo civilizado um modelo sequer parecido com esse.

Não pense que é pouco o dinheiro envolvido em transações por vezes tenebrosas. Em 2003 foram R$ 300 milhões. Seis anos depois, R$ 1 bilhão. Cerca de 80% do orçamento do Ministério da Cultura para este ano derivam de impostos que o governo deixará de recolher. O que sobra é uma titica.

A Polícia Federal produziu no ano passado um relatório sigiloso sobre projetos tocados adiante com base na Lei Rouanet. Pelo menos 30% do dinheiro que empresas dizem ter investido em projetos foram devolvidos para elas por debaixo do pano. Devolvidos por quem? Pelos arrecadadores com a cumplicidade de artistas.

Autoridades e artistas enchem a boca quando falam sobre uma política nacional de cultura. Sinto muito, mas não há política – primeiro porque falta dinheiro para outras coisas, segundo porque uma política nacional de cultura teria que ser definida pelo governo depois de consultas à sociedade.

Contudo, por obra e graça dos mecanismos e da ausência de critérios da Lei Rouanet, são os departamentos de marketing das empresas que definem a “política nacional de cultura”. Os responsáveis por tais departamentos escolhem os projetos a serem contemplados com um dinheiro que é do governo. E quem mais lucra?

As empresas, que associam sua imagem à imagem de artistas famosos. Os intermediários entre as empresas e os artistas. E os artistas. Entre pôr dinheiro numa orquestra juvenil da periferia de Fortaleza ou num show de Ivete Sangalo, você imagina qual será a escolha de uma empresa?

E o dinheiro que elas economizam com publicidade? Numa recepção, há dois anos, sem se dar conta da presença de Millú Villela, uma das donas do Banco Itaú, o então presidente Lula comentou numa roda de amigos: “O Itaú faz a maior propaganda dele mesmo com dinheiro de renúncia fiscal”. Millú foi embora aborrecida.

O finado Banco Santos patrocinou em 2009 a exposição de exemplares do exército de terracota desencavado na China. Para celebrar a proeza, publicou páginas de anúncios em revistas e jornais exaltando a contribuição da iniciativa privada à cultura nacional. Tudo pago via Lei Rouanet.

Apenas 3% dos que apresentam projetos ao Ministério da Cultura ficam com mais da metade do dinheiro atraído pela lei. Mais da metade do dinheiro banca projetos nascidos no eixo Rio-São Paulo. Fora do eixo, deu a entender certa vez o produtor paulista Paulo Pélico, “o resto é bumba-meu-boi”.

A presidente Dilma Rousseff está disposta a acabar com a farra feita com o nosso dinheirinho. A Lei Rouanet dará lugar a outra que já tramita no Congresso. Anotem desde já: será ensurdecedora a chiadeira dos viciados em dinheiro público.

Imperdível: Hebe & Dilma! (2)


Mistério no Alvorada: diante de Hebe, pintura de Djanira é atribuída a Elenira e reaparece de repente como uma autêntica Djanira, sem necessidade de sindicância

Artigo de Celso Arnaldo publicado no blog do Augusto Nunes, em 19/03/2011

Ainda não refeita da chocante revelação de que a presidente da República, sua amiga de infância, é uma ex-detenta, Hebe é ciceroneada, braço dado com Dilma, pelas dependências do Palácio do Alvorada.

Entram numa sala com paredes laterais decoradas por livros — sala essa que esteve trancada a chave nos últimos oito anos, mas que desde primeiro de janeiro, dia sim, dia não, é espanada pelo pessoal da limpeza. Por exclusão, a visitante conclui:

“Ai que coisa linda, é a biblioteca!!”

A presidente então aponta para a parede central, dominada por uma pintura de corpos enxundiosos típicos:

“Olha ali o outro Di. Olha o outro Di”.

“Olha o Di Cavalcanti, que lindo”, concorda Hebe, que entrevistou o pintor em seu programa, nos anos 60, e tem boa memória para nomes.

É quando Dilma localiza para a convidada outra relíquia fundamental da biblioteca:

“E ali que tá o JK, olha ali”, mostra o pequeno retrato emoldurado do criador de Brasília, que a maior parte das pessoas chamaria de Juscelino — ficando a sigla para referências escritas.

“Que gracinha. Magrinho”, enternece-se Hebe.

Passam então para “uma outra sala, que também é muito bonita”, cujo nome não foi indagado pela forasteira nem declinado pela presidente, mas Hebe pelo menos quer saber se ali tem reunião.

“Tem. Às vezes a gente faz reuniões. Eu tô mudando pra cá ainda. Eu gosto muito dessa tapeçaria”, diz, apontando a parede.

“De quem é?”, indaga a sempre curiosa Hebe.

“É de um tapeceiro muito bom chamado Kennedy”

“É da Bahia?”

“É da Bahia”, confirma Dilma, provavelmente depois de checar o nome do artista na peça, que mais ou menos entrega sua procedência: ele se assinava Kennedy Bahia e aliás era chileno.

Dilma adora o tapete de parede, mas com um parecer artístico que Mário Pedrosa não endossaria:

“Eu acho belíssimo as cores”.

A visita prossegue: Hebe tem uma guia privilegiada – a própria presidente da República, dona da casa por pelo menos quatro anos. Em dois meses de estadia, a primeira mulher presidente já sabe tudo sobre o conteúdo da residência presidencial, tudo aliás inventariado com precisão de CPI. Dilma é atenta a tudo, não deixa passar nada – seus auxiliares tremem só de pensar nas consequências de não terem uma resposta na ponta da língua.

Mas, espere: a próxima pergunta de Hebe é desconcertante, ao indicar o quadro ao fundo da sala:

“E aquele ali, de quem será?

Dilma nem arrisca a resposta:

“Aquele ali eu num lembro”, admite, apertando o passo e espremendo os olhos em direção ao canto direito da pintura, onde os artistas costumam apor sua assinatura. No caminho, especula:

“Não é Djanira, não, porque as Djaniras eu catei todas”, pensa em voz alta a presidente, já cogitando chamar o general José Elito, ministro da Segurança Institucional, para ajudá-la a desvendar o mistério do quadro, que por sinal se parece muito com a obra “Colhendo Café”, efetivamente de Djanira, como atestado no catálogo do acervo do Alvorada, mas não pode ser dela porque a presidente catou todas. Afinal, de quem seria esse pseudo Djanira que não pode ser Djanira?

A presidente aparentemente se aproxima o máximo possível do quadro – a imagem não mostra, mas a lógica sugere que, enfim, conseguiu ler o nome correto do misterioso pintor.

