Demétrio Magnoli e Adriano Lucchesi
Artigo publicado no Estadão de 23/06/2011 e citado no blog de Augusto Nunes
“Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável”, escreveu o Times de Johannesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos. “Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?”. A constatação estava certa; a sugestão, errada. O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos.
Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais “dificuldades” seriam solucionadas “dentro de nossa família”. As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram os US$ 4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul. O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte.
O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América. Como constatou a Sports Industry Magazine, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram “a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados”. A Copa é um roubo: as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação “constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos”.
O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes. Por isso a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade. Encaixam-se no perfil África do Sul e Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022.
Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte. A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.
O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johannesburgo. Os ônibus enfrentavam selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo. O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente.
Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas, mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal. A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá se desenrola um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain.
O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul. Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais. O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$ 265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa. O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais.
Segundo a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do “orgulho nacional”. De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local. O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da Lei de Licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Mãezonas, megeras e mulherzinhas
Nelson Motta
O Estado de S.Paulo, 17/06/2011
Existe um "jeito feminino" de governar? Tão duras como o mais duro dos homens, Margareth Thatcher, Golda Meir e Indira Gandhi provaram que só existem bons ou maus governantes, só homens e mulheres honestos e competentes, ou não. Mas preparem-se para novas empulhações. Assim como qualquer crítica à Lula era rebatida como preconceito contra um operário nordestino, qualquer contestação à presidenta e às suas ministras agora será desqualificada como machismo, o truque barato que Marta Suplicy usa quando está em desvantagem no debate.
O que diria Lady Thatcher ouvindo a doce ministra Ideli dizer que até as mulheres políticas têm um lado mãezona? Parlamentares, ministros e burocratas que tremem diante de Dilma conhecem bem o seu lado mãezona, alguns até choram com as suas broncas maternais. Hoje é constrangedor lembrar de Lula vendendo Dilma ao eleitorado como quem ia cuidar do povo brasileiro como uma mãe, assim como cuidou maternalmente do PAC. Mãe era o Lula, pelo menos para os políticos, empresários e banqueiros.
Apesar do possível fracasso das opções de Dilma para substituir Palocci, foi delicioso ver a "macharia" partidária gemendo de impotência, arrancando os cabelos implantados e babando de frustração - sem poder fazer nada a não ser resmungar, bem baixinho, e entubar. Não é todo dia que se vê uma presidente enfrentar as elites dos atuais "partido-gang-empresas" e ignorar os supostos sócios do poder para impor as suas decisões pessoais, sem um macho para encará-la. Assim como burrice e ladroagem, autoritarismo e covardia não têm gênero, só graus.
Embora Shakespeare diga que os infernos não conhecem fúria maior do que uma mulher rejeitada, passada a fúria, talvez para elas seja mais fácil perdoar do que para eles. É o que sugere o depoimento de Dilma sobre os 80 anos de Fernando Henrique, em que reconheceu, com grandeza, elegância e justiça, todos os seus méritos e conquistas, deixando Lula de saia-justa, porque ele sempre os negou com a fúria e obsessão de uma mulher rejeitada, ao mesmo tempo em que se apossava de suas conquistas, como as mulherzinhas rancorosas e vingativas.
BÉLGICA SEM GOVERNO E ECONOMIA INDO DE VENTO EM POPA!
Ex-Blog de Cesar Maia, 17/06/2011
1. A Bélgica completou um ano de impasse político que levou o país a ficar sem governo – um governo provisório está no controle do país desde junho de 2010. O impasse ocorreu por causa de disputas de poder entre representantes das comunidades de língua francesa e flamenga, que já vinham causando divergências entre os dois lados há décadas. Os dois partidos vencedores da última eleição geral não conseguiram superar suas divergências a respeito de uma reforma constitucional. O primeiro-ministro interino, Yves Leterme, renunciou em abril de 2010, mas ainda está indo ao trabalho.
2. Enquanto isto, no dia-a-dia, o país continua funcionando bem. Sua economia está crescendo, as exportações estão em alta, o investimento estrangeiro continua, a presidência do país da União Europeia em 2010 foi considerada um sucesso e a Bélgica também contribuiu para a operação da Otan na Líbia. Isto ocorre em parte pelo fato de que os governantes provisórios e seus funcionários públicos são gerentes eficientes, mas também pelo fato de que muitos poderes já foram devolvidos para os governos regionais e comunidades linguísticas da Bélgica.
3. Uma página na internet fez a contagem regressiva para o dia em que o país bateu o recorde, deixando até o Iraque em segundo lugar - o país precisou de 289 dias para ter um governo, em 2009. O site agora traz a frase: "Sim, belgas, nós conseguimos!".
4. Tecnicamente, isto pode durar até a próxima eleição federal, em 2014. Uma nova eleição geral pode ser convocada ainda este ano, a partir de setembro ou até em 2012, coincidindo com as eleições locais. Outra possibilidade é que o Parlamento comece a exercer mais iniciativa e o governo provisório assuma novos poderes. Com isso, este governo provisório pode durar outro ano.
Pedro Malan comenta os 80 anos de Fernando Henrique Cardoso
Pedro Malan
Publicado no blog de Augusto Nunes, em 12/06/2011
“Quando quarenta invernos assediarem teu semblante” é a abertura de um dos mais belos sonetos de Shakespeare. À época, 40 anos era uma idade respeitável, a beleza era peregrina e, não mais que de repente, a força e o espírito da juventude se haviam esvaído. Hoje, chegar aos 80 invernos não é a raridade excepcional de antanho. Muitos – e muitas – o fazem. Mas chegar aos 80 mantendo extrema lucidez no infindável diálogo entre passado e futuro (seu próprio, do seu país e do mundo) é raro, muito raro. Quando, além disso, se chega aos 80 com invejável sentido de humor, marcante presença na vida política e no debate de temas de interesse público, é quase um desaforo.
Pois bem, é o que sempre fez, e faz hoje, nessa idade, o presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem tive o privilégio e o prazer de trabalhar na última década de meus quase 40 invernos de serviço publico. A amizade, que já existia, só fez se consolidar desde então. Espero que, quando o Brasil puder alcançar um mínimo de perspectiva histórica sobre nosso passado recente, se possa fazer justiça a Fernando Henrique Cardoso – à sua pessoa e a seu governo. Que venham os 90 invernos. Afinal, como escreveu Chaucer, “tão curta a vida, tão longo o ofício de aprender”.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Isto é Evo Morales, ídolo da esquerda latino-americana...
Publican las frases y disparates más llamativos de Evo Morales
La Paz | 14-06-2011 - 8:41 pm.
'Evadas, cien frases de Juan Evo Morales Ayma para la historia' fue recopilado por el escritor Alfredo Rodríguez.
Un libro recién publicado en Bolivia reúne declaraciones del presidente Evo Morales sobre pollos que causan "desviaciones" sexuales y vuelven calvos a los europeos o sobre el uso de Coca-Cola para desatascar cañerías, entre otras polémicas cuestiones, informa EFE.
Evadas, cien frases de Juan Evo Morales Ayma para la historia es la obra recopilada por el periodista y poeta Alfredo Rodríguez, presidente de la Asociación Cruceña de Escritores, fue publicada previamente en Santa Cruz (oriente del país) y presentada esta semana en La Paz.
Su autor aclara que no incluyó análisis semiológicos ni lingüísticos, ni juicios de valor, sino frases "que no salen de la boca de cualquier ciudadano, sino de un líder que ha sido nombrado diez veces Doctor Honoris Causa por universidades de todo el globo".
Las siguientes son algunas de las frases recogidas sobre diversas cuestiones, entre las que figuran sus opiniones sobre líderes políticos, sus críticas al imperialismo o su defensa del ecologismo.
Alimentación:
- "El pollo que comemos está cargado de hormonas femeninas. Por eso, cuando los hombres comen esos pollos, tienen desviaciones en su ser como hombres".
