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quinta-feira, 1 de março de 2012

Dilma pesca Crivella para que ele pesque os evangélicos


Do blog do jornalista Ricardo Noblat (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/) em 01/03/2012:

Dilma pesca Crivella para que ele pesque os evangélicos


Com uma nota distribuída à imprensa, ontem, a presidente Dilma Rousseff informou que decidiu nomear ministro da Pesca o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

Por que?

Dilma não disse. Nem mandou que ninguém dissesse por ela.

Se algum jornalista perguntar a um assessor de Dilma por que Crivella, político de um partido insignificante, ganhou um ministério também insignificante, ficará sem resposta.

Parece-lhe concebível que algo parecido aconteça nos Estados Unidos? Ou na Inglaterra? Ou na França?

Na Itália da época de Berlusconi poderia acontecer - e olhe lá.

Em democracias de verdade dá-se satisfações ao distinto público o tempo todo.

Aqui o regime presidencialista tem inúmeros pontos de contacto com o regime autoritário.

Não quer justificar uma nomeação de ministro? O presidente não justifica.

Não quer responder a uma acusação? Não responde.

Não quer esclarecer por que duas vezes demitiu o mesmo ministro?

Não esclarece.

No caso, refiro-me ao deputado carioca Luiz Sérgio, do PT, que entrou no governo pela porta do ministério das Relações Institucionais, acabou transferido para o ministério da Pesca, e dali saiu pela porta do fundo.

Presidencialismo e autoritarismo se aproximam mais ainda quando o servidor número um da República tem um comportamento autoritário.

Dou por provado que Dilma exibe um perfil autoritário, haja visto como conduz seu governo e trata - ou maltrata - seus auxiliares.

O PRB de Crivella tem um candidato a prefeito de São Paulo. Ali, Lula empurrou goela abaixo do PT a candidatura de Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, que jamais concorreu a nada.

O tal candidato do PRB lidera as pesquisas de intenção de voto, mas dificilmente se elegerá.

Haddad quer o apoio do PRB e do seu candidato no segundo turno, se não for possível no primeiro.

O que ele mais quer, porém, é que os pastores, bispos e fiéis da poderosa Igreja Universal o deixem em paz. Parem de espancá-lo. Se possível o perdoem e até lhe confiram seus votos.

Os evangélicos apontam Haddad como responsável pelo "kit-gay" - material que seria distribuído em escolas para combater preconceito contra homossexuais.

- "Nós [religiosos] vamos derrotar o Haddad e qualquer um que acredite em 'kit gay' e aborto - ameaçou um dia desses o senador evangélico Magno Malta (ES), líder do PR.

Dilma fisgou Crivella para que ele aplaque a santa ira dos evangélicos contra Haddad.

Se além disso Crivella conseguir que o PRB apoie a candidatura de Haddad, tanto melhor.

Entendeu por que Dilma, do alto de sua arrogância, não justificou nem justificará a promoção de Crivella?

É para evitar que a acusem de usar o governo para beneficiar o candidato de Lula a prefeito de São Paulo.

Imaginem só a faxineira ética procedendo dessa maneira.

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