“Elenira da Motta e Silva”, resolve Dilma num rompante, revelando uma artista desconhecida que, por coincidência, tem o mesmo sobrenome da grande artista de Avaré radicada no Rio. Mas, meio segundo depois, a presidente volta atrás, num fulminante fechamento de caso proporcionado por uma leitura mais atenta:

“Naaão, Djanira!”!!

“Djanira”, gargalha Hebe, incontrolavelmente.

A comadre Dilma se consola, compartilhando o engano com Hebe:

“Nós duas tamo ruim de olho, hein”.

Após mais uma gargalhada da colega, a presidente pensa em voz alta, de novo:

“Engraçado… Tem de avisar que sobrou um Djanira”.

Agora, era hora de chamar Gilbertinho Carvalho – para subir numa escadinha e levar “Colhendo café”, o último Djanira, para o lugar onde estão os outros.

Hebe nunca soube, mas por muito pouco não presenciou, ao vivo, a primeira grande crise do governo de Dilma Rousseff.

Problema para superespecialistas no Paraíso: oferta x demanda de pão...

ECONOMÍA
La demanda de los negocios por cuenta propia choca con la insuficiente producción de pan

Agencias | La Habana | 21-03-2011 - 6:17 pm.

La creciente demanda de los nuevos negocios por cuenta propia en el sector gastronómico ha obligado al Gobierno a replantearse la producción de pan en la Isla, donde ese producto sólo se vende en tiendas estatales (en moneda nacional o divisa) y con una oferta "insuficiente", reportó EFE.

El diario oficial Granma dijo que existe una "controversia" entre la oferta y la demanda de pan en el país, en parte empeorada por "la demanda creciente de los vendedores-elaboradores de alimentos" que han adquirido licencias para el trabajo por cuenta propia en los últimos meses.

Sólo en La Habana se calcula que hasta marzo pasado unas 9.779 personas se sumaron al negocio de las cafeterías y restaurantes privados, sin que el Gobierno haya habilitado aún tiendas mayoristas para que adquieran sus productos.

"Evidentemente, la solución no puede ser otra que incrementar los niveles productivos, con el fin de satisfacer todos los requerimientos", afirmó Granma, tras resaltar que si bien las colas son menores que hace un año, aún es "complejo" comprar pan en la Isla.

La libreta de racionamiento incluye una porción de pan diaria para cada cubano, pero en los últimos años se abrieron establecimientos estatales para la venta "liberada" de ese producto en pesos cubanos, aparte de las tiendas y dulcerías con una oferta en divisas.

La empresa Cadena Cubana del Pan reportó un incremento de su producción de 25 toneladas diarias en 2010 a 33 en la actualidad, y en general para este año se prevé un crecimiento del 52 por ciento en las ventas de pan en el país.

Granma dijo que, según responsables del sector, se han realizado inversiones para que no falten los recursos para la producción y se buscan mejoras tecnológicas.

"Ojalá las cantidades marchen mano a mano con la realidad. Pero que nadie perciba este 'incremento' como la solución definitiva e inmediata", dice el diario, e insiste en que la "balanza está desequilibrada" en cuanto a oferta y demanda.

De acuerdo con Gloria Rodríguez, directora de la Cadena Cubana del Pan, los nuevos niveles de producción planificados son "insuficientes", pero para "ser consecuentes" con ellos habrá que "rescatar" la capacidad de las panaderías para elaborar su propio pan.

Además, se estudia la posibilidad de que otras empresas de gastronomía del sector estatal comiencen a producir, así como ampliar la oferta con productos de harina integral y diferentes variedades de pan.

É assim que funciona...


Un empleo de leyenda

Monday, March 21, 2011 | Por Aleaga Pesant

LA HABANA, Cuba, marzo (www.cubanet.org)
– Hace un par de años, el embajador de Líbano en La Habana, le dijo a su chofer que quitara el retrovisor interior del auto. No quería que el cubano observara a la señora embajadora. Esas y otras humillaciones sufrió el cubano. Un día, cansado de las afrentas, el chofer detuvo el auto en Quinta Avenida, Miramar, se bajo, tiró las llaves sobre el césped y le dijo al funcionario.

-Hasta aquí trabajo con usted.

El trabajo de los cubanos que sirven en embajadas y consulados extranjeros, se nutre de mitos y leyendas propios de la imaginación popular y de una realidad que navega entre dos aguas. Se trata de una cofradía que devenga salarios astronómicos y se conduce con aires aristocráticos, para un país como Cuba. Pero, a la vez, se sienten explotados, presionados, humillados.

Muchos de esos proletarios tienen uno o varios autos, excelentes y confortables casas, gozan de vacaciones en lugares prohibidos, como Varadero, y hasta de algún que otro viaje al extranjero. Además, compran productos alimenticios a precios para diplomáticos (más bajos). Ingenieros y licenciados cubren plazas de jardinero, mucama, y hasta algún disidente económico del Minrex prefiere ser humilde secretario.

Tanto nivel, y tan diferenciado, llamó la atención al gobierno, que un día los reunió en el Teatro Nacional y les propuso cobrarles impuestos. Ante la pregunta proletaria: “¿Sobre qué ingresos?”, un funcionario respondió: Sólo dejen algo para el Estado, o su salud laboral peligra.

Por ejemplo, un chofer de la embajada de Kuwait puede ganar hasta 800 cuc (19 mil 200 pesos) al mes, mientras el personal de servicio de las embajadas europeas cobra alrededor de 300. En otras sedes diplomáticas se puede ganar más, y también menos.

Pero no todo es azul pastel. Algunos de estos proletarios se sienten humillados por sus empleadores. Se quejan del trato despótico e inapropiado de los funcionarios extranjeros, que incluye la violencia verbal. En ocasiones se convierten en cómplices de estafas, al firmar cobros por más dinero del que reciben, o se involucran en tráfico de personas, sobre todo las embajadas de América Latina.

Las sedes más codiciadas a la hora de buscar trabajo son las europeas, la norteamericana y la canadiense. Reciben el mejor trato de sus empleadores, aunque las bonificaciones no se comparan con las de los países del Medio Oriente, que son las que más pagan.

El rol del Estado a través de la empresa empleadora, Cubalse, es humillante. Como pasa con los empleados en las empresas extranjeras, los contratados reciben del Estado menos del 1 % del dinero que cobran a los extranjeros. De ahí que se instituyera el “pago por la izquierda”, que consistente en que la embajada paga un dinero a Cubalse por los servicios del cubano, y otro directamente al individuo por hacer su trabajo. Con esa información y el alto nivel de vida de estos criollos, el Estado impuso un impuesto sobre unos ingresos que no aparecen en los libros.