- "Algo interesante sobre la calvicie, y perdonen los hermanos europeos: la calvicie (...) es una enfermedad en Europa; casi todos son calvos, y esto es por los alimentos que comen, mientras que en los pueblos indígenas no hay calvos, porque no comemos esos alimentos. Pueden verme a mí por si acaso".
- "Cuando se tapa la taza del baño, ¿qué es lo que hacemos?, llamar al plomero (...) sin embargo, el plomero con sus diferentes instrumentos no puede resolver eso, y nos dice, dame cinco bolivianos, ocho bolivianos, ¿para qué?, para comprar Coca Cola. Compra la Coca Cola y la echa a la taza del baño, pasan minutos y ya está destapada (...) Imagínense, ¿qué químicos tendrá la Coca Cola?"
Mandatarios:
- "La falta de popularidad de Alan García en Perú le impulsó a demandar a Chile. Tal vez la mucha gordura le está afectando y no está bien informado"
- "Fidel no se ha enfermado, solo está en reparación. Fidel va a vivir 80 años más".
Imperios:
- "Nuestros abuelos lucharon históricamente contra todos los imperios: imperio inglés, imperio romano, contra todos los imperios, y ahora nos toca luchar contra el imperio norteamericano".
- "¿Cómo vamos a gritar 'España la grandiosa' (en el himno de la ciudad de Santa Cruz), cuando España ha sido nuestro saqueador, los invasores, los que nos han sometido?".
- "En países como Puerto Rico y Cuba los indígenas prefirieron autosuicidarse antes que ser esclavos de los españoles".
Mujeres:
- "Cuando voy a los pueblos, quedan todas las mujeres embarazadas y en sus barrigas dice EVO CUMPLE".
- "¿Saben que han dicho las mujeres en un evento en Cochabamba? Las compañeras en sus consignas dicen: Mujeres ardientes, Evo presidente. ¡Me han hecho asustar! Otra compañera dice: Mujeres calientes, Evo valiente. No estoy mintiendo, está grabado en la televisión. Otras mujeres, unas compañeras más agresivas o atrevidas, dicen: Mujeres aguantan, Evo no se cansa".
Política y ley:
- "Por encima de lo jurídico, es lo político (...) cuando algún jurista me dice: Evo, te estás equivocando jurídicamente, eso que estás haciendo es ilegal, bueno, yo le meto por más que sea ilegal. Después les digo a los abogados: si es ilegal, legalicen ustedes, ¿para qué han estudiado?"
- "Estar sometidos a las leyes es perjudicarnos. Aunque digan que es inconstitucional nuestros decretos, nuestros hechos, no importa (...) No hay que esperar las leyes, hay que seguir trabajando con decisiones políticas, y si nos demandan de inconstitucionalidad nuestros Decretos Supremos, será el pueblo quien juzgue".
Ecología y futuro:
- "En este milenio es más importante defender los derechos de la Madre Tierra que defender los derechos humanos".
- "Estaremos mejor que Suiza en diez o veinte años".
terça-feira, 14 de junho de 2011
Mapa da Corrupção no Brasil
Internet agora já tem mapa da corrupção brasileira
Marcio Allemand, O Globo, 13/06/2011
Este é o link: http://maps.google.com.br/maps/ms?hl=pt-BR&ie=UTF8&msa=0&msid=204209735970361037698.0004a40f41edf1d554ba0&t=h&z=7
RIO - Uma ferramenta inteligente e útil aos direitos de liberdade de expressão. Esta foi a opinião do coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Marlon Reis, ao saber do Mapa da Corrupção, uma espécie de "wikileaks" criado pela editora de imagens Raquel Diniz. Marlon reconhece que o serviço, hospedado no Google Maps, tem um potencial muito grande para mobilizar a sociedade de forma colaborativa e que por isso vai levar o tema para ser discutido na próxima reunião do MCCE, ainda este mês.
- A ideia é fazer com que o MCCE torne-se parceiro do Mapa da Corrupção, divulgando-o em suas redes sociais, pedindo apoio e colaboração de seus seguidores. Porém, enquanto aguardamos a Justiça decidir se a Lei da Ficha Limpa valerá ou não para as próximas eleições, não temos como coordenar outro projeto - informa Marlon.
O mapa surgiu na rede há menos de um mês, mas a ideia foi inspirada nos inúmeros protestos que a brasileira Raquel Diniz acompanhou de perto na Espanha, país onde morou nos últimos dois anos.
- Por conta da crise financeira que se abateu sobre a Europa, o governo espanhol tomou certas medidas consideradas drásticas e a população reagiu. O que eu vi por lá foi uma mobilização enorme e que tinham como suporte as redes sociais - conta Raquel.
Vivendo atualmente em São Paulo, a editora de imagens conta que o mapa nasceu exatamente no dia em que um casal de extrativistas foi assassinado no Pará .
- Minha revolta foi tanta quando soube da morte daquele casal, fora a série de denúncias que levaram á queda do ex-ministro Antonio Palocci , que na hora eu tive a ideia de criar o mapa e fazer um raio-X da corrupção no Brasil - revela.
Raquel diz que sempre alimentou muita revolta com o que acontece de errado no nosso país e que vive atenta ao cenário político brasileiro.
- Sou pautada pela internet e pelo que rola nas redes sociais. Sei da importância da mobilização via web e acredito na força de iniciativas populares, como o Ficha Limpa, por exemplo.
Raquel acredita que o mapa vai ajudar a melhorar a pouca memória que o brasileiro tem da corrupção.
- Sem o nosso voto os políticos não são nada e o mapa te dá este facilitador, que é saber se aquele candidato está envolvido em algum caso de corrupção ou não- conta Raquel.
O Mapa da Corrupção funciona nos mesmos moldes que o Wikipédia, ou seja, qualquer um pode e deve colaborar enviando informações. O único cuidado que se deve ter é para não incriminar ninguém injustamente. Portanto, é preciso uma boa fonte para não publicar informações erradas. Para colaborar é simples: basta ter uma conta no Facebook, fazer o login, escrever o texto, publicar e salvar.
- Pretendo que o mapa ajude às pessoas a se informarem e que cada brasileiro passe a ser um guardião da corrupção no Brasil - encerra Raquel.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/06/09/internet-agora-ja-tem-mapa-da-corrupcao-brasileira-924651082.asp#ixzz1PHXCcCaK
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Ha estado con nosotros ...
14 de Junio de 2011
Carlos Alberto Montaner
1. Buenas tardes, Sr. Montaner. ¿Cómo es posible que mientras muchas dictaduras latinoamericanas (en Chile, Argentina, Brasil, Uruguay...) hayan pasado a la historia, la tiranía castrista sigue vigente en Cuba?¿Hay cierta tendencia al populismo en Latinoamérica (p. ej. el peronismo en Argentina, Chaves en Venezuela, Morales en Bolivia? y es sobre la que se asienta el régimen de Castro o hay otros motivos? Muchas gracias.
La clave de la estabilidad de la dictadura está en la capacidad represiva del régimen, que en Cuba es total, y en el nivel de indefensión que perciben los cubanos. Algo parecido sucede en Corea del Norte. No importa que la casi totalidad de la población desee un cambio: pesa más el temor a las represalias.
2. Sr. Montaner sobre su ultima novela La Mujer del Corone, tiene algún contexto histórico? Y quisiera saber si aquí en la ciudad de Miami usted va a presentar su nueva novela en alguna fecha próxima?
Mi novela es una incursión en el mundo del machismo-leninismo. En Cuba las mujeres de los dirigentes viven bajo la vigilancia de la policía política. Les controlan la pelvis y le notifican al marido cualquier relación extramarital. Generalmente la denuncia le llega en un sobre amarillo. Presentaré mi novela en la Sala Bacardí de la Universidad de Miami este jueves 16 de junio a las 6.30 de la tarde. El recinto está en la calle Brescia de Coral Gables.
3. Siempre se ha hablado de la importancia del servicio de inteligencia cubana, que estan infiltrados hasta en las intituciones de exiliados. Mi pregunta es: es esto asi o estan sobredimensionados? Un saludo desde El Salvador!
