terça-feira, 3 de abril de 2012
Airton Ferreira da Silva
O que Pelé dizia de Airton Ferreira da Silva
Diogo Olivier, 03 de abril de 2012
Coube a mim a tarefa, involuntária, de dar a notícia da morte de Airton Ferreira da Silva (o sexto em pé, da esquerda para a direita) grande companheiro de Grêmio e amigo eterno, Alcindo Marta de Freitas, o Bugre Xucro.
Telefonei assim que soube da morte de um dos maiores nomes do futebol gaúcho e brasileiro, em busca de um depoimento sobre a perda irreparável de um gigante.
E Alcindo me contou, emocionado, uma história linda e absolutamente emblemática para que qualquer pessoa, de 0 a 100 anos, saiba com exatidão quem foi Aírton Pavilhão. Com a palavra, Alcindo, o centroavante que saiu do Grêmio e foi para o Santos a pedido de Pelé, nos anos 60:
- Quando cheguei no Santos, claro, eu falava muito com o Pelé. Ele tinha sido importante para a minha contratação. Numa dessas conversas, o Pelé quis saber sobre o Aírton. Ele nem sabia o seu nome. Me perguntou quem era aquele queixudo grande e elegante, que marcava sem fazer falta.
O Pelé me disse que tinha jogado contra ele sem que fosse tocado uma vez sequer. Sem uma falta, nada. E, mesmo assim, o Pelé me garantiu que era quase impossível driblá-lo.
Impossível não podia ser, porque Pelé é Pelé. Mas o Pelé se encantou com o Aírton. Dizia, impressionado: "Aquela cara me marcou sem fazer falta! Sem nem me tocar. E me marcou, realmente me marcou".
Para mim, o Aírton era o melhor zagueiro do mundo. Eu sou centroavante, joguei com ele, treinei com ele centenas de vezes e digo: era o melhor zagueiro do mundo. Meu testemunho é esse. Eu ouvi o que te conto agora da boca de Pelé, simplesmente do Pelé.
Poderia existir um depoimento mais espetacular do que este sobre Airton Ferreira da Silva?
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