Una de las leyendas que se maneja es la que deben informar a la policía política sobre todo lo que se pueda. Los cubanos más marcados son los que trabajan en la Sección de Intereses de los Estados Unidos y las embajadas europeas. Si el 25 % de los funcionarios de Relaciones Exteriores son oficiales de Inteligencia, no es ilógico pensar que algunos empleados de las embajadas sean, al menos, informantes.

Realidades y mitos se confunden en el caso de estos trabajadores.

aleagapesant@yahoo.es

sexta-feira, 18 de março de 2011

Imperdível: Hebe & Dilma!


Exclusivo: Celso Arnaldo conta como foi a conversa histórica entre Dilma e Hebe

Artigo de Celso Arnaldo publicado no blog do Augusto Nunes, em 17/03/2011

“Ela é uma pessoa surpreendente. Vocês vão gostar”, anuncia uma engalanada Hebe, na cabeça da entrevista que fez com a presidente Dilma, em Brasília, para a estreia de seu programa na RedeTV! Cabeça, no jargão jornalístico, é o início de uma reportagem. No caso dessa entrevista, é a única cabeça que passou perto da conversa entre as duas protagonistas, tão surreal quanto Dilma presidente. Uma conversa que se tornou histórica no momento mesmo em que foi para o ar e que no futuro será usada por historiadores na busca de respostas para o enigma que o Brasil produziu em 31 de outubro de 2010: como isso pôde acontecer? Como chegamos a isso?

Coube a Hebe Camargo – que em 60 anos de sofá nunca tentou fazer uma pergunta, a nenhum convidado, que ultrapassasse o universo das donas de casa dos anos 40 – levantar novos elementos sobre o mistério.

Para o papo não entrar a seco, os produtores da RedeTV! providenciaram um nariz de cera – outro jargão da imprensa, significando a introdução vazia, que patina em si mesma, sem uma mísera informação relevante: uma repórter da casa, à porta do palácio, vem com o blá-blá-blá sobre a primeira mulher presidente, culminando com uma conclusão que parece ter despencado de um caminhão transportando fitas velhas do History Channel: “O que será que existe por trás da mulher que ganhou o apelido de Dama de Ferro?”. Quem, Dilma? Tente encontrar a Dama de Ferro, via túnel do tempo, na Rua Downing Street 10, entre 1979 e 1990.

Foi mais fácil encontrar Dilma no Palácio da Alvorada – apesar do falso suspense de Hebe:

“Será que ela vai me receber?”, pergunta, num tom sapeca de tiete do Justin Bieber à porta do camarim. “Ih, é um grande sonho, din-don”, toca a campainha imaginária.

Claro que vai receber: Hebe logo avista Dilma chegando para o encontro acertado com semanas de antecedência. Close em Hebe, que se desmancha ao vislumbrar a aparição:

“Ahhh, ai, ô meu Deus, é verdade”, extasia-se, os braços escancarados para abraçar a presidente-gracinha.

DUAS COLEGAS EM PERFEITA SINTONIA INTELECTIVA
O longo abraço de duas velhas amigas que nunca se viram em pessoa inicia uma troca de energia que desafia todos os códigos que regem as entrevistas presidenciais exclusivas da história da República – nas quais, basicamente, o entrevistador traz como credencial a tradição de ter sempre algo importante a perguntar, ou o presidente não lhe daria uma exclusiva; e o presidente entrevistado tem sempre algo importante a responder, ou não seria presidente. Para Hebe, que demonstraria na conversa nunca ter lido uma única linha sobre a pessoa que comanda seu país, Dilma é apenas uma mulher que virou presidente. Para Dilma, que nos 40 minutos seguintes daria respostas à altura das piores perguntas jamais feitas a um presidente da República, Hebe é apenas a senhorinha a que ela já assistia adolescente, quando entrevistava a gracinha do Roberto Carlos.

O universo de Hebe ainda é o mesmo que servia de pano de fundo ao programa “O mundo é das mulheres”, que ela comandava em 1955 na TV Paulista. O mundo de Dilma Rousseff, bem, é o mundo de Dilma Rousseff.

“Muito prazer em te receber”

“Me belisca”, pede Hebe, fingindo incredulidade.

“Não vou te beliscar”, atalha Dilma, condescendente.

E já num sofá do Alvorada:

“Gente, vocês não têm ideia (…) Eu estou inteirinha arrepiada.(…) Eu sou uma pessoa muito sincera: eu não via essa doçura, essa coisinha boa, tanto que eu estou aqui, eu olhei e disse meu Deus, como você é linda, uma pele maravilhosa, um sorriso delicioso. E o olhar. O olhar é bárbaro”

Uma das vantagens de ser Hebe: poder dizer essas coisas, cara a cara, para a presidente da República. Imaginem o lendário Mike Wallace, da CBS, até mais velho do que Hebe, lambuzando Obama com essas palavras, na Casa Branca.

O diálogo que se seguiu é o de duas colegas em perfeita sintonia intelectiva:

“A honra é minha, Hebe, porque falar com você também é uma, uma coisa que emociona, porque você é a nossa, é, representante mulher na TV brasileira”.

Curiosidade: quem seria nosso representante homem?

“ESSE PALÁCIO, SE OCÊ OLHÁ, ESSE PALÁCIO É BONITO”
Estar num edifício “histórico”, com Palácio no nome, impressiona a viajada visitante. Mas a presidente procura descaracterizar a solenidade palaciana:

“É histórico, é um, vamos dizer, símbolo do que é, eu acho, o espírito do povo brasileiro, que é um espírito moderno, mas ao mesmo tempo muito simples. Esse palácio, se ocê olhá, ele é um palácio bonito, mas ele é simples, ele é tranquilo”.

Niemeyer, em 103 anos de vida, ainda não tinha conseguido descrever o Alvorada com tamanha precisão axial.

Ser mulher e ser presidente é a dualidade que assombra Hebe, que pede de Dilma uma elaboração sobre o tema. Desconfio que será um “Vale a pena ouvir de novo” do censo Dilma sem senso. Dito e feito:

“Nós somos, é, metade, um pouco mais da metade da população brasileira (…) Mas eu sempre acredito numa coisa: nós somos a metade da população brasileira. Mas a outra metade são nossos filhos”.

“Que maravilha!!”, surpreende-se Hebe, ao saber que, pelo menos em tese, pode ser mãe de Lula.