Los servicios de inteligencia cubanos están muy presentes entre los exiliados. Son tácticas que La Habana aprendió de del KGB soviético. A veces es útil desconfiar de los elementos más recalcitrantes.
4. Despues de mas de medio siglo del regimen comunista en Cuba,por que el exilio no presenta un frente unido, es tan dificil estar de acuerdo en conceptos basicos como por ejemplo libertad para formar partidos politicos e iniciar una posicion unica del exilio. Jorge L. Suarez Pons
Tiene razón. Eso sería útil, pero no parece probable que suceda. La tendencia a la dispersión y a la falta de unidad es casi la regla en todos los exilios.
5. Señor Carlos Montaner, No cree que recibimos el mismo trato en asuntos que tienen que ver con nuestros paises me refiero a su Cuba, y yo, como Guineano, respecto al trato o al ostracismo en tiene España respecto a nuestras lubertades, a nuestrro desarrollo, a la paz, cuando en realidad España tiene mucho que hacer en la consecucion de esos objetivos, para la gloria de todos nosotros, y la de España , porque francamente siento que tiene mucho que ver con esos ditadores que gobiernan nuestros paises, ya sé señor, que esto no tiene nada que ver la publicacion de su libro de hoy, pero le oido en varias tertulias de radio, y sé que tambien tiene que ver con la política, ¿ se siente respaldado por los demócratas Españoles o es que le pasa lo mismo que a nosotros, que nos sentimos ninguneados, por estos (deemocratas ) de aqui, para mayor gloria de nuestro dictador, que si goza de simpatias entre esta clase politic a de aqui, ??, si no quiere no me conteste , lo entenderé porque no tiene nada que ver con el tema, que toca hoy, pero ya que no tengo muchas oportunidades de contactar con usted por eso lo hago ahora, Un saludo muy coordial y hasta siempre, Manuel Bang
La solidaridad con lo demócratas y entre demócras es un bien escaso. España, en general, no se ha portado bien con los guineanos. Son obscenas las buenas relaciones entre Madrid y Obiang, fundadas en los intereses económicos. Con los cubanos ha habido una mayor generosidad. Le deseo lo mejor y créame que comprendo su frustración.
6. Estimado Sr. Montaner, vivo en Miami y no entiendo porque tienen una buena parte de los mexicanos una posicion en contra de los Estados Unidos desde el Presidente con sus estupidas declaraciones esta semana en Califonia y tenemos que legalizar los millones de ciudadanos de ese pais que estan aqui sin papeles y que no soportan el sistema de vida de nosotros
Me gustaría que todos los indocumentados latinoamericanos tuvieran las mismas ventajas que la Ley de Ajuste les concede a los cubanos. Parte del éxito de la minoría cubana se debe a esa ley. Lo inteligente sería extenderla a otros grupos.
7. Buenas tardes, don Carlos ¿Qué le parece el apoyo de Vargas Llosa a Humala? y gracias por todo VIVA CUBA LIBRE!!!
Mario no quería el regreso del fujimorismo y le dio su decisivo apoyo a Humala, pero antes lo comprometió a respetar la Constitución. Si Humala respeta el pacto, la decisión de Mario habrá sido correcta. Si Humala traiciona el acuerdo y se decanta por el chavismo, Mario será acusado de ingenuidad. No nos queda otra que esperar.
8. ¿Por qué las críticas del FT ayer sobre Zapatero y su política con Cuba apenas tuvieron repercusión estos días? ¿Cree usted que el régimen cubano sigue 'comprando opinión' con sus maneras soviéticas? Un cordial saludo y viva Cuba Libre.
El gobierno cubano dedica grandes esfuerzos y recursos a crear o mantener una imagen positiva, pero, en general, es una dictadura detestada. Por eso La Habana se queja constantemente de una supuesta conspiración mediática en su contra.
9. Sr.Montaner, con sus grandes conocimientos sobre el comunismo,como se atreve a apostar porque Humala se vaya a separar de Chavez si ha sido quien financiado la camapaña politica con el dinero chavista?Si un comunista dice la verdad, jamas llegaria al poder.Dijo Castro, o Chavez, que eran comunistas antes de la toma del poder?
Sé que hay grandes posibilidades de que Humala intente moverse en la dirección del chavismo, pero hay algunos precedentes contrarios: Lula, Mujica, incluso el ecuatoriano Lucio Gutiérrez. A Humala le será muy difícil crear una dictadura de corte chavista.
10. ¿Qué hará Raúl Castro para deshacerse de la influencia imperial de Chávez?
Según sus allegados, Raúl tiene una opinión muy pobre de Chávez. No lo respeta ni como militar, ni como revolucionario, pero sí como la gran fuente de ingresos del país. Tratará de protegerlo y de exprimirlo.
11. Pudiera darnos algún comentario del drama que vive la sociedad mexicana relacionado con la violencia derivada de la lucha contra el narcotráfico
El arma mejor para luchar contra los cárteles de la droga es un Estado de Derecho respetado por la clase dirigente, cosa que no sucede en México. No se puede aplicar la ley selectivamente. El poder de los narcotraficantes deriva de la inmensa corrupción que pudre los cimientos de ese país desde hace muchas décadas.
12. Reconoce Carlos Alberto Montaner que ha existido terrorismo hacia Cuba, el cual ha costado vidas inocentes y civiles. Se hace la pregunta desde el reconocimiento de que ha existido terrorismo proveniente de Cuba
Claro que lo reconozco y lo condeno. Toda esta siniestra historia comenzó con las bombas que colocaban los castristas en Cuba durante la lucha contra la dictadura de Batista. El primer acto criminal contra un avión lleno de civiles no fue el bárbaro atentado contra un avión de Cubana en Barbados, sino el secuestro y destrucción de otro avión de Cubana en 1958 orquestado por una célula del Movimiento 26 de Julio. Uno de sus protagonistas es hoy general (retirado) en Cuba.
13. Como ve el futuro de cuba en una decada ?
En una década la sociedad cubana ya debe estar forjando un sistema democrático en el terreno político y su modelo económico debe ser el del mercado y la existencia de propiedad privada.
14. Estimado Carlos Alberto Le conocí en el Círculo de Bellas Artes de Madrid en una firma de un libro suyo. Para mi es Ud. fuente de inspiración y modelo a seguir. Aquella ocasión le comenté que intentábamos organizar Raíces de Esperanza España. Quizás no lo recuerde. Mis preguntas concretas: ¿Qué cualidades necesarias imagina en el ciudadano cubano post castrismo para construir la Cuba que soñamos con Todos y para el Bien de Todos? ¿No cree que una de las primeras asignaturas en el sistema educativo post castrista sería Cívica y la segunda cómo ser emprendedor? ¿Cómo podrán ser los cubanos de la Isla empresarios de verdad, independientemente que una mayoría pueda ser emprendedora? Gracias de antemano por todo lo que hace por Cuba. Las infamias, las calumnias y las mentiras contra Ud. no podrán impedir que la verdad sobre su persona aflore. Algún día, en una Cuba democrática y en sus Libros de Historia, se hará justicia a su personalidad y obra. Espero verle de nuevo por Madrid. Un saludo Gilberto Martínez
Gracias, Gilberto. Los cubanos tendrán que aprender a vivir en libertad y a asumir la responsabilidad con sus vidas. Eso tomará cierto tiempo, como vemos en las sociedades europeas que han abandonado el comunismo. Vivir fuera de la jaula tiene sus peligros.
15. Estimado y admirado Sr. Montaner, ¿hay algo extraño o no contado detras de la operaion de Hugo Chaves en Cuba?
Eso parece. Siguen llegando a la Isla familiares de Chávez. Los médicos no le hablan a la prensa. Todo es tan ambiguo que da pie para toda clase de sospechas y especulaciones.
16. el capitalismo se ha consolidado en paises como Suecia o Noruega donde hay bienestar social, ud cree que en paises como Peru o Colombia -donde predomina el oligopolio- y no hay bienestar social la simple apertura de mercados va a desarrollar estos paises
El ejemplo de Chile es alentador. Paulatinamente disminuye la pobreza y aumentan las clases medias. Perú parece que va por el mismo camino. Naturalmente, el mercado sólo no resuelve el problema. Son necesarias políticas públicas sensatas y un clima educativo y cultural que fomente la creación de empresas. Israel en un país al que debíamos mirar.
