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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

“Onde estão nossos mendigos?"


Do blog de Janer Cristaldo, quarta-feira, 24/02/2010:


Para preservar a cidade, a prefeitura do Rio está instalando pedras sob viadutos e obstáculos de ferro sobre bancos de praça. Reação imediata do coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do estado, Leonardo Rosa Melo da Cunha, que estuda medida judicial para impedir a iniciativa municipal. Particulares também poderão ser alvo de processo. “As medidas são dirigidas a parcela marginalizada da sociedade, numa espécie de limpeza social. Isso fere os direitos humanos”, disse o coordenador.

Não bastasse conferir prêmios a criminosos, os tais de Direitos Humanos defendem o direito de morar na rua. Como se rua fosse casa. A nenhum destes senhores ocorre a idéia de tentar elevar à condição de gente esse lixo humano que empesta as cidades. Pois aí perderiam a razão de ser. Quanto ao cidadão que trabalha, que batalhou para morar em bairro decente, em uma rua agradável, que paga IPTU exorbitante, este que se lixe. Se você quiser proteger-se da mendicância, corre o risco de sofrer ação jucidial.

Já contei, conto de novo. Quando cheguei em São Paulo, residi perto do Largo Santa Cecília, que entorna a igreja Santa Cecília. Na época, era um imundo pátio de milagres, cheirando a urina e fezes, com homens, mulheres e crianças amontoados uns sobre os outros. Quando o serviço de limpeza da prefeitura chegava com suas máquinas para limpar a praça com jatos de água, os tais de Direitos Humanos davam-se ao trabalho de madrugar, para deitar-se no largo e impedir que as máquinas incomodassem o chamado “povo das ruas”. Que, pelo jeito, já conquistaram o status de nação.

Certo dia, sei lá por que razões, os mendigos sumiram. Estou em meu barbeiro e leio um jornaleco da paróquia, o Santaceciliano. Nele, uma assistente social reclama: “onde estão nossos mendigos? Quem os retirou do Largo? Queremos nossos mendigos de volta”.

Miséria rende bons dividendos. Não para os miseráveis. Mas para os gigolôs da miséria. Enquanto miséria der lucro, as ruas das grandes cidades continuarão infestadas de miseráveis.

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