“Então na verdade nós temos essa capacidade de representar as mulheres e também as crianças e os jovens, né?”

Faltaram os homens feitos. Mas Hebe não sentiu falta.

Vida de presidente não deve ser igual à de todo mundo – desconfia Hebe. Mas é muito diferente mesmo? Na resposta, Dilma já está tão à vontade que começa a relaxar na prosódia:

“Num é de fato uma coisa boa você perder a possibilidade docê andá na rua, de você entrar numa padaria, né? (…) Mas tem suas compensações (…) É uma grande honra, afinal de contas, ser presidente dum país como o Brasil, que é o seu país, né, onde cê aprendeu a andá, falá, vivê e chegá a ser presidente da República é uma coisa muito importante”.

Dilma ainda se surpreende que presidentes tenham nascido, se criado e sejam eleitos em seus próprios países — imagine Hebe, que nunca ouviu Dilma antes. A presidente então enterneceu a apresentadora com duas velhas fábulas – requentadíssimas para os leitores desta coluna: a da menina Vitória, num aeroporto, que perguntou a Dilma “se mulher pode”, talvez confundindo-a com a Dra. Lorca de “Zorra Total”, e de outra menina, ela própria, que queria ser bailarina ou bombeira. E – num furo de Hebe – Dilma revelou também que quando pequena não queria ser presidente, ao contrário de todas as meninas de sua idade. Isso mudou: “Hoje as meninas podem ser presidenta”.

“QUE LINDO! SAIU DA PRISÃO? GENTE DO CÉU!”
Mas o melhor momento desta primeira parte da entrevista – o Ministério da Saúde informa: a sequência está em outros dois vídeos no YouTube – é justamente o único onde se quebrou a sintonia perfeita entre ambas. Hebe não tem a menor ideia do passado de Dilma. E Dilma não tinha a menor ideia do que Hebe queria dizer ao lhe perguntar quando entrou para a política. Segue-se um diálogo de Platão:

“Eu entrei na política, Hebe, no Colégio Estadual de Minas Gerais”.

“Ahhhh, que lindo”

“(…) Eu fui fazer o clássico, ocê fazia científico ou clássico, fui fazer no Colégio Estadual e lá no Colégio Estadual eu entrei pra política”.

Dilma se refere ao movimento estudantil que acabaria levando-a para a luta armada. Hebe só entende política como cargo público:

“Jura? Mas então foi muito cedo”, espanta-se Hebe, talvez imaginando uma adolescente apresentando projetos na Câmara dos Deputados.

“Eu devia ter uns 16 anos”.

“Nossa! Que coisa incrível”.

“O Brasil vivia um momento de muita, de muita, vamos dizer assim, turbulência. Então a minha geração foi uma geração que se motivou pra achar, nós queríamos mudar o mundo”.

“Olha, com 16 anos! Então tinha que ser. Com 16 anos, você veio caminhando como deve ser. Ninguém pode ser presidente da noite para o dia”, pontifica a cientista política Hebe Camargo.

Pano rápido. Risos desbragados nas coxias. O que ninguém pode ser, na visão republicana de Hebe, foi exatamente o que Dilma foi. Mas Hebe não sabe disso.

A coisa foi forte até para Dilma, que faz um reparo:

“Eu nunca fui nem, nem vereadora…”

Desculpe nossa falha. E a presidente nasceu em Minas e depois foi para Porto Alegre, por quê? Conheceu alguém?

“Conheci alguém”, eis outra revelação exclusiva que Hebe conseguiu tirar de sua entrevistada. “Meu ex-marido é gaúcho, então eu fui morar lá. Logo depois que eu saí da prisão, eu fui pra Porto Alegre.”

Como? Marido? Prisão? Até Hebe desconfiou de uma metáfora. Mas precisou tirar a prova:

“Saiu da prisão?”, choca-se Hebe, talvez já começando a achar que está entrevistando a pessoa errada.

“(…) Eu fui presa política no Brasil”, explica Dilma, pacientemente, para uma interlocutora incrédula e (c)amargamente desinformada.

“Gente do céu!”

“Ali no São Paulo, eu sempre passo ali pela avenida Tiradentes e olho, tem um portal, que eles dirrubaram, não sei se cê lembra, tinha um presídio Tiradentes, foi dirrubado pra fazer estação do metrô. Até tem um portal bonito, que é o portal antigo do presídio.”

Hebe rememora a incrível trajetória de Dilma: sai da prisão – só soube disso agora – e de repente se torna presidente da República.

“Cê já pensou em escrever um livro? Tem que escrever.”

Diante de mais essa pergunta descabida, Dilma dá a única resposta aproveitável da noite:

“Atualmente eu estou vivendo o livro”.

Taí: começo e fim, com uma ideia no meio, frase irrepreensível de Dilma Rousseff — a primeira que ouço em quase dois anos de audição obsessiva.

Quem disse que Hebe não conseguiria arrancar nada de Dilma?

quinta-feira, 17 de março de 2011

A propósito do "blog" da Bethania


A MÁFIA DO DENDÊ VOLTA A ASSALTAR COFRES PÚBLICOS

Janer Cristaldo, 17/03/2011


Na Folha de São Paulo, edição de ontem, Mônica Bergamo publicou uma dessas notícias cujos protagonistas prefeririam não ver na imprensa. A cantora Maria Bethânia conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão e criar um blog. A idéia é que o site "O Mundo Precisa de Poesia" traga diariamente um vídeo da cantora interpretando grandes obras.

Não é de hoje que a chamada Máfia do Dendê vem metendo a mão no bolso do contribuinte. Em 2007, o Ministério da Cultura autorizou os produtores do músico baiano Caetano Veloso a usar os benefícios fiscais da Lei Rouanet para bancar os shows de divulgação de seu último CD, o “Zii e Zie”. Caetano transferiu do meu, do seu, do nosso bolso, nada menos que R$ 1,7 milhão, através do programa Bolsa-Gigolôs da Artes, também conhecido como Lei Rouanet.

Na ocasião, Juca Ferreira, o então ministro da Cultura, declarou que a Lei Rouanet não tem nenhum critério estabelecendo que os artistas bem-sucedidos não podem ter seus projetos aprovados. “No ano passado, quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia, já tínhamos aprovado projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem critérios.”