17. Conoce Ud, D. Carlos: Cuantos de todos los Sanitarios(Médicos,Enfermeros,etc).- Envíados a Venezuela como moneda de cambio(Petroleo).. Se sienten perseguidos por la Policia(Cubano-Venezolana) Y CUANTOS SE HAN IDO VÍA VENEZUELA A OTRAS PARTES DEL MUNDO.. MUCHAS GRACIAS.. Para cuando una Charla suya en Canarias
La cifra de sanitarios cubanos alquilados a otros países se sitúa en torno a los cincuenta mil. Les llaman ESCLAVOS DE BATA BLANCA. Son buenos profesionales utilizados como herramientas diplomáticas y económicas de la dictadura. Los griegos antiguos les llamaban a los esclavos Herramientas parlantes
18. Ha apoyado o simpatizado usted alguna vez la opción violenta para derrocar a la revolución cubana
Yo crecí admirando la lucha violenta de Martí y los independentistas cubanos contra el poder colonial español. Luego tuve simpatías por los revolucionarios cubanos que derrocaron al dictador Machado y al posterior dictador Batista. Me ilusionó mucho el triunfo de la revolución en 1959, pero cuando se hizo evidente que se había entronizado una dictadura de corte estalinista que no dejaba opciones a los demócratas, simpaticé mucho con los campesinos y estudiantes que trataron de impedir esa monstruosidad recurriendo a la resistencia. El derecho a la resistencia armada contra la tiranía estaba consagrado por la Constitución cubana entonces vigente. Fue el principio que Fidel Castro invocó para lanzar un violento ataque armado contra el cuartel Moncada en 1953.
19. ¿TODOS LOS POLITICOS DE ESPAÑA, AYUNTAMIENTOS;PERSONAL DE LOS MISMOS;SE HACEN AUDITORIAS ,CADA AÑO;DE TODOS SUS GASTOS Y MOVIMIETOS ECONOMICOS? SE HABRIA DE HACER PUBLICO.
La transparencia y la rendición de cuentas son las claves del estado de derecho. Luz y taquígrafos es el viejo grito de los liberales españoles.
20. tiene secretos Carlos Alberto Montaner, en especial secretos de índole política relacionados con Cuba
No, no tengo secretos. Como periodista, como escritor, mi oficio consiste en contar, no en ocultar.
21. ¿Cuál es la realidad de la cultura y la sanidad cubana como gran logro"revolucionar io, según su opinión?
La dictadura ha hecho cierto esfuerzo en esos campos, pero los logros están sobredimensionados y consumen una parte desproporcionada de los mínimos recursos que genera el raquítico aparato productivo cubano. La calidad de los servicios médicos en países como Chile o Uruguay son notablemente superiores a los de Cuba.
22. Buenas tardes. ¿Que opina de las tertulias que se montan en la SER en el programa la ventana donde acude el hijo de Vargas Llosa?. Un saludo
No las he oído, pero Álvaro Vargas Llosa es una persona muy inteligente y muy bien informada.
Despedida
Muchas gracias a todos los participantes. No hablamos mucho de mi novela LA MUJER DEL CORONEL, pero creo que las preguntas fueron inteligentes.
14 de Junio de 2011
Carlos Alberto Montaner
1. Buenas tardes, Sr. Montaner. ¿Cómo es posible que mientras muchas dictaduras latinoamericanas (en Chile, Argentina, Brasil, Uruguay...) hayan pasado a la historia, la tiranía castrista sigue vigente en Cuba?¿Hay cierta tendencia al populismo en Latinoamérica (p. ej. el peronismo en Argentina, Chaves en Venezuela, Morales en Bolivia? y es sobre la que se asienta el régimen de Castro o hay otros motivos? Muchas gracias.
La clave de la estabilidad de la dictadura está en la capacidad represiva del régimen, que en Cuba es total, y en el nivel de indefensión que perciben los cubanos. Algo parecido sucede en Corea del Norte. No importa que la casi totalidad de la población desee un cambio: pesa más el temor a las represalias.
2. Sr. Montaner sobre su ultima novela La Mujer del Corone, tiene algún contexto histórico? Y quisiera saber si aquí en la ciudad de Miami usted va a presentar su nueva novela en alguna fecha próxima?
Mi novela es una incursión en el mundo del machismo-leninismo. En Cuba las mujeres de los dirigentes viven bajo la vigilancia de la policía política. Les controlan la pelvis y le notifican al marido cualquier relación extramarital. Generalmente la denuncia le llega en un sobre amarillo. Presentaré mi novela en la Sala Bacardí de la Universidad de Miami este jueves 16 de junio a las 6.30 de la tarde. El recinto está en la calle Brescia de Coral Gables.
3. Siempre se ha hablado de la importancia del servicio de inteligencia cubana, que estan infiltrados hasta en las intituciones de exiliados. Mi pregunta es: es esto asi o estan sobredimensionados? Un saludo desde El Salvador!
Los servicios de inteligencia cubanos están muy presentes entre los exiliados. Son tácticas que La Habana aprendió de del KGB soviético. A veces es útil desconfiar de los elementos más recalcitrantes.
4. Despues de mas de medio siglo del regimen comunista en Cuba,por que el exilio no presenta un frente unido, es tan dificil estar de acuerdo en conceptos basicos como por ejemplo libertad para formar partidos politicos e iniciar una posicion unica del exilio. Jorge L. Suarez Pons
Tiene razón. Eso sería útil, pero no parece probable que suceda. La tendencia a la dispersión y a la falta de unidad es casi la regla en todos los exilios.
5. Señor Carlos Montaner, No cree que recibimos el mismo trato en asuntos que tienen que ver con nuestros paises me refiero a su Cuba, y yo, como Guineano, respecto al trato o al ostracismo en tiene España respecto a nuestras lubertades, a nuestrro desarrollo, a la paz, cuando en realidad España tiene mucho que hacer en la consecucion de esos objetivos, para la gloria de todos nosotros, y la de España , porque francamente siento que tiene mucho que ver con esos ditadores que gobiernan nuestros paises, ya sé señor, que esto no tiene nada que ver la publicacion de su libro de hoy, pero le oido en varias tertulias de radio, y sé que tambien tiene que ver con la política, ¿ se siente respaldado por los demócratas Españoles o es que le pasa lo mismo que a nosotros, que nos sentimos ninguneados, por estos (deemocratas ) de aqui, para mayor gloria de nuestro dictador, que si goza de simpatias entre esta clase politic a de aqui, ??, si no quiere no me conteste , lo entenderé porque no tiene nada que ver con el tema, que toca hoy, pero ya que no tengo muchas oportunidades de contactar con usted por eso lo hago ahora, Un saludo muy coordial y hasta siempre, Manuel Bang
La solidaridad con lo demócratas y entre demócras es un bien escaso. España, en general, no se ha portado bien con los guineanos. Son obscenas las buenas relaciones entre Madrid y Obiang, fundadas en los intereses económicos. Con los cubanos ha habido una mayor generosidad. Le deseo lo mejor y créame que comprendo su frustración.
6. Estimado Sr. Montaner, vivo en Miami y no entiendo porque tienen una buena parte de los mexicanos una posicion en contra de los Estados Unidos desde el Presidente con sus estupidas declaraciones esta semana en Califonia y tenemos que legalizar los millones de ciudadanos de ese pais que estan aqui sin papeles y que no soportan el sistema de vida de nosotros
Me gustaría que todos los indocumentados latinoamericanos tuvieran las mismas ventajas que la Ley de Ajuste les concede a los cubanos. Parte del éxito de la minoría cubana se debe a esa ley. Lo inteligente sería extenderla a otros grupos.
7. Buenas tardes, don Carlos ¿Qué le parece el apoyo de Vargas Llosa a Humala? y gracias por todo VIVA CUBA LIBRE!!!
Mario no quería el regreso del fujimorismo y le dio su decisivo apoyo a Humala, pero antes lo comprometió a respetar la Constitución. Si Humala respeta el pacto, la decisión de Mario habrá sido correcta. Si Humala traiciona el acuerdo y se decanta por el chavismo, Mario será acusado de ingenuidad. No nos queda otra que esperar.
8. ¿Por qué las críticas del FT ayer sobre Zapatero y su política con Cuba apenas tuvieron repercusión estos días? ¿Cree usted que el régimen cubano sigue 'comprando opinión' con sus maneras soviéticas? Un cordial saludo y viva Cuba Libre.
El gobierno cubano dedica grandes esfuerzos y recursos a crear o mantener una imagen positiva, pero, en general, es una dictadura detestada. Por eso La Habana se queja constantemente de una supuesta conspiración mediática en su contra.
9. Sr.Montaner, con sus grandes conocimientos sobre el comunismo,como se atreve a apostar porque Humala se vaya a separar de Chavez si ha sido quien financiado la camapaña politica con el dinero chavista?Si un comunista dice la verdad, jamas llegaria al poder.Dijo Castro, o Chavez, que eran comunistas antes de la toma del poder?
Sé que hay grandes posibilidades de que Humala intente moverse en la dirección del chavismo, pero hay algunos precedentes contrarios: Lula, Mujica, incluso el ecuatoriano Lucio Gutiérrez. A Humala le será muy difícil crear una dictadura de corte chavista.
10. ¿Qué hará Raúl Castro para deshacerse de la influencia imperial de Chávez?
Según sus allegados, Raúl tiene una opinión muy pobre de Chávez. No lo respeta ni como militar, ni como revolucionario, pero sí como la gran fuente de ingresos del país. Tratará de protegerlo y de exprimirlo.
11. Pudiera darnos algún comentario del drama que vive la sociedad mexicana relacionado con la violencia derivada de la lucha contra el narcotráfico
El arma mejor para luchar contra los cárteles de la droga es un Estado de Derecho respetado por la clase dirigente, cosa que no sucede en México. No se puede aplicar la ley selectivamente. El poder de los narcotraficantes deriva de la inmensa corrupción que pudre los cimientos de ese país desde hace muchas décadas.
12. Reconoce Carlos Alberto Montaner que ha existido terrorismo hacia Cuba, el cual ha costado vidas inocentes y civiles. Se hace la pregunta desde el reconocimiento de que ha existido terrorismo proveniente de Cuba
Claro que lo reconozco y lo condeno. Toda esta siniestra historia comenzó con las bombas que colocaban los castristas en Cuba durante la lucha contra la dictadura de Batista. El primer acto criminal contra un avión lleno de civiles no fue el bárbaro atentado contra un avión de Cubana en Barbados, sino el secuestro y destrucción de otro avión de Cubana en 1958 orquestado por una célula del Movimiento 26 de Julio. Uno de sus protagonistas es hoy general (retirado) en Cuba.
13. Como ve el futuro de cuba en una decada ?
En una década la sociedad cubana ya debe estar forjando un sistema democrático en el terreno político y su modelo económico debe ser el del mercado y la existencia de propiedad privada.
14. Estimado Carlos Alberto Le conocí en el Círculo de Bellas Artes de Madrid en una firma de un libro suyo. Para mi es Ud. fuente de inspiración y modelo a seguir. Aquella ocasión le comenté que intentábamos organizar Raíces de Esperanza España. Quizás no lo recuerde. Mis preguntas concretas: ¿Qué cualidades necesarias imagina en el ciudadano cubano post castrismo para construir la Cuba que soñamos con Todos y para el Bien de Todos? ¿No cree que una de las primeras asignaturas en el sistema educativo post castrista sería Cívica y la segunda cómo ser emprendedor? ¿Cómo podrán ser los cubanos de la Isla empresarios de verdad, independientemente que una mayoría pueda ser emprendedora? Gracias de antemano por todo lo que hace por Cuba. Las infamias, las calumnias y las mentiras contra Ud. no podrán impedir que la verdad sobre su persona aflore. Algún día, en una Cuba democrática y en sus Libros de Historia, se hará justicia a su personalidad y obra. Espero verle de nuevo por Madrid. Un saludo Gilberto Martínez
Gracias, Gilberto. Los cubanos tendrán que aprender a vivir en libertad y a asumir la responsabilidad con sus vidas. Eso tomará cierto tiempo, como vemos en las sociedades europeas que han abandonado el comunismo. Vivir fuera de la jaula tiene sus peligros.
15. Estimado y admirado Sr. Montaner, ¿hay algo extraño o no contado detras de la operaion de Hugo Chaves en Cuba?
Eso parece. Siguen llegando a la Isla familiares de Chávez. Los médicos no le hablan a la prensa. Todo es tan ambiguo que da pie para toda clase de sospechas y especulaciones.
16. el capitalismo se ha consolidado en paises como Suecia o Noruega donde hay bienestar social, ud cree que en paises como Peru o Colombia -donde predomina el oligopolio- y no hay bienestar social la simple apertura de mercados va a desarrollar estos paises
El ejemplo de Chile es alentador. Paulatinamente disminuye la pobreza y aumentan las clases medias. Perú parece que va por el mismo camino. Naturalmente, el mercado sólo no resuelve el problema. Son necesarias políticas públicas sensatas y un clima educativo y cultural que fomente la creación de empresas. Israel en un país al que debíamos mirar.
17. Conoce Ud, D. Carlos: Cuantos de todos los Sanitarios(Médicos,Enfermeros,etc).- Envíados a Venezuela como moneda de cambio(Petroleo).. Se sienten perseguidos por la Policia(Cubano-Venezolana) Y CUANTOS SE HAN IDO VÍA VENEZUELA A OTRAS PARTES DEL MUNDO.. MUCHAS GRACIAS.. Para cuando una Charla suya en Canarias
La cifra de sanitarios cubanos alquilados a otros países se sitúa en torno a los cincuenta mil. Les llaman ESCLAVOS DE BATA BLANCA. Son buenos profesionales utilizados como herramientas diplomáticas y económicas de la dictadura. Los griegos antiguos les llamaban a los esclavos Herramientas parlantes
18. Ha apoyado o simpatizado usted alguna vez la opción violenta para derrocar a la revolución cubana
Yo crecí admirando la lucha violenta de Martí y los independentistas cubanos contra el poder colonial español. Luego tuve simpatías por los revolucionarios cubanos que derrocaron al dictador Machado y al posterior dictador Batista. Me ilusionó mucho el triunfo de la revolución en 1959, pero cuando se hizo evidente que se había entronizado una dictadura de corte estalinista que no dejaba opciones a los demócratas, simpaticé mucho con los campesinos y estudiantes que trataron de impedir esa monstruosidad recurriendo a la resistencia. El derecho a la resistencia armada contra la tiranía estaba consagrado por la Constitución cubana entonces vigente. Fue el principio que Fidel Castro invocó para lanzar un violento ataque armado contra el cuartel Moncada en 1953.
19. ¿TODOS LOS POLITICOS DE ESPAÑA, AYUNTAMIENTOS;PERSONAL DE LOS MISMOS;SE HACEN AUDITORIAS ,CADA AÑO;DE TODOS SUS GASTOS Y MOVIMIETOS ECONOMICOS? SE HABRIA DE HACER PUBLICO.
La transparencia y la rendición de cuentas son las claves del estado de derecho. Luz y taquígrafos es el viejo grito de los liberales españoles.
20. tiene secretos Carlos Alberto Montaner, en especial secretos de índole política relacionados con Cuba
No, no tengo secretos. Como periodista, como escritor, mi oficio consiste en contar, no en ocultar.
21. ¿Cuál es la realidad de la cultura y la sanidad cubana como gran logro"revolucionar io, según su opinión?
La dictadura ha hecho cierto esfuerzo en esos campos, pero los logros están sobredimensionados y consumen una parte desproporcionada de los mínimos recursos que genera el raquítico aparato productivo cubano. La calidad de los servicios médicos en países como Chile o Uruguay son notablemente superiores a los de Cuba.