Em 2006, a irmã do irmão já recebera R$ 1,8 milhão. Outra contemplada com a Bolsa-Gigolô das Artes foi a empresa da cantora Ivete Sangalo, que captou R$ 1.950.650,84, para realizar seis shows em Recife, Manaus, Salvador, Florianópolis, Vitória e Brasília. Como disse um jornalista na ocasião, a Princesinha da Axé Music Ivete não ficou bem na foto ao ser pilhada nesta história, logo ela que vivia na cozinha de ACM e passou a ter as benesses do Ministério da Cultura no Governo do PT. Não ficou bem na foto mas levou a grana e isso é o que importa.

Em 2009, foi a vez do ex-ministro Gilberto Gil ser contemplado com R$ 445.362,50 pelo Bolsa-Gigolô das Artes, para a realização do DVD "Gil Luminoso", sobre sua trajetória artística. Eita, Brasil generoso! Neste país, até vaidades pessoais merecem o patrocínio do Estado. Desde que o pavão seja amigo da Corte, é claro.

Na ocasião, disse o secretário-executivo do Ministério, Alfredo Manevy: “O dinheiro público se justifica porque aumenta a possibilidade de atender a quem não tem acesso a esse tipo de show. Não há problema em um artista consagrado receber recursos públicos, desde que isso se converta em benefícios para a população”.

Como se uma ode a si próprio, feita pelo capo baiano, trouxesse algum benefício para a população. Agora Maria Bethania rides again. A sanha dos baianos é insaciável. Milionários, apelam ao bolso dos sofridos contribuintes para alimentarem os seus. Para a criação de 365 vídeos nos quais a irmã do irmão exibiria sua voz mafiosa – perdão, maviosa – foi contratado o cineasta Andrucha Waddington, casado com a atriz Fernanda Torres.

Tutti buona gente! O cineasta considera um equívoco a polêmica em torno da decisão do Ministério da Cultura, que autorizou a irmã do irmão a captar R$ 1,3 milhão para o projeto do blog milionário. "Parece que internet não é um meio válido. Lá no blog, os vídeos vão ser vistos por milhões, e de graça. Preciso trabalhar com uma equipe, com o mesmo padrão de qualidade dos meus filmes".

Desde quando algo que custa R$ 1,3 milhão é de graça? Só no bestunto de parasitas que acham que dinheiro do Estado cresce em árvores. Ontem ainda o Ministério da Cultura pôs as barbas de molho e divulgou nota. Que a aprovação do projeto pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) "não garante, apenas autoriza a captação de recursos junto à sociedade. Os critérios da CNIC são técnicos e jurídicos; assim, rejeitar um proponente pelo fato de ser famoso, ou não, configuraria óbvia e insustentável discriminação”.

Coitadinha da Maria Bethania, tão discriminada na vida. Algumas vozes de capi menores já surgem em defesa da Máfia do Dendê, alegando que renúncia fiscal não é dinheiro público. Como que não é? Renúncia fiscal é imposto que é desviado da União para o bolso dos assaltantes do Erário. Portanto, dinheiro público.

A Internet tem uma vocação para a gratuidade. Os blogs, que surgiram inicialmente como páginas de adolescentes, se revelaram como instrumentos eficazes de expressão e hoje todos os jornais os utilizam. Que um jornalista receba pelo blog que produz, se entende. Ele está exercendo sua profissão. O que não se entende é que uma baiana queira ser financiada pelo contribuinte para tecer loas a si mesmo.

Não bastasse o contribuinte financiar as vaidades de diretores e atores do cinema e teatro nacionais, não bastasse financiar silicone e hormônios para travestis, terá de financiar uma máfia que não têm pudor algum em enfiar a mão em seu bolso.

Que o mundo precise de poesia, se entende. Já Bethânia é perfeitamente descartável. Por muito menos que isso, os Estados Unidos declararam sua independência.

LA GRANDE FAMIGLIA


Charles Pilger me escreve:

Janer

Tem mais um tempero nessa história aí: os vídeos serão produzidos pela Conspiração Filmes, que tem como sócio-fundador o Lula Buarque de Holanda, que é sobrinho do ministra Ana de Holanda
.

Nada de espantar, Pilger. Le famiglie sono grandi. O Ministério da Cultura, o dileto dos comunistas, sempre foi ocupado por il capo de tutti i capi. No caso, a irmã do stalinista Chico Buarque de Holanda. Na Itália, a Máfia é iniciativa privada. Mais honesta, não usa o Estado para locupletar os bolsos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Café no Paraíso


Esperando la colada

Tuesday, March 15, 2011 | Por Osmar Laffita Rojas

LA HABANA, Cuba, marzo (www.cubanet.or)
– Desde el récord histórico en la producción cafetalera, establecido en 1961, cuando se produjeron 60 mil 330 toneladas, con rendimientos de 0,36 toneladas por hectárea, el cultivo de café ha ido en caída. La recién concluida zafra cafetalera no sobrepasó las 5 mil toneladas, con un rendimiento de 0,12 toneladas por hectárea.

La cosecha precedente no superó las 6 mil toneladas, por lo que el gobierno tuvo que destinar 47 millones de dólares para importar 16 mil toneladas de café para garantizar la cuota normada y las ventas en las tiendas de recuperación de divisas (TRD).

El Presidente Raúl Castro anunció que “el país no puede seguir dándose el lujo de importar café, cuyo precio está en 3 mil dólares la tonelada”. Hay que volver al café mezclado con chícharos, que desde el año 2005 se había eliminado. El café mezclado se mantendrá “hasta que seamos capaces de producir el café que se necesita consumir”, advirtió el gobernante.

Para ello, Cuba necesita producir 29 mil toneladas del grano, pero de acuerdo a lo resultados de la recién finalizada cosecha, todo indica que la situación ha empeorado. Una suma de elementos negativos bloquea el tan anunciado despegue de la producción cafetalera.

La provincia Guantánamo, la segunda productora del país, cumplió su plan de cosecha al 80%, lo que representa 994 mil 638 latas de café recolectadas. Los municipios de Maisí y Baracoa (los más productivos del país), dejaron de cosechar 155 mil 737 latas, debido a que el 40 % de sus cafetales está despoblado. Hace más de 17 años no se fertilizan y apenas hay herramientas ni insumos para atender el cultivo.

Otra muestra de cuanto ha retrocedido este sector productivo, se encuentra en la provincia Granma, que a finales de la década de los 60 había logrado recolectar 4 millones de latas, pero en la recién concluida zafra no sobrepasó las 400 mil.

En el municipio III Frente, en la provincia de Santiago de Cuba, la primera productora del país, también la producción de café ha ido en picada. De un millón 230 mil latas recogidas en la zafra 1981-82, en la finalizada cosecha sólo se logró recolectar 500 mil.