22. Buenas tardes. ¿Que opina de las tertulias que se montan en la SER en el programa la ventana donde acude el hijo de Vargas Llosa?. Un saludo
No las he oído, pero Álvaro Vargas Llosa es una persona muy inteligente y muy bien informada.
Despedida
Muchas gracias a todos los participantes. No hablamos mucho de mi novela LA MUJER DEL CORONEL, pero creo que las preguntas fueron inteligentes.
Avanza inédita demanda en Cuba
Juan O. Tamayo
jtamayo@elnuevoherald.com
El Nuevo Herald, 14/06/2011
Después de una batalla sin precedentes que llegó al tribunal supremo de Cuba, un grupo de abogados independientes ha ganado el primer paso para inscribir una organización que proporcione asesoramiento jurídico a la sociedad civil, incluidos los disidentes.
“No estamos cantando victoria todavía, pero ya estamos preparando el segundo paso necesario para convertirnos en protectores del pueblo, de todo el pueblo sin excepciones”, dijo el lunes Wilfredo Vallín por teléfono desde La Habana.
El abogado de 63 años puso una demanda contra la ministra de Justicia, María Esther Reus González, en el 2009 alegando que violó la ley al negarse a responder a su intento de inscribir oficialmente la Asociación Jurídica Cubana (AJC) como una organización no gubernamental.
Los funcionarios del ministerio no habían respondido nunca antes a tales solicitudes de los críticos del gobierno, lo cual hace que los grupos fueran técnicamente ilegales y, por lo tanto, que estuvieran sujetos a castigo por el delito de “asociación ilícita”.
Los tribunales, controlados por el Partido Comunista descartaban a su vez las pocas impugnaciones legales presentadas por los disidentes contra el gobierno o sus funcionarios, según expertos legales. El gobierno califica regularmente a los disidentes como “mercenarios” pagados por Estados Unidos.
Sin embargo, Vallín se sorprendió de que su demanda ascendiera por la escala legal de Cuba hasta abril, cuando el máximo tribunal declaró que el abogado no había presentado su documento ante el tribunal apropiado, pero permitió que el caso continuara.
Vallín escribió en la página web de la AJC el lunes que se enteró de su victoria durante una visita al ministerio, “en la que fue atendido con una amabilidad que ojalá se aplicara a cuanto cubano acude a ese ministerio”.
Vallín publicó una copia del documento del 3 de junio, expedido por el Departamento de Inscripción de Asociaciones del Ministerio de Justicia, que certifica que ningún otro grupo se ha inscrito con el mismo nombre o propósito que la AJC.
Con ese documento en la mano, ahora puede pedir que la AJC sea legalmente reconocida y autorizada para llevar a cabo su labor, le dijo a El Nuevo Herald.
La AJC se proyecta como un grupo independiente que ofrece asesoramiento jurídico gratuito a cualquier persona que lo necesite. Sin embargo, ha trabajado sobre todo con grupos disidentes, y los funcionarios de la seguridad del Estado han bloqueado o prevenido varios seminarios de la AJC diseñados para enseñar a los disidentes sus derechos cuando se enfrentan a la policía.
“No se me escapa que para aquellos acostumbrados a hacer de la ley letra muerta y a campear ‘por su respeto’, la posibilidad de la existencia de una ONG de abogados independientes que reclame la aplicación pareja de la ley a todos en igualdad ante ella, no es una buena noticia”, escribió en su mensaje en la web.
Vallín demandó a Reus González para obligar a que su ministerio respondiera su solicitud de un certificado donde se estableciera que ninguna otra organización no gubernamental se había inscrito con el mismo nombre o propósito que la AJC.
Para sorpresa de Vallín y de los expertos legales cubanos, un tribunal accedió a considerar su queja y, posteriormente, ordenó a la ministra que designara abogados para que la defendieran contra la demanda.
“Al fin, luego de dos años y dos meses, la Asociación Jurídica Cubana (AJC) recibió el certificado que nos llevó a una insospechada (e indeseada) marcha hasta el Tribunal Supremo de la nación”, escribió Vallín el lunes.
Agregó que se encuentra trabajando actualmente en el siguiente paso: la solicitud de que la AJC sea oficialmente reconocida como la primera organización independiente y verdaderamente no gubernamental de Cuba.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Lição de pornopolítica
Nelson Motta - O Estado de S.Paulo
10 de junho de 2011 | 0h 00
"Quando atacam um companheiro nosso, temos que defendê-lo. Nem que depois a gente o chame num canto e diga que ele está errado."
A frase poderia ser de um chefão mafioso para a quadrilha, ou de um lobo para a matilha, mas é a mais perfeita expressão do conceito lulista de ética, que se aplica tanto a Delúbio e Zé Dirceu como a Sarney, Renan e Severino.
Claro que depois Lula os chamou num canto e disse que eles estavam errados, nós sabemos como Lula é rigoroso. Na ética companheira o mais importante não é fazer errado, é não ser flagrado. Falar com a língua presa não é nada, o problema é ter preso o rabo.
Assim como os livros do MEC ensinam que 10 - 7 = 4, e que falar errado é só um preconceito linguístico, o lulismo trouxe conceitos éticos inovadores, como o que aceita o roubo e a corrupção, desde que seja para o partido. Mas, se for em causa própria, basta chamar o partido para defender o companheiro e salvá-lo da cadeia. Depois será chamado de lado para ouvir que estava errado.
No Brasil pós-Lula ninguém se envergonha de ser eleito para defender os interesses do País e dos seus eleitores - e também dar consultas para empresas privadas que só têm interesse em seus lucros.
Mas não é ilegal, gritam. É apenas imoral. Em países sérios seria, mas aqui nunca será, porque os deputados jamais vão legislar contra seus próprios interesses. É só uma afronta a homens e mulheres honestos que lutam para ganhar a vida e pagar impostos para sustentar essa gentalha. O traficante de influência é pior do que o de drogas, porque vende o que não lhe pertence.
Mesmo assim eles não conseguem viver com o salário de R$ 25 mil - maior do que o de parlamentares americanos e japoneses - e por isso precisam manter outro emprego, como Palocci e outros "consultores". São deputados part time, que servem mais a seus clientes do que ao País.
Com todo respeito pela minoria que ainda resiste, atualmente a deputança parece apenas uma boquinha meio período, um trampolim para subir na vida e nivelar por baixo. Como diz a velha piada, mais atual do que nunca, eles estão fazendo na vida pública o que fazem na privada.
Austeridad y suicidio político
En memoria de Adolfo Rivero Caro
Por Carlos Alberto Montaner, 31/05/2011
(FIRMAS PRESS) En España han castigado a los socialistas severamente en las urnas porque después de varios años de irresponsabilidad fiscal, enorme deuda pública, gastos innecesarios y desempleo creciente, se vieron obligados a gobernar con prudencia y comenzaron a ajustarle el cinturón a la población. Los electores, sencillamente, no respaldan a los políticos que llevan a cabo los temidos ajustes. Mientras el recorte es un tema abstracto de discusión, todo el mundo parece comprender que no es posible gastar más de lo que se produce durante un tiempo prolongado porque sobreviene la quiebra. Pero cuando ese razonamiento se transforma en políticas públicas, todo el que se ve afectado culpa al gobierno de sus desdichas y le quita su apoyo.
Es un fenómeno universal. En pocos meses el flamante gobernador de la Florida se ha convertido en uno de los políticos más rechazados de Estados Unidos. Es cierto que no es una persona cálida, ni está dotado de esa atracción natural que suelen llamar carisma, pero su creciente impopularidad no deriva de sus rasgos psicológicos, sino de las medidas de austeridad que toma para enfrentarse a la crisis que atraviesa Florida. Lo eligieron para poner orden en las cuentas del Estado, pero cuando ha comenzado a reducir gastos y a eliminar empleados públicos, la reacción general ha sido el repudio.
Este fenómeno se origina en un problema que tiene muy difícil solución: el elector no percibe los síntomas del mal gobierno, sino los aparentes beneficios que recibe. El gasto público alegre y continuado –especialmente si una parte se dedica a subsidios directos-- es visto como una prueba de las preocupaciones de los políticos con la sociedad y no como un manejo torpe de los recursos de la colectividad. El elector no siente que el político está asignándole un dinero que previamente le ha extraído del bolsillo, y todavía le resulta mucho menos alarmante la noticia de que se ha contraído una deuda que alguien tendrá que pagar algún día. Precisamente, no hay nada que disfrute más que vivir mejor de lo que sus ingresos reales le permiten y ya se verá por dónde sale el sol.
Eso explica la escasa incidencia que tienen las acusaciones de corrupción en las batallas electorales. Al elector no le importa demasiado si el político se apodera de los bienes públicos, recibe coimas y se vale de su cargo para favorecer a los amigos. Detrás de esa indiferencia moral está la falsa sensación de que los fondos desviados no le pertenecen. Ni siquiera advierte que la corrupción no sólo pudre los cimientos de la democracia, sino, además, encarece todas las transacciones. Ese maletín lleno de dinero en efectivo que va a parar al bolsillo de los políticos corruptos luego lo pagan de alguna manera los consumidores finales de bienes y servicios.
Sólo hay dos formas de enfrentarse a este problema. La primera es la información descarnada. De la misma manera que cuando uno compra una cajetilla de cigarrillos le comunican que acaba de acortar su vida porque el tabaco produce cáncer, enfisema, irritación de las vías respiratorias y de las encías, la sociedad debe hacer patente cuáles son las consecuencias de todo gasto público, como tratan de hacer, sin mucho éxito, los economistas del “public choice”. Es muy importante que la sociedad perciba que no hay dispendio bueno, aunque algunos se beneficien a corto plazo.
La otra manera es generar candados constitucionales e impedimentos legislativos blindados para que disminuya la tentación al malgasto. Si los presupuestos se hacen inflexibles, si se les pone límites legales al porcentaje de empleados públicos y a los salarios que pueden devengar, y si cada gasto tuviera que ser aprobado por un contralor elegido para esa amarga función de impedir los excesos y la prodigalidad, probablemente el elector tendría la tentación de respaldar a los buenos políticos y no a los que más incurren en los míticos gastos sociales.
En nuestro sistema democrático la idea de que existe y se percibe un bien común es una falacia. Lo que existen son intereses particulares defendidos a dentelladas por los grupos de presión con algún acceso al poder. Eso es triste, pero es bueno entenderlo.[©FIRMAS PRESS]
www.firmaspress.com
sexta-feira, 10 de junho de 2011
A glória de César e o punhal de Brutus
Sandro Vaia, no blog de Ricardo Noblat
10/06/2011
Os Proletários Armados para o Comunismo, mais Tarso Genro, mais Eduardo Suplicy, mais Lula e um grande séquito de simpatizantes das utopias regressivas estão em festa.
Césare Battisti está livre, pode flanar tranqüilo pelas ruas do País, e se facilitar ainda recebe uma generosa pensão do Estado brasileiro por ter ficado preso na Papuda.
A justiça italiana foi julgada pela justiça brasileira e considerada inepta. A democracia italiana foi julgada pela democracia brasileira e considerada incompetente.
A decisão do STF de conceder liberdade a Battisti, em acatamento à decisão do então presidente da República, que lhe concedeu asilo no apagar das luzes de sua épica gestão, só não foi o espetáculo mais patético da semana porque um dia antes houve a despedida de Palocci no Planalto.
Foram duas óperas bufas, muito embora a despedida de Palocci tivesse sido enobrecida por um fundo de clássica inspiração shakespereana. Ao se despedir da presidente Dilma, com um belo punhal cravado nas costas, Palocci poderia ter dito a ela e aos companheiros que o cercavam e principalmente à senadora nomeada para substitui-lo: “Até tu, Brutus? “.
Os Marco Antonios fizeram os seus discursos em homenagem àquele “homem honrado” e todos foram para casa limpando e escondendo os punhais com que despacharam pela segunda vez o incômodo companheiro, reincidente em inconveniências comportamentais e políticas.
E tudo por um “projeto pessoal”, como pontificou a substituta, dando a entender que estaria disposta a anistiá-lo se a causa fosse coletivo- partidária, como a dos bravos guerreiros do mensalão.
Um dia depois do edificante espetáculo, que o falecido e notável escritor e crítico literário Álvaro Lins poderia ter chamado de “A Glória de César e o Punhal de Brutus”, eis que o Supremo Tribunal Federal se reúne para decidir se deveria estar mesmo reunido para decidir, afinal de contas, algo que o próprio Presidente da República, na época, já tinha decidido.
Ou seja: se Césare Battisti podia ou não ser considerado um asilado político e se, como tal, poderia ser colocado em liberdade.
O emaranhado jurídico, um tanto surrealista, não é fácil de entender: no final do ano passado, o STF concluiu que Battisti deveria ser devolvido à justiça italiana, mas concluiu também que a palavra final deveria ser dada pelo presidente da República.
O presidente demorou e decidiu pela concessão do asilo. O caso voltou ao STF que deveria decidir se a decisão do presidente era mesmo decisiva ou se ainda cabia a ele, STF, decidir sobre a decisão do presidente.
Deu-se que 6 juizes acharam que a decisão do presidente era decisiva e 3 acharam que não.
O fato é que Battisti está livre, você poderá cruzar com ele em qualquer esquina, e se tiver estômago poderá até ler algum dos romances “noir” com os quais ele diz que pretende ganhar a vida.
Matou quatro? Mas esse é um detalhe, ele apenas queria libertar a Itália da democracia.
Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br
quinta-feira, 9 de junho de 2011
O procurador que encontrava um culpado por semana finge que não vê bandidos há seis anos e meio
Augusto Nunes, 31/07/2009
Até janeiro de 2003, o procurador Luiz Francisco Fernandes de Souza encontrava um pecador por semana. Desde o dia da posse do companheiro Lula, não enxergou mais nenhum. Aos 47 anos, há seis e meio ele anda sumido do noticiário político-policial que frequentou com assiduidade e entusiasmo enquanto Fernando Henrique Cardoso foi presidente. Continua solteiro, mora na casa dos pais, pilota o mesmo fusca-85, enfia-se em ternos amarfanhados que imploram por tinturarias e não usa gravata. A fachada é a mesma. O que mudou foi a produtividade.
Se o que aconteceu nos últimos meses tivesse ocorrido na Era FHC, Luiz Francisco estaria encarnando em tempo integral, feliz como pinto no lixo, a figura do mocinho disposto a encarar o mais temível dos vilões. O Luiz Francisco moderno quer distância de barulhos. Enquanto cardeais da igreja principal e sacerdotes do baixo clero multiplicavam em ritmo de Fórmula 1 o acervo nacional de crimes, delitos, contravenções e bandalheiras em geral, ele atravessou o primeiro semestre em sossego. Enquanto senadores pediam empregos, ele encaminhava pedidos de licença remunerada. Todos foram atendidos.
Nascido em Brasília, ex-seminarista da Ordem dos Jesuítas, ex-bancário, ex-sindicalista, Luiz Francisco cancelou a filiação ao PT em 1995, 20 dias antes de tornar-se procurador regional do Distrito Federal. ”A militância é incompatível com o cargo”, explicou. A prática trucidou a teoria: nunca militou com tamanha aplicação. Convencido de que sobrava bandido e faltava xerife, não respeitava fins de semana, feriados ou dias santos. “Trabalhar é minha grande diversão”, repetia entre uma e outra denúncia.
Luiz Francisco garante que ganha pouco mais de R$ 7 mil por mês. Até que desistisse da candidatura a operário-padrão, mereceu os R$ 19 mil prometidos como salário inicial a um procurador do Distrito Federal. Nenhum outro conseguiria acusar tanta gente durante o dia e, à noite, escrever dúzias de parágrafos do livro que exigira 24 anos de pesquisas. Publicado em 2003 pela Editora Casa Amarela, “Socialismo, Uma Utopia Cristã” pretende provar, segundo o autor, que “até a metade do século XIX o socialismo exibia uma clara inspiração religiosa, especialmente cristã”. Tem 1152 páginas.