En las zonas altas del Escambray, provincia Villa Clara, se cultiva el mejor café de Cuba, el Cristal Mountain, cuyo precio se cotiza 3 y 4 veces por encima de otras variedades. En décadas pasadas se llegó a cosechar 1.185 toneladas. En la recién finalizada zafra se acopiaron sólo 50 toneladas y la provincia, para poder cumplir sus compromisos, tiene que producir 1190 toneladas.

Fallas administrativas, negligencias, trabas burocráticas, son las causas de estos incumplimientos. A ellas se unen la falta de insumos, los bajos precios que paga el Estado por la lata de café y la falta de transporte para el traslado de la cosecha. Además, la falta de botas y ropa de trabajo, y las pésimas condiciones de alojamiento, motivo el éxodo de los recolectores.

Las miles de latas de café dejadas de recolectar representan el 25% de la producción del café planificado para recoger, que quedaron en las matas.

De las 80.700 hectáreas dedicadas al cultivo de grano en todo el país, el 85% está en producción, pero más del 80 % de esas tierras han envejecido, lo que provoca un deterioro acelerado de los cafetales. Si a eso se une la falta de atenciones a los cafetales, las indisciplinas de todo tipo y el deterioro de los suelos, se pueden explicar los pésimos resultados de la recién finalizada cosecha cafetalera.

ramsetgandhi@yahoo.com

Esperança em Cuba!!!


Video-conferencia desde La Habana

Biscet exige la renuncia de Castro

POR JUAN CARLOS CHAVEZ
JCCHAVEZ@ELNUEVOHERALD.COM, 15/03/2011


Tres días después de haber salido de prisión, el disidente Oscar Elías Biscet, la más importante figura opositora de Cuba, exigió el lunes en su primera conferencia de prensa la inmediata renuncia de los hermanos Fidel y Raúl Castro, cuya "dictadura totalitaria'' comparó con las de Hitler y Stalin.
También precisó que las autoridades cubanas eran "antinorteamericanas, antisemitas y antinegras''.
"Exijo inmediatamente la renuncia de Fidel Castro, de Raúl y sus acólitos para nombrar el gobierno de transición nacional'', dijo Biscet.
Biscet, de 49 años, pidió la inmediata excarcelación de los presos políticos y criticó la condena a 15 años del subcontratista norteamericano Alan P. Gross por llevar equipos de comunicación a grupos independientes a fin de promover el desarrollo de la sociedad civil en la isla.
"Creo que la comunidad internacional debe enfocar este caso para evitar las arbitrariedades que se han cometido con nosotros'', dijo Biscet. "Gross no debe estar preso. Detrás de esta detención hay alguna estrategia política''.
El fundador y presidente de la Fundación Lawton habló, desde un lugar no revelado de La Habana, con los reporteros reunidos en el recinto Wolfson del Miami Dade College, en el downtown. Durante la conferencia por Skype, respondió a preguntas por alrededor de una hora.
Biscet señaló las severas condiciones de las prisiones cubanas, donde permaneció desde 1999, excepto por 36 días, sirviendo una condena de 25 años acusado de atentar contra la seguridad del estado. Su liberación el viernes se inscribe en el marco de las negociaciones celebradas en julio entre el gobierno de Raúl Castro y la Iglesia Católica. Más de 90 presos han sido liberados y, en su mayoría, desterrados a España.
Con un tono firme y decidido, pidió la inmediata e incondicional excarcelación de tres de los prisioneros políticos: Librado Linares, José Daniel Ferrer y Félix Navarro. Las autoridades cubanas guardan silencio sobre la prolongación del encierro de estos tres disidentes.
Reacio a ser liberado bajo condición de abandonar la isla, Biscet dijo que la oposición va "por el camino triunfador''.
"Los cubanos no debemos pensar en marcharnos sino en buscar soluciones a los problemas que resulta urgente resolver'', declaró. "Terminar mi labor es conquistar la libertad del pueblo cubano para que viva en paz y bienestar''.
Al preguntarle sobre su candidatura a la presidencia de un posible gobierno de transición, respondió que había que pensar primero en el respeto a los derechos humanos. Precisó que si tuviera que ocupar un cargo público no defraudaría a los cubanos.
"Yo amo a este pueblo'', dijo.
Indicó que una vez que en Cuba se respeten los derechos humanos y haya justicia social, seleccionará un partido político y definirá su pensamiento.
Destacó que las reformas económicas prometidas por Castro no van a solucionar los problemas de la población. A pesar de las promesas, observó, cada vez es peor la "profunda crisis económica, moral y social''.
"Estos [los Castro] han propuesto ideas y métodos [. . .], pero cada vez son peores las condiciones de vida de nuestro país'', añadió. "Los que incurrieron en estos graves errores todavía persisten en que pueden enmendar su sistema''.
Añadió que el movimiento opositor en la isla está ganando cada vez más seguidores y subrayó que existen líderes conocidos y una oposición que ha logrado "avances''. Entre éstos enumeró el freno de la pena de muerte, la disminución de los abortos y el hecho de que la gente puede opinar en la calle ‘‘algo más'' y sin miedo a caer preso enseguida. Según él, hasta en las filas del Partido Comunista hay simpatizantes del movimiento disidente.
"En Cuba existe una oposición fuerte y diseminada en todo el país'', enfatizó. "Esto me hace pensar que, en realidad, el gobierno cubano está en quiebra porque cada vez hay más personas dentro de la oposición a pesar del terror que existe''.
Biscet criticó el relajamiento de las restricciones de viajes y envíos de remesas a la isla, ya que estas medidas no tienen un impacto directo sobre el marco de derechos de los ciudadanos.
"Esto se usó con China hace 30 años y veo que sigue con la misma dictadura'', indicó. "Aunque China ha mejorado económicamente no hay libertades civiles ni políticas''.
Alabó la tarea de los exiliados en la búsqueda de un cambio pacífico y consistente por las libertades individuales de los cubanos. Insistió en la necesidad de unir fuerzas dentro y fuera de Cuba para alentar el desarrollo de nuevas oportunidades democráticas.
"Obtendremos esos cambios a través de una revolución de los derechos humanos de forma no violenta'', señaló.
Las primeras horas tras su excarcelación, dijo, habían sido de "alegría y tristeza''. En el viaje hacia casa en La Habana, observó, había presenciado la destrucción y la tristeza de los cubanos.
"Me di cuenta de que todavía vivimos bajo la esclavitud'', sostuvo. "A pesar de todas estas dificultades, me llené el corazón de alegría porque sé que hay un trabajo muy duro que hacer por el bienestar de mi pueblo''.
Calificó de "buena'' la gestión de la Iglesia Católica en el proceso de excarcelación de los presos de conciencia y comentó que ésta será una institución clave en una transición democrática.
"En un futuro, si podemos convencer a los que están en el poder para hacer el gobierno de transición, el que tiene que estar como mediador de esta gestión será la Iglesia Católica'', manifestó. ‘‘Esto es importante para el país porque así evitaremos derramamiento de sangre. El sistema tiene los días contados''.


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segunda-feira, 14 de março de 2011

E não é fácil subir ao céu no Paraíso...



Jadeante ascenso al cielo

Friday, March 11, 2011 | Por Reinaldo Emilio Cosano Alén

LA HABANA, Cuba, marzo (www.cubanet.org)
– Alcanzar el piso 23 del edificio del Retiro Médico, en 23 y N, en el Vedado, era como alcanzar el cielo y tener la tierra a los pies por la majestuosidad del paisaje que se divisa desde las alturas. Hasta hace un mes se podía llegar en ascensor a la cúspide. Ahora es un suplicio; hay que vencer piso por piso por las escaleras.

El ascensor está roto. La desesperanza cunde entre los cien residentes de los pisos más altos, empezando por la octava planta, entre los que hay ancianos, enfermos y algunos limitados físicos. Los pisos más bajos tienen uso comercial y están ocupados por entidades estatales.

Los inquilinos se han quejado en diferentes organismos. Piden ayuda para salir del enclaustramiento involuntario, pero el problema no se resuelve.

“¿Qué hacer con un enfermo grave de momento, o con cualquier accidente que ocurra en los pisos altos; para salir y regresar de la bodega, ir a la escuela, al trabajo?” –pregunta Pancho Riquelme, turbado y jadeante, próximo a alcanzar la planta diecisiete. El problema -también la esperanza para los angustiados vecinos del Retiro Médico- está en manos de UNISA, empresa estatal dedicada a la reparación de ascensores de edificios altos de La Habana.

Pero no todo es coser y cantar en UNISA. Han localizado el problema: La caja de bolas, el motor principal que hay que sustituir, pero “nadie sabe la numeración para tratar de conseguir la pieza en otra empresa, o comprarlo en el extranjero con autorización del ministro porque esa compra es en divisa. Hay que extraer el motor de su emplazamiento de hace más de medio siglo. Esta operación es muy complicada, es otro problema”, expresó Miguel Ronda, operario de UNISA

-¿Es tan difícil?

-Sí, hay que sacar el motor, abrirlo, quitar la caja de bolas, comprobar si tiene la numeración y buscar la sustituta. Se necesita herramientas de oxicorte, extractor, burro de madera, escaleras, grúa y un camión de carga. UNISA carece de la mayoría de esos medios.

La preocupación de todos es que UNISA, que no tiene culpa de que el gobierno la ponga al final de la cola en recursos, no pueda arreglar el ascensor. “Nunca se le dio mantenimiento” -afirma Pancho.

-Y no sólo es este ascensor. ¿Se asombra porque el Retiro Médico tiene los dos elevadores rotos? Métase de lleno en los edificios de la ciudad. ¡Verá que tiene que subir y bajar escaleras como un condenado! El problema de elevadores que no funcionan es en toda La Habana -enfatiza Ronda.

El edificio del Retiro Médico fue construido en la década del cincuenta. Por su sólida construcción, bellas líneas y funcionalidad fue merecedor entonces de la Medalla de Oro concedida por el Colegio Nacional de Arquitectos de Cuba.

cosanoalen@yahoo.com

E as filas no Paraíso aumentam cada vez mais...



Aumentan las colas

Friday, March 11, 2011 | Por Dania Virgen Garcia


LA HABANA, Cuba, 11 de marzo (Dania Virgen García, www.cubanet.org)
-Desde hace varias semanas las colas en La Habana son interminables, tanto en las farmacias, como en los agro-mercados y las paradas de los ómnibus.

Los medicamentos escasean tanto que algunos temen un regreso a la situación de los años 90, cuando se hacían colas de madrugada en las farmacias para conseguir los medicamentos, que raras veces alcanzaban para todos.

Desde la semana pasada, en los agro-mercados las colas no cesan, no para comprar arroz, sino para las papas, ahora que aparecieron. El costo de una libra de papa , cuando hay, es menor que el del arroz, que se vende ya a 5 pesos la libra, también cuando hay, lo que resulta demasiado caro para la mayor parte de la población.

dania.zuzy@gmail.com

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval politicamente correto


Artigo muito bom de Nelson Motta no Estadão


Carnaval politicamente correto
Nelson Motta - O Estado de S.Paulo
04 de março de 2011


Como seu próprio nome antecipava, o bloco carnavalesco "Que merda é essa?", usando camisetas com Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, enfrentou protestos irados de militantes que denunciaram o escritor por racismo contra Tia Nastácia e recomendaram ao Ministério da Educação o seu banimento das escolas públicas.

Com o avanço do politicamente correto, "Índio quer apito" será um dos próximos alvos, pela forma pejorativa de se referir aos nossos silvícolas, os verdadeiros donos da terra brasileira, enganados e explorados pelos brancos.

Por seu desrespeito à diversidade sexual e sua homofobia latente, Cabeleira do Zezé não deverá mais ser cantada nas ruas e em bailes, por estimular preconceitos contra homossexuais. Nem Maria Sapatão, a correspondente feminina da violência homofóbica contra o Zezé ("Corta o cabelo dele!" ). Além da ofensa ao profeta Maomé, ao compará-lo a um gay cabeludo. Por muito menos Salman Rushdie teve de passar anos escondido da fúria islâmica.

Precursor do politicamente correto, o fundamentalismo islâmico exigirá a proibição de Alá-Lá-Ô por usar com desrespeito o Nome Supremo em festas devassas e ofender o Islã. Um aiatolá dos Emirados Sáderes pode até emitir uma fatwa condenando os autores da blasfêmia à morte.

Pelo uso do termo pejorativo e racista "crioulo" não escaparão da condenação nem os ilustres afro-brasileiros Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Anescarzinho e Jair do Cavaquinho, criadores do clássico Quatro Crioulos, em 1965. Além da palavra maldita, a música diz que eles ocupam boquinhas públicas, em plena ditadura:

"São quatro crioulos inteligentes / rapazes muito decentes / fazendo inveja a muita gente / muito bem empregados numa secretaria ?"