Deveria ter sido menos prolixo. Intrigados com o mistério da multiplicação das horas do dia, outros procuradores e todos os inimigos examinaram com mais atenção a papelada que jorrava da sala de Luiz Francisco. Aquilo não fora obra de um homem só, informaram as mudanças de estilo, a fusão de trechos corretamente redigidos com atentados brutais ao idioma, o convívio promíscuo entre substantivos em maiúsculas e adjetivos em minúsculas. E então se descobriu que o inquisidor incansável frequentemente assinava ações, denúncias e representações que já lhe chegavam prontas, enviadas por interessados na condenação de alguém.
Decidido a atirar em tudo que se movesse fora do PT, acabou baleando com denúncias fantasiosas vários inocentes. Nenhum foi tão obsessivamente alvejado quanto Eduardo Jorge Caldas Pereira, secretário-geral da Presidência da República no governo Fernando Henrique. Há menos de dois meses, o Conselho Nacional do Ministério Público reconheceu formalmente que Eduardo Jorge, enfim absolvido das denúncias improcedentes, foi perseguido por motivos políticos e condenou o perseguidor a 45 dias de suspensão.
Luiz Francisco alega que o caso está prescrito. Se tivesse obedecido à Justiça, bastaria provar que pelo menos uma das numerosas acusações a Eduardo Jorge fazia sentido. Como obedeceu aos mandamentos da seita petista, prefere usar o calendário para encerrar a história que o devolveu ao noticiário no papel de culpado —pela segunda vez desde o começo da superlativa temporada de férias. A primeira está completando três anos.
Em 2006, o procurador que se dispensou de procurar criminosos foi procurado pelo colombiano Francisco Colazzos, o “Padre Medina”, procurado pela Justiça do país onde nasceu. O foragido apresentou ao homem da lei as credenciais de embaixador das FARC e pediu ajuda para escapar da cadeia. Celebrada a aliança entre o ex-sacerdote acusado de homicídio e o ex-seminarista que nunca viu um pecador caseiro, renasceu o ativista temerário. Luiz Francisco ensinou o parceiro a safar-se de investigações policiais. Os truques só conseguiram retardar a prisão.
O protegido esperava na gaiola o julgamento do pedido de extradição encaminhado pela Colômbia ao Supremo Tribunal Federal quando o protetor foi à luta. Embora não tivesse nada a ver com o caso, entrou com uma ação judicial para que Colazzos fosse devolvido à Polícia Federal. A solicitação foi encampada sucessivamente pelo Ministério Público, pela Polícia Civil e pelo juiz da Vara de Execuções Criminais, Nelson Ferreira Junior, antes de esbarrar no ministro Gilmar Mendes.
Admoestado pelo presidente do STF, publicamente e com aspereza, Luiz Francisco só escapou de castigos mais severos porque o Planalto nunca falta a companheiros aflitos. Dois meses depois da tentativa de obstrução da Justiça, o governo promoveu Colazzos a guerrilheiro, concedeu-lhe asilo político e, de brinde, arrumou emprego para a mulher. Sem alternativa, o STF devolveu-o a liberdade.
O que mais andou fazendo Luiz Francisco para matar o tempo?, quis saber a coluna nesta sexta-feira. Uma funcionária da Procuradoria informou que não seria possível encontrá-lo. Em lugar incerto e não sabido, está gozando de mais um período de descanso remunerado.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
O pão no Paraíso
El pan más malo del mundo
Iván García
La Habana | 06-06-2011 - 9:01 pm.
Entre ratas y fórmulas adulteradas, el pan que se cuece en La Habana quizás sea peor que el consumido en Europa durante la Segunda Guerra Mundial.
Quizás el pan más malo del mundo sea el que se confecciona ahora mismo en La Habana. Quizás sea incluso peor que el que se consumía en Europa durante la II Segunda Guerra Mundial.
Por la libreta o cartilla de racionamiento —que según Raúl Castro tiene los meses contados— cada cubano, sea revolucionario o disidente, santero o católico, tiene derecho a comprar un mísero y magro panecillo de 80 gramos por 0,05 centavos de pesos (menos de un centavo de dólar) al día.
Dicho pan es redondo y de corteza suave. Su sabor varía según la harina, el conocimiento del maestro panadero y los deseos de trabajar de sus elaboradores. Aunque casi nunca está caliente y es bastante desabrido, muchas personas se lo zampan de dos mordidas antes de llegar a casa.
Quienes tienen paciencia y mayonesa o un trozo de queso blanco en la nevera, pueden deglutirlo mejor. A veces lo rematan con un vaso de refresco instantáneo, la opción más barata para ingerir otro líquido que no sea agua.
Ese pan, aunque impresentable, ha generado un vasto y lucrativo negocio. A pesar de encontrarse en la mirilla de la prensa oficialista —con esa manía tan típica de las sociedades totalitarias de atacar y criticar a trabajadores y administrativos de bajo nivel— el personal que labora en las panaderías siempre se las apaña para hacer dinero.
Según Raudel, joven maestro panadero, hay tres formas de buscarse un extra. "Una es vendiendo a peso el pan de 80 gramos, un poco mejor elaborado. O vendiendo harina y aceite, que siempre sobran, pues la confección del pan por la 'libreta' se hace con normas adulteradas. Otra manera de hacer plata es mantener un trato con dueños de cafeterías particulares, quienes a un precio previamente acordado compran grandes cantidades de panes de varios tipos elaborados con calidad".
En una jornada, un maestro panadero se echa al bolsillo entre 600 y 700 pesos (de 25 a 30 dólares). Por su parte, los aprendices ganan entre 100 y 200 pesos cada noche. Luego de producir el pan para la venta racionada, confeccionan galletas de sal, pan de corteza dura o palitroques, y los venden a diez pesos (0,50 centavos de dólar) por jaba.
El estado y la higiene de la mayoría de las panaderías habaneras es lamentable. "Si los consumidores vieran cómo se elabora el producto, les entrarían deseos de vomitar", dice Yasser, un muchacho de 16 años que prefirió dejar los estudios y ayudar a su familia trabajando en madrugadas alternas en una panadería del municipio 10 de Octubre.
El agua donde Yasser trabaja está contaminada. "Dicen que en la cisterna hay restos de gatos que se han ahogado", cuenta otro panadero mientras se empina un amplio trago de ron.
Puede que sea una exageración. Pero por algunas panaderías las ratas se pasean descaradamente. Y los propios panaderos no cumplen las reglas higiénicas.
Sudan sobre la masa mientras amasan la harina, y en muchas ocasiones, por falta de carros, las bandejas del pan ya elaborado se colocan en el piso. Es común que durante las madrugadas, los panaderos se acompañen de un buen litro de ron.
En los barrios marginales, donde abundan las putas baratas, a ratos, a cambio de una cantidad de panes o pagando 100 pesos (5 dólares) los panaderos tienen sexo encima de las propias mesas donde elaboran el pan.
En los años críticos del "período especial", un panecillo redondo de 80 gramos llegó a costar 5 pesos. "En esa época pude comprarme un carro americano", recuerda Leandro, maestro panadero.
Ahora las cosas han cambiado. Aunque el pan sigue racionado, en La Habana existe una cadena de panaderías que vende pan por la libre de mejor calidad y aspecto: a diez pesos la flauta dura y a tres la suave.
Por moneda dura también se puede comprar pan. Aunque tampoco es para tirar cohetes. Quizás la excepción sea el Pain de Paris, la red de dulcerías y panaderías de estilo francés que existe en varios sitios céntricos de la capital. En ellas, el pan cumple con las exigencias del paladar de un forastero de paso por La Habana o de un cubano con dinero.
Sólo que, en el Pain de Paris, una hogaza puede costar más de un dólar. El salario de dos días de un obrero. Y no hay bolsillo que aguante.
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