O Samba do Crioulo Doido, de Sérgio Porto, é pior: por sugerir que a burrice e a ignorância seriam exclusivas dos negros e associá-las ao mundo do samba. Puro preconceito: a estupidez não escolhe cor e também abunda no rock, na política e no esporte. E cada vez mais nos meios acadêmicos racialistas e politicamente corretos.

Bom carnaval multicultural!

quarta-feira, 2 de março de 2011


Excelente o post do Janer Cristaldo, especialmente quando fala de plágios em teses universitárias!

DEUTSCHLAND ÜBER ALLES IN DER WELT:
LÁ, UMA MENTIRA DERRUBA MINISTROS


Janer Cristaldo (http://cristaldo.blogspot.com/), 01/03/2011


Há países que ainda conservam um certo pudor. Domingo passado, caiu Michèle Alliot-Marie, a chanceler francesa que aceitou carona em um avião de um preposto do general Zine El Abidine Ben Ali, o ditador recentemente deposto da Tunísia. Verdade que Patrick Ollier, seu amante e ministro de Relações com o Parlamento – que voou no mesmo avião no réveillon passado, continua ministro.

Como também François Fillon, que aceitou mordomias de Osni Mubarak, o ditador egípcio. De 26 de dezembro ao 02 de janeiro, o premiê viajou de Assuã a Abu Simbel, “convidado pelas autoridades egícias”. Sua estada e a de sua família, em uma mansão privada situada na ilha Elefantina, administrada pelo hotel Movenpick, também esteve a cargo das autoridades do país. Como também uma excursão pelo Nilo. Mais ainda: foi o próprio ditador quem ofereceu a Fillon o jato privado.

Um certo pudor, dizia. Pudor total é pedir demais. Na Alemanha, renunciou hoje Karl-Theodor zu Guttenberg, ministro da Defesa. Segundo os jornais, políticos de oposição haviam pedido à chanceler Angela Merkel que afastasse o ministro do cargo, acusando-o de "impostor" e "mentiroso". Caiu por deslize aparentemente menor que o da chanceler francesa. Descobriu-se que havia cometido plágio em sua tese de doutorado, ao não creditar corretamente as fontes e a bibliografia utilizadas em seu trabalho. Na semana passada, a universidade de Bayreuth havia cassado seu título. Já é algo.

Chez nous, Dilma Rousseff, quando ministra-chefe da Casa Civil, ao divulgar seu currículo na Plataforma Lattes, do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), atribuiu-se um mestrado e um doutorado em Ciências Econômicas pela Unicamp. Nem precisou plagiar. Conferiu a si mesmo os títulos, sem precisar de banca ou defesa de tese. Flagrada, admitiu não ter concluído os cursos de mestrado e doutorado, apesar de a informação constar em seu currículo no site do ministério. Afirmou na época que iria apurar de quem foi a responsabilidade pelas informações publicadas. Foi então eleita presidente da República e até hoje não sabemos quem foi o responsável pelas informações publicadas. Melhor esquecer. Se mentiras derrubam ministros na Europa, no Brasil elegem presidentes.

Por outro lado, a prestigiosa London School of Economics (LSE), que faz parte da Universidade de Londres, descobriu plágios na tese do Dr. Saif al-Islam, trabalho de 429 páginas, que aborda a importância da democracia para a governança global. O doutor em questão, ironicamente e não por acaso, é filho de Muamar Kadafi, o ditador líbio que está pela bola 7. O novel doutor, tampouco por acaso, dirige uma fundação que doou à universidade londrina 1,5 milhão de libras, o equivalente a mais de R$ 4 milhões. Está custando caro um Dr em Londres. Mas Kadafi é provedor generoso. Se comprou um time de futebol na Itália para que um seu outro rebento pudesse jogar, comprar um diploma numa universidade britânica é argent de poche.

Em entrevista concedida ontem a uma rádio britânica – segundo leio na imprensa - o diretor da faculdade, Howard Davies, admitiu estar envergonhado pela situação. Ainda mais depois das aparições do filho de Kadafi na TV estatal para defender o regime do pai, num momento em que os manifestantes estão sendo reprimidos com violência. Shame on you! Mas não houve vergonha alguma ao aceitar a grana do filho de um ditador árabe.

Cá no Brasil, a desconfortável prática de punir um acadêmico por plágio parece estar começando a preocupar os universitários. A USP, por exemplo, demitiu o professor Andreimar Soares, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, com mais de 15 anos de carreira, após entender que ele liderou pesquisa que plagiou trabalhos de outros pesquisadores.Verdade que poupou a ex-reitora Suely Vilela, co-autora da pesquisa questionada. Mas aí também é pedir demais. Reitor já atravessou o cabo da Boa Esperança. Está imune às tempestades da mídia.

Como imune permaneceu a petista Marilena Chauí, a sedizente filósofa da Fefeleche, como é conhecida a Faculdade de Letras e Ciências Humanas da USP. Plagiou vergonhosamente seu orientador, Claude Lefort. O plágio foi publicamente denunciado por José Guilherme Merquior, aliás com um eufemismo: o ensaísta usou o termo desatenção, não mais que isso. Foi o que bastou para que uspianos e similares jogassem Merquior, com abaixo-assinado inclusive, nas profundas do inferno da direita.

Houve até quem dissesse que "Marilena é intelectual e militante. Não possui o tempo necessário para leituras. Ela pode agir assim, pela causa". Claude Lefort, a única parte legítima para denunciar juridicamente o crime, também o relevou, o que deixa no ar a pergunta: que ocultos favores estaria Lefort agradecendo?

Como imune também permaneceu Ana Cristina César, por exemplo, que em seu trabalho de mestrado entregue à Escola de Comunicação da UFRJ em junho de 1979, plagiou gordos parágrafos da tese de doutorado de sua orientadora, professora e amiga, Heloísa Buarque de Holanda. Ana C., como é conhecida, suicidou-se em odor de santidade e seu plágio ficou relegado ao esquecimento.

Como também o de Chauí. Se Karl-Theodor zu Guttenberg teve seu título cassado pela universidade de Bayreuth, a PhDeusa uspiana permaneceu, impertérrita, no magistério da USP, quando deveria ter sido excluída dos quadros da universidade a que pertence. Mas ela é petista. Pode agir assim, pela causa.

Deutschland über alles, über alles in der Welt, onde ainda resta um certo pudor. Lá, uma mentira derruba ministros. Aqui, elege presidentes.

terça-feira, 1 de março